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A bem da Nação

UMA VIAGEM AO INFERNO – 5

 

O CICERONE AMADOR

 

Saindo de Oleiros, eis-nos novamente envolvidos pelo Inferno rumo à Sertã para visita breve, almoço e fim do pagode para seguirmos até casa, em Lisboa.

 

- O Senhor pode dizer-me onde é o castelo?

- Sim, posso mas é mais fácil levar-vos até lá. Venham a trás de mim.

- Que ideia! Não se incomode, diga só como havemos de fazer e lá chegaremos.

- Não incomoda nada! Gosto muito de mostrar a minha terra. Sou cicerone amador.

 

E lá fomos a trás do Senhor cicerone amador... Descemos a rua até ao fim, virámos à esquerda, seguimos ao longo da ribeira onde está a ponte velha, virámos de novo à esquerda, subimos a rua até ao topo e o castelo estava fechado. O cicerone amador já se propunha ir a casa do porteiro do castelo buscar a chave mas lá conseguimos (não sem esforço) convencê-lo a não ir incomodar o Fulano que devia estar a almoçar tranquilamente com a família. Era Domingo, deixássemos o porteiro gozar a folga semanal.

 

Sertã-Castelo.jpg

 

- Mas ao Domingo é quando há mais turistas, não se percebe que ele folgue ao fim de semana. Ele devia folgar durante a semana, não hoje – resmungava o nosso cicerone amador.

- Pois. Só que nós não somos o Presidente da Câmara de cá e não podemos alterar os usos e costumes da terra. Deixe-o tranquilo, Senhor…

- … João. Mas há aqui à frente o miradouro e os Senhores podem ficar com uma ideia geral da Sertã.

- Boa ideia! E onde podemos estacionar os carros?

- Encostem aí, devem caber.

 

Não cabiam. Fomos andando um pouco mais para a frente e vemos o Senhor João a acenar muito entusiasmado. Havia lugares disponíveis para cada um dos nossos carros mesmo em frente do miradouro.

 

- Isto é que foi pontaria! O Senhor adivinhou que nós vínhamos cá e mandou vagar estes lugares.

- Sim, sim. Parem aí!

 

E assim fizemos. Mas não parámos, estacionámos mesmo. Fomos para o miradouro e ficámos a saber que o Senhor João tinha tido um restaurante durante 30 anos, que antes disso estivera no «Estoril Sol» e depois no «Casino do Estoril», que agora tem um stand de automóveis … - mas são os meus rapazes que orientam tudo por lá - … mas já teve uma empresa de flippers que depois vendeu aos empregados…

 

- Mas ó Senhor João, ponha-se aqui debaixo do chapéu que está a molhar-se todo com a chuva.

- Não é preciso, não me incomoda nada.

 

E mais disse que… eu sei lá, que já não o ouvia.

 

- Reparem naqueles que estão ali em baixo. Vão todos para o vosso restaurante que é muito bom. Claro que não é tão bom como o que eu tive mas vão ficar satisfeitos. É ali ao pé da «casa da música». Estão a ver?

 

Sim, estávamos. O meu amigo despediu-se do Senhor João pelo menos três vezes e eu outras tantas. As Senhoras agradeceram à distância, que também já não o ouviam.

 

- E estão a ver aquela casa vermelha lá no alto? Aquela casa é minha que a comprei ao Doutor… homem muito sério. Mas eu vivo na outra ao lado, aquela está alugada (em vez de arrendada, mas eu não corrigi porque isso daria aso a mais conversa). Mas vamos então, os Senhores já devem estar com fome.

- Sim, sim, vamos! Até porque os nossos amigos que vêm noutro carro já lá devem estar à nossa espera.

- Eu levo-os lá – ainda não seria desta que nos livrávamos dele. Lá foi à nossa frente a indicar o caminho e quando chegámos, lá estavam os lugares de estacionamento disponíveis para os nossos três carros. Pensei, mas não disse, que ele era chato, muito chato, mas também devia ser mágico de lugares de estacionamento.

 

- Muito obrigado, Senhor João, foi muito amável.

- Muito gosto! E tomem estas canetas lá do stand. Só não tenho canetas para todos.

- Oh Senhor João, não esteja a incomodar-se mais connosco…

 

E lá foi à vida dele que nós seguimos para dentro do restaurante antes que ele se arrependesse e voltasse a contar mais coisas. Só que, da terra, nada aprendemos. Sim, um verdadeiro Inferno!

 

Conclusão: Vivam os cicerones profissionais!

 

Abril de 2018

Henrique Salles da Fonseca.png

Henrique Salles da Fonseca

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