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A bem da Nação

UMA VIAGEM AO INFERNO – 1

 

 

DE COMO IR AO INFERNO

 

Qualquer português adulto minimamente atento sabe como ir ao Inferno: a partir de Lisboa, toma a A1, corta em Alcanena para a A23, no Entroncamento vira para Norte e segue pela A13 e não muito longe de Condeixa vira para o IC8 rumo a Castelo Branco; chegado a Pedrógão Grande, está no centro do Inferno, onde o Diabo não lhe aparece mas apenas as suas vítimas.

 

Hoje, o Inferno é negro e castanho, da côr da cinza negra e das folhas mortas. A perder de vista, estende-se por montes e vales…

 

Como diz o povo, «uma dor d’alma».

Floresta ardida 2017.jpg

 

PORQUÊ IR AO INFERNO?

 

Porquê? Simplesmente porque não somos amorfos e uma coisa é ver a desgraça na televisão enquanto outra, bem diferente, é ver o resultado dramático no local onde tudo se passou. Não é morbidez, é solidariedade.

 

E se com as despesas que fizermos localmente pudermos ajudar directa ou indirectamente à retoma da vida de quem tudo perdeu, esse é por certo um modo bem modesto de se tentar fazer o bem sem se olhar exactamente a quem.

 

Ajudámos as vítimas da Lousã, de Oleiros e da Sertã e foi no caminho entre elas que visitámos o Inferno.

 

Abril de 2018

 

Holanda-JAN18.JPG

Holanda-JAN18.JPG

Henrique Salles da Fonseca

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