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A bem da Nação

PÁTRIA PEQUENA

 

POEMAS MAIATOS

Nogueira.jpg

 

NOGUEIRA

 

Debaixo daquela nogueira de Nogueira

Descansámos e nos demos

Vezes sem conta.

Naquela época,

Ouvia-se cantar as fontes,

Os grilos e os ralos

E o tempo deslizava manso…

 

Vindimemos amor

O tempo breve do vinho que espuma

Nos cachos loiros da nossa juventude

Enquanto a vida

Nos não traz a neve

A enfeitar os cabelos…

 

Maria Mamede.jpg

Maria Mamede

PÁTRIA PEQUENA

 

POEMAS MAIATOS

MILHEIRÓS

 

No meio dos milheirais de Milheirós

Havia cantigas de gente

Em tempo de ceifa

E de toda a passarada

Em tempo de Primavera.

Pelos Invernos

Rigorosos

Ficávamos tempo esquecido à lareira

Ouvindo o vento que gemia

E os uivos dos lobos

Ao longe…

 

----------------------------------------------------

ponte-de-alvura.jpg

 

Além da Ponte de Alvura

Vai meu amor acenando,

Além da Ponte de Alvura

Até quando, até quando?

 

Além da Ponte de Alvura

Vai pequenino ficando

Águas claras em dor pura

Vão os meus olhos chorando…

 

Além da Ponte de Alvura

Moinhos de água, moendo

Junto da água, em secura

Eu vou morrendo, morrendo…

 

--------------------------------------------------

 

Junto com o milho

Debulhei lágrimas salgadas

Como as mulheres da beira-mar

As debulham

Nos cais da espera…

 

Maria Mamede.jpg  Maria Mamede

PÁTRIA PEQUENA

 POEMAS MAIATOS

 

Gueifães.jpg

 

GUEIFÃES

 

 

Desponta a manhã

Da Senhora da Saúde

E Gueifães é uma festa.

Dancemos também

De roda, no adro

Aproveitando o tempo que nos resta

Já que o Hoje

Foge apressado

E o Amanhã

Trará a partida…

 

-----------------------------------------------------

 

Loiras searas pedem a ceifa.

Cachos maduros chamam a vindima.

Por ti,

Clamam meus olhos e meus braços

Neste tempo de colheita…

 

Maria Mamede.jpgMaria Mamede

PÁTRIA PEQUENA

POEMAS MAIATOS

 

Viriato.jpg

 GONDIM

 

Antes de ti Viriato

Que por aqui passaste

A caminho da terra dos Brácaros

Para juntares um exército,

Já pairava, no ar de Gondim

O fantasma de Gondarede

O maior de todos os Vickings…

 

-------------------------------------------------

 

Havia um juncal no Arquinho

Onde um dia encontramos um peixe vermelho

E nenúfares.

Depois, perdemo-nos pela vida.

Alguns anos volvidos

Espalhou-se a notícia

Da morte do peixe vermelho

E o rio apodreceu

Como os nenúfares.

 

Maria Mamede.jpg Maria Mamede

PÁTRIA PEQUENA

 

POEMAS MAIATOS

Campa do preto-Gemunde, Maia.jpg

 

GEMUNDE

 

Gemunde

Tem um Santo preto

Escravo trazido dos Brasis

Que um Feudal inescrupuloso matou.

Dianta do seu túmulo

Peço por ti

Que não regressaste

A tempo do nosso encontro…

 

--------------------------------------------------

 

Faltam amores nesta vida

Também falta bem querer

Só damos valor à vida

Quando temos de a perder!

 

Maria Mamede.jpg Maria Mamede

 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Lenda_da_Campa_do_Preto

 

PÁTRIA PEQUENA

 

POEMAS MAIATOS

CAPELA DO MONTE STº OVÍDEO.jpg

 

FOLGOSA

 

O tempo para amar

Perdeu-se todo, nas matas de Folgosa

E nem Vilar de Luz

A tem que baste

Para o encontrar…

 

--------------------------------------------------

 

Quem diz que vive o bastante

Para amar os girassóis?

Um amor, tão importante

Não tem antes nem depois!

 

Maria Mamede.pngMaria Mamede

PÁTRIA PEQUENA

 

POEMAS MAIATOS

Visconde de Barreiros.png

 

BARREIROS

 

Em Barreiros

Roubamos à terra

O barro do pranto e do riso

Que depois das mãos

E da roda do oleiro

Foi tanta vez

Gasalho e alegria.

De Barreiros

Saiu a textura do barro

Que transportou

Mundos fora o aroma da terra

E nossos beijos marinheiros…

 

Maria Mamede.pngMaria Mamede

PÁTRIA PEQUENA

 

POEMAS MAIATOS

 

Águas Santas, Maia.jpg

 

ÁGUAS SANTAS

 

Contam que Santa Maria

Fez brotar uma fonte

Que se diz de Águas Santas

Para cura de todos os males.

No entanto,

Nosso mal apenas tem cura

Nas nascentes das nossas bocas…

 

--------------------------------------------------------

 

Águas turvas, águas claras

Águas que foram d’encanto

Chorai comigo águas claras

Que sou Senhora do Pranto.

 

Chorai comigo, chorai

Lamentai vosso desvio

Águas turvas, águas claras

Rio manso, bravo rio.

 

Tenho fome de águas claras

A nascer dentro do peito

Mas já se tornam amaras

Por este amor, que é desfeito.

 

Tenho fome de águas bentas

Num coração só de mágoas

Dão-me a paz e as tormentas

Que sou Senhora das Águas!

 

Maria Mamede.jpgMaria Mamede

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