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A bem da Nação

«OPINION MAKERS»

 

Criadores de opinião ou manipuladores de opinião, eis a questão.

 

Dar a sua opinião sobre um determinado assunto é perfeitamente normal numa sociedade em que impera a liberdade e, em consequência, a liberdade de pensamento e de opinião. Assim se dá aos «consumidores da informação» uma sugestão que eles seguem ou não conforme concordem ou discordem. Mais uma vez, a liberdade de opinião a funcionar. O opinador refere-se a realidades, não a ficções e não especula sobre intenções alheias; pode ser seguido por muitos, poucos ou nenhuns consumidores mas, expondo os seus argumentos e concluindo de uma certa maneira, fá-lo com transparência e apenas se responsabiliza a si próprio como um bom, um mau ou um péssimo opinador.

 

Em resumo, o criador de opinião é benigno.

 

* * *

 

O manipulador de opinião é aquele que induz os outros a passarem a ter uma determinada opinião sobre uma realidade ou uma ficção (fake new), num sentido determinado pelos seus próprios interesses sobre um tema mais ou menos controverso (lobby) ou mais ou menos legítimo; actua frequentemente sob anonimato ou, quando muito, sob identidade dificilmente identificável ou mesmo falsa.

 

Em resumo, o manipulador de opinião é maligno.

 

* * *

 

Eis por que não me oferecem dúvidas os criadores de opinião mas me espanta a facilidade com que os manipuladores conseguem entrar nas redes sociais e nas notícias formais sem que o «Carmo e a Trindade» não lhes caia em cima, os identifiquem e os banam.

 

E a questão que coloco é:

  • Deve a origem das fake news ser investigada e apenas penalizado o manipulador (seja ele individual ou lobby) ou também o divulgador?

 

Não se trata de restaurar a velha censura prévia do Estado Novo; pelo contrário, trata-se apenas de obstar às fake news e de punir os respectivos autores.

 

Meditemos…

 

Junho de 2019

Henrique Salles da Fonseca

RECAPITULANDO A HISTÓRIA

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Escreveu Raymond Aron (1905-1983) durante alguns anos (1952-54) de grande meditação e profunda tristeza pessoal (morte de uma filha) um livro que intitulou «L’opium des intelectuels» em que explica a sua oposição aos intelectuais franceses de então. Globalmente liderados por Sartre (que se servia de Simone de Beauvoir quando ele próprio não queria «dar a cara»), todos esses intelectuais se perfilavam pela esquerda, muitos deles de filiação comunista e outros lá perto mas sem filiação no PCF (caso do próprio Sartre).

 

Sobre este livro – de que estou a ler um resumo feito pelo próprio Aron nas suas «Memórias» [i] e de que escreverei mais – extraio da pág. 325 uma citação que Aron faz de um escrito de Sartre sobre a actuação comunista em França naquela década de 50:

 

Estou certo de que boa parte da estratégia da CGT [ii] na greve é muito mais comandada por fins militares longínquos do que por objectivos sociais evidentes.

 

Repito que se trata de escrito de Sartre que Aron apenas cita.

 

Ou seja, Aron nem precisou de se levantar contra a esquerda porque foi ela própria que fez a afirmação de que o estalinismo se dedicava a tácticas de mobilização de massas para bloquear França sempre que quisesse.

 

Isto foi em França nos anos 50 do séc. XX mas é precisamente o mesmo que vemos actualmente em Portugal com o surto interminável de greves e manifestações. Trata-se obviamente duma táctica de mobilização permanente de massas que a qualquer momento possa paralisar o país. Basta, para além das massas humanas, colocar uns camiões em pontos chave do trânsito para que o caos se instale. Já o fizeram várias vezes, não hesitarão repeti-lo.

 

Como fica patente, em Portugal a cartilha stalinista continua em vigor.

 

E onde está a legitimidade democrática e a defesa dos princípios humanistas pelas Forças Armadas e de Segurança? Provavelmente manietadas por infiltrações cirúrgicas.

 

Não estou, pois, apenas a recapitular a História, estou a olhar para o presente e a temer pelo futuro.

 

Abril de 2019

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Henrique Salles da Fonseca

 

 

 

                      

 

[i] - Pág. 312 e seg. ed. GUERRA & PAZ, Fevereiro de 2018

[ii] - Confédération Générale du Travail (central sindical comunista)

NA MORTE DE JOÃO SEMEDO

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Quem tem fé na vida para além da morte, encara o além com tranquilidade; João Semedo, eventualmente, não.

 

Mas nós, os seus opositores políticos, temos as nossas crenças e não é por ele ter sido nosso adversário (se não mesmo inimigo) terreno, que lhe negamos o acesso ao que desejamos para nós próprios. E isso que desejamos é uma nova dimensão tranquila, tranquilidade que por cá não nos deu ou, até, que por palavras nos negou. Só que nós não somos de rancores e, pelo contrário, somos do perdão.

 

Nós continuamos por cá a defender o que temos por verdade; ele já está na «terra» da verdade onde desejamos que tudo lhe seja leve – “sit tibi terra levis”.

 

17 de Julho de 2018

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 Henrique Salles da Fonseca

A INCRÍVEL FALTA DE PRINCÍPIOS DOS POLÍTICOS

 

 

            Políticos portugueses entenda-se, já que com os outros poderíamos bem.

            A actual crise financeira na Madeira é a última ponta visível do imenso iceberg de bandalheira financeira, corrupção, nepotismo, amiguismo e irresponsabilidade (democrática!), que tem varrido a sociedade e, sobretudo, o Estado Português, nas últimas décadas. O agravamento da situação económica e financeira – após as duas primeiras intervenções do FMI, e que tiveram origem no cataclismo do pós 25 de Abril – começou por ser aritmética, com os governos Cavaco (a origem da coisa) passou a geométrica, aí por altura da época Guterres; passando a exponencial com o incrível consulado de Sócrates.

            Pela primeira vez observou-se o Dr. Jardim a perder o pé, e a meter os ditos pelas mãos. Nem a sua habitual ironia, sarcasmo e destempero vocabular, conseguem disfarçar o incómodo e as coisas mais inverosímeis.

            De facto o Dr. Jardim fez obra e não consta – até prova em contrário – que tenha feito qualquer enriquecimento ilícito, embora toda a família e amigos, não se possam queixar de alguma vez passarem mal ou terem problemas de emprego.

            A obra feita reverte a favor das populações? Reverte, apesar de muita ser de utilidade duvidosa, ter implicações ambientais ou roçar a sumptuosidade ou o novo - riquismo escusado. Valoramos a obra feita, que no Arquipélago, qualquer mente honesta dará, no cômputo final, uma nota positiva.

            Não é isso que está em causa, o que está em causa é que a obra feita não teve em conta as reais possibilidades económicas e financeiras da Região e do País. E foi feita à custa de empréstimos, muito para além daquilo que o senso comum aconselharia. Isto para não falar nas constantes derrapagens dos custos, que deveriam ser analisados em tempo. Não consta que faltem entidades para o fazer.

            Ora, governar desta maneira não custa nada, nem mostra especial competência em nada (a não ser em “engenharia financeira”). Quando em cima de tudo isto não existe uma contabilidade credível e, aparentemente, se esconde ou escamoteia a realidade, o quadro fica todo borrado.

            É neste estado em que se encontra o Dr. Jardim e o seu governo. É o único? Está longe de ser o único, o que teve foi azar já que a “bomba” noticiosa calhou num “timing” particularmente sensível.

            Por todo o país não faltam buracos financeiros, deficits incríveis, crédito mal parado, confusão, desrespeito pelo Tribunal de Contas, falências, endividamento galopante, etc. Um desastre que obriga o país a uma das mais humilhantes provações da sua História. Superior, até, ao Ultimato inglês (ao menos aí o país reagiu!). Nem os Filipes se atreveram a tirar-nos a moeda! O facto do embaixador inglês, em meados de oitocentos se tenha sentado no Conselho de Ministros Português e o rendimento das alfândegas estivesse, por várias vezes, penhorado como garantia de empréstimos internacionais, se pode comparar à “Troika”. E o que mais adiante se verá.

           Não parece haver grande vergonha em todo o país, a começar na classe política, pela situação lamentável e muito perigosa a que chegámos.

            E não há vergonha porque os responsáveis de todos os desmandos têm permanecido inimputáveis e porque a Ética parece ter-se esfumado do nosso país.

            De facto as coisas não acontecem por acaso. O Estado deixou de ser uma pessoa de bem. Tem destruído a soberania e as instituições que a preservam; retirou autoridade às forças de segurança e não consegue pôr o aparelho da justiça a funcionar minimamente – provocando alterações substanciais na segurança dos cidadãos – e foi destruindo, alegremente, o tecido económico tradicional português, sem arranjar quase nada que o substituísse. Fez erros estratégicos avassaladores em quase todas as áreas e acabou com a hierarquia nas relações pessoais e de trabalho, criando-se, assim, continuadas situações de impasse, e impedindo a execução eficaz/eficiente das decisões.

            Os actores políticos não falam a verdade, por norma, e não cumprem o que prometem.

            O Estado, através da maioria dos seus organismos, deixou de pagar as contas atempadamente como fazem as pessoas honestas. Às vezes leva tanto tempo a pagar que é como se não pagasse. Mas, sem qualquer vergonha ou resquício de arrependimento, massacra todo o cidadão com a máquina fiscal (à excepção daqueles que o sistema permite fugas – outra injustiça!) e cobra juros leoninos, uma hora depois de passar o prazo, por si determinado, para a colecta.

            Isto resultou num gravíssimo problema de liquidez para todas as empresas que trabalham para o Estado ou com o Estado (e que em Portugal são a maioria), tendo como consequência constantes pedidos de empréstimo à banca, falências (raramente se apurando quais as que são fraudulentas), e cessação de pagamentos por parte das empresas a fornecedores e assim sucessivamente, entrando-se numa espiral em que nos aproximamos do estádio em que ninguém para a ninguém.

            As consequências para as actividades económico - financeiras, creio, têm sido estarrecedoras.

            Para além da falta de vergonha, ética e princípios, toda esta situação foi muito ajudada – se é que não tem aí a sua origem – no actual sistema político. Significa que, aquilo que legitima o acesso ao Poder é o voto das populações. Ora sendo o cidadão comum influenciável, individualmente e mais ainda em grupo, a verdade foi substituída pela demagogia e o possível, pelas promessas irrealizáveis. Para realizar promessas, mesmo aquelas que não interessam ao menino Jesus, é preciso dinheiro. Daí que as dívidas não parassem. O sistema, simplesmente, implodiu.

            Poderá parecer, aos mais avisados ou ingénuos que é incompreensível que ninguém tenha dado conta do buraco madeirense (ou de outros) e, ou, das “manobras” para o esconder. Que fez o PR, a AR, o Parlamento Regional, o Banco de Portugal, o Tribunal de Contas, as inúmeras entidades reguladoras, que foram nascendo como cogumelos; os próprios “media”, tão ciosos da sua importância em denunciar o que está mal, etc.? São todos incompetentes ou distraídos? Não me cheira.

            Estavam fartinhos de saber.

            E estavam tão fartinhos de saber deste buraco e de outros (fora os que devem estar ainda a antecipar), que o Ministro das Finanças deste Governo resolveu, desde logo, ir mais além do que previsto pela “troika”. Aliás estou convencido que o buraco da “Pérola do Atlântico”, só veio a público, por causa da troika, senão sempre se arranjaria um jeitinho.

           O que é crível é que quando se chega a determinadas questões “sensíveis”, as forças políticas e até os órgãos de soberania, encobrem-se uns aos outros pois, infelizmente, parecem ser todos “farinha do mesmo saco”. E lá diz o velho ditado, que “quem tem telhados de vidro, não atira pedras ao do vizinho”.

            E é bem verdade.

            Irá alguém ser punido no fim de toda esta farsa? Dificilmente. Não há leis nem vontade. A razão é simples: as leis são os políticos que as fazem, ora não há, ou irá haver nenhum político (a não ser alguém que esteja fora desta lógica partidária), que vá votar uma lei que possa vir, mais tarde, a responsabilizá-lo a ele ou a alguém do mesmo ofício, seja pelo que for.

            Têm chamado a isto Democracia.

            Nem sabem o mal que fazem.

 

 

22/09/11

 

João José Brandão Ferreira 

             TCor/Pilav(Ref.)

“Eu quero ser Primeiro-Ministro”

 

- O Rebelo de Sousa diz que é igualzinho. Não mudou nada.

- Nada!

- Ele, o Seguro, diz que quando for Primeiro-Ministro fará assim, fará assado. Eu quero ser Primeiro-Ministro, é o que o Seguro diz, é o que todos os Seguros querem.

- E até os menos Seguros. Pois! O déjà entendu, o déjà vu de sempre. “Le style c’est l’homme”, disse um tal Buffon. No nosso caso, “c’est la nation-même”. Qualquer um que queira ir para lá, para o Governo, é assim que dirá: “Eu quero ser Primeiro-Ministro”. E logo os do Governo ironizam contra as pretensões dos tais, esquecidos do que com eles se passara, os da oposição aliam-se, prontos para atacar quando estes lá chegarem. De momento, atacam os que lá estão.

- Só conversa! - proclama a minha amiga, completamente céptica.

- Ninguém tem soluções. Ninguém, ninguém, ninguém! Se houvesse solução, estava o País salvo!

- O que é um facto, é que eu acreditava na seriedade deles. Mas já vi que o discurso do Vítor Gaspar, que aliás nada teve nunca de vitorioso nem de generoso, mas que inicialmente se me afigurou competente, de uma subtileza de seriedade contrastante com a volubilidade farfalhuda dos habituais, não se tem mostrado nada esclarecedor, feito de promessas adiadas, sem explicitação dos motivos sobre o prometido início da nossa ascensão lá para os anos 13 ou 14, em absurdo contraste com o peso brutal sobre as bolsas – as habituais – dos menos dotados, economicamente falando, e as desgraças ascensionais dos que perdem empregos ou os não conseguem adquirir…

- E ninguém conseguiria fazer melhor.

- Não!
Mau grado as promessas dos Seguros, candidatos ministeriais que gingam na sua seriedade matreira, a chamar amigos… E tem amigos.
(*) 
Todos os que, esquecendo a situação vilipendiosa a que fomos reduzidos por efeitos, também, da muita desgovernação corrupta anterior, criticam acerrimamente a governação actual, ignorando as contingências internas e as pressões exteriores resultantes de tudo isso e do facto de sermos como somos – dum modo geral pouco escrupulosos.

- Muita sorte ainda se o FMI não nos abandonar…

- Parece que ainda não abandonou.

- Rezemos para que não abandone.

- Oremus!

 

Berta Brás

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=Oremus&um=1&hl=pt-PT&sa=N&tbm=isch&tbnid=nuiYOu282FgyNM:&imgrefurl=http://www.vinhosevinhos.com/produto.asp%3FsCodProduto%3D100.brut.001%26words%3DEspumante%2BOremus%2BBrut%2B750%2Bml&docid=xYiM30q49n70kM&w=95&h=350&ei=PRFyTrTGBPCN4gTstZX3AQ&zoom=1&iact=hc&vpx=499&vpy=102&dur=4797&hovh=280&hovw=76&tx=102&ty=176&page=1&tbnh=130&tbnw=35&start=0&ndsp=23&ved=1t:429,r:3,s:0&biw=1024&bih=753

DIREITOS

 (*)

Os direitos adquiridos são inegáveis protagonistas desta crise. Trata-se de um conceito bastante curioso. Será que agora os direitos se podem adquirir? Quando se fala em direitos humanos refere-se algo que cada pessoa tem naturalmente, que lhe é atribuído pela sua existência. Aí não há aquisição. A discussão recente não se refere a esse tipo de direitos. Embora apareçam nos debates como sacrossantos, são coisas muito mais modestas e contingentes.

 

Nenhuma das pessoas que invoca tais direitos afirma ter pago por eles. Seria indigno. De facto, as tais regalias sociais que eles tentam defender foram ganhas na contestação pública, luta política ou, sobretudo, na pressão de secretaria. Por isso uma designação mais adequada seria «favores políticos». Os quais, por natureza, nunca se podem dar como adquiridos. Se quem pretende ter os tais direitos não os pagou, quem paga? Isso nunca é referido. Como é o povo que sustenta os tais direitos, essa discussão rapidamente mostraria a injustiça da reivindicação.

 

O mais interessante é que estejam a ser os partidos de Esquerda os mais activos em defender os direitos e conquistas inalienáveis. Isso, não só os torna conservadores, mas condu-los a argumentos iguais aos que invocavam as classes nobres do século XVIII e os capitalistas do século XIX nas lutas heróicas do proletariado. Marx tinha razão: a história repete-se, primeiro como tragédia, depois como farsa.

 

23 | 03 | 2011  

 

João César das Neves

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=1%2Bde%2Bmaio&um=1&hl=pt-PT&sa=G&tbm=isch&tbnid=0R5qNAeFtfAIXM:&imgrefurl=http://olivacijunior.blogspot.com/2011/04/1-de-maio-um-alerta-contra-reforma.html&docid=BcZK1x2f5v21cM&w=485&h=400&ei=LnpXTpGuCIau8QOa3c2bDA&zoom=1&iact=hc&vpx=127&vpy=107&dur=1600&hovh=204&hovw=247&tx=135&ty=105&page=1&tbnh=107&tbnw=137&start=0&ndsp=18&ved=1t:429,r:0,s:0&biw=1093&bih=538

REFLEXÃO DA SEDES

 

 

Tomada de Posição: Opções de Políticas

 

 

A Sedes ao longo da sua história sempre privilegiou o que considerou ser o interesse nacional sobre os interesses particulares e por isso não pode ficar indiferente ao clima de guerrilha existente entre os partidos políticos, num momento tão grave para Portugal.

 

Neste momento tudo nos recorda a miopia dos partidos da Primeira

República, que abriram as portas à ditadura e a quase meio século de partido único, com a perda dos direitos e das liberdades que a seu tempo não souberam (soubemos) usar.

 

Também não podemos ficar indiferentes, sem protestar, a que os portugueses sejam conduzidos pela propaganda partidária para o debate permanente da conjuntura e dos fait divers semanais, obscurecendo a compreensão das causas do descalabro económico e financeiro de uma década e a procura inteligente e competente das soluções necessárias, que minimizem os custos a pagar pelos portugueses.

 

Não podemos ainda ficar indiferentes ao clima de enxovalho público

a que Portugal tem estado sujeito no plano internacional, devido à imponderação partidária e às declarações desajustadas e frequentemente incompreensíveis dos principais responsáveis políticos.

 

A situação económica e financeira portuguesa é grave, todos o sabemos. É tempo agora de assumir com verdade as responsabilidades próprias e cumprir com rigor e competência os compromissos assumidos com as instituições internacionais que têm os recursos financeiros de que precisamos para honrarmos as nossas responsabilidades assumidas no passado recente. É agora tempo de aproveitar bem a ajuda europeia que malbaratámos durante todos estes anos, com o objectivo patriótico de ultrapassar a crise e de criar condições para o desenvolvimento e o progresso das empresas e o crescimento da economia.

 

É tempo também de falar verdade sobre a verdadeira situação das finanças do Estado – central, autarquias, empresas públicas, parcerias público privadas, institutos, ... – num clima de colaboração efectiva e terminando com a sucessão de medidas ao sabor da conjuntura, que não permitiram nem a estabilidade nem o crescimento e alimentaram a suspeição internacional.

 

Devemos, neste momento, ter presente outros exemplos, desde logo o da Espanha que não apenas tomou conhecimento mais cedo da grave crise financeira, mas assumiu também e sem hesitação as medidas difíceis que se impunham, evitando assim a situação em que Portugal se encontra. Mesmo assim, O primeiro-ministro decidiu não se recandidatar.

 

Deveríamos também compreender e não menosprezar o exemplo irlandês, cujo progresso económico da última década foi notável e cujo tratamento da crise financeira foi feito com o mínimo de ruído político-partidário.

 

Neste momento, que desejamos de viragem, não podemos incorrer nos erros do passado.

 

- O desemprego é em Portugal uma tragédia social e tem de ser enfrentado em todos os seus aspectos de curto e de médio prazo, desde a avaliação do nosso sistema educativo ao empreendedorismo, da imigração à formação profissional.

 

- Portugal tem de ser capaz de crescer economicamente, questão essencial que tem sido obscurecida pela ditadura do curto prazo.

Portugal está no centro geográfico das economias globais e não pode desperdiçar a oportunidade que esse facto comporta. Para mais sendo um país europeu, localizado no centro de todas as rotas e de apenas dez milhões de habitantes, mas com portugueses espalhados com sucesso por todos os continentes.

 

- É necessário dar prioridade ao investimento produtivo, nacional e estrangeiro, internacionalmente competitivo, para tal criando as melhores condições internas que conduzam a maior eficiência produtiva. Paralelamente, devemos melhorar as condições de concorrência no mercado interno e terminar de vez com todas as relações obscuras entre o poder político e os poderes económicos.

 

- A disciplina das finanças públicas tem de passar a ser entre nós uma questão de cultura da responsabilidade e não uma panaceia destinada a vencer eleições e a provocar o descrédito da nossa democracia.

 

- Devemos ter sempre presente no nosso quadro de referência os melhores e não, como temos feito até aqui, a comparação do nosso desempenho com os piores exemplos, que aliás já escasseiam.

 

É neste contexto que Portugal não pode continuar, por mediocridade ou interesses, a perder mais oportunidades de encontrar o seu caminho próprio para o progresso e para o desenvolvimento. Como afirmado no documento “A Criação de Riqueza na Hora de Verdade” da Associação Industrial Portuguesa – AIP: “O Pais não é pobre, não é pequeno, não é exíguo; o País tem a dimensão da criatividade dos seus cidadãos”.

 

- Para isso há que desenvolver a sociedade civil e a intervenção cívica dos portugueses, libertando o nosso sistema político dos constrangimentos provocados pela concentração de todo o poder político nos partidos existentes. Não para os combater, mas para os tornar os mais abertos, mais democráticos e mais devotados à governação.

 

- Há que recorrer com urgência a novas formas de democratização, há que reconhecer o problema constituído pelo funcionamento deficiente e acrítico dos partidos políticos, evitando a repetição dos acontecimentos trágicos da primeira República, enquanto é tempo.

 

- Como temos dito vezes sem conta, o funcionamento da Justiça constitui o centro de muitos dos problemas nacionais. Não contribuindo eficazmente para combater o clima geral de indisciplina, de impunidade e de corrupção na sociedade portuguesa, também constitui um obstáculo objectivo ao desenvolvimento das empresas e ao investimento numa economia sã e responsável.

 

O País sofre diariamente os maus exemplos que chegam de cima e nenhuma sociedade pode resistir por muito tempo ao impacto negativo dos comportamentos desviantes da ética da verdade e da responsabilidade. A pedagogia do bom governo não é apenas um factor de credibilidade das instituições democráticas, mas uma bitola permanente para o comportamento dos cidadãos. O exemplo é sempre um factor superior do funcionamento das sociedades democráticas mais avançadas e não pode ser menosprezado.

 

Passado este período de ajustamentos vários e difíceis, Portugal tem obrigação e necessidade de ter alterado as condições para o seu crescimento. Até tal acontecer o fim da crise actual não se materializará.

 

Neste momento, de grande dificuldade nacional, devemos reforçar o trabalho e o esforço de solidariedade que muitos portugueses e instituições devotam ao bem comum. São uma inspiração para todos nós, no sentido de compreendermos finalmente a necessidade urgente de lideranças que saibam unir todos os portugueses ao redor do progresso e do prestígio da Nação Portuguesa.

 

18-05-2011

 

Henrique Medina Carreira

Henrique Neto

João Duque

João Ferreira do Amaral

João Salgueiro

Luís Campos e Cunha

Luís Mira Amaral

OPINIÃO

 

 

Quando ouvimos notícias sobre atentados contra cristãos, sofremos e, muitas vezes, revoltamo-nos ao saber que foram mortos cobardemente por ódio à fé, enquanto rezavam, como aconteceu recentemente no Iraque e no Egipto.

 

Entre nós – no Ocidente – não há perseguição aberta nem martírios frequentes, mas muitos cristãos sofrem certa pressão e discriminação: ao nível da opinião pública, nos programas de ensino impostos pelo Governo, na legislação sobre saúde, sobre a família e a vida humana... Enfim, cada um de nós é capaz de enunciar já hoje um ou outro caso.

 

Às claras, ou veladamente, a violência e intolerância contra os cristãos é sempre condenável. Claro! Foi o que também achou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália ao propor, esta semana, à UE, uma declaração conjunta para condenar a perseguição religiosa anti-cristã.

 

A proposta italiana teve o apoio da grande maioria dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União, mas foi bloqueada por cinco países: Portugal, Espanha, Luxemburgo, Irlanda e Chipre. E, por isso, não se chegou a acordo.

 

Ficamos, pois, a saber que o Governo de Portugal é líder na Europa contra a defesa dos cristãos.

 

QUEM VALE SÃO AS PESSOAS

 

 

Na ditadura partidocrática que nos impuseram sem referendo, os eleitores não podem escolher livremente os seus dirigentes. Para a Assembleia da República – as eleições mais importantes - só podem votar em partidos, ou seja, em listas, por ordem fixa, feitas ditatorialmente por meia dúzia de pessoas. Isto é baseado na falsíssima ideia de que cada partido representa uma ideologia, diferente das dos outros e que se exprime nos dizeres (falsos) de que as pessoas não interessam e o que vale são as ideias.

 

As eleições autárquicas de 2009 forneceram mais uma excelente demonstração da falsidade daquelas afirmações e bom seria que os portugueses acordassem e exigissem a alteração da Constituição que permitisse eleições livres, já que apenas o é a eleição do Presidente da República: é candidato quem o deseja ser e é apresentado com o apoio dum certo número de eleitores, no caso cerca de 0,1 a 0,2% dos eleitores.

 

Os partidos, que têm toda a razão de existirem como associações de cidadãos com o mesmo credo político mas nunca como "órgãos de poder" e muito menos como "órgãos de poder ditatorial", limitam-se a apoiar o candidato que entenderem.

 

A demonstração do que afirmei no início foi dada pelas eleições autárquicas de Faro e Tavira. Na grande maioria dos casos os Presidentes das Câmaras Municipais foram reeleitos e é bem evidente que se Macário Correia quisesse continuar a presidir à Câmara Municipal de Tavira também seria reeleito. Confiado na sua boa capacidade como autarca, resolveu candidatar-se a Faro, a capital do Distrito e, portanto, com mais alargadas responsabilidades. Era uma candidatura arriscada porque, dentro da regra da reeleição dos Presidentes, teria de ganhar a José Apolinário e até lutar contra a imensa propaganda socialista, ajudada por uma boa parte da comunicação social.

 

Macário Correia (PSD) ganhou a José Apolinário (PS) porque os farenses resolveram preferir a Social-democracia ao Socialismo, se os nomes dos partidos tivessem alguma validade?

 

Certamente que não. Apenas consideraram que Macário lhes dá mais esperanças de fazer melhor que Apolinário.

 

Em Tavira – onde certamente Macário (PSD) seria eleito se se tivesse candidatado – foi eleito Jorge Botelho (PS). Porque os tavirenses decidiram preferir o Socialismo à Social-democracia?

 

Certamente que não. A razão óbvia é que, não podendo ter Macário, o candidato que lhes pareceu melhor foi Jorge Botelho que, por acaso, até era dum partido diferente.

 

No Fórum TSF Rádio, na manhã de 12 de Outubro, um interveniente perguntou ao PCP se pensava que os 38% que elegeram Maria Emília de Sousa Presidente da Câmara Municipal de Almada eram todos comunistas. Recordo-me que Abílio Fernandes (membro do PCP) foi várias vezes reeleito Presidente da Câmara Municipal de Évora com muitos votos de não comunistas. E lembro que nenhum Presidente de Câmara comunista se lembrou, alguma vez, de estabelecer o comunismo no seu Concelho.

 

Não compreendo é como os portugueses que, legitimamente se queixavam de não poderem eleger livremente os seus deputados, agora, que também não podem e têm tido que sofrer como seus "representantes" aqueles que lhes impuseram, acham que têm "eleições livres" e chamam ao sistema, erradamente, "democracia".

 

Deviam exigir que, ao menos, se abra, para a Assembleia da República, uma "pequena janela democrática" (1) como se abriu, com bons resultados, para as autarquias.

 

 Miguel Mota

 

(1) - Mota, Miguel – Uma pequena janela democrática, "Linhas de Elvas" de 6-10-2005

 

Publicado no "Linhas de Elvas" de 15 de Outubro de 2009

General Domingos de Oliveira

 Luís Soares de Oliveira, Embaixador

No dicionário da História de Portugal de A. Barreto e M.F. Mónica, volume VIII; referida é a pessoa de   meu avô, general Domingos de Oliveira, e o seu papel na história do Estado Novo, dentro do espírito com que  o interpreteou A. Franco Nogueira na sua douta biografia de  Salazar.  A concordãncia não melhora, no caso,  a veracidade da versão.

Ao meu avô aconteceu o mesmo que à grande maioria dos mortais: -acabou por ter que fazer na vida aquilo que não tencionava e, no seu caso, de que não gostava. Foi este mistério que procurei desvendar no capítulo “A Cavalaria e a Política”, do livro que os netos escreveram sobre tão estimado avô. O que teria levado o prestigioso militar a deixar-se arrastar para a política? Isso aconteceu no Palácio de Belém, na dramática noite de 21 para 22 de Janeiro de 1930 -  já lá vão 76 anos. Foi aí  que Carmona o forçou a aceitar o cargo de Presidente do Ministério. Como o conseguiu? Creio que pesou no caso a camaradagem de armas, mas não só. DO tinha de certo modo “empurrado” Carmona para o 28 de Maio e isso talvez porque lhe reconhecesse qualidades de político. Agora era o “empurrado” que lhe pedia para não o deixar afogar-se, quando isso  estava prestes a acontecer. Com efeito, as sucessivas crises governamentais – em parte provocadas pelas artimanhas políticas de Salazar – minavam a credibilidade do regime ditatorial instituído 4 anos antes.  A “tropa” - que era quem tinha voto na matéria -  agitava-se através dos tenentes ambiciosos e impacientes. Era preciso alguém que os militares respeitassem [e Salazar também]. Nestas circunstâncias, a presença de DO foi o aval indispensável que poucos - se é que mais alguém - poderiam ter dado ao governo. E, de facto, a coisa funcionou. Durante o governo de DO, intentonas e desordens houve, mas foram periféricas e eficazmente dominadas. A confiança restabeleceu-se e os resultados económicos logo obtidos foram disso prova. Assim, e apesar do seu desequilíbrio estrutural (congénito ?), a sociedade portuguesa pôde manter o seu Estado e  progredir, ainda que não tanto como seria de desejar.

 General Domingos de Oliveira - baixo relevo da autoria do escultor Cap. Delfim Maya - Sociedade Hípica Portuguesa, Lisboa

Domingos Augusto Alves da Costa Oliveira, nasceu em Lisboa, freguesia de Belém, em 31 de Julho de 1873. Frequentou a Escola do Exército, arma de Cavalaria. Serviu em Lanceiros da Raínha [Cavalaria 2) e em Elvas, Lanceiros 1. Aprovado no concuros para oficial general em 1925, promovido a general em 1928. Comandou a Brigada de Cavalaria do Alentejo, a 3ª Região Militar [Tomar] e foi nomeado Governador Militar de Lisboa em 1928. Presidente do Ministério de 30 de Janeiro de 1930 a 29 de Junho de 1933. Embaixador à Coroação de Jorge VI de Inglaterra, em 1937. Passou à reserva em 1938.
Presidente do Supremo Tribunal de Justiça Militar, 1942. Chanceler da Ordem Militar da Torre e Espada, 1952. Membro do Comité fundador da Sociedade Hípica Portuguesa. Autor do livro "Raças e Ferros Cavalares da Península Ibérica".
Morreu em Lisboa na noite de Natal de 1957.

Os historiadores apressados não levam nada disto em conta. Tomam o general Domingos de Oliveira como um político empenhado nos jogos do poder e vêem nele um perdedor que se deixou ultrapassar por Salazar. Do seu lado, o general não via as coisas assim. Entendia que tinha retirado o poder das casernas e impedido as manobras predadoras dos “trauliteiros”; evitara o poder da rua e a inerente “tirania da estupidez”; enfim, tinha criado condições para que gente esclarecida pudesse governar o país em paz. E fez tudo isto quase apenas com a sua presença. Entrou na política? Sim, mas há que reconhecer que entrou o menos possível. E isto foi deliberado. Não são dessa opinião os historiadores, sobretudo os politicamente comprometidos. Isso porém não tem grande importância: - daqui a um século saberemos onde estava a razão.

Estoril, Junho de 2006

Luís Soares de Oliveira

 

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