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A bem da Nação

A VISITA DE FILIPE VI

 

 

 

“Olivença é terra portuguesa” - uma evidência!

 

Não deixa de ser significativo que Portugal seja o primeiro país que o novo Rei de Espanha visita, oficialmente, após a sua coroação.

 

Mesmo tendo em conta que o convite tenha partido do Presidente Português.

 

O significado é, sobretudo, político e estratégico.

 

Tudo deve ser seguido e analisado com a máxima atenção.

 

Lamentavelmente, “Sua Muito Católica Majestade”[i] não vai ser recebido por ninguém de estirpe real, alguém de sua igualha, com o titulo de “Majestade Fidelíssima”[ii], mas pelo republicaníssimo Professor Cavaco Silva – o qual, obviamente, não usa o titulo, que passou naturalmente para a Nação Portuguesa, quando a Monarquia caiu sem lustre nem glória, no arrepiante dia 5 de Outubro de 1910.

 

Filipe será bem recebido como representante de um país que estimamos seja nosso amigo e bom vizinho, mas que deve ter sempre presente que será repudiado no dia em que além de ser Filipe VI de Espanha, se engane na numeração romana e intente ser, também, IV de Portugal.

 

É certo que a Monarquia Espanhola foi visitar primeiro Sua Santidade o Papa, o que é lógico, não só porque para além de uma visita de Estado, tem um carácter espiritual. Mais a mais o Papa é falante natural do castelhano…

 

Mas para nós portugueses, tal facto não deixa de se dever ter em conta, face à luta que os dois reinos travaram pelo favor Papal, ao longo dos séculos.

 

Recorda-se, só para ilustrar, que a Santa Sé levou 51 anos a reconhecer “de jure” a independência de Portugal e tornou, mais tarde, a não ter pressas em reconhecer a Restauração/Aclamação de 1640, o que só ocorreu em 1670, passando já dois anos da assinatura do Tratado de Paz entre as duas coroas.

 

Para já não falar, entre muitas outras coisas, nos 600 anos que Roma levou a canonizar D. Nuno Álvares Pereira, a que não é seguramente alheia a diplomacia de Madrid.

 

Filipe VI não perdeu, aliás, tempo e logo convidou Francisco a visitar Espanha, em 2015, a propósito do 500º aniversário do nascimento de Santa Teresa de Ávila.

 

Depois de Portugal segue-se Marrocos, onde será recebido pelo Rei Mohamed VI, o “Comandante dos Crentes”, da dinastia Alauita, que teve início em 1664 – embora a Monarquia marroquina remonte ao ano de 788 – cuja lema é “Deus, Pátria, Rei”.

 

Com Marrocos as relações da Espanha são tensas, não só por um historial antigo de disputas, algumas ainda não resolvidas - como é o caso de cidades, enclaves e ilhotas, sobre soberania espanhola, que Rabat reivindica – mas também por problemas sobre direito marítimo e a magna questão da emigração.

 

Estas relações contrastam com as que Portugal mantém com Marrocos, que se podem considerar exemplares desde a assinatura do Tratado de Paz de 1774, apenas toldadas pelo apoio – apesar de tudo moderado – que aquele país prestou aos movimentos de guerrilha que combateram a presença portuguesa no Ultramar entre 1961-1974.

 

O périplo termina em França – numa prioridade nitidamente regional – país com quem a Espanha sempre manteve uma relação de desconfiança, mesmo nos períodos de alternância entre serem aliados ou inimigos, que os caracteriza e que atingiu o rubro nas contendas entre a Casa dos Bourbons e dos Habsburgos.

 

Já não reina em França “Sua Majestade Cristianíssima”[iii] que, não raras vezes, não teve escrúpulos em se aliar aos inimigos da Fé Cristã, já de si fortemente abalada pela “Reforma” e quase subvertida pela Revolução Jacobina de 1789.

 

E sempre que a França se alia à Espanha contra as potências marítimas, Portugal viu sempre a sua independência em perigo.

 

Aliás, quando Filipe VI atravessar a fronteira sabe que deixa atrás de si um confortável poderio militar, ilustrado pelos 347 carros de Combate “Leopardo” e 103 “Centauro”;368 “Pizarro” (ligeiros); 31 helicópteros de ataque “Tigre”, 37 “NH90”, 37 “Cougar” e 18 “Chinook”; 102 peças autopropulsionadas de 155 m/m, M 109 e 184 viaturas ligeiras de transporte de tropas “RH41”, 396 “Lince” e 1600 “URO”. Tudo material moderno e letal; só para referir isto, que pertence ao Exército. Nem vale a pena falar nos outros Ramos…

Por seu lado o Ducado de Alba continua a ser a casa nobre mais poderosa de Espanha…

 

Convinha não esquecer estas coisas[iv].

 

É curioso como o filho daquele que foi o mais “português” Rei de Espanha – sê-lo-ia, porventura, no coração, porém, não na razão – deixou os “filhos” da Espanha para outras núpcias.

 

Estamos a referir-nos a todos os países que os espanhóis colonizaram, sobretudo nas Américas, cujas bandeiras emolduram uma sala no notável Mosteiro de La Rábida, perto de

 

Huelva, o que constitui o símbolo da Hispanidade, cujo dia se comemora a 12 de Outubro. A data em que Cristóvão Cólon chegou, oficialmente, ao Novo Mundo, afirmando que tinha chegado à Índia…

 

Cristóvão Cólon que está muito ligado a La Rábida onde terá deixado o filho mais velho a ser educado e onde conferenciava com um sábio franciscano português, Frei António de Marchena, que por lá pontificava.

 

Cristóvão Cólon que, estamos em crer, a coroa espanhola sempre conheceu como sendo um nobre navegador português, mas nunca quis que se soubesse…

 

Filipe VI vem pois, a Portugal, numa campanha de charme e também para marcar o seu terreno. Não só perante potências exteriores, mas outrossim, para o interior de Espanha, querendo significar que antes das autonomias e dos regionalismos, está a unidade da Espanha, se possível da Península Ibérica, que sendo uma realidade geográfica sempre quiseram fazê-la coincidir com uma única unidade política.

 

Serve ainda para descansar o polo geopolítico mais forte da Meseta, que é Castela, no sentido em que realça o facto de Portugal continua aqui ao lado e pode sempre constituir uma compensação para o caso de alguma das 17 comunidades autonómicas (mais duas cidades) fugir ao seu controlo.

 

Como dizia José de Carvalhal y Lencastre[v] “a perda de Portugal foi de puro-sangue e, por isso, o ministro espanhol que não pense constantemente na reunião, ou não obedece à lei ou não sabe do seu ofício”.

 

Parece que Filipe VI está bem preparado para o seu ofício e já jurou cumprir a Lei.

Por isso perceberá sem dificuldade um repto de exigência que daqui lhe lanço, pois não sou, nem nunca serei seu súbdito (embora lamente ser eu a fazê-lo e não as autoridades que me deviam representar): Influa em tudo o que estiver ao seu alcance para que o governo de Espanha devolva a cativa, mas portuguesíssima terra de Olivença e seu termo.

 

Tanto eu como V. Majestade sabemos que aquela terra não vos pertence.

Folgo que tenha uma boa estadia, mas compreenderá que enquanto este assunto não estiver resolvido, eu não lhe possa desejar as boas vindas.

 

6/7/14

 

 João J. Brandão Ferreira

Oficial Piloto Aviador

Português sofrido

 



[i] - Titulo que começou por ser outorgado a Fernando e Isabel, (Reis Católicos) pelo Papa Alexandre VI

 

[ii] - Titulo atribuído aos Reis de Portugal, pelo Papa Bento XIV, em 23/12/1748

 

[iii] - Titulo usado regularmente desde o Rei Carlos VI, por o Papado considerar a França, desde Clóvis I, a “filha mais velha da Igreja”.

 

[iv] - Não teria sido má ideia, “alguém” ter lembrado tudo isto, na última reunião do Conselho de Estado (ocorrida a 4/7/14), mas parece que andam preocupados com outras coisas

[v] - Ministro de Estado ao tempo do Rei Fernando IV, de Espanha.

 

 

UM MISTÉRIO DE OLIVENÇA



Ouvi dizer qu'Olivença apaixona
quem a visita, logo à primeira vez,
e que tem uma alma qu'aprisiona
como a que com Pedro se serviu Inês!

Algo em Olivença proporciona
pensamentos tais que, com insensatez,
cada qual, enlevado, s'abandona
a sentimentos d'invulgar lucidez!

Surgem reparos de pura admiração,
brotam poemas d'índole diversa,
nasce algo novo em cada coração...

Olivença, de beleza perversa,
despertas tanta, mas tanta, emoção,
qu'a nossa razão por ti é submersa!!!

Estremoz, 03 de Maio de 2013
 Carlos Eduardo da Cruz Luna

AI, OLIVENÇA



Olivença, amando-te te versejo
escrevendo com paixão poesias,
esperando que com o meu desejo
sobre ti nasçam novas melodias!

Não sei se a muito mais eu almejo,
mas creio que é com alegorias
como as muitas com que te cotejo
que te prestarão justas honrarias!

Olivença, dizem que eu sou louco
por fazer sobre ti tanto soneto
e que até sem querer te apouco...

Ai, Olivença, só me comprometo
a fazer melhor, pois 'inda fiz pouco!
Tens em ti o teu próprio libreto!

Estremoz, 26 de Dezembro de 2013

Carlos Luna Carlos Eduardo da Cruz Luna

OLIVENÇA, SEMPRE!

Entrevista do Presidente da

Associação Cultural Além-Guadiana

ao «Café Portugal» em 29-06-2010

 

 

 

Olivença, 5 de Junho de 1954 – Também um burgo pode ter saudades e mirrar-se de melancolia. Há um espírito de exílio nos lugares, perfeitamente igual ao dos indivíduos. Que pena me fez a esfera armilar no “ayuntamiento”, murcha, introvertida, apertada em novelo como uma flor de luto!
Miguel Torga (Diário, vol. VII)


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Em Olivença «o português pertence ao mais profundo da nossa cultura»

Para o Presidente da associação Além Guadiana, cujo objectivo é dinamizar a cultura portuguesa em Olivença, com o passar do tempo as ancestrais ligações» com o nosso país «começaram a perder-se». Joaquín Fuentes Becerra refere que «a melhor maneira de recuperar os caminhos perdidos, entre eles o da língua, é através dos sentidos, das emoções, dos pequenos e grandes descobrimentos da nossa história desconhecida e dos novos laços com Portugal». «Não podemos ter duas culturas se uma delas não se pode expressar através das palavras, só das pedras mudas», lamenta Becerra, considerando que é fundamental apostar no ensino da Língua aos mais jovens.
Ana Clara | terça-feira, 29 de Junho de 2010


Café Portugal - Em Junho último a associação que preside organizou um dia de homenagem à Lusofonia em Olivença. No fundo um dia de memória à língua portuguesa que contou com o apoio do Ayuntamiento de Olivença. Gostaríamos que pormenorizasse.

 Joaquín Fuentes Becerra – A Além Guadiana tem tido sempre uma boa e aberta relação com a autarquia e os diferentes representantes políticos de Olivença. Após a criação da associação, em Março de 2008, apresentámo-nos a todas as instituições culturais e políticas locais com o objectivo de explicar o sentido da associação, os nossos fins e actividades a desenvolver. Apesar de ser uma entidade jovem, com pouco mais de dois anos, temos desenvolvido um grande número de actividades, como as primeiras Jornadas sobre o Português Oliventino, a criação de um website e um blogue para a difusão da Além Guadiana e a cultura lusófona, eventos musicais, etc. Tudo sempre em linha com a cultura portuguesa e com uma grande aceitação popular. Depois, chegaram outras iniciativas como a recuperação dos velhos nomes das ruas em português ou a realização de um espaço dedicado ao mundo lusófono, o «Lusofonias». Ambos os projectos foram apresentados à Câmara e às instituições políticas de Olivença e contaram com um apoio unânime. Também temos desenvolvido actividades em colaboração com os professores de português da escola «Francisco Ortiz» para a divulgação do português que se fala em Olivença. Estas iniciativas não teriam sido desenvolvidas sem a participação directa das instituições oliventinas, sendo indicativas de uma grande receptividade. Para a nossa associação são muito importantes os canais de comunicação locais, bem como o envolvimento da população oliventina nos diferentes projectos. Não teria sentido promover actividades sem conexão com a povoação. E se o temos conseguido, até agora, é pela nossa maneira altruísta de contribuir para o desenvolvimento cultural, pela forma sempre construtiva de apoiar iniciativas, pela visão integradora das nossas propostas, pela desvinculação política da nossa actividade e pelo interesse colectivo dos próprios projectos. A iniciativa de recuperação dos nomes ancestrais das ruas em português, foi mais um exemplo, pois foi exposta com uma visão didáctica, cultural e turística com um elevado simbolismo.

C.P. - Olivença está há dois séculos sob administração espanhola. De que forma, hoje, os oliventinos se mantêm ligados a Portugal?

J.F.B. - Para além das fronteiras políticas estão os espaços culturais. Até meados do século XX, século e meio após a mudança de nacionalidade, Olivença tinha culturalmente maiores semelhanças a Portugal do que a Espanha, no âmbito linguístico, etnográfico, das tradições. Nessa altura nasceram os últimos luso falantes e desde então houve um processo mais rápido de debilidade das raízes culturais. A realidade da Olivença de hoje é diferente da realidade de há cinquenta ou cem anos. Porém, actualmente os oliventinos em termos gerais olham de maneira positiva para o seu passado e, embora os mais jovens não tenham vivido a cultura portuguesa da mesma forma que os pais, olham para Portugal com uma crescente curiosidade, com menos complexos e maior abertura. Este aspecto é novo, pois as gerações anteriores, por razões complexas, olhavam para Portugal com uma maior distância e alguns preconceitos. Pessoalmente, penso que a mudança identitária de Olivença foi um processo longo e complexo. Apesar das emigrações a maior parte da população oliventina ficou em Olivença depois de 1801, mantendo fortes laços pessoais, culturais e sentimentais com Portugal. Com o passar dos anos, as ancestrais ligações com Portugal começaram a perder-se e os oliventinos tiveram de iniciar a construção de novas ligações com Espanha e criar novas referências culturais. Ainda que os oliventinos tenham consciência do passado português, foi muito o que se perdeu no caminho.

C.P. - Como se pode recuperar esse muito que se perdeu?

J.F.B. - Na associação Além Guadiana, achamos que a melhor maneira de recuperar caminhos perdidos é através dos sentidos, das emoções, dos pequenos e grandes descobrimentos da nossa história desconhecida e dos novos laços com Portugal, degustando a sua gastronomia, conhecendo as suas paisagens e povos, fazendo novas amizades, conversando em português além e aquém Guadiana. Recentemente, no âmbito do primeiro certame das «Lusofonias», teve lugar uma Leitura Pública Contínua em Português, onde numerosos oliventinos de todas as idades, incluindo os representantes de todos os partidos políticos, leram textos de Camões, Pessoa, Saramago, Florbela Espanca e outros expoentes das letras portuguesas, incluindo quadras tradicionais de Olivença e autores oliventinos como Ventura Abrantes ou Caetano da Silva e Soutomaior, poeta oliventino do século XVIII conhecido como o Camões do Rossio. Foi um acto sem precedentes, popular e emotivo, que mostra grande abertura e novas maneiras de olhar a Portugal.

«Cidade das duas culturas»

C.P. - Olivença é comummente referida como «cidade de duas culturas». À luz do que acaba de referir os oliventinos vivem, de facto, hoje, essas duas formas de identidade?

J.F.B. - «Cidade de duas culturas» é um termo criado e alimentado pelos próprios oliventinos numa frase que procura expressar o carácter dual e a riqueza da nossa cultura. Mas, também, é uma declaração de intenções que não reflecte uma realidade completa. Temos um património monumental de herança portuguesa bem preservado mas uma grande parte da cultura imaterial, especialmente a língua, que é a cultura viva que conversa nas cozinhas e transita pelas ruas, está a desaparecer. Na verdade, há uma cultura vigorosa e dinâmica que se expressa em castelhano e outra cultura, a portuguesa, que está bem visível nas igrejas, nas muralhas, mas muito debilmente na língua. E a língua é tudo. Os oliventinos têm de conquistar verdadeiramente o qualificativo «duas culturas». Não podemos ter duas culturas se uma delas não se pode expressar através das palavras, só das pedras mudas. A Além Guadiana nasceu com o objectivo de promover a parte mais débil do património oliventino e para contribuir à projecção do enorme legado que nos deixou Portugal. A maior parte do que somos o devemos a Portugal.

C.P. – Na realidade poucos habitantes com menos de 65 anos falam o português…

J.F.B. - Em Olivença o português fala-se desde finais do século XIII até hoje. Em meados do século XX, a maioria dos oliventinos eram bilingues mas tinham na língua de Camões a sua língua materna. É nesta altura quando, por diversas razões, os pais deixam de falar aos filhos em português. Os últimos nascidos lusos falantes são os velhos de hoje. O português encontra-se hoje em camadas etárias de mais de 65 anos e é fácil adivinhar o seu futuro em 15 anos. Se não há uma aposta forte em relação à língua portuguesa em Olivença, nas suas aldeias vai desaparecer em poucos anos. Já desapareceu em Tálega, antiga aldeia de Olivença, num avanço do que significa uma enorme perda cultural.

C.P. – Referiu que a associação a que preside tem desenvolvido iniciativas com vista à promoção da língua portuguesa. Para além do «Lusofonias» pode-nos especificar?

J.F.B. - A petição à Junta da Extremadura para a declaração do Português em Olivença como Bem de Interesse Cultural, acções de divulgação, propostas para que os cartazes turísticos e a difusão cultural sejam bilingues. Achamos difícil, mas possível, a recuperação da língua de Camões em Olivença, fazendo uma aposta forte pelo ensino dos mais jovens. Existem experiências de outras línguas minoritárias em condições muito complicadas que conseguiram ser recuperadas. Mas este processo só pode ser iniciado com os próprios oliventinos, ganhando consciência sobre o valor do que temos e defendendo o que não desejamos perder. A sensibilização cultural é tão fundamental como o melhor conhecimento da nossa história portuguesa, da qual fizemos parte ao longo de meio milénio. Os nossos velhos acham que Olivença foi trocada por Campo Maior e poucos sabem que os Gamas descendem de Olivença. Temos uma extraordinária história e o papel de Olivença em Portugal foi verdadeiramente invulgar na construção da nação portuguesa, na aventura ultramarina, na Guerra de Restauração, na criação artística... Todo um passado à espera de ser melhor conhecido por nós e com uma grande projecção de futuro.

C.P. – De há um tempo a esta parte o português começou a ser associado em Olivença a uma língua estratégica, por exemplo para o turismo. Houve, com isso uma mudança institucional?

J.F.B. - Nos últimos dois séculos a língua portuguesa não contou com nenhum apoio institucional, salvo nos últimos tempos. Com a mudança de nacionalidade a língua de referência no âmbito educativo e administrativo passou a ser o castelhano. O português manteve-se exclusivamente ao longo de todo este tempo graças à vontade dos oliventinos, que se mantiveram ligados à sua língua materna, às raízes dos seus antepassados, num extraordinário exemplo de preservação cultural. Em meados do século XX era a língua popular, quase todos falavam o português mas não o escreviam pois foi unicamente a transmissão oral, e não o ensino nas escolas, o meio de aprendizagem. Com a ditadura intensifica-se a associação conceptual das línguas espanholas e portuguesa, a primeira, ensinada na escola, ficava ligada à língua de promoção social, à da gente mais culta, ao futuro, e a segunda às classes mais populares, aos que tinham um menor aceso à educação, ao passado. Nas últimas décadas há uma certa mudança na maneira de olhar para o português e começam a existir algumas iniciativas interessantes, por exemplo cursos de português, mas com um baixo impacto real no sentido de inverter o processo de extinção da Língua. E, nos últimos anos, assistimos a uma mudança muito mais notável da mentalidade, não só em relação à língua mais também com tudo aquilo relacionado com a nossa herança portuguesa, especialmente em gerações mais jovens. A língua portuguesa começa a ser vista como um valor cultural muito importante para Olivença e, também, como uma língua estratégica para o turismo, relações comerciais e pessoais, etc. Paralelamente, há uma maior implicação das instituições na promoção do português, que é já língua de ensino obrigatório numa das escolas primárias de Olivença com a participação do Instituto Camões. Tudo está a mudar, mas faz falta uma aposta mais forte pelo português, que não é uma língua estrangeira em Olivença. O português pertence ao mais profundo da nossa cultura e, na medida que os nossos velhos o falem, ainda pertencemos, também, ao âmbito da Lusofonia. E desejamos continuar a pertencer.

Património português

C.P. – Como sublinhou não é apenas a Língua que identifica o passado português em Olivença. Há a calçada, a arquitectura manuelina, a fisionomia das casas…

J.F.B. - O património monumental é quase todo português: conventos, casas notáveis, muralhas e obras de mestre como a manuelina igreja da Madalena. E, também, a base da gastronomia, das festividades, das tradições, da dança, da música... Os portugueses que visitam os monumentos de Olivença sentem-se como em casa e identificam-se com os azulejos setecentistas da Misericórdia, com os retábulos joaninos e também percebem a influência espanhola em outros aspectos. E os espanhóis sentem esse ar diferente da cidade, esse sabor português tão particular. Mas, também há um super-estrato cultural de origem hispano, que é muito forte pois os oliventinos de hoje nascem e crescem num contexto onde todas as referências culturais foram espanholas. É neste aspecto quotidiano, visível na cultura popular, na língua, ambiente, nos gostos musicais, nos novas costumes, etc., onde a cultura espanhola é inegavelmente dominante. Não podemos esquecer a cultura portuguesa mas também não devemos renunciar à herança cultural espanhola. A letra «ç» de Olivença e a «z» de Olivenza foram sempre contempladas de uma maneira antagónica. Nós achamos que utilizar ambas é contribuir para a riqueza cultural oliventina.

C.P. – Como olha para as posições do estado português em relação à questão de Olivença ao longo das últimas décadas?

J.F.B. - Sobre Olivença têm-se escrito muito, desde posições discrepantes sobre aspectos políticos e territoriais. Porém, a associação Além Guadiana não está interessada neste âmbito, nem está dentro dos fins e actividades estatutárias. Reivindicamos o mais importante: a cultura. Achamos que na cultura podem e devem concordar todos. Não entendemos que a cultura oliventina tenha que pagar o preço de possíveis desencontros em outros âmbitos. Não conhecemos se há alguma posição do Estado Português ou se alguma vez se manifestou em relação à cultura portuguesa em Olivença. Mas, neste sentido, os oliventinos estão a fazer um esforço para valorizar as nossas raízes portuguesas. Nada seria mais belo e bem recebido que o compromisso das instituições portuguesas no apoio à valorização da nossa herança cultural que, também, é património de Portugal e do mundo lusófono.
 


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Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor
(F. Pessoa)

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Colaboração do Dr. António Marques, anterior Presidente do Grupo dos Amigos de Olivença

http://www.cafeportugal.net/pages/noticias_artigo.aspx?id=2284

 

“Cuando ya no estemos”

Título: Cuando ya no estemos - Quando já não estivermos

 

Autor: José Antonio González Carrillo

 

Língua da publicação: Espanhol - Português

ISBN: 978-84-615-6714-0

 

 

O novo livro do autor José Antonio González Carrillo (Olivença, 1975), narra o acontecer das obras de arte, das tradições, dos factos e dos valores arquitetónicos mais íntimos e desconhecidos da cidade de Olivença e do seu contexto histórico através dos séculos.

 

Progressivamente, desde que, em 1801 Olivença sofreu a mudança de nacionalidade e o processo de espanholização, muitos dos seus valores culturais, expressões artísticas e tradições portuguesas foram sendo descontextualizadas nos âmbitos quotidianos do meio.

 

Com este pretexto e inspiração, o autor do livro, em pleno século XXI, encontra a oportunidade de revitalizar o referido património, descontextualizando-o novamente, mais uma vez; mostrando-o sob diferentes prismas, muitas vezes artificiais; utilizando recursos gráficos e montagens com documentos históricos, azulejos, obras de arte sacra ou telas, pegadas de séculos passados que temperam e reforçam o valor documental de cada página da publicação. Desta forma, e conscientemente, González Carrillo reivindica a importância de todo este conjunto patrimonial menos conhecido para denunciar que, sem ele, a personalidade atual de Olivença não poderia ser totalmente valorizada.

 

Um livro de caráter intimista e de complexa confeção, pela dispersão das obras compiladas, hoje em dia diluídas em mãos privadas e instituições, e também na sua forma de conceptualização, sempre com o inconfundível selo criativo do autor.

 

As obras de José Antonio González Carrillo, definidas pela crítica como “trabalho comprometido e de vincada personalidade criativa”, tiveram um importante acolhimento em âmbitos nacionais e internacionais, sendo a fotografia e o desenvolvimento criativo o eixo principal do seu legado artístico. O autor recebeu diversos prémios relacionados com a publicidade e a fotografia, e publicou os seus trabalhos e obras em prestigiadas revistas do setor gráfico e audiovisual de todo o mundo. Criador incansável, agora desenvolve uma intensa atividade em diferentes projetos, à procura, com o seu particular olhar, do motor da sua criação mais essencial e pessoal.

 

Outros livros do autor: Oliventinos (2005), Saudade (2006), Olivenza oculta (2009), La herencia portuguesa en las cofradías de Olivenza (2010), Almas da Magdalena (2011).

 

O livro será apresentado na sexta-feira 14 de setembro, às vinte horas espanholas, no Museu Etnográfico “González Santana” de Olivença.

 

Vídeo promocional do livro, no seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=d-B_7EmsE5Q

  António Marques

DEFENDER A LÍNGUA PORTUGUESA EM OLIVENÇA – 6

"ALÉM GUADIANA" – TRÊS ANOS DE ACTIVIDADE

A inesperada recuperação do português
em Olivença
(resumo de acontecimentos de três anos: 2008-2011)


LANÇAMENTO DAS SEGUNDAS LUSOFONIAS NA "CASA O ALENTEJO" (12-Maio de 2011)



O “Além Guadiana" não hesitou em avançar para uma nova edição de Lusofonias, e tratou de fazer a sua divulgação na "Casa do Alentejo", em 12 de Maio de 2011.
A Imprensa portuguesa, ainda que convocada, não compareceu em grande medida, com excepção da Agência Lusa, que publicou um excelente artigo sobre este grupo de oliventinos.
 São dessa notícia as informações que se seguem.

«A associação 'Além Guadiana' apelou hoje a um maior apoio do Estado Português e das diversas instituições ligadas à cultura, para "manter acesa a chama" da língua portuguesa em Olivença.

"Falta apoio português. Não só do Estado, mas também das instituições e dos media. Os meios de comunicação social portugueses deveriam ir a Olivença ver as coisas de outro prisma", afirmou Eduardo Machado, que aproveitou para sublinhar que o 'terreno' da associação "é apenas a cultura".

"Queremos tratar as coisas com naturalidade. Respeitamos todas as posições, mas o nosso terreno é a cultura", afirmou, referindo-se às rivalidades e preconceitos ainda existentes e à necessária mudança de mentalidades, sublinhando: "O português em Olivença não é uma língua estrangeira".

O responsável falava na primeira iniciativa pública da 'Além Guadiana' em Portugal, que decorreu na Casa do Alentejo, em Lisboa, e serviu não só para fazer um balanço dos três anos de actividades desta associação sem fins lucrativos mas também para apresentar a segunda edição do festival 'Lusofonias', que decorrerá em Olivença nos dias 28 e 29 deste mês.» (Fim da citação da Lusa).

E, na verdade, o novo festival de Lusofonias, de dois dias, decorreu em 28 e 29 de Maio de 2011. 
16 de Setembro - O SEGUNDO FESTIVAL DE LUSOFONIAS (28 e 29 de Maio de 2011)

Teremos de fazer algumas considerações prévias, ainda que com o risco de cair em "repetições".

É difícil descrever o que representou, ou representa, histórica e culturalmente, este "festival" de cultura portuguesa e lusófona para, e em primeiro lugar, Olivença, para Portugal, e para o espaço lusófono.
Trata-se, recordemos, do renascer de toda uma Cultura (a portuguesa) num lugar onde, desde 1801, a mesma deixou de ser "oficial", e onde, durante cerca de duzentos anos, muito se fez para a aniquilar.
São habitantes locais, oliventinos genuínos, que, sem entrarem em considerações politicas e considerações sobre litígios de soberania, reivindicam a sua cultura tradicional e a sua pertença ao espaço lusófono. É um tanto confrangedor, para não usar expressões mais críticas que não se dê maior destaque ao que ali ocorre em consequência disso.


No dia 28 de Maio, Sábado, após uma alocução das autoridades locais (com a presença de todas as forças políticas oliventinas) numa curta cerimónia de abertura, as "Lusofonias" foram oficialmente abertas ao público. Pavilhões de instituições portuguesas e de comércio e artesanato (com destaque para a doçaria), que se estendiam por duas secções da antiga Carreira, numa amostra muito significativa da cultura portuguesa. O grupo Gigabombos, de Évora, desfilou no local, e, depois, por toda a cidade.

Seguiu-se uma leitura pública, essencialmente por oliventinos, de textos em Português. Documentários e teatro, música, corais alentejanos, bem como actuações de escolas locais (sempre na língua de Camões), seguiram-se pela noite fora.
Note-se que estavam presentes elementos culturais de vários países lusófonos, e não só de Portugal.


Uma exposição fotográfica, aliás apresentada com destaque, mereceu muita atenção, intitulada "O meu olhar sobre a Olivença Portuguesa", do oliventino Jesus Valério. Muita gente a elogiou.


À noite, houve um espectáculo público, um concerto do cantautor espanhol (e extremenho) Luís Pastor, "padrinho" do evento, que teve o cuidado de quase só usar a língua portuguesa, cantando temas portugueses, e recordando grandes cantautores portugueses (a começar por Zeca Afonso).


No dia 29 de Maio, Domingo, reabriu o espaço dos pavilhões, e actuou o Rancho folclórico de Maceira da Lixa (Porto). Seguiram-se canções e dramatizações, uma vez mais em Português e a "cargo" de alunos de escolas locais, e ainda mais música por um grupo português.
Só por volta das 24.00 se deu por encerrado o evento, um sucesso que levará, decerto, a Associação oliventina "Além Guadiana" a continuar a esforçar-se por devolver a Olivença a sua cultura e língua tradicionais, com iniciativas como esta ou outras similares, para além de um trabalho contínuo e diário nesse mesmo sentido.


A dita Associação renova o apelo para que, em Portugal, e sem preconceitos, haja uma maior divulgação das suas actividades, bem como apoios, basicamente culturais, já que os seus objectivos são deste teor, e não outros.
É infelizmente necessário repetir que nem sempre parece estar a haver uma clara compreensão destes aspectos, o que muito se lamenta.


INTEGRAÇÃO NA LUSOFONIA

Só no dia 8 de Junho de 2011 a RTP, no "Portugal em Directo", mostrou a boa reportagem que fizera em Olivença no dia 28 de Maio de 2011. Sirva de desculpa o período eleitoral que se vivia então em Portugal. Afinal, os oliventinos só querem ser ouvidos, sem discriminações.


"A língua de Camões fala-se ininterrompidamente em Olivença desde finais do século XIII". Estas são palavras do Presidente da Associação Além Guadiana, o já citado Joaquín Fuentes Becerra, "Este o mais importante legado português. Até meados do século XX, 150 anos após a mudança de nacionalidade, a língua maioritária era o Português, apesar de não ter tido qualquer apoio institucional".
Becerra acrescenta que, hoje em dia, para além de conservada pelos mais velhos, a língua portuguesa já está a ser ensinada nas escolas.


"Estamos no caminho correcto, mas faz falta uma aposta mais forte para que a língua portuguesa não se perca em Olivença. A língua é tudo". E, sem abordar aspectos políticos, Becerra reclama para a localidade a sua "INTEGRAÇÃO NA LUSOFONIA".

Parece que algo de novo, e talvez um tanto inesperado, está a surgir no espaço lusófono. Ignorá-lo, fingir que não existe, começa a ser impossível. E insuportável!

 
UMA NOITE PARA RECORDAR (Fados em Olivença, 21-JULHO-2011)

(*)
Fados na Rua dos Saboeiros
Era uma noite calma. Quinta-feira, 21 de Julho de 2011, à noite. Um palco montado a meio da rua. Rua dos Saboeiros. Calle Bravo Murillo, oficialmente.

O enquadramento do palco era belo. Um velho nicho, caiado de branco, que outrora albergou um qualquer santo ou santa. Talvez em nome de um ofício. Quiçá de uma qualquer devoção, pessoal ou colectiva. Talvez em memória de algo. Ou de coisa nenhuma. Fé, certamente. Como sabê-lo?

Meia rua, defronte do palco, cheia de cadeiras, com algumas mesas, uma ou outra reservada para as autoridades locais e
autárquicas, tudo em frente do Bar promotor do evento, o "Pub Limbo". O espectáculo, alentejanamente, recebeu o nome de "Luar na Chuné". "Chuné" alentejana, visível, com o luar a bater-lhe. E o nicho, com enfeites barrocos. Também com a Luar a bater-lhe.

Nas cadeiras, sentou-se muita gente. Esmagadoramente locais. E esperou-se. Não muito.
Toy (António) Faria, de Elvas, começou a cantar o primeiro fado. E continuou com o segundo. Depois, a voz forte de Patrícia Leal. Uma surpresa. Da Azaruja. Uma voz igual às melhores. Por fim, João Ficalho, de Borba. Cantando.... mas também, e sempre, tocando viola. Acompanhando também os outros.

Só um não cantou. João Esquetim, de Portalegre, creio. Mas... era ele que dava o som ao fado. Som que tirava da Guitarra
portuguesa.

Momentos surpreendentes. Principalmente quando um fadista, Toy (António) Faria, fez um apelo ao público para que o
acompanhasse. E ele assim fez. Uma e outra vez, entoando "Canto o Fado".

Outro momento alto: Patrícia Leal cantou "Por uma Lágrima". Dificuldade e responsabilidades acrescidas. Um primor de
execução!

Todos estiveram bem. Cantores, público, organizadores. Com destaque para a Associação local "Além Guadiana". Que teima lutando contra o silêncio, a apatia, a indiferença.
Porque a cultura lusitana está ali, e é de todos evitando interferências políticas ou questões delicadas.

Mas está presente.

Foi uma noite de fados em Olivença. Essa localidade incómoda. Mas com uma grande personalidade!


Estremoz, 26 de Julho de 2011

 Carlos Eduardo da Cruz Luna

(FIM)

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=fado%2Bem%2BOliven%C3%A7a&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=mGZnskY9HHmkkM:&imgrefurl=http://www.alemguadiana.com/portugues/galeria%2520por/espanol.html&docid=bYP1uECacBCpsM&imgurl=http://www.alemguadiana.com/fotos%252520powerpoint/AG16.jpg&w=400&h=300&ei=ar12T5PrLIGr0QWC1OGjDQ&zoom=1&iact=rc&dur=2&sig=109573699884915906692&page=1&tbnh=131&tbnw=175&start=0&ndsp=22&ved=1t:429,r:6,s:0&tx=80&ty=95

DEFENDER A LÍNGUA PORTUGUESA EM OLIVENÇA – 5

 
 "ALÉM GUADIANA" – TRÊS ANOS DE ACTIVIDADE

A inesperada recuperação do português em Olivença
(resumo de acontecimentos de três anos: 2008-2011)


(*)
UM MERCADO MENSAL



O final de 2010 e o princípio de 2011 viram realizar-se mais uma iniciativa deste prolixo grupo oliventino: um mercado mensal de artesanato e antiguidades portuguesas.
O primeiro efectuou-se a 11 de Dezembro de 2010, o segundo a 8 de Janeiro de 2011. O terceiro em 12 de Fevereiro de 2011. E assim por diante!


Pela primeira vez, em mais de duzentos anos, ressurgiu o mercado antigo tradicional de Olivença aos Sábados, nas suas características originais. Na verdade, este evento efectua-se num local distinto do mercado mais convencional (Adro da Igreja manuelina da Madalena), que é no mesmo dia da semana.


Foi curiosa a primeira edição, não só pelo afluxo de interessados, mas também por algumas das motivações expressas. Muitas louças tradicionais (do Redondo, por exemplo), e mobiliário, também tradicional, foram adquiridos porque
lembrava aos compradores objectos vistos em casa de antepassados seus, onde constituíam uma espécie de relíquias. Note-se que, na falta do seu tradicional mercado, muitos oliventinos, durante mais de cem anos, se deslocavam a Elvas ou a outras localidades, procurando obter os produtos (então de utilidade doméstica, ou de decoração) a que estavam tradicionalmente habituados.


 Carlos Luna
(continua)
(*)http://www.google.pt/imgres?q=feira%2Bprodutos%2Bportugueses%2BOliven%C3%A7a&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=735&tbm=isch&tbnid=LFeMQWMz4hIgNM:&imgrefurl=http://estrolabio.blogs.sapo.pt/2011/02/09/&docid=IxUbOqOQ5ZZ_KM&imgurl=https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/baf0679f9/7981075_ZmdCq.jpeg&w=500&h=375&ei=z2x1T9SpEpTv8QO82o2zDQ&zoom=1&iact=hc&vpx=534&vpy=318&dur=2881&hovh=194&hovw=259&tx=152&ty=130&sig=109573699884915906692&page=2&tbnh=160&tbnw=208&start=24&ndsp=16&ved=1t:429,r:10,s:24

DEFENDER A LÍNGUA PORTUGUESA EM OLIVENÇA – 4

 
 Porta do Calvário
"ALÉM GUADIANA" – TRÊS ANOS DE ACTIVIDADE


A inesperada recuperação do português em Olivença
(resumo de acontecimentos de três anos: 2008-2011)





16 de Setembro - UMA ESPÉCIE DE «DIA DE PORTUGAL»... DOIS DIAS DEPOIS



A inauguração das primeiras ruas com os nomes em Português, teve lugar no meio de uma espécie de festival promovido pela Associação citada, denominado «Lusofonias».
No sentido de promover a cultura e a língua portuguesa, a organização do evento elegeu como imagens promocionais da iniciativa Amália Rodrigues, Fernando Pessoa e Vasco da Gama.

A "Além Guadiana" justificou estas escolhas: «São ícones de Portugal e da sua História. Como curiosidade posso dizer que os familiares de Vasco da Gama são originários de Olivença e desta forma vamos relembrar esse facto».
A iniciativa cultural contou com a colaboração do Ayuntamiento de Olivença, da Associação para o Desenvolvimento Rural da Comarca de Olivença e da Junta da Extremadura, e consistiu ainda num vasto conjunto de actividades, entre as quais se destacaram peças de teatro, música, literatura e animação de rua.


Em paralelo, houve uma zona reservada a exposições, onde estiveram artesãos, um espaço dedicado à gastronomia e a instituições do espaço lusófono, bem como trabalhos ao vivo e animação musical a cargo de grupos de Portel (Évora).

Procedeu-se a uma leitura pública contínua em português, na qual participaram oliventinos de todas as idades lendo ou recitando na língua de Camões. Este foi um dos pontos altos que a organização destaca deste dia dedicado ao mundo lusófono.


Durante a manhã ocorreu também uma demonstração de folclore, através do grupo "La Encina" de Olivença e a actuação das Cantadeiras de Granja (Évora).


No período da tarde foi projectado no Espácio para la Creación Joven, o filme "O Leão da Estrela", e houve actividades de animação nas ruas, bem como ainda a actuação dos alunos de português da escola pública Francisco Ortiz, de Olivença.

A "Estória da Galinha e do Ovo" e "O Canto dos Poetas", ambos interpretados pela associação "Do Imaginário" de Évora, foram dos atractivos desta iniciativa promovida pela associação "Além Guadiana".

 Carlos Luna
(continua)

DEFENDER A LÍNGUA PORTUGUESA EM OLIVENÇA – 3

 
 
"ALÉM GUADIANA" – TRÊS ANOS DE ACTIVIDADE


A inesperada recuperação do português
em Olivença
(resumo de acontecimentos de três anos: 2008-2011)



TOPONÍMIA EM PORTUGUÊS



A Câmara Municipal de Olivença decidiu começar a recuperar os antigos nomes em português das ruas da localidade.
A iniciativa partiu, claro, da associação cultural “Além Guadiana” que apresentou à Câmara e aos diferentes representantes políticos de Olivença um projecto pormenorizado para a valorização da toponímia oliventina, com unânime aceitação.


O projecto, com início a 12 de Junho de 2010, e que prossegue, estando já quase confluído em Janeiro de 2011, contempla a adição dos antigos nomes das ruas aos actuais, mantendo a mesma tipologia e estética nas placas. Assim, resgatam-se as denominações das ruas, dos becos, das calçadas, etc., que configuram o conjunto histórico encerrado nas muralhas
abaluartadas, com um total de 73 localizações.
Recorde-se que a maior parte da toponímia urbana de Olivença foi substituída ou modificada na primeira metade do século XX, embora quase todos os nomes continuassem a ser utilizados pela população apesar das alterações, como nos casos da rua da Rala, da rua da Pedra, da Carreira, etc.

A Associação "Além Guadiana", num comunicado, esclarecia: «os antigos nomes das ruas falam-nos do passado português da "Vila", como popularmente é conhecida a cidade, desvelando aspectos diversos, amiúde desconhecidos, da sua história. Estes remontam a séculos atrás, muitos deles à Idade Média, aludindo a pessoas ilustres da História, a antigos grémios de artesãos, a santos objecto da devoção popular ou à fisionomia das ruas, entre outros aspectos. "A rua das Atafonas, a Calçada Velha, o Terreiro Salgado e o beco de João da Gama" são alguns exemplos.»

Mais dizia a comunicado: «Com esta iniciativa pretende-se, enfim, realçar um interessante componente da rica herança cultural oliventina, a toponímia, contribuindo para testemunhar a história partilhada deste Concelho e para a tornar visível em cada recanto intramuros. Os nomes ancestrais dos espaços públicos conformam uma janela que convida a assomar-se e a explorar a apaixonante história de Olivença. Expressados na sua originária língua portuguesa, constituem o testemunho vivo de uma cidade onde se respiram duas culturas e são um veículo que encoraja os mais novos a manter a língua que ainda falam as pessoas mais velhas o município. Para a associação Além Guadiana, trata-se de uma iniciativa com fins didácticos, culturais e turísticos, com a qual se resgata para o presente uma parte do passado oliventino.»


 Carlos Luna
(continua)

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