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A bem da Nação

VIKINGS - 4

 

 

Lagertha é o exemplo das mulheres que lutaram militarmente nas guerras dos povos nórdicos, nomeadamente daqueles a que hoje chamamos suecos e que povoam largamente a mitologia nórdica. Diz quem sabe que há mitos femininos presentes em documentos, textos e poesia de toda a Escandinávia.

Lagertha.jpg

Lagertha foi líder militar e obteve o título de Duquesa

 

Nas lendas escandinavas, Lagertha é esposa do guerreiro viking Ragnar Lothbrok, é skjaldmö (“donzela de escudo”), participa em diversas batalhas, assume a liderança militar e chega a Duquesa. Segundo o «Gesta Danorum», livro do século XII sobre feitos escandinavos na particularidade dinamarquesa, da autoria do historiador medieval Saxo Grammaticus, Lagertha era guerreira e reconhecida valquíria. A presença de mulheres guerreiras na mitologia nórdica parece mesmo indicar que elas tinham uma posição social mais destacada do que noutras sociedades antigas, nomeadamente as meridionais então conhecidas.

 

A civilização viking era envolta em grande misticismo, a começar pelo uso das runas, alfabeto mágico dos povos germânicos e como tinham uma religiosidade baseada em cultos, actos e rictos, mas não em dogmas, a cultura religiosa sofreu mudanças após o domínio cristão. O cristianismo introduziu novos conceitos religiosos e influenciou as fontes históricas pelo que talvez hoje não consigamos conhecer mais do que uma versão «interpretada» (para não dizer «deturpada») da realidade viking original.

 

Para conhecer um pouco da mitologia nórdica, ver, por exemplo, em

https://mitologia-nordica.net/deusas/

 

Os mitos, lendas e sagas nórdicas só foram escritos e, portanto, fixados culturalmente, na era cristã durante o processo de consolidação dos reinos da Dinamarca, Noruega e Suécia.

 

Viking era um ofício ligado a operações de guerra, pirataria e comércio marítimo, constituindo uma pequena parcela da população, formada na maioria por camponeses. O modelo feminino ficou, assim, com aspectos conflituantes: de um lado, havia deusas vikings associadas a valores guerreiros, de autossuficiência, de feminilidade e de feitiçaria enquanto do outro lado havia a Virgem Maria como modelo de pureza, submissão e devoção à família.

 

Diferentemente do cristianismo, na cultura viking havia sacerdotisas que dirigiam rituais de sacrifício e ritos de adoração aos deuses. De um modo geral, a mulher integrava expedições colonizadoras, podia participar na defesa armada em casos de ataque, tinha plenos direitos perante a sociedade tais como acesso à propriedade, direito à herança do marido e podia tomar a iniciativa do divórcio.

 

Em resumo, a mulher viking lutava e, portanto, tinha os mesmos direitos que os homens. Por aqui se vê a diferença com as sociedades meridionais cujo argumento principal para aplicação da «Lei Sálica» era e ainda é o de a mulher, não combatendo, não ter os mesmos direitos que o homem.

 

Eis como as sociedades nórdicas sempre aproveitaram ao máximo as potencialidades de todos os seus membros, homens e mulheres, enquanto nós, cá pelo Sul, seguíamos (e os muçulmanos continuam a seguir) uma prática misógina, redutora das potencialidades endógenas globais.

 

Não é por acaso nem por azar que uns são desenvolvidos e outros continuam boçais.

 

(continua)

 

Janeiro de 2019

Rua mais estreita de Estocolmo.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(Estocolmo histórico, na rua mais estreita da cidade medieval)

 

BIBLIOGRAFIA:

«Guerreiras viking», Pedro Machado Frossard - Revista Planeta, edição 522, 13JUL16

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