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A bem da Nação

VOLTANDO A MOÇAMBIQUE

 

A aventura dos Optimist

1973

 

Por enquanto, história mais antiga de Moçambique, fica... de férias. Os últimos oito textos foram rebuscados em revistas moçambicanas, ali publicadas entre os anos 30 e 60, mas parece que só interessaram a quem conhece aquele país.

 

Escrevi ainda, e está neste blog, sobre uma visita a Maputo em 1991, sobre a estadia na Casa do Gaiato em 2001, alguma coisa sobre a confusa época anterior à independência, mas nada sobre o tempo tranquilo da estadia naquele país, de 1971 a 74.

 

Está na altura de relembrar alguns episódios ali vividos.

 

1973, sem lembrar já em qual o mês.

 

O BCCI – Banco de Crédito Comercial e Industrial (filho do defunto português Borges & Irmão que foi um grande banco e mal administrado no seu final) procurava, através de ações de Relações Públicas, cada vez mais expandir a sua influência nos meios financeiros locais, apesar de ser “obrigado” a fazer nos jornais uns anúncios institucionais que não tinham outro objetivo além de adoçar as boquinhas, sempre famintas, de uns quantos jornalistas, mas sem efeito prático algum.

 

Surgiu uma ideia.

 

Aquela linda baía de Lourenço Marques, a Delagoa Bay, tinha poucos barcos à vela, talvez não tivesse nenhum veleiro grande, e só o Club Marítimo era o lugar duns quantos apaixonados, talvez só com os pequenos “Vaurien”. Quarenta e três anos depois a memória não vai ao detalhe para saber quantos barcos havia e que tipo, mas vamos em frente.

 

Já não lembra como se soube que havia alguém habilitado em construir os ainda hoje famosos Optimist, o melhor barco já concebido para a iniciação à vela, e destinado a “atletas” até aos doze anos!

 

O banco gostou da ideia. Procurou o apoio do Fundo de Fomento Desportivo que abraçou o projeto. Mandou fazer uma dúzia daqueles barquinhos e anunciou pelos seus clientes que seriam vendidos em 6 ou 12 parcelas, sem juros.

 

Tudo combinado para o lançamento, com a presença do Secretário Provincial de Educação Física. Mesa de “honra”: o Diretor do Club Marítimo, o mencionado Secretário e o Administrador do banco.

 

E assim se fez a festa. Doze ou catorze atletas, dos nove aos doze anos, os pais, a maioria sem saber nada de vela, a ajudarem os jovens a aparelhar o “navio” e lá vai a grande regata, de que saiu vencer, um garoto, lourinho, promessa de marinheiro, já com doze anos que as meninas concorrentes achavam que era (era!) lindo: o Carlos Prista. A nossa Joana tinha nove anos e, sempre a rir, porque nunca tinha “governado” um barco, ficou brilhantemente em última. Mas adorou!

 

A seguir alguns pais, mais destemidos quiseram experimentar os veleiros.

 

Ficou na memória a figura de um deles, grande, pesado, que uma vez dentro do barco este ficou com o casco todo dentro de água! O “navegador” sorria mas só se via um meio corpo, um mastro e uma vela que mal se mexiam no mar. Fez enorme sucesso.

 

As fotos abaixo, recuperadas ao fim de todos estes anos de imagens do filme de 35 mmm que um jornalista filmou para ser passado nos cinemas, como um notável acontecimento desportiva para a então Lourenço Marques, têm uma qualidade muito fraca, mas quem as vir pode ser que se recorde de alguma coisa ou de alguém.

 

FGA-Optimist cartaz.jpg

 

FGA-optimist em seco.jpg

 

FGA-optimist em seco 2.jpg

 

FGA-MEDALHA.jpg

 

FGA-senhoras.jpg

 De cima para baixo: o cartaz de propaganda, o preparo dos barcos, “quase” prontos para a regata, o vencedor e algumas mães “nervosas” com a aventura.

 

Foi uma festa bonita, sobretudo para os “grandes atletas” que nela participaram. Há 43 anos!

 

Mas ainda há muito para contar sobre Moçambique. Atravessa agora uma fase difícil. Também o Brasil, toda a América Latina, Portugal, Espanha, Grécia e tantos outros.

 

Agosto de 2016

 

Francisco G. Amorim-IRA.bmp

Francisco Gomes de Amorim

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