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A bem da Nação

VIKINGS - 2

Ainda não tínhamos recolhido as malas no aeroporto de Hamburgo e já eu me lembrava de Lutero que disse que «a salvação se consegue pelo trabalho» (Deus não quer madraços no Céu), de Kant cujo «imperativo categórico» afirma que toda a gente tem a obrigação ética de contribuir para o bem-comum do seu grupo social, da sua Nação e lembrei-me também de Max Weber (o «pai» da Sociologia) que pegou naqueles ditames e, conjugando-os, escreveu um livro que tenho por fundamental para se perceber os alemães, «A ética protestante e o espírito do capitalismo». Os meus leitores sabem perfeitamente conjugar estas três referências, prescindem de explicações. Lembrei-me também dos resultados obtidos por políticas benignas quando aplicadas a uma parte dessa Nação quando comparados com os homólogos resultantes da aplicação de políticas malignas à outra parte.

E assim foi que, sem saber exactamente por onde nos levavam, almoçámos numa margem do rio Auster por ali canalizado entre prédios de afável compostura.

Depois do almoço fomos dar uma volta pela cidade (que não reconheci de quando lá fui em 1959 e em 1961) e visitámos a Igreja de S. Miguel.

Um espanto, caiu-me o queixo!

Relativamente modesta por fora mas magnífica por dentro com sete órgãos de tubos (cinco visíveis e dois em segundo plano); como igreja luterana, ali apenas se veneram Deus e Jesus Cristo pelo que nem Nossa Senhora é venerada – total ausência de iconografia. Mas se disto eu já esperava, o meu espanto teve a ver, obviamente, com o que eu não esperava: na cripta repousa «apenas» Georg Friedrich Telemann, Carl Emmanuel Bach e Johannes Brahms. Caramba, um ptotopanteão da música alemã!

Mas o que mais me espantou foi aquela igreja ter como orago o «nosso» Arcanjo S. Miguel, o Protector de Portugal.

Duvido que os frequentadores habituais daquela igreja conheçam a história de S. Miguel mas daqui lhes agradeço a simpática devoção.

Nos tempos megalíticos em que ao nosso território, Portugal, se chamava Ofiuza (a terra da serpente, símbolo da sabedoria), a cultura druídica instituiu a veneração a Endovélico cujo culto perdurou até aos tempos de Viriato. Com a chegada dos romanos, o deus Endovélico foi redenominado Zéfiro e com a cristianização, àquele espírito foi reconhecido o estatuto de Arcanjo sendo então denominado Miguel. Eis a história de S. Miguel Arcanjo a cuja protecção Portugal se guarda.

Mas esta crónica já vai longa e, assim, por aqui me fico. Amanhã há mais…

(continua)

Henrique Salles da Fonseca

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