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A bem da Nação

TRÊS TEMAS

 

O primeiro sobre os “pândegos” da candidatura à presidência da República e os motivos por que, apesar das suas farsas de alinhamento à esquerda, com o deprimente abandono do seu partido, sob o pretexto irrisório da assumpção de um cargo presidencial abrangente na questão das empatias, pairando, pois, acima de quaisquer partidarismos – (na minha interpretação desconfiada, um posicionamento significativo, antes, de indiferença, desdém, vaidade pessoal, traição a valores antes admitidos, ou pura matreirice eleitoralista) – apesar pois de todos esses dados e outros que envolvem um temperamento popularucho ao modo do nosso D. Pedro I, que não se limitou a amar a linda Inês e a matar os seus assassinos, pois também dançou nas ruas, Marcelo Rebelo de Sousa ainda parece superiorizar-se – pelo menos na capacidade expressiva e na rapidez de raciocínio a que nos habituou – aos demais “pândegos” da expressão de Alberto Gonçalves, o que faz que seja o que menos nos envergonhará como representante máximo, face aos desconchavos ou aberrações a que tal campanha nos tem sujeitado, pobre pátria ao que chegou.

 

Trata o segundo texto das relações de dependência do partido no poder face aos que aparentemente o apoiam, pau mandado de todos, até mesmo dos comentadores de futebol. O futuro a Deus pertence, não sei se a nós também.

 

Mas é, sobretudo, a referência ao Charlie Hebdo, aquando do massacre pelos jihadistas há um ano e ao apoio de todos os que então vibraram no repúdio a esse e na fraternidade bem gritada no conceito da defesa da liberdade de expressão, em identificação com os seus defensores mortos, que trata o terceiro texto de Alberto Gonçalves, no esvaziamento, um ano após, dessa empatia, em que por toda a parte se alinhou, até mesmo por cá, num “Je suis Charlie” de puro arrebatamento mediático e inconsequente. Mas a liberdade de expressão, ao ferir a religiosidade de uma seita sem religião nenhuma, como essa do Estado Islâmico, que só espera pretextos para usar da sua própria liberdade de manifestação, em cenas de crueldade e ameaça constante ao mundo, por toda a parte se infiltrando e alastrando, em vingança selvática e sinistramente encoberta, revela-se, afinal, um chamariz de adeptos, mais do que os defensores de Charlie Hebdo.

 

E até mesmo os muitos desenhos e escritos da revista Charlie Hebdo, festejando-a e apoiando-a, no aniversário do massacre, no seu “Numéro Spécial”, parecem tristes amostras de uma impotência ocidental, como ocos chavões defensores de uma liberdade que é apenas chamariz do caos.

Berta Brás.jpg

 Berta Brás

 

 

Qualquer coisa que não seja de esquerda

Alberto Gonçalves.jpgAlberto Gonçalves

DN, 17/1/16

 

orcamento_presidenciais_2016_mc.jpg"Diz qualquer coisa de esquerda" é qualquer coisa que a esquerda gosta muito de dizer. A frase é retirada de Abril, filme do italiano Nanni Moretti, cuja personagem assiste a um debate televisivo entre Berlusconi e o socialista Massimo d"Alema. A prece destina-se naturalmente a D"Alema e naturalmente não adianta de nada. Moretti enerva-se. Não precisava de se enervar: se viesse para Portugal teria imensa dificuldade em descobrir frases que não fossem do seu agrado (por isso é que nós somos o que somos e a Itália é uma potência mundial).

 

Exemplos são inúmeros, mas para não fugirmos da "actualidade" basta lembrar que, por cá, temos a suprema originalidade de uma campanha presidencial em que nove dos dez aspirantes são de esquerda e o restante finge que também não anda longe. Desde a peregrinação à Festa do Avante! que Marcelo Rebelo de Sousa tomou por garantidos os votos da direita (com e sem aspas) e, entre a bajulação da espécie de governo em funções e a vergonha das próprias origens políticas, partiu à conquista dos outros. Antes de se consagrar como o presidente de todos os portugueses, o prof. Marcelo quis tornar-se o candidato de quase todos. Pelo meio, deixou desamparados os eleitores menos entusiasmados com a golpada do dr. Costa e mais convencidos, inicialmente, de que o ex-comentador da TVI devolveria num instante o país à normalidade democrática.

 

A ilusão do povo "reaccionário", digamos uns 40% dos cidadãos, era infundada e durou pouco. Quanto às ambições do prof. Marcelo, que a certa altura pareceram tremidas, sobreviveram e talvez se prolonguem por um ou dois mandatos em Belém. Porquê? Por duas razões.

 

A primeira é o carácter exótico das criaturas que o desafiam. Por muito que o regime já se arraste com dificuldade, ainda não estão criadas as condições de completo desconchavo suficientes para se imaginar Maria de Belém, o reitor Nóvoa ou algum dos demais pândegos no lugar de chefe de Estado. É claro que à esquerda haverá sempre gente disposta a votar na primeira curiosidade antropológica que o partido ou a desdita lhes ponham à frente. Com sorte, porém, essa gente não chegará a metade da população.

 

A segunda razão prende-se com a opinião pública e publicada. Quando se percebeu que as vénias do prof. Marcelo à esquerda não o resguardariam dos ataques desta, boa parte da direita (com e sem aspas) decidiu subjugar a desconfiança em favor do empenho. Isto é, cada insulto dos adversários recorda às pessoas que pior do que um presidente provisoriamente resignado ao dr. Costa seria um presidente que lhe venerasse a incompetência pela eternidade afora.

 

Não sei a quantidade de potenciais abstencionistas assim arregimentados. Sei que, por mim, nunca me ocorreu nenhuma vantagem na vitória do prof. Marcelo até ponderar os perigos da sua derrota. E que mesmo que ele não diga nada de "direita", tudo é preferível a ouvirmos a única coisa de esquerda que nos falta: apertem os cintos, senhores passageiros, que dentro de momentos aterraremos em Caracas. Ou o Portugal do futuro, nas palavras do reitor Nóvoa.

 

Quinta-feira, 14 de Janeiro

 

Pressão baixa

 

É um disparate achar-se que o governo só atende a ordens do PCP. E do Bloco de Esquerda. E dos sindicatos. E de economistas gregos. E de visionários bolivarianos. E de astrólogos devidamente habilitados. Ao que tudo indica, o governo também obedece a comentadores de futebol.

 

Eduardo Barroso.pngVeja-se o caso do popular Eduardo Barroso, o qual tem o poder de anular decisões do ministro da Saúde. Este havia feito determinados convites para a direcção de um hospital lisboeta. Por razões decerto imperiosas, as escolhas não agradaram ao dr. Barroso, pelo que, segundo os jornais, o ministro naturalmente voltou atrás e optou por nomes simpáticos ao fervoroso adepto do Sporting.

 

Daqui em diante, é de admitir que algumas decisões governamentais aguardem pelo aval de Rui Santos, daquele sujeito forte que gosta do Benfica e de dizer "Ó Sousa Martins!" e do rapaz do Porto que canta numa banda de tributo aos Pearl Jam. Desde que, escusado acrescentar, todos possuam competências técnicas reconhecidas, como uma relação de parentesco com Mário Soares ou assim.

 

A palavra final a Ana Catarina Mendes, senhora vista com assiduidade nas imediações de António Costa: "O PS mostrou em apenas um mês que é possível governar de forma diferente." Se alguém conseguir desmentir tamanha evidência merece um lugar no Conselho de Ministros ou no Trio d"Ataque.

 

Sexta-feira, 15 de Janeiro

 

Charlie Hebdo.pngCheckpoint Charlie

 

Dos milhões que se diziam "Charlie" há um ano sobram uns poucos distraídos, quase ninguém. Sobretudo após o semanário publicar, há dias, um cartoon que transforma a criança síria afogada numa praia turca num muçulmano adulto que persegue mulheres na Alemanha. Mau gosto? Possivelmente. Mas nunca devia ter sido o "gosto", mau ou bom, a motivar a defesa da revista, aliás fraquinha. O que em Janeiro de 2015 estava em causa era o direito a dizermos o que quiséssemos, que tarados quiseram abolir e que o Ocidente pareceu defender. Pareceu. Afinal, o que se exibiu em vigílias e nas ditas "redes sociais" não passou de sentimentalismo contagioso. Afinal, as inúmeras profissões de fé na liberdade de expressão esvaíram-se no exacto momento em que a expressão excedeu os limites que impomos à liberdade. Afinal, embora não partilhemos os meios, partilhamos os princípios dos assassinos. Os fins não prometem.

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