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A bem da Nação

VAIVÉM ENRIQUECEDOR

 

 

É sobre a i/emigração, o artigo de António da Cunha Duarte Justo. Bela análise de um fenómeno social e cultural, com largas implicações no desenvolvimento de uma nação pequena mas corajosa que há muito decidiu sobreviver a qualquer preço fora da pátria madrasta, a qual sempre se geriu por leis de primeira e de terceira classe, de acordo com a componente social a que se destinam.

Das terras que outrora alguns descobriram, se geraram, posteriormente, os “retornados”, imigrantes também olhados com desprazer e desconfiança pela nação a que julgavam pertencer.

 

O apodo de emigrante nem sempre tem conotação negativa. Quando vemos as vilas e aldeias de Portugal de cariz tão mudado do que foi, com casas pintadas e ajardinadas, os espadas preenchendo os espaços das estradas, onde outrora só havia carreiros para os carros de bois, e tal se devendo acima de tudo ao cuidado posto pelos que trabalharam lá fora onde ganharam o que não obtiveram cá dentro, o sentimento que domina não será de desdém. Desdém pelo “brasileiro de torna-viagem” revelou-o Camilo - duramente satirizado por Eça - nos seus jeitos rudes, de imponência ridícula no solo pátrio, e cujo bem-estar fora alcançado na dura servidão do sertão brasileiro.

Os emigrantes dos anos sessenta, cujas remessas ajudaram a sustentar a banca nacional, serão, quando muito, alvo de mesquinha inveja, o que os não deve afectar grandemente. Trabalharam em países onde os seus direitos a justos vencimentos foram respeitados, e onde puderam educar os filhos convenientemente. Não me refiro tanto aos “emigrantes” em fuga de guerra, que puderam estudar lá fora, ajudados pelas famílias de cá, alguns dos quais se tornaram posteriormente elementos valiosos da cultura nacional.

 

A emigração actual do nosso país, imposta por uma crise económica sem precedentes, devida a sucessividade de políticas desastrosas nacionais em que o afluxo de dinheiro estrangeiro criara hábitos de esbanjamento e corrupção inigualáveis, é uma emigração “sui generis”, de gente mais educada que não se sujeitará, talvez, aos serviços físicos da dos anos sessenta. Não vão ajudar a sustentar a banca, pois que os seus objectivos visam puramente a sua sobrevivência e a satisfação dos seus empenhamentos culturais. Mas ajudando-se a si mesmos, são contributo, pela sua exclusão aqui, para eliminação do desemprego nacional, donde, a importância de que se reveste a actual emigração.

 

Tal como a de todos os tempos, desde os angariadores do “ouro, canela, marfim”, passando pelos Estrangeirados do nosso Iluminismo, pelos brasileiros de torna-viagem, pelos emigrantes africanos, pelos vários espécimes das emigrações a partir do governo de Salazar.

 

 Berta Brás

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