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A bem da Nação

UMA PEQUENA NOTA SOBRE OS GOULART AÇORIANOS

Goulart.bmp

Brasão da Família Goulart

 

Desde a imprecisa data do seu descobrimento pelos portugueses, por volta de 1430, o arquipélago dos Açores sofreu, em épocas específicas, deficiências materiais e humanas que marcaram sua existência. Porém, apesar das iniciais dificuldades de desbravamento e ocupação do espaço ilhéu, pela distância e isolamento, suas terras férteis foram um atractivo à colonização portuguesa e depois estrangeira. Pouco a pouco as nove ilhas receberam à medida que foram descobertas gente do continente português, e de locais aonde Portugal mantinha relações político-económicas, como Flandres, principalmente.

 

Isabel de Portugal, filha de D. João I, casada com o Duque de Borgonha, Felipe o Bom, e mãe de Carlos, o Temerário, foi incentivadora ao estabelecimento de uma colónia flamenga nos Açores, quando as lutas desastrosas de seu filho provocaram crises políticas de sobrevivência a gente fidalga e mercadores de Flandres.

 

Assim foi que por volta de 1470 chegaram ao Faial os primeiros flamengos. Depois de uma primeira malograda experiência à procura de metais, Joss van Huetere, flamengo de Bruges, através de manobras políticas, conseguiu casamento com uma dama da Corte portuguesa, Beatriz de Macedo (que servia à mulher do Infante D. Fernando), e a donatária da Ilha do Faial.

 

Segundo o historiador açoriano, Frei Diogo das Chagas, tempos passados, já casado, o flamengo tornou ao Faial, desta vez com um grupo maior de gente preparada para colonizar o território ilhéu. Chegaram artífices, obreiros, marceneiros, e pasteleiros. No grupo de Guilherme da Silveira (Willem van der Haghe), que aportou no último quartel do século XV, vieram um individuo de alcunha Pedro “pasteleiro”, e GOVAERT LODEWIJIK (Goulart Luis), naturais de Flandres, indivíduos que poderíamos hoje dizer, especializados na cultura e produção do pastel.

 MADUFA-ISATIS.jpg Isatis Tinctoria

Foto: Wikipedia livre

O pastel, planta tintureira que na fermentação de suas folhas dava uma tinta azul muito apreciada e valorizada nas tinturarias de Flandres, foi trazido e plantado na ilha do Faial com grande proveito por Goulart Luis e companheiros. Em pouco tempo, o cultivo se espalhou pelas demais ilhas, principalmente São Miguel, a ponto de se tornar um produto de exportação tão importante economicamente para as ilhas e reino, que o rei passou a estimular a construção de engenhos para moagem e beneficiamento da planta. Tão destacado se tornou Goulart Luis nessa arte tintureira (produção de bolas de pastel) que o rei o mandou para a ilha de São Miguel, onde havia grande cultivo, para exercer o cargo de lealdador-mor (indivíduo que controlava a produção e qualidade das “bolas” de pastel). Goulart Luis deixou então o Faial e fixou definitivamente moradia em São Miguel, até o final de seus dias.

 

Segundo Marcelino Lima (“Goularts”- Monografia Histórico-Genealógica, p. 167), o nome próprio Govaert é que deu origem nos Açores ao apelido Govarte- Gouarte-Gularte. Dos finais do século XV até o século XVIII, essa foi a ortografia usada pelos Goulart açorianos e por aqueles que emigraram para as possessões portuguesas. Mas segundo ainda o historiador, foi o padre açoriano que se transferiu em 1796 para o Brasil, Francisco Vieira Goulart, bacharel em Filosofia, clérigo, poeta e cientista, que por motivo não sabido afrancesou o sobrenome.

 

Os Goulart se uniram a várias outras famílias dando origem aos Goulart Telles, Garcia Goulart, Goulart da Silveira, Nunes Goulart, Rodrigues Goulart, Medeiros Goulart,...

 

Segundo conta a história, não se sabe com quem casou, mas sabe-se que teve larga descendência que se espalhou pelas ilhas açorianas e pelas possessões portuguesas.

 

Uberaba, 15/04/2015

Maria Eduarda Fagundes.jpg Maria Eduarda Fagundes

 

Notas e referencias bibliográficas:

Genealogias das Quatro Ilhas (Jorge Forjaz e Antonio Ornelas Mendes)

Famílias faialenses (Marcelino Lima)

Anais do Município da Horta (Marcelino Lima)

História dos Açores Vol. I (do descobrimento ao século XX) direcção científica de Artur Teodoro de Matos, Avelino de Freitas de Meneses e José Guilherme Reis Leite.

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