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A bem da Nação

A RIQUEZA DA CIÊNCIA / A CIÊNCIA DA RIQUEZA

 

Jean de La Fontaine (1621 - 1695)

 

A vantagem da ciência” é o título

Que La Fontaine dá a uma sua história

Não dos costumeiros animais, 

Mas de seres racionais,

Que são sempre os mais funcionais

Nas coisas fundamentais da existência

Quais sejam as da sobrevivência,

E a complementar subserviência.

Vejamos então esta

Vantagem da Ciência”

Que prova com muita pertinência

Que o estudo resolve tudo

Embora muita gente creia

Que se trata de inútil panaceia

Para enganar os simples:

 

Entre dois Burgueses duma cidade

De muita qualidade,

Um diferendo se desencadeou que potenciou

Sobretudo a ironia

Do mais bem dotado

Em riquezas materiais,

- Embora mais desprovido

De dotes espirituais -

Pois que o mais letrado não podia

Fazer alarde

Da sua sabedoria,

- Já por modéstia, já por cortesia -

E bens materiais não possuía.

Mas o ricaço pretendia

Que todo o homem sábio deveria

Homenagem prestar ao poder

Material.

Bem parvo era, por sinal;

Porque, porquê prestar culto

A bens desprovidos de mérito?

A razão parece-me ínfima.

“Meu amigo, muitas vezes ele dizia

Ao homem culto,

Vós achais-vos pessoa de vulto,

Mas dizei-me, tendes farta mesa

Com franqueza!?

De que serve aos vossos congéneres

Ler sem cessar

Se eles vivem num terceiro andar

E se vestem de igual maneira

Em Julho como em Dezembro,

Tendo apenas por lacaio

A sua sombra foleira.

A República está mesmo interessada

Com pessoas que não gastam nada!

Eu não conheço homem mais necessário

Do que aquele cujo luxo espalha inúmeros bens.

E se nós o usamos, sabe-o Deus!

O nosso prazer ocupa

O artesão, o vendedor, o que fabrica a saia,

E aquela que a usa, e vós, que dedicais

Aos Senhores importantes
das Finanças

Maus livros pagos com benemerência.

Estas palavras cheias de impertinência

Tiveram a sorte que mereciam.

O homem letrado calou-se,

Muito havia que dissesse.

A guerra vingou-o, melhor que qualquer sátira

Que fizesse.

Marte destruiu o lugar onde cada um vivera.

Ambos deixaram a cidade, que desaparecera.

O ignorante ficou sem asilo,

Em toda a parte foi injuriado.

O outro, em todo o lado,

Recebeu algum favor

Por conta do seu saber.

Isso decidiu a questão.

Deixai falar os parvos:

O saber colhe sempre galardão.”

 

Ora esta questão

Que assim valoriza a razão,

Não sei se por cá colheria

Tanta empatia.

É que o nosso existencialismo

Faz que a tradição

Do culto da Razão

Seja soterrada pelo materialismo,

Como afinal já era

No século do racionalismo,

Apesar do La Fontaine,

E de outros defensores

Do saber ser

Contra o saber fazer.

Porque hoje, o que mais se vê

É que o dinheiro é o verdadeiro

Esteio da razão

E o estudo é treta,

Para pateta.

Pois por cá até

- Pura aberração! -

A língua mãe foi adulterada

Sem nenhum pudor,

Por conta do poder.

Além de outras anomalias

Que se poderão citar,

Que o dinheiro faz criar,

Em libertina escalada,

Sem ninguém se importar.

Apesar dos velhos quezilentos

Conservadores atentos.

 

 Berta Brás

O Q. E. DO SUBDESENVOLVIMENTO

 

 

Durante mais de um século, desde que Alfred Binet criou o coeficiente de inteligência (QI) que o mundo rotula os indivíduos em inteligentes acima da média, medianos, e abaixo da média.  A partir daí os testes de inteligência passaram a ser usados como
indicadores da capacidade individual e aplicados como instrumentos de decisão e selecção humana. A sociedade passou a dividir então os homens em inteligentes (os intelectualmente mais capazes) e os inferiores (aqueles intelectualmente incompetentes). Nessa rotulação o factor emocional não era levado em conta, até que o Prof. Luiz Machado, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), após um estudo de mais de 20 anos, trouxe a constatação que ansiedade, a auto-estima e até a timidez são aspectos fundamentais para o desenvolvimento da inteligência. Segundo o professor, o homem não é, ele está no contexto do mundo. Isso falava a favor do QE (coeficiente emocional), onde a capacidade resolutiva estava intrinsecamente correlacionada com a resposta ao estímulo emocional actuante no indivíduo. Teoria esta que ganhou destaque na mídia, após os Best-Sellers dos psicólogos Daniel Goleman (U. Harvard) e Antonio Damásio (U Yowa).

 

O racismo cultural verificado entre os países deve ser combatido, pois ele é discriminatório e ilusório, pois joga com a ideia preconcebida, incutida pelos que se acham mais desenvolvidos, aqueles que ditam as regras e conceitos, que os outros, achatados nos seus valores, emocionalmente reprimidos, são inferiores, e, portanto menos capazes, menos qualificados a serem «ouvidos».

 

Todos nós nascemos com capacidades cerebrais inatas de ordem genética que estão à espera dos estímulos certos para se desenvolver, para despertar o génio que cada um traz consigo.

 

Quantas pessoas brilhantes, reconhecidamente inteligentes, não chegam a bom termo nas suas escolhas.
 

Quantos indivíduos considerados de inteligência mediana ou mesmo abaixo da média conseguem atingir sucesso em seus projectos e sonhos. Nos conceitos modernos, a inteligência seria mais que a capacidade de apreensão rápida de conhecimentos, ou de visualização e resolução de problemas, seria a capacidade de bem administrar e resolver os embates da vida.

 

Como tantos outros na história da humanidade, Albert Einstein, considerado incapaz intelectualmente pela escola, apontou o problema:

Devemos tomar cuidado para não fazer do intelecto o nosso deus. Ele tem, é claro, músculos poderosos, mas não tem personalidade.

 

Mª Eduarda Fagundes 2010.jpg Maria Eduarda Fagundes

Uberaba, 25/05/11

 

Nota:

Dados: Revista Diálogo Médico (Ano 11- n.º 4)

FÁBULA PARA UMA AMIGA AUSENTE

 

 

Como vai estar ausente

Num seu empreendimento,

Deixo-lhe a marca presente

Do meu apoio constante,

Uma fábula traduzindo De La Fontaine,

Em agradecimento

Do que de si vou colhendo

Alegremente:

 

O gato e os dois pardais

 

Um Gato, de um jovem Pardal contemporâneo,

Perto dele desde o berço foi crescendo:

Gaiola e cesto tinham iguais penates,

Às vezes o Gato sendo

Importunado pelo Pássaro buliçoso,

O que o punha furioso.

Um com o bico esgrimia,

Outro com as patas arranhava,

Este último, todavia,

O seu amigo poupava,

Apenas pela metade o corrigindo:

Teria sentido um escrúpulo maior,

Em armar de pontas a sua férula, com rigor,

O Passaroco, menos circunspecto,

Dava-lhe boas bicadas.

Sábio e discreto Mestre Gato desculpava estas jogadas:

Entre amigos, não nos devemos nunca abandonar

Aos rasgos de uma cólera séria, sem, pelo menos, avisar.

Como eles se conheciam ambos desde tenra idade,

Um longo hábito os mantinha em paz e amizade:

Nunca em verdadeiro combate o jogo se transformava.

Mas um Pardal da vizinhança

Veio visitá-los e fez-se companheiro

Do petulante Pierrot e do sábio ratoneiro;

Entre os dois pássaros surgiu uma questão

E o Ratoneiro tomou, é claro, o partido do seu amigão:

“Este desconhecido está a caçoar

Ao vir assim o meu amigo insultar!

O Pardal do vizinho vir comer o meu parceiro!

Não, por todos os gatos!”

Então, no combate entrando,

Ele trinca o estrangeiro.

“Na verdade, diz mestre Gato,

Os pardais têm um gosto fino e delicado!”

Feita a reflexão,

Vá de trincar também o seu amigão.

Que moral poderei eu inferir deste facto?

Sem ela, toda a fábula é uma obra imperfeita.

Julgo aqui ver alguns traços; mas a sua aparência é estreita.

Príncipe, vós tê-los-eis imediatamente encontrado:

São jogos para vós, e não para a minha Musa;

Nem ela nem as suas irmãs têm o espírito que vós tendes

E a experiência profusa.

 

A La Fontaine faltou a coragem

De explicar a «Monseigneur le Dauphin»

O Príncipe referenciado,

A moral desta sua fábula.

A imagem

Que me acode

Para a actualidade, pelo menos,

É a dos apoiantes

Caídos em desgraça

Em caso de ingratidão

Dos príncipes da Nação

Depois destes saborearem

Os eflúvios do poder:

Papam aqui, papam ali,

Ganham-lhe o gosto

Digo, de papar,

E logo vão esquecer

Quem os fez nascer

Para o poder.

 

É um exemplo, mas outros mais

Casos de pardais

Poderia contar,

Se a minha Musa

Fosse mais profusa

E me pudesse ajudar

Dando-me a conhecer

As várias intrigas

Do mundo das brigas

De que enferma a Nação

Sem justificação.

Mas tudo o que eu soubesse,

Se o dissesse,

Poderia ser tomado

Como demasiado

Atrevido

E talvez um processo

Me fosse movido,

Pardais que somos

Para o Poderoso

Orgulhoso

E esquecido.

O que é um facto

Várias vezes observado

É que, colhidos os sabores,

Apreciados os valores,

Com nova ciência,

Perdida a inocência,

Circunstâncias maiores

São por vezes causa

Das reviravoltas

Nos comportamentos

Dos superiores.

E o que se passa entre os superiores de uma Nação

Para com os inferiores

Pode igualmente ver-se

Entre nações de diferente dimensão

Aparentemente amigas, mas com a intenção

De estabelecer puros ajustes

Para as grandes poderem engolir

Paulatinamente

As pequenitas,

Pardocas indecisas

Sem noções precisas

Do que seja ser.

 

Berta Brás

Um tema caprino

 

 

O amor da liberdade

Não é compatível com a democracia

Que informa que a liberdade acaba para um

Onde começa a liberdade do outro um.

Embora não seja tão verdade assim,

Parece-me a mim,

Com tanta falta de respeito

Como preceito.

No tempo de La Fontaine

Em que a democracia não existia,

Segundo parecia,

A sua fábula d' As duas Cabras

Prova-o sobremaneira.

Mas, se pensarmos bem,

Hoje em dia também,

Quer se queira ou não se queira,

A democracia é só uma balela

De gente tagarela.

Vejamos, pois, a fábula

"As duas Cabras" da minha cábula:

 

Mal as Cabras acabaram de pascer

Certo espírito de liberdade o seu Destino

As faz procurar: partem em viagem

Para os lugares da pastagem

Menos frequentados pelo ser humano

Nem sempre humano:

Ali, onde lugar houver

Sem estrada e sem caminhos,

Mas sim um rochedo, um monte

Vergado em precipícios,

É onde estas damas

Vão passear seus caprichos

Em busca de benefícios.

Nada pode deter

Este animal trepador.

Duas Cabras, pois, se emanciparam,

Ambas tendo pata branca;

Cada uma por sua banda

Os baixos prados largaram:

Uma contra a outra caminhava

Ao acaso do passeio.

Um rio ali de permeio

Tinha uma prancha por ponte.

Duas doninhas somente

Se poderiam cruzar

Sinuosamente

E de fronte, sobre esta ponte.

A rápida onda e o fundo rio

Deveriam fazer tremer

As amazonas de receio

Pelo seu desvario.

Apesar de tantos perigos, uma das ditas donzelas,

Com ar sagaz

E sem mais aquelas,

Pousa um pé sobre a prancha, e a outra o mesmo faz

Da outra banda.

Imagino ver, contra Luís o Grande Filipe Quarto avançar

Para a ilha da Conferência.

Paciência!

Assim passo a passo avançavam

Nariz contra nariz As nossas aventureiras

Que, ambas altaneiras,

Até ao meio da ponte não quiseram

Uma à outra ceder.

Elas tinham a glória

De contar, na sua raça, segundo reza a história,

Uma, certa Cabra de mérito sem par,

Com que Polifemo presenteou Galateia;

E a outra a Cabra Amalteia

Que a Júpiter amamentou.

Como nenhuma recuou

A queda foi inevitável:

Ambas à água caíram

E nem sequer baliram

A chamar pelas mães

Sem tempo para tais ais,

Ou mé més, como se queira dizer,

O que foi bem detestável.

 

 http://environnement.ecoles.free.fr/fables_de_la_fontaine/images/Les%20deux%20chevres.jpg

 

Este acidente não é invulgar

No caminho da Fortuna,

Da Sorte, Dita ou Destino,

Fado, Sina, Desatino,

Como lhe queira chamar

O Humano pequenino Pequenino.

 

Eis aqui mais uma fábula

De todos bem conhecida

De duas cabras amigas

Da liberdade

Mas não ainda

Da igualdade e da fraternidade.

Eu julgo mesmo que estas duas

Condições

Não chegarão a existir

Enquanto cada homem só a si se ouvir

Sem objecções.

Nem preciso de citar

Os exemplos que por aí

Polulam de egoísmos e falcatruas,

Para não me enervar.

A verdade é que andamos

Todos por aqui

Numa estreita ponte onde só cabe

Um de cada vez.

Mas como todos procuramos

A outra margem

Do rio que atravessamos

Todos de uma só vez,

Em vez de esperarmos,

Educadamente,

Quando nos cruzamos

Na estreita ponte,

Logo nos empurramos

E caímos

Para nos afogarmos

Indecentemente.

 

E vamos cair

E vamos cair

Embora haja sempre

Os que podem fugir,

Que podem fugir.

 

Mas também

Como apoio à lição,

Sobre o amor à liberdade

Para não referir só La Fontaine

Cito ainda a Blanquette,

A cabra do Senhor Séguin

Do conto de Daudet,

Das "Lettres de mon Moulin"

Tão amada pelo dono

Que tudo fez para que não fugisse.

Mas fugiu.

E procurou a montanha

E os seus ínvios caminhos

Por muito que lhe custasse.

A última vez

Contra o lobo lutou

Até ao amanhecer

Sem o dono lhe valer

E assim morreu

E assim morreu.

 

Berta Brás

Fábula domingueira

 

  http://www.intersonic.com.br/sonicbiologia/doninha.png

 

La Fontaine tem fábulas em qualquer área

E para quaisquer ocasiões.

Não tenho dúvidas quanto a esta verdade,

Nem indecisões

A respeito da universalidade

Da sua produção extraordinária.

 

A doninha que entra magra num celeiro,

Por um buraquinho,

E não consegue sair Nem fugir

Porque o buraco ficou apertadinho

Para quem, como ela, comeu que se fartou

E muito inchou,

Tem uma consagração

Tão geral

- Direi mesmo global -

Que nem precisa de explicação,

Tal a frequência da sua aplicação

Antiga e actual.

 

Mas ainda mais hoje em dia

Com tanta doninha

Entrada magrinha

No buraco estreito da casinha

- Ou sequer Nação –

Em enorme proliferação

Que em breve o celeiro

Perde o alimento inteiro

Nada sobrando

Para a maioria

Cuja soberania

Só ficou na canção

Da vila alentejana consagrada,

Mas apenas como poesia

Falhada.

 

Aliás, ninguém mesmo pensa em passar

O buraco estreito do celeiro

Preferindo ficar por inteiro

Até findar

A refeição,

Sem pensar

Em emagrecer

Ou o peso perder.

 

Vejamos então

A tradução

Sem mais questão,

Que o La Fontaine

Também dá a explicação:

 

“A doninha que entrou no celeiro”

 

Donzela Doninha,

Corpo longo e sinuoso

Entrou num celeiro

Por um buraco manhoso.

Saíra de doença recente

Mas, sempre tesa,

Comeu à tripa forra no celeiro,

Cheia a mesa,

Comeu, roeu, sabe Deus com que fervor,

E o toucinho desapareceu,

Sem nenhum pudor.

Ei-la, em conclusão,

Gorda, opada, como o Sebastião

Comilão.

 

Ao fim de uma semana

Tendo comido a seu prazer, 

Ouve um ruído sacana,

Quer abalar,

Pelo buraco não consegue passar,

Julga que se enganou

Depois que tanto o procurou.

Diz ela então:

- É este o buraco, sem objecção,

Há cinco ou seis dias por ele passei

Bem sei.

Um rato que a viu em aflição

Comentou desta feita:

- É que, então,

A sua pança estava mais estreita:

Entrou magra, magra deve sair

Não há que discutir.

O que lhe estou a dizer

Digo-o a muitos mais,

A outros que tais,

Mas não confundamos, para não aprofundar,

Nem me prejudicar,

Os negócios deles,

De ambição sem solidariedade,

Com os seus, doninha,

De mera voracidade.

 

Berta Brás

OS PRINCÍPIOS DA ECOLOGIA NA FÁBULA

 

 

Se La Fontaine estivesse

Nos dias de hoje, veria

Que o que já se fazia

Antigamente,

- Desrespeitar a natureza

Com ingratidão e fereza

- Se acentuou

Extraordinariamente

No tempo presente.

 

Felizmente agora

Há a ecologia

A advertir,

Conquanto inutilmente,

Que é preciso ser grato à Terra

E não lhe fazer guerra;

Ter-lhe respeito

Com jeito;

Porque senão

A Terra vinga-se e é o que se vê,

Nos sismos a eito,

Nos vendavais e tornados,

Nas tempestades e enxurradas,

No aquecimento global, nas inundações,

Nos vulcões em explosões,

No pânico geral e na dor inenarrável

De se destruírem os lares

Os amigos e os familiares

 

Só porque a natureza se vingou

De maneira insuportável

Sobre o Homem que a envileceu

Sujando, ferindo, agredindo,

Emporcalhando,

Destruindo.

 

Gratidão e respeito pela mãe-natura

São os princípios de envergadura

Que La Fontaine apontou

Na fábula do Lenhador devastador

Da sua Floresta.

 

Sentimentos verdadeiros hoje ainda,

Mas cada vez mais calcados

Espezinhados,

Pelo Homem irresponsável,

Num abuso irracional,

Sobre a Floresta Universal.

 

De um perigo

A merecer o castigo,

Apesar dos avisos já antigos

Duma Ecologia ainda em formação

Segundo um fabulista admirável

De percepção.

 

A Floresta e o Lenhador

 

Um Lenhador acabava de partir o cabo

Com que tinha encabado o seu machado.

O estrago não pôde ser tão cedo reparado

E o Bosque por um tempo foi poupado.

Enfim o Homem rogou-lhe humildemente

Que o deixasse suavemente

Levar um simples ramo

A fim de polir um novo cabo:

“Ele o seu ganha-pão empregaria noutro lado:

Muito carvalho e muito pinheiro deixaria intacto

Cuja velhice e encanto toda a gente respeitava.

”Mas outras armas a inocente Floresta lhe forneceu.

Bem se arrependeu.

Ele encabou o seu machado:

O miserável disso se foi servir

Para a sua benfeitora despojar

Do seu principal ornamento,

Os ramos do seu tormento.

Ela gemeu a cada momento:

A sua dádiva causou a sua dor.

Eis o trem do mundo e dos seus sectários.

Servem-se do benefício contra o benfeitor,

Estou cansado de assim o expor.

Mas que doces sombras a tais ultrajes

Estejam expostas,

Quem não se lamentaria!

Ai de mim!

Por muito que me esforce a gritar,

Para avisar,

A ingratidão e os abusos

Em moda não deixarão de estar

Dia após dia.

 

Quem diria

Que La Fontaine previa

O que hoje nos está a acontecer

Em escala ainda maior

Do que a que ele apontou

Quando nos avisou,

Autêntico professor?

Quanto à questão

Do oportunismo na utilização

Do benefício

E na ingratidão

Contra o benfeitor

É coisa sabida,

Nem vou contestar

Nem sequer lamentar

Que é coisa perdida.

 

Berta Brás

PÁGINAS SIMPLES DE DOMINGO - 10

 

 MEDITEMOS...
 
 
Um mecânico estava a desmontar o motor de uma mota quando repara num cirurgião cardiologista muito conhecido a vê-lo trabalhar.
O mecânico pára e pergunta:
-
O doutor vai-me desculpar mas... posso-lhe fazer uma pergunta?
O cirurgião, um tanto surpreso, concorda e aproxima-se da mota em que o mecânico estava a trabalhar.
O mecânico levanta-se e diz:
- Doutor, olhe este motor. Eu abro-lhe o coração, tiro-lhe as válvulas, conserto-as, ponho-as de volta e fecho-o novamente e, quando termino, ele volta a trabalhar como se fosse novo. Como é que eu ganho tão pouco e o senhor tanto, quando o nosso trabalho é praticamente o mesmo?
O cirurgião sorri, inclina-se e diz baixinho ao mecânico:
- Tente lá fazer isso com o motor a funcionar!
 
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