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A bem da Nação

UM TEMPO SEM MODOS

 

Voracidade pela despesa pública.jpg

(*)

A forma como o Governo vai apresentando as suas contas para o próximo ano é, naturalmente, sempre posta em causa, quer elas sejam feitas numa tentativa de melhoria (ainda que demorada), no que ninguém crê, quer sejam decisivas para piorar, o que toda a gente logo enfarda, para poder vomitar os impropérios do costume, indiferentes às condicionantes do status que as ditaram.

Vasco Pulido Valente, faz, como sempre, uma análise lúcida, mas tão frígida e distante como é a indiferença que ele atribui ao Governo a construir o seu Orçamento do Estado para o próximo ano. Porque só repara nos efeitos do modo sobre o tempo, não nos efeitos do tempo sobre o modo. Tempo de dívida, de crise, tempo de penúria, e os seus efeitos sobre uma sociedade sem expectativas, sem esperança. Compara com a “grande depressão” em que a penúria se traduziu em consciência de um tempo irrecuperável – o de anos de felicidade perdida. Para Vasco Pulido Valente, as palavras do Governo sobre a crise – de desemprego, despedimentos, corte nos salários, penhora, trapalhada na colocação de professores, fome pura e simples – não descrevem a realidade, na sua frieza abstracta e ausência de calor humano.

É certo. Esses termos reais não traduzem o horror e a humilhação que provocaram em tantos casos – de casais com filhos, ambos, de repente, desempregados e a ter que recorrer a sopas alheias, de crianças com fome, de velhos desamparados, de jovens sem futuro… Serão também anos de tempos de vida irremediavelmente perdidos no cômputo das vidas de cada um.

Tudo isso é certo. Os tempos da 2ª Guerra, de seres encurralados e mortos em câmaras de gás, não contam no paralelo, porque esses morreram, sem mais perspectivas de vida. Ou os crimes repugnantes perpetrados pelos monstros que o mundo aceitou e vai aceitando, em tentativas de retaliação, é certo, mas quantas vezes impregnadas de cinismo, ao esconder na manga interesses económicos que fazem vender a arma a esses que depois combatem.

São imediatas e esfuziantes, como bichas de rabiar em faúlhas pelo chão, todas estas críticas a um Governo frígido a impor um Orçamento feito na sombra dos gabinetes, o qual logo é posto em causa, como responsável pela continuação da crise, por muito que os responsáveis por esse Governo apontem os dados positivos da sua actuação de três anos. Ninguém os crê, como ninguém crê em ninguém. Também porque sabem que o que se fez tem que ser feito, embora muitos achem que não, que quem nos emprestou dinheiro não precisa de ser indemnizado da dívida monstruosa em que nos afundámos descontroladamente, habituados que estamos a um parasitismo antigo, de dispor de serviços de outros, sem esforço de angariação pessoal.

Um homem tomou a peito o salvar o seu país e exigiu sacrifícios. E logo é atacado, sabendo todos que sem isso, menos hipóteses teremos de sobrevivência. E Vasco Pulido Valente que sabe disso mais do que ninguém, prefere a sua retórica destrutiva, na linha de uma bondade que não se afasta muito, afinal, do discurso monocórdico de uma esquerda a gotejar para a mesma banda, indefinidamente, monocordicamente, sem mudar uma vírgula, desde que a conheço.

«O tempo e o modo»

Se este Orçamento foi pensado como um exercício de reabilitação e propaganda, falhou. Há um erro de princípio que este Governo faz, e persiste em fazer, quando se trata de política económica. As palavras que usa para descrever a miséria portuguesa – desemprego, despedimentos, corte nos salários, penhora, falta e colocação de professores, fome pura e simples – não descrevem a realidade. Primeiro, são termos técnicos. Segundo, não contam com o tempo. Dantes, as biografias de autores que tinham vivido a “grande depressão” diziam sempre o que lhes sucedera nessa época de angústia e de catástrofe. As pessoas percebiam ainda que, para lá do sofrimento pessoal, a “depressão” lhes roubava o que nunca lhes poderia voltar a dar: o tempo perdido. Cinco, seis, sete anos da vida que tinham imaginado para si.

A crise que nos sufoca desde 2011 também interrompeu, ou suspendeu, a vida de milhões de portugueses: velhos, novos, na idade da força e na idade da fraqueza. Os mais novos perderam o entusiasmo e a curiosidade por um futuro independente e adulto. Os mais velhos perderam a tranquilidade de uma existência relativamente segura e, às vezes, confortável, tremendo, à espera do próximo desastre. O grosso do país, mesmo a parte que não sofreu directamente estados de irremediável carência (e essa é pequena), ficou mutilado; por outras palavras, permanentemente diminuído. O que talvez tivesse sido sem a crise será a medida de tudo o que vier – e é uma medida implacável para os sábios que nos trouxeram aqui, em nome de uma lógica que ninguém percebe e por que ninguém se interessa.

O ressentimento, o rancor, o puro ódio que se acumularam – e que as cenas dos políticos dia a dia acirram – não desaparecem com o falso alívio que o Orçamento pretende trazer. A cena, de resto, conduzida e representada por indivíduos que não se distinguem pela inteligência, incluiu números de pura pornografia: a diatribe do primeiro-ministro contra o “fanatismo orçamental”; a “fiscalidade verde” para seduzir uma população sem trabalho e uma juventude sem carreira; e a junção a essa sopa turva de uma súbita preocupação com a natalidade para sublinhar os pequenos descontos no IRS, que supostamente exprimem o amor do Governo pela Pátria e pela família. O Orçamento não chegou a tempo, nem veio num modo susceptível de amansar o putativo eleitorado de 2015. A julgar por ele já não está em causa a sobrevivência da maioria, está em causa a sobrevivência do PSD e do CDS.

Páginas de Guerra

Por Paula Almeida, Técnica Superior

Num 30 de outubro:

1939 – A União Soviética anexa formalmente os territórios polacos ocupados. - Em Berlim é assinado um acordo germano-letão para a evacuação de alemães das regiões do Báltico. -Na Grã-Bretanha, estreou o primeiro filme de guerra sobre o conflito, O leão tem asas, um noticiário sobre um ataque aéreo britânico a uma frota alemã. -Em Londres, um documento branco governamental expõe a brutalidade nazi sobre os judeus, incluindo o sistema de campos de concentração.

- 1941 – Franklin Delano Roosevelt aprova o empréstimo de Um bilhão de dólares para ajuda às nações aliadas.- Mil e quinhentos judeus da Pidhaytsi (no oeste da Ucrânia) são enviados pelos nazis para o campo de extermínio de Belzec.

- Na frente oriental, a operação Tufão é interrompida até que o inverno chegue. A lama profunda provocada pelas chuvas de outono imobilizou os veículos alemães.

1942 – Os Tenentes Tony Fasson, Able Seaman Colin Grazier e o assistente de cantina Tommy Brown do HMS Petard board U-559, recuperaram material que conduzirá à decifração do código alemão Enigma.

1943 - Na Itália, Quinto Exército dos EUA captura Mondragone, na costa oeste, depois de penetrar as linhas de defesa alemãs Barbara. Outros elementos do exército, mais para o interior, continuam o seu avanço.

1944 – Anne Frank e sua irmã Margot são deportadas do campo de concentração de Auschwitz para o de Bergen-Belsen - As câmaras de gás em Auschwitz são utilizadas pela última vez. - Em Leyte, nas Filipinas as tropas da Sétima Divisão de Infantaria do exército americano tomam Dagami. - Na Frente Ocidental, elementos de Primeira Divisão do Exército canadiano lutam em Beveland do sul, na Holanda, e alcançam o Canal de Walcheren. -Em Caserta, na Itália libertada, o governo grego no exílio proíbe a Milícia Nacional ELAS, um movimento de resistência comunista.

Berta Brás.jpg

Berta Brás

 

(`) Voracidade das Oposições pela Despesa Pública

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