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A bem da Nação

Haxix

 

 

A palavra maltesa “haxix” define o conjunto das frutas e legumes à venda naquilo a que nós, portugueses, chamaríamos um “lugar”. Portanto, nada do mal que o título possa sugerir. Aliás, a penalização aplicada à posse de drogas – mesmo que apenas para consumo próprio – é tão pesada em Malta que o desencorajamento desse ilícito deve ser mesmo real. Não ponho obviamente as mãos no fogo por quem não conheço mas a verdade é que não vimos gente passada equivalente aos nossos afamados “arrumadores de carros” que enxameiam algumas cidades portuguesas. Claro está que o tamanho do país deve facilitar o combate policial a quaisquer tentativas de tráfico mas não me lembro de me ter cruzado com um único polícia e nem alguma vez imaginei que pudesse estar num Estado policial. Admito que naquele pequeno país a postura legal perante o flagelo da droga seja mais eficaz que a portuguesa e daqui sugiro aos nossos políticos que estudem esse quadro jurídico maltês.

 Vida tranquila e sem "grafittis" nas paredes

 

Talvez tenha sido por esse tipo de realidades que as quatro turistas loiras seguiram calmamente em frente e lá em cima viraram à direita a caminho do centro de St. Gorg (não esquecer a pronúncia George, à inglesa) como lhes indicara o electricista lá do meio da escada, enquanto eu jantava calmamente. E assim foi que a minha mulher e eu também voltámos a pé para o hotel já pela noite dentro sem nos passar pelas cabeças que pudéssemos ter algum problema de segurança. E se no centro de St. Gorg passámos pelo meio de muita gente, também atravessámos espaços quase vazios pois o nosso hotel situava-se no outro extremo da baía, depois da praia, fora da zona das discotecas e restaurantes.

 

 "Ex-libris" dos transportes urbanos da região de Valetta, em perfeito estado de conservação

Belo hotel. Oficialmente com 5 estrelas mas também podia ser considerado de luxo. Pertence a uma empresa maltesa que tem dois hotéis em Portugal. Em compensação, não descobri nenhum hotel português em Malta. Sugiro aos hoteleiros portugueses que tirem uns dias de férias e vão lá verificar o dinheiro que andam a perder …

 

O actual modelo maltês de desenvolvimento tem tudo a ver com o turismo e, dentro deste, há duas vertentes principais: o histórico e cultural destinado aos turistas verdadeiramente pagantes; o de praia e noite destinado à juventude. Para ambas as vertentes, é ver os aviões a despejar gente … Eu fui à procura de História e Cultura mas não dispensei dois ou três mergulhos no mar.

 

Mar límpido, azul e verde, pejado de barcos de recreio mas com muito navio mercante de passagem. Aliás, os grandes estaleiros de reparação naval em Vitoriosa – cidade fronteira a Valetta – dão trabalho a muita gente e são boa fonte de divisas. Contudo, apesar desta actividade industrial e de as cidades estarem penduradas nas arribas, não se vê uma ponta de poluição e podemos mergulhar à vontade. Por maioria de razão, o mesmo acontece nas costas afastadas dos meios urbanos.

 

Julgava eu que a pesca fosse mais evidente. Existe, claro, mas sem a pujança que eu admitia numa ilha. Nem a culinária vulgarmente praticada nos restaurantes faz ao peixe a conveniente justiça. Serão pobres as espécies locais? Gostei do que comi mas fiquei a chamar nomes feios aos mestres cozinheiros que não mostraram arte suficiente para o meu paladar. De especial, apenas a habitual captura de atum vermelho – também chamado atum verdadeiro – exportado para o Japão. Ah, é claro que em Malta não há “armações” à moda algarvia e os malteses vão buscar o atum onde ele passa em vez de ficarem na praia a chorar a má sorte. Só que puseram as cabeças a funcionar e adaptaram as artes.

 Barco de pesca artesanal, a mais comum

Aqueles cardumes, com peixes que chegam a pesar 500 kgs, deslocam-se por vezes a mais de 20 nós de velocidade pelo que é necessário pará-los em vez de andarem a consumir energia na ultrapassagem e cerco. E é tão fácil parar um cardume daqueles: basta fazer sombra e pescá-los como se fossem uma espécie sedentária. Pasmo como por cá não fazem isso e deixam os japoneses pescar nas nossas águas. Para eles é rentável atravessar meio mundo e viram cá à pesca; para nós não é rentável pescar nas nossas águas e exportar para o Japão como fazem os malteses. Mistério que não consigo desvendar. Convém explicar que o atum do Algarve é precisamente o mesmo de Malta nada tendo a ver com o do Atlântico norte ou sequer com o que da Biscaia migra para os Açores e volta. Andará por aqui algum problema relativo à legislação laboral? Eventualmente, o mesmo tipo de problemas sindicais que “afundou” a nossa frota comercial e que a Intersindical Nacional não enxerga.

 

Mas tenhamos esperança de que um dia havemos de conseguir resolver estas anormalidades da nossa vida colectiva …

 

Mas voltemos a Malta e deixemos os nossos problemas para outros escritos.

 

Com 410 mil habitantes, Malta tem uma História bem interessante de que respigo algumas informações que me pareceram mais significativas do carácter nacional. Passando por cima da época megalítica de que existem importantes monumentos, retive que na Idade Média ao Governo do país se chamava Universitas, expressão que me surpreendeu por lhe ver alguma originalidade anti-feudal e por o saber a um nível superior à forte organização municipal. A Ordem de S. João de Jerusalém substituiu o Universitas mas não buliu com a gestão local e os municípios só foram extintos por Napoleão. No período inglês continuou a não haver poder local democraticamente eleito e só em 1921, com o regresso da auto-governação, é que o municipalismo foi retomado.

 

A capital actual é Valetta mas antes dela era Mdina cujo nome remonta ao período árabe. Aí se encontra um palácio imponente mandado construir bem junto da porta principal da cidade pelo “nosso” D. António Manoel de Vilhena e Mdina é ainda hoje a sede da Arquidiocese maltesa. Cidade-museu, tem um hotel de 5 estrelas com 17 suites que está sempre cheio, adaptação de um palácio renascentista, cuja tabela de preços me sugeriram não consultar. Mas nesta imponência sucessiva de palácios e mansões espectaculares vivem apenas 303 pessoas enquanto na cidade vizinha chamada Rabat – significa “arrabalde” – vivem cerca de 4 mil pessoas e as duas constituem dois municípios diferentes, sem misturas. Este forte sentido individualista é, contudo, mais nítido na ilha de Gozo onde residem cerca de 40 mil pessoas agrupadas em mais de 70 municípios …

 Entrada da "modesta" residência de D. António Manoel de Vilhena em Mdina

 

E se a cada município corresponde pelo menos uma paróquia, dá para imaginar a profusão de igrejas. Consta que são 360 entre grandes e pequenas. E todas com vida própria pois o sentido religioso está muito consolidado. Assim, enquanto por cá temos um padre para 3 ou 4 paróquias, em Malta há 3 ou 4 padres em cada paróquia. Parece que a participação na missa dominical ultrapassa os 50% da população, sendo que a celebração se faz toda em maltês. Mas como os ingleses são maioritariamente anglicanos, não há grande preocupação em celebrar em língua entendível por estrangeiros.

 

O que moldou efectivamente a vida dos malteses foi a vida que tiveram até 1798, ano em que a Ordem foi expulsa por Napoleão. A partir de então tudo se resumiu a uma sucessão de episódios que não deixaram grandes marcas. Resta a língua inglesa como uma das duas línguas oficiais – para salvação dos forasteiros – e o sentido do trânsito. Católicos a guiar fora de mão. Mas felizmente todos o fazem ao mesmo tempo. O sistema de ensino também é de origem inglesa mas ainda há na actualidade uma taxa de analfabetismo adulto de 11,3%. Velhos, claro.

 

Mas nem tudo correu bem. Assim, durante o período em que Malta foi colónia britânica, as elites acirravam o colonizador exibindo a língua italiana como a preferida e tudo se complicou quando Mussolini fez o que fez e, no final da guerra, essas elites se viram vilipendiadas pelo povo. Ou seja, houve um período de despovoamento das elites nacionais e tudo teve que recomeçar da base.

 

Finalmente, uma pequena referência ao facto de a Lira maltesa valer actualmente € 2,35, o que não deixou de criar alguma ansiedade aos malteses com a adopção em 1 de Julho de 2007 da dupla circulação com o Euro e a adopção plena deste em 1 de Janeiro de 2008. Temia-se alguma dificuldade na formação dos novos preços com uns a preverem aumentos e outros a temerem algum processo deflacionista. Não fiz prognósticos e apenas contei como tudo correu em Portugal. Só que a semelhança não é nenhuma pois nós tivemos uma passagem de uma moeda fraca para outra forte e eles têm o processo inverso. As minhas dúvidas redobram quando não lhes conheço o método de formação geral de preços nem estou informado sobre o grau de transparência dos mercados. Se fôr como em Portugal, daqui lhes sugiro as maiores cautelas.

 

Mas com inflação ou deflação, Malta é seguramente um país a visitar.

 

Lisboa, Julho de 2007

 

Henrique Salles da Fonseca

 

D. Afonso de Portugal

A casa apalaçada em cuja esquina trabalhava o electricista empoleirado numa escada de alumínio era mais uma dentre a infinidade de exemplos que em Malta encontramos com arquitectura notável. Construídas em pedra maciça e sem vestígios de falsa cantaria, lembram-nos as construções militares que proliferam ao longo da costa para defesa dos assaltos turcos. Ocorre-nos mesmo a ideia de que se trata apenas da civilização de um estilo militar à guisa de disfarce e prudente cautela contra o inesperado.

 

E como a História se repete … cá estamos, nós os ocidentais, novamente a servir de alvo às investidas do Islão, em plena conformidade com as circunstâncias que ditaram a ida da Ordem de S. João de Jerusalém para Malta.

 

Continua, contudo, a incerteza sobre se a concessão de Malta à Ordem teve como objectivo a defesa do Ocidente cristão contra o Oriente islâmico ou se se pretendeu desse modo criar uma ponta de lança cristã contra o islamismo. Eventualmente ambas as doutrinas são verdadeiras conforme a época a que se refiram na certeza porém de que a ilha sempre serviu de «frontiera barbarorum». Assim, Malta foi cercada em 1565 pela armada otomana mas também o Grão-mestre D. António Manoel de Vilhena (1663-1736), português de Lisboa, não hesitou em fazer perseguir uns corsários que lhe incomodavam as cercanias e de ter mesmo ocupado Tripoli destroçando o porto de amarração desses energúmenos.

 

 Image:AntonioManuelVilhena.jpg 

D. António Manuel de Vilhena

 

Ainda hoje por ali nos sentimos nos limites do nosso razoável e essa sensação é profusamente infundida pelas estruturas de vigília e defesa ao longo de toda a costa, construções essas da responsabilidade da Ordem – entretanto rebaptizada de Malta – e mais concretamente de todos e cada um dos Grão-mestres que por ali quiseram deixar mais fausto que os seus antecessores. Mas esse fausto não se limita à arquitectura militar e civil: a pintura foi das artes mais beneficiadas e dói-nos o pescoço de tanto admirarmos quadros magníficos pendurados por tudo quanto é parede. Contudo, convém fazer uma ressalva relativamente a Caravaggio que chegou a Malta em fuga das tropelias que fizera na sua Itália natal. Esteve no país o tempo suficiente para pintar cinco quadros, para se meter em mais tropelias, para escandalizar Cavaleiros e gente comum, para ter que fugir novamente e para aparecer morto numa praia aos 39 anos de idade aparentando precoce velhice. O pudor impede repetir hoje o que então se disse dele …

 

Outra incerteza de que hoje se fala tem a ver com o significado das oito pontas da cruz que simboliza a Ordem: há quem diga que elas representam as oito “langues” em que se agrupavam os Cavaleiros; há quem defenda a doutrina de que se trata das oito virtudes (bem-aventuranças) do “Sermão da Montanha”. Creio que não pode haver grandes dúvidas quanto à opção pela segunda hipótese uma vez que ainda só havia 7 “langues” (nos tempos em que a Ordem estava em Jerusalém e em Rodes) e a cruz já tinha 8 pontas.

 

 Cruz da Ordem de Malta

 

As “langues” agrupavam-se como segue:

  1. Provença (dos Cavaleiros oriundos do Languedoc)
  2. França (dos de Languedoïl, norte do actual território francês a que correspondia um grupo de 4 línguas com origens teutónicas)
  3. Auvergne (dos da Bretanha)
  4. Castela e Portugal
  5. Aragão (incluindo também os Cavaleiros oriundos da Catalunha e de Navarra)
  6. Itália
  7. Alemanha (incluindo também os Cavaleiros oriundos da Escandinávia, da Polónia e da Boémia)
  8. Inglaterra e Irlanda

 

Assim se vê que o critério de agrupamento tinha sobretudo a ver com a língua e não tanto com a política. Mas a política ditava algumas condicionantes e a residência (Auberge) de Castela e Portugal ostenta na sua fachada imponente à entrada de Valetta (acolhe actualmente o Gabinete do Primeiro Ministro) as armas de Castela e as de Portugal. As armas de Castela situam-se à direita, o lugar de honra, ficando as armas de Portugal do lado esquerdo, o lado do coração, o da essência da alma. Todos ficaram satisfeitos.

 

 As armas de Portugal "in cuore"

 

E foi deste “Auberge” que saíram 4 dos 6 actualmente mais falados Grão-mestres da Ordem: os dois irmãos Cotoner, súbditos espanhóis da periferia Balear e os portugueses D. António Manoel de Vilhena (1722 - 1736) e D. Frei Manuel Pinto da Fonseca (1741 – 1773); os outros 2 eram os franceses Jean de la Valette (1557-1568) e Antoine de Paule (1623-1636).

 Manuel Pinto de Fonseca

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

D. Frei Manuel Pinto da Fonseca viveu até aos 93 anos no meio de um verdadeiro fausto imperial que afincadamente cultivou. E mais se diz que quanto ao voto de castidade ...

 

Mas se estes são os portugueses profusamente referidos, não esqueçamos D. Luís Mendes de Vasconcelos que foi Grão-mestre nos anos de 1622 e 1623 e, muito antes da ida da Ordem para Malta, de D. Afonso de Portugal (1135-1207) que foi Grão-mestre nos anos de 1203 a 1207 e era filho do nosso rei fundador, D. Afonso Henriques.

 

É nos locais mais inesperados que tomo conhecimento de valores que ignorava por completo. Eu não sabia da existência da maior parte destes notáveis portugueses.

 

Lisboa, Junho de 2007

 

Henrique Salles da Fonseca

(em Portomaso, próximo de Vatella)

 

Caravaggio

 

 

   (1573 - 1610)

 

  

- Sigam em frente e lá em cima virem à direita – indicou o maltês lá do meio da escada em que estava empoleirado a reparar qualquer coisa na empena da casa apalaçada na esquina oposta à do restaurante em que eu estava a jantar. Não ouvi a pergunta que as quatro jovens nórdicas loiras fizeram ao empoleirado mas, pela resposta que li nos gestos, adivinho que queriam saber do melhor caminho para o centro de St. Gorg (entoe-se George, à maneira inglesa).

 

Cena banal que se poderia imaginar em qualquer outra esquina neste nosso Planeta Azul mas ali, nos arredores de Valetta, a capital de Malta, tudo fazia sentido. A começar pela maneira de escrever o nome do local em que nos encontrávamos e que não consigo reproduzir exactamente porque não temos no nosso alfabeto a pintinha sobre a letra «g» que os malteses inventaram para lhe atribuir o som forte que se espera de um George sendo que a mesma letra sem a tal pintinha assume a suavidade felina que lhe damos num gato. Sim, o alfabeto maltês tem 29 letras e diversos apêndices de acentuação que lhes possibilita escrever em caracteres latinos uma língua composta por quase 70% de expressões oriundas mais ou menos directamente do árabe clássico enquanto os restantes por cento se distribuem algo desequilibradamente entre italiano, francês, inglês e sabe Deus mais quê. Não fora uma evidente injustiça e quase me apetecia dizer que nem o Diabo os entende. E só porque me chamo Henrique é que não pergunto àquela gente por que razão é que o «gh» que consta do início de tantas palavras é mudo. Como bem compreendi a desorientação das jovens nórdicas que nem munidas do inglês internacional conseguiam interpretar a toponímia. A menos que o objectivo delas passasse também por meterem conversa com o alcantilado electricista …

 

Não tentei obviamente esclarecer a questão que assim fica por desvendar pois de imediato passei a notar que o fulano estava a trabalhar à hora a que eu estava a jantar. E a minha mulher e eu não jantamos assim tão cedo que dê para à mesa ouvirmos os pregões vespertinos – se é que os há. O que sucede é que o clima naquela metade sul do Mediterrâneo, praticamente à entrada do Golfo de Sirta, esse que banha directamente a Líbia ardente, não permite que se trabalhe na rua durante as horas a que nós, os setentrionais, estamos habituados a usar para conseguirmos pagar ao merceeiro. Em Malta, os trabalhos agrícolas decorrem entre as 5 e as 8 da manhã e a partir das 5 da tarde até que o serviço esteja concluído; o trabalho urbano na rua segue um padrão mais adamado pelos Sindicatos mas a verdade é que o fulano estava a trabalhar enquanto eu jantava. Apurei que nas pedreiras – Sector importante – o trabalho cessa às 12 porque a partir daí não há quem aguente e consta-me que nas fábricas tem havido uma certa preocupação de melhoria das condições de trabalho para que se consiga maior produtividade. Mas a deslocalização industrial fechou a última fábrica de “jeans” enquanto eu por lá andava e a empresa de semicondutores a cuja porta passei ficou a representar 35% das exportações maltesas. Sendo actualmente o ordenado mínimo nacional de cerca de € 600,00 (€ 403,00 em Portugal) e o ordenado médio de € 1000,00 (€ 670,00 em Portugal), dá para imaginar os estragos que a globalização se prepara para fazer naquelas paragens …

 

E já que refiro este tipo de questões, aproveito para informar que todo o canteiro agricultável (a dimensão geral da parcela agrícola é muito pequena) está trabalhado e por todo o lado se vê rega gota-a-gota. Na ilha de Malta a água é chupada do mar e dessalinizada enquanto na de Gozo ainda conseguem satisfazer cerca de 30% do consumo total por exploração de lençóis freáticos. Na ilha de Comino vivem 4 pessoas – não sei bem a fazer o quê – pelo que sobre o consumo de água não rezam as crónicas. A produção nacional de alimentos satisfaz cerca de 20% do consumo e se pelo cenário descrito se percebe que a produtividade da unidade de cultivo tem que ser relativamente baixa e o produto resultante caro, a maioria dos alimentos consumidos é importada e possui uma parcela significativa de custo de transporte. De tudo para concluir que uma refeição no restaurante-esplanada do Hotel Intercontinental sobre a praia de St. Gorg (não esquecer a pronúncia) que nos custou o equivalente a € 90,00, poderia em Portugal valer € 50,00. Já fartos do vinho corrente servido nos almoços organizados para os grupos de turistas em que nos metemos uma ou outra vez, mandámos vir o escanção para nos sugerir o melhor vinho da carta e pagámos por um branco “buvable” o equivalente a € 30,00. Daqui sugero aos enólogos portugueses que aproveitem uns dias de férias para viajarem até Malta pois que encontrarão boas oportunidades para venderem os serviços que por cá possam escassear. Melhor: sugiro aos exportadores portugueses de vinhos de mesa que aproveitem uns dias de férias para se lembrarem de que aquele mercado existe. É pequeno, o que facilita os nossos problemas de dimensão; paga bem e está em crescendo. Por lá só vimos várias marcas de vinho do Porto, não vimos nenhum da Madeira (a não ser num molho de bife que lemos num menu) e quanto a vinhos de mesa só vimos “o tal rosé” que leva bem longe o nome de Portugal. Está ali muito trabalho por fazer e não me parece que a concorrência e a estrutura de preços sejam impeditivas de lá chegarmos.

 

E se digo que o mercado de consumo de vinhos de mesa está em crescendo, isso deve-se a que o actual modelo de desenvolvimento do país assenta no turismo e este, como sabemos, é sequioso.

 

E para concluir este intróito, refiro que o expoente máximo que encontrei no turismo maltês é o quadro de Caravaggio, “A decapitação de S. João Baptista”, lindamente exposto na co-catedral de S. João, em Valetta.

Não há reprodução que iguale o original. Só lá indo para ver o esplendor.

 

Continuemos …

 

Lisboa, Junho de 2007

 

Henrique Salles da Fonseca

 

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