Domingo, 24 de Setembro de 2017
ESCRITORES ESQUECIDOS

 

 

Boileau.jpgNICOLAS BOILEAU

 

Nicolas Boileau-Despréaux (Paris, 1636 — Paris, 1711) jurista, crítico e poeta francês. Publicou o seu primeiro volume de sátiras em 1666. Foi apresentado na corte em 1669 após a publicação de seu Discurso sobre a sátira.

 

Desde cedo aprendeu a não ter qualquer ilusão e cresceu com "o desprezo pelos livros estúpidos". Foi educado no Colégio de Beauvais e continuou os seus estudos de Teologia na Sorbonne. Mudou de curso, para Direito. Seguiu-se breve carreira como advogado. O pai morreu em 1657 deixando-lhe uma pequena fortuna, de forma que se pôde dedicar às letras.

 

PAROLES DU POÈTE À SON JARDINIER, ANTOINE

Antoine, de nous deux, tu crois donc, je le vois,

Que le plus occupé dans ce jardin, c’est toi.

Oh! Que tu changerais d’avis et de langage,

Si, deux jours seulement, libre du jardinage,

Tout à coup devenu poète et bel esprit,

Tu t’allais engager à polir un écrit

Qui dît, sans s’avilir, les plus petites choses,

Fît des plus secs chardons des oeillets et des roses…

 

* * *

 

Sim, eu também não duvido que os trabalhos braçal e intelectual produzem cansaços bem diferentes.

 

Setembro de 2017

 

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Henrique Salles da Fonseca

 

 

BIBLIOGRAFIA

  • Wikipédia
  • «Anthologie de la poésie française», Annie Collognat-Barès, LE LIVRE DE POCHE, Libretti, 1ª edição, Setembro de 1998


publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:52
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Sábado, 16 de Setembro de 2017
LIDO COM INTERESSE – 73

História da Companhia de Jesus.png

 

Título – «HISTÓRIA DA COMPANHIA DE JESUS EM PORTUGAL»

Autora – Maria de Deus Beites Manso

Editora – EDIÇÕES PARSIFAL

Edição – 1ª, Setembro de 2016

 

Da badana se extrai que, fundada por Inácio de Loyola, a Companhia de Jesus tornou-se numa das principais ordens religiosas no combate ao Protestantismo, na aplicação das determinações do Concílio de Trento e no estabelecimento de missões fora da Europa.

Com uma responsabilidade maior na doutrinação, desde a sua implementação ao nosso país, a Companhia de Jesus foi um dos agentes centrais da expansão portuguesa revelando, desde sempre, uma notável capacidade de adaptação aos remotos lugares onde chegava com recurso a múltiplas formas de evangelização – adoptando na Ásia costumes locais perante civilizações e religiões complexas; defrontando-se no Brasil com práticas ancestrais de antropofagia, onde seria edificada uma notável rede de ensino.

A Autora é professora na Universidade de Évora, tem escrita enxuta e produziu um livro de verdadeiro interesse para quem gosta de perceber como fizemos um Império.

Descontando anexos, notas, agradecimentos e referências bibliográficas, são 203 páginas de texto que transmitem uma ideia inesperada sobre a dimensão de Portugal ao longo da vida da Companhia desde que para cá veio no reinado de D. João III até à actualidade: a página 199 inaugura a história jesuíta no território a que actualmente estamos confinados porque nas páginas antecedentes tudo era Império. Mais: enquadrada no Padroado Português, a Província do Oriente da Companhia chegou a ter jurisdição desde o Cabo da Boa Esperança até Nagasáqui sendo também «nossas» as Províncias jesuítas do Brasil e a da África Ocidental.

Sim, Portugal foi grande e, em consequência, a Companhia de Jesus também. A Companhia tem, entretanto, um Papa; nós, não.

Setembro de 2017

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 Henrique Salles da Fonseca

(no Sri Lanka, 2015)



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Domingo, 10 de Setembro de 2017
ARENDT E MARX
 

 

O trabalho é a actividade que corresponde ao artificialismo da existência humana (...) porque (...) produz um mundo artificial de coisas nitidamente diferentes de qualquer ambiente natural.

 

Hannah Arendt.jpgHanna Arendt, in The Human Condition, University of Chicago Press, ed. 1984, pág. 7

 

 

É claro que não preconizo o ócio, esse que considero o «pai» de todos os vícios, mas dá gosto comparar esta frase arendtiana com a alienação marxista sobre o que ela escreve a páginas 253-254 da mesma obra:

 

A moderna perda de fé não é de ordem religiosa na sua origem e o seu alcance não se limita à esfera religiosa. Pelo contrário, a evidência histórica demonstra que os homens modernos não foram arremessados de volta a este mundo, mas para dentro de si mesmos. O que distingue a era moderna é a alienação em relação ao mundo e não, como pensava Marx, a alienação em relação ao ego.

 

 

HSF-AGO16-Tavira

Henrique Salles da Fonseca



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Quarta-feira, 6 de Setembro de 2017
LIDO COM INTERESSE – 72

O SAMURAI NEGRO-JPOCosta.jpg

 

Título – O SAMURAI NEGRO

Autor – João Paulo Oliveira e Costa

Editora – Temas e Debates - Círculo de Leitores

Edição – 1ª, Maio de 2016

 

Romance histórico escrito por um Professor (universitário) de História, tem naturalmente fundamento histórico relevante. Envolto em trama romanesca, faz com que a leitura seja menos académica, mais leve.

 

A componente romanesca consiste na história de Carlos, um príncipe do Congo, de Pedro, um luso-brasileiro e de Ana, uma japonesa. No Japão, os dois amigos deparam-se com uma civilização diferente mas que os atrai, em especial por causa de Ana.

 

A componente histórica refere-se aos negócios que correm pela feitoria portuguesa de Nagasáqui, base a partir da qual os jesuítas espalham a religião católica sob o olhar algo apreensivo de Roma devido às adaptações introduzidas nos ritos para melhor compreensão dos japoneses. Ao Padre Visitador Alessandro Valignano, incumbido pelo Geral jesuíta de verificar se havia desvios de doutrina, o Autor chama Giuseppe para que se não diga que está aqui a debitar uma aula de História. E é dali, Nagasáqui, que parte a «nau do trato» com prata para ser vendida na China e ali aporta a mesma nau com sedas e porcelanas chinesas para serem vendidas no Japão.

 

De volta à «capa e espada», são os piratas cruéis, os mercadores gananciosos, as mulheres enigmáticas, os samurais disciplinados, os missionários e espiões, os grandes generais e os poderosos senhores feudais que se cruzam com crentes de todas as religiões vivendo paixões intensas, ambições e ciúmes, desejos de vingança e tudo o mais que possa interessar numa história romanceada baseada na História. Interessante, sem dúvida, para quem queira dar um giro pelo entrelaçamento que efectivamente houve entre Lisboa, Goa, o Sul da China e todo o Japão.

 

Foi aqui que fiquei a saber da «ilha dos coelhos gigantes». Se o leitor quiser saber do que se trata, leia o livro.

 

Julho de 2017

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Henrique Salles da Fonseca



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LIDO COM INTERESSE – 17

 

 

 Amos Oz - Contra o fanatismo.jpg

Título: Contra o Fanatismo

Autor: Amos Oz

Tradutor: Henrique Tavares e Castro

Editores: ASA Editores; PÚBLICO, Comunicação Social

Edição: 1ª, Abril de 2007

 

 

Pequeno livro para meter num bolso sem deformar a vestimenta, consta de três conferências proferidas pelo Autor em 2002, tudo em 95 páginas de leitura muito fácil e agradável.

 

Nunca tinha ouvido falar deste escritor israelita mas uma coisa tenho desde já por certa: não me vão escapar os próximos livros dele com que me cruze.

 

Se me ponho a dissertar sobre o livro, corro o risco de produzir um texto mais longo que o original e com a diferença de que serei enfadonho onde o Autor é interessante, vago onde ele é preciso. Portanto, opto por algumas transcrições que me parecem elucidativas da qualidade do escritor.

 

Da contracapa extraio que Amos Oz nasceu em Jerusalém numa época em que a cidade estaria dilacerada pela guerra e que por isso mesmo observou em primeira mão as consequências nefastas do fanatismo. Neste livro oferece-nos uma visão única sobre a verdadeira natureza do fanatismo e propõe uma abordagem racional que permita resolver o conflito israelo-palestiniano.

 

Da natureza do fanatismo – conferência proferida em 23 de Janeiro de 2002 em local não identificado

 

(…) Conheço bastantes não-fumadores que o queimariam vivo por acender um cigarro ao pé deles! Conheço muitos vegetarianos que o comeriam vivo por comer carne! Conheço pacifistas (…) desejosos de dispararem directamente à minha cabeça só por eu defender uma estratégia ligeiramente diferente da sua para conseguir a paz com os Palestinianos. (…) a semente do fanatismo brota ao adoptar-se uma atitude de superioridade moral que impeça a obtenção de consensos. (…) o culto da personalidade, a idealização de líderes políticos ou religiosos, a adoração de indivíduos sedutores, podem muito bem constituir (…) formas disseminadas de fanatismo. (…) A essência do fanatismo reside no desejo de obrigar os outros a mudar. (…) O poeta israelita Yehuda Amijai (…) afirma: «Onde temos razão não podem crescer flores.» (…) julgo ter inventado o remédio contra o fanatismo. O sentido de humor é uma grande cura. Jamais vi (…) um fanático com sentido de humor (…) Ter sentido de humor implica a capacidade de se rir de si próprio. (…) Todo o sistema político e social que converte cada um de nós numa ilha (…) e o resto da humanidade em inimigo ou rival é uma monstruosidade. (…)

 

Da necessidade de chegar a um compromisso e da sua natureza – conferência proferida em data e local não identificados

 

(…) O conflito israelo-palestiniano não é um filme do Faroeste selvagem. Não é uma luta entre o Bem e o Mal, mas antes (…) um choque entre quem tem razão e quem tem razão (…) (…) luto como um demónio pela vida e pela liberdade. Por nada mais. (…) isto me distingue do pacifista europeu normal que insiste em que o Mal supremo do mundo é a guerra. (…) a guerra é terrível se bem que o Mal supremo não seja a guerra mas a agressão. (…) quando percebemos a agressão, temos de lutar contra ela, venha de onde vier. Mas só pela vida e pela liberdade, não por territórios extra ou recursos extra. (…) Não acredito que o amor seja a virtude com a qual se resolvem os problemas internacionais. Precisamos de outras virtudes. (…) sentido de justiça, (…) senso comum, (…) imaginar o outro (…).

 

Do prazer de escrever e do compromisso – conferência proferida em 17 de Janeiro de 2002 em local não identificado

 

(…) se eu sou de um país em que toda a gente discute sobre tudo, porque não poderei eu fazê-lo também? (…) (…) Israel não é um país nem uma nação. É uma feroz e vociferante colecção de discussões, um eterno seminário na via pública. (…) Existe um impulso anárquico, não só em Israel, mas julgo que também na herança cultural judaica. Por alguma razão os judeus nunca tiveram Papa (…) esta veia anárquica de discussão é a cruz da nossa civilização (…) (…) O contrário de comprometer-me a chegar a um acordo é fanatismo e morte. (…) E quando digo acordo não quero dizer capitulação (…) quero dizer procurar encontrar-se com o outro em algum ponto a metade do caminho. (…) Se há uma mensagem metapolítica nos meus romances (…) é a necessidade de optar pela vida rejeitando a morte, pela imperfeição da vida rejeitando as perfeições da morte gloriosa.

 

Lisboa, Maio de 2007

 

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 Henrique Salles da Fonseca



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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017
ENCONTRO DE ESCRITORES – 5 –

 

 

- Eis-me, humildemente, a pedir a intercessão de Santo Ambrósio – rezei eu.

- Aqui estou, meu «filho» – disse de seguida o Santo – Então já sabes quem queres, quando e onde?

- Bem, vejo que não se esqueceu da nossa conversa anterior.

- No Céu, temos o dom da memória total.

- Então, quer isso dizer que o Dr. Alzheimer não está no Céu.

- Vá! Deixa-te de desconversas e vamos ao que interessa.

E fomos...

- Então, é assim, Santo Ambrósio: quanto ao «onde», já tenho tudo combinado para o Paço dos Duques de Bragança, em Guimarães; quanto ao «quando», pode ser logo que eu lá chegue; quanto ao «quem», deixo ao seu critério a escolha dos «reciclados».

- Ah! Essa dos «reciclados» é muito boa! Sim, estão totalmente recuperados dos venenos que os infestaram na Terra. Muito bem, vai tu andando para o dito Paço e quando lá chegares, diz-me. Olha! Nem precisas de mo dizer porque no Céu sabemos tudo e quando eu te vir no local, logo te envio os «reciclados». OHOHOH!!! Essa é muito boa!

E assim foi que me meti ao caminho... chegando nervoso ao grande salão dos banquetes ducais. Quem iria o Santo enviar-me???

Paço dos Duques de Bragança, Guimarães.jpg

 

Foi nessa dúvida que vi a enorme tapeçaria da parede abanar ligeiramente e uma sombra inconfundível a passar junto das garrafas de branco e tinto abertas sobre a grande mesa, como que a medir as saudades dos vapores. Vapor que agora era ele próprio...

 

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,

Triste de facha, o mesmo de figura,

Nariz alto no meio, e não pequeno;

 

Incapaz de assistir num só terreno, 

Mais propenso ao furor do que à ternura;

Bebendo em níveas mãos, por taça escura, 

De zelos infernais letal veneno;

 

Devoto incensador de mil deidades

(Digo, de moças mil) num só momento,

E somente no altar amando os frades,

 

Eis Bocage em quem luz algum talento;

Saíram dele mesmo estas verdades,

Num dia em que se achou mais pachorrento.

 

Eu próprio me esquecera por completo de pedir copos e, sobretudo, a tal «taça escura» pois bem sabia que ninguém tocaria em nada do que lá pusesse. Inconsequente esquecimento, até porque admito que a passagem pelo Purgatório o tenha desintoxicado dos vapores e da doentia apetência etílica. Poderia ter sido o maior poeta português mas deixou-se rodear por um anedotário de fábula burlesca e até pornográfica que nada terá a ver com ele. Mas pôs-se a jeito e aí está o povo para lhe torcer a fama.

 

Distraído com Bocage, não sei por onde entrou o seguinte que já vinha a declamar com voz tonitruante quando se aproximou de mim, apresentando-se...

 

Sonho que sou um cavaleiro andante. 

Por desertos, por sóis, por noite escura, 

Paladino do amor, busco anelante 

O palácio encantado da Ventura! 


Mas já desmaio, exausto e vacilante, 

Quebrada a espada já, rota a armadura... 

E eis que súbito o avisto, fulgurante 

Na sua pompa e aérea formosura! 


Com grandes golpes bato à porta e brado: 

- Eu sou o Vagabundo, o Deserdado... 

Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais! 


Abrem-se as portas d'ouro com fragor... 

Mas dentro encontro só, cheio de dor, 

Silêncio e escuridão – e nada mais! 

 

- Oh Mestre, então veio directamente dos Açores ou do Casino? – perguntei eu.

- Do Céu, meu Caro, do Céu!

Sorri-lhe por fora mas temi-o por dentro. Aquela falta de serenidade não fora muito benéfica no banco do jardim público de Ponta Delgada... à bons entendeurs. E foi por causa desse episódio que teve que passar pelo Purgatório. Pena, tanta perturbação por coisas que estavam fora do seu controlo. Mas, pelo menos, sempre nos explicou algumas das causas da decadência dos povos peninsulares. E essa angústia não poderia dar bons resultados numa mente clinicamente perturbada. Eis por que Deus, por certo, lhe perdoou acto tão desconforme com a esperança.

 

Tive que interromper a conversa com Antero para dar as boas vindas ao barbudo seguinte que trazia um melro poisado no ombro da sobrecasaca. E fui eu que me lembrei dos primeiros versos d’«A velhice do Padre Eterno» e lhos recitei como que a dizer que o reconhecera...

 

O melro, eu conheci-o:

Era negro, vibrante, luzidio,

Madrugador, jovial;

Logo de manhã cedo

Começava a soltar d'entre o arvoredo

Verdadeiras risadas de cristal.

(...)

- Desculpará, Mestre, mas mais não digo porque mais não tenho de cor.

- Ah, Henrique! Não imagina com quem tenho estado...

- Não imagino.

- Com o seu avô.

- Que boa notícia me traz o Mestre! Mas não me surpreende assim tanto como muita gente poderia esperar. Lembro-me perfeitamente da sua frase relativamente a ele de que se tratava de «um Santo que diz não acreditar em Deus». Eu sou testemunha de que ele era um verdadeiro Santo, não no sentido religioso mas sim no da ética e da moral. E a moral e a ética que ele professava eram as cristãs e mais nenhumas. Continuo a não crer que só vai para o Céu quem diz acreditar em Deus; quem diz que não acredita, se tiver tido na Terra um comportamento exemplar na perspectiva moral e ética cristãs, não tem que ser impedido da salvação eterna. Não é por alguém dizer que não acredita em Deus que Ele deixa de existir.

- Exacto! Concordo totalmente com essa perspectiva. Eu próprio O reconheci na hora da morte mas se não tivesse tido bom comportamento durante a vida, poderia muito bem ter passado pela reciclagem (como você diz) do Purgatório e correr o risco de passar de seguida à condenação eterna. Mas é com muito gosto que lhe digo que o seu avô está muito bem. E o seu tio também, lá por isso.

- O meu tio também se dizia ateu. Mas essa é uma questão menor para Deus.

- Bem. Agora vou ali dar uma palavrinha ao folgazão sadino para ele me contar o que fez lá pelo Oriente. Só não sei é se terei muita pachorra para o açoriano trombudo com quem ele está a conversar. Lá terei que os interromper.

E foi...

Então, como no Céu o tempo não conta e nenhum dos etéreos compinchas dava mostras de cansaço, dei por mim a imaginar como haveria de os aproveitar ao máximo sem cansar os leitores destes escritos. Só que eu me comprometi com Santo Ambrósio que todos eles voltavam o mais tardar à meia-noite terrena pois é então que as portas celestiais se fecham e toca a silêncio até às 6 da manhã terrenas. Fácil: deixo-os continuar até à hora limite, registo tudo com pormenor e conto amanhã ou depois aos leitores.

 

(continua)

Henrique em Praga.jpg

Henrique Salles da Fonseca

(Praça Venceslau, Praga)



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:41
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ENCONTRO DE ESCRITORES – 4 -

 

 

 

- D. Francisco – disse eu – tenho um problema a resolver para o que peço a sua ajuda.

- Pois não – disse ele com aquela expressão fantástica tão portuguesa da negativa significando afirmativa – diga o que o preocupa.

- Nesta nossa ronda pelos que usaram as letras para algo mais do que para fazer encomendas ao merceeiro, nem todos mereceram o Céu. Se o meu Amigo acha que também esses devem ser chamados aos nossos encontros – como já fez com o Antero - onde havemos de os procurar e por intermédio de quem?

- Respondendo por partes, acho que sim, também esses devem ser chamados. E se não estão no Céu, só podem estar no Purgatório ou no Inferno. Se estão no Inferno, não vejo modo de os sacarmos de lá; se estão no Purgatório, sugiro que invoquemos Santo Ambrósio ou mesmo São Boaventura que tanto nos explicaram sobre esse local. Pode ser que conheçam lá alguém que nos possa ajudar nessa busca de almas em vias de lavagem.

- Perfeito! E assim, não precisamos nós de contactar directamente o Chefe do Purgatório e não correremos o risco de algum salpico pecaminoso que ele ainda traga nas mãos das abluções ou dos clisteres purgantes. Os Santos têm curriculum suficiente para se salvarem de uma qualquer dessas putativas inconveniências.

- Fica então tudo esclarecido?

- Sim, creio que sim. Se um dos Santos estiver muito ocupado e não me puder responder, o outro há-de estar de folga. Oxalá!

- Oxalá é do árabe Inch Allah que significa «queira Deus». Veja lá se usa alguma expressão de que não gostem no Céu e lhe barram o contacto.

- Allah não é o Deus muçulmano; Allah é como se diz Deus em árabe. O Deus deles é o mesmo que o nosso; os Céus é que podem ser diferentes.

- Muito bem, então fica combinado que Você pede a um dos dois Santos e logo se vê o que eles dizem.

(...)

Disseram-me que São Boaventura estava a despacho (com Deus?) mas que Santo Ambrósio me poderia atender.

 

Stº Ambrósio (337-397).jpg

Stº Ambrósio (337 – 397)

 

- Meu «filho», em que te posso servir?

- Oh Santo Ambrósio: eu pretendo convocar para uma reunião terrena alguns escritores portugueses que devem estar no Purgatório mas não conheço ninguém da «nomenklatura» por lá mandante e lembrei-me de si porque nos explicou muito sobre o funcionamento daquilo e porque talvez consiga uma dispensa por pouco tempo de algumas almas escrevinhantes que ainda estejam por lá em abluções e clisterizações purgativas.

- Sim, conheço toda a «nomenklatura» purgativa e posso dizer-te que fizeste muito bem em vires falar comigo em vez de ires falar com eles. Ainda te sujavas e isso é que seria uma maçada. Mas estou a ver que já não te lembras dos meus ensinamentos... Há quanto tempo morreram esses escritores que queres contactar?

- Ui! Alguns morreram há mais de 20 anos e outros há mais de um século...

- Então, meu «filho», não precisas da minha intercessão pois as almas só estão no Purgatório por um máximo de 40 dias terrenos no fim do que ou estão limpas e vão para o Céu ou continuam encardidas e vão para o Inferno. Assim sendo, se estão no Céu, podes voltar a contactar quem contactaste das vezes anteriores para as reuniões que já fizeram...

- Ah, já vejo que sabe dessas reuniões.

- ... no Céu sabemos tudo...

- Sim, claro, desculpe o meu esquecimento.

- ... estás desculpado. ... se estão no Inferno, desde já te digo que não te posso ajudar de maneira nenhuma e não conheço ninguém que o possa fazer. São casos perdidos. Portanto, o melhor que podes fazer é pedires ajuda a alguém no Céu.

- Muito bem, acha que me pode ajudar?

- Sim, dize quem queres convocar, quando e para onde e eu vou ver o que se arranja.

- Posso dizer mais logo?

- Podes dizer quando quiseres. No Céu não medimos o tempo. Invocas-me e voltamos à conversa.

(...)

(continua)

 

Fonte da Telha-27NOV16 (barco museu).jpg

 Henrique Salles da Fonseca



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 18:23
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Quarta-feira, 9 de Novembro de 2016
LIDO COM INTERESSE – 70

 

 

A guerra do fim do mundo.jpg

Título – A GUERRA DO FIM DO MUNDO

 

Mário Vargas Llosa.jpg

Autor – Mário Vargas Llosa

Tradutor – Salvato Telles de Menezes

Editor – RTP/Leya

 

 

São 599 páginas de texto pois começa na 21 e acaba na 620. Antes do início, há todos aqueles prolegómenos tais como o título e a ficha técnica, por que habitualmente passo os olhos, mas esta edição conta também com um prefácio que não li. Mas se um dia...

Quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar...[1]

... então, em desespero, poderá ser que me abalance para essa leitura que por certo nos quer dizer o que devemos pensar quando começarmos a ler. Ainda não totalmente munido de «capito diminutia», não li. E se um improvável dia o fizer, será apenas com o intuito de comparar a opinião do prefaciador com a minha própria opinião.

 

Independente da opinião do autor do prefácio e tendo apenas lido metade do que se apresenta na contra-capa (a outra metade é um extracto do prefácio já referido), atirei-me à leitura com todo o interesse por se tratar da minha estreia em Mário Vargas Llosa e por já saber que se tratava de um romance histórico sobre um episódio que eu desconhecia totalmente, a Guerra de Canudos.

 

Da contra-capa extraio que em finais do século XIX, no Brasil, no sertão da Baía, um vasto movimento popular formado em torno de um místico – António Conselheiro – funda uma sociedade à margem do mundo oficial. O Governo do Rio de Janeiro (onde então era a capital federal) reage enviando uma pequena força militar para “repor a ordem”. Mas a resistência foi imediata e eficaz obrigando a tropa a fugir. E com isto se dá início à Guerra de Canudos para a qual foram mobilizados milhares de soldados que, depois de muitos mortos, os sublevados são, enfim, esmagados a ferro e fogo.

 

Mas não nos esqueçamos de que se trata de um romance histórico. E o mais fantástico é ver o Autor a misturar a realidade com a fantasia com tanta plausibilidade que por vezes tive que recorrer à Internet para saber quais eram os personagens reais e os fictícios. E a certa altura adiantei-me na consulta e fiquei a saber antecipadamente o que ia acontecer no livro. Mas em vez de me estragar a leitura, deu-me margem para saborear a trama romanesca, a qualidade literária e um aplauso ao trabalho de investigação a que Vargas Llosa deve ter sido obrigado.

 

O texto português é muito bom e considero da mais elementar justiça um louvor ao Tradutor. Quase me apetecia dizer que se o original for tão bom quanto é a tradução, Vargas Llosa é mesmo um Autor formidável, muito superior ao nasalado Bob Dylan[2].

 

Novembro de 2016

Henrique Salles da Fonseca.png

Henrique Salles da Fonseca

 

[1] In «Vou-me embora p’ra Passárgada», Manuel Bandeira

[2] Cuja obra literária desconheço por completo; apenas o conheço como nasalado.

 



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 08:33
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Domingo, 23 de Outubro de 2016
QUEM FOI FRANÇOIS DE LA ROCHEFOUCAULD?

 

 

 

“Hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”.

 

“Muitas vezes praticamos o bem para podermos praticar o mal com mais impunidade”.

 

“Não desprezamos todos aqueles que têm vícios, mas desprezamos todos aqueles que não têm nenhuma virtude”.

 

“Se não tivéssemos defeitos, não sentiríamos tanto prazer em reconhecê-los nos outros”.

 

“Há pessoas tão levianas e tão frívolas que estão igualmente distantes de possuir verdadeiros defeitos e sólidas qualidades”.

 

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François de La Rochefoucauld

 

“A esperança, figura charlatã e evasiva, pelo menos conduz-nos na vida por uma boa estrada”.

 

“Todos nós temos força suficiente para suportar os males do outro”.

 

“Os velhos gostam de dar bons conselhos para se consolarem de não poderem dar maus exemplos”.

 

“Nunca somos tão felizes nem tão infelizes quanto imaginamos”

 

“As paixões são os únicos oradores que sempre convencem. São uma arte da natureza de regras infalíveis; e o homem mais simples que tem paixão convence melhor do que o mais eloquente que não a tem”.

 

“O orgulho é igual em todos os homens (ricos ou pobres), só diferem os meios e as maneiras de mostrá-los"

 

*  *  *

 

François, Duque de La Rochefoucauld (Paris, 15 de Setembro de 1613 – Paris, 17 de Março de 1680) foi um moralista francês, François VI, Príncipe de Marcillac e, mais tarde, Duque de La Rochefoucauld, foi destinado à carreira militar, tendo participado da campanha da Itália em 1629. Envolvendo-se em intrigas contra o Cardeal Richelieu, em favor da rainha Ana da Áustria, foi preso e exilado em Verteuil, no ano de 1631. Depois da morte de Richelieu, voltou a conspirar contra a corte, tendo participado activamente da Fronda, a guerra civil que agitou França entre 1648 e 1653.

 

Em 1652, gravemente ferido nos olhos, encerrou a carreira de soldado e conspirador. Passou em Paris os últimos anos da vida, destacando-se nos salões literários, especialmente no de Madame de Sablé.

 

La Rochefoucauld cultivou o género de máximas e epigramas, divertimento social que transformou em género literário, escrevendo textos de profundo pessimismo. O seu livro mais famoso, "Reflexões ou sentenças e máximas morais", apareceu pela primeira vez em 1664.

 

Até à quinta edição do livro, La Rochefoucauld foi condensando as suas máximas, ao mesmo tempo que restringia o seu típico amargor. Espírito cáustico, amargurado, atribui ao amor-próprio um papel preponderante na motivação das acções humanas. Todas as qualidades da nobreza – as falsas virtudes — têm a movê-las o egoísmo e a hipocrisia, atributos inerentes a todos os homens.

 

Segundo ele, a necessidade de estima e de admiração está por trás de toda a manifestação de bondade, sinceridade, gratidão. Claramente, um pessimista desencantado com o género humano.

 

Além das "Reflexões", La Rochefoucauld escreveu sua autobiografia, "Memórias de MDLR sobre as intrigas com a morte de Luís XIII, as guerras de Paris e da Guiana e a prisão dos príncipes", que engloba o período entre 1624 e 1632 e que serve de base para as conclusões desenvolvidas nas "Reflexões".

 

Outubro de 2016

 

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Henrique Salles da Fonseca

 

BIBLIOGRAFIA:

Wikipédia



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 00:22
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Terça-feira, 30 de Agosto de 2016
ANTÓNIO GONÇALVES DIAS

Gonçalves Dias.jpgAntónio Gonçalves Dias, poeta, professor, crítico de história, etnólogo, nasceu em Caxias, Maranhão, em 10 de Agosto de 1823 e faleceu em naufrágio, no baixio dos Atins, Maranhão, em 3 de Novembro de 1864. É o patrono da Cadeira n.º 15, por escolha do fundador Olavo Bilac.

 

Era filho de João Manuel Gonçalves Dias, comerciante português, natural de Trás-os-Montes e de Vicência Ferreira, mestiça. Perseguido pelas exaltações nativistas, o pai refugiara-se com a companheira perto de Caxias, onde nasceu o futuro poeta. Casado em 1825 com outra mulher, o pai levou-o consigo, deu-lhe instrução e trabalho e matriculou-o no curso de latim, francês e filosofia do prof. Ricardo Leão Sabino. Em 1838 Gonçalves Dias embarcaria para Portugal, para prosseguir nos estudos, quando lhe faleceu o pai. Com a ajuda da madrasta pôde viajar e matricular-se no curso de Direito em Coimbra. A situação financeira da família tornou-se difícil em Caxias, por efeito da Balaiada e a madrasta pediu-lhe que voltasse, mas ele prosseguiu nos estudos graças ao auxílio de colegas, formando-se em 1845. Em Coimbra, ligou-se Gonçalves Dias ao grupo dos poetas que Fidelino de Figueiredo chamou de "medievalistas". À influência dos portugueses virá juntar-se a dos românticos franceses, ingleses, espanhóis e alemães. Em 1843 surge a "Canção do exílio", um das mais conhecidas poesias da língua portuguesa.

 

Regressando ao Brasil em 1845, passou rapidamente pelo Maranhão e, em meados de 1846, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde morou até 1854 fazendo apenas uma rápida viagem ao norte em 1851. Em 46, havia composto o drama “Leonor de Mendonça” que o Conservatório do Rio de Janeiro impediu de representar a pretexto de ser incorreto na linguagem; em 47 saíram os “Primeiros Cantos”, com as "Poesias americanas", que mereceram artigo encomiástico de Alexandre Herculano; no ano seguinte, publicou os “Segundos Cantos” e, para se vingar dos seus gratuitos censores, conforme registam os historiadores, escreveu as “Sextilhas de frei Antão”, em que a intenção aparente de demonstrar conhecimento da língua o levou a escrever um "ensaio filológico" num poema escrito em idioma misto de todas as épocas por que passara a língua portuguesa até então. Em 1849, foi nomeado professor de Latim e História do Colégio Pedro II e fundou a revista Guanabara, com Macedo e Porto Alegre. Em 51, publicou os “Últimos Cantos”, encerrando a fase mais importante da sua poesia.

 

A melhor parte da lírica dos Cantos inspira-se ora da natureza, ora da religião, mas sobretudo do seu caráter e temperamento. A sua poesia é eminentemente autobiográfica. A consciência da inferioridade de origem, a saúde precária, tudo lhe era motivo de tristezas. Foram elas atribuídas ao infortúnio amoroso pelos críticos, esquecidos estes de que a grande paixão do Poeta ocorreu depois da publicação dos “Últimos Cantos”. Em 1851, partiu Gonçalves Dias para o Norte em missão oficial e no intuito de desposar Ana Amélia Ferreira do Vale, de 14 anos, o grande amor de sua vida, cuja mãe não concordou por motivos de sua origem bastarda e mestiça. Frustrado, casou-se no Rio, em 1852, com Olímpia Carolina da Costa. Foi um casamento de conveniência, origem de grandes desventuras para o Poeta, devidas ao génio da esposa, da qual se separou em 1856. Tiveram uma filha, falecida na primeira infância.

 

Nomeado para a Secretaria dos Negócios Estrangeiros, permaneceu na Europa de 1854 a 1858 em missão oficial de estudos e pesquisa. Em 56, viajou para a Alemanha e, na passagem por Leipzig, em 57, o livreiro-editor Brockhaus editou os Cantos, os primeiros quatro cantos de Os Timbiras, compostos dez anos antes e o Dicionário da língua tupi. Voltou ao Brasil e, em 1861 e 62, viajou pelo Norte, pelos rios Madeira e Negro, como membro da Comissão Científica de Exploração. Voltou ao Rio de Janeiro em 1862, seguindo logo para a Europa, em tratamento de saúde, bastante abalada, e buscando estações de cura em várias cidades europeias. Em 25 de Outubro de 63, embarcou em Bordéus para Lisboa, onde concluiu a tradução de “A noiva de Messina”, de Schiller. Voltando a Paris, passou em estações de cura em Aix-les-Bains, Allevard e Ems. Em 10 de Setembro de 1864, embarcou para o Brasil no Havre no navio Ville de Boulogne, que naufragou no baixio de Atins, nas costas do Maranhão, tendo o poeta perecido no camarote, sendo a única vítima do desastre, aos 41 anos de idade.

 

Todas as suas obras literárias, compreendendo os Cantos, as Sextilhas, a Meditação e as peças de teatro (Patkul, Beatriz Cenci e Leonor de Mendonça), foram escritas até 1854. O período final, em que dominam os pendores eruditos, favorecidos pelas comissões oficiais e as viagens à Europa, compreende o Dicionário da língua tupi, os relatórios científicos, as traduções do alemão, a epopeia “Os Timbiras”, cujos trechos iniciais, que são os melhores, datam do período anterior.

 

A sua obra poética, lírica ou épica, enquadrou-se na temática "americana", isto é, de incorporação dos assuntos e paisagens brasileiros na literatura nacional, fazendo-a voltar-se para a terra natal. Ao lado da natureza local, recorreu aos temas em torno do indígena, o homem americano primitivo, tomado como o protótipo de brasileiro, desenvolvendo, com José de Alencar na ficção, o movimento do "Indianismo". Os indígenas, com suas lendas e mitos, seus dramas e conflitos, suas lutas e amores, sua fusão com o branco, ofereceram-lhe um mundo rico de significação simbólica. Embora não tenha sido o primeiro a buscar na temática indígena recursos para o abrasileiramento da literatura, Gonçalves Dias foi o que mais alto elevou o Indianismo. A obra indianista está contida nas "Poesias americanas" dos Primeiros cantos, nos Segundos cantos e Últimos cantos, sobretudo nos poemas "Marabá", "Leito de folhas verdes", "Canto do piaga", "Canto do tamoio", "Canto do guerreiro" e "I-Juca-Pirama", este talvez o ponto mais alto da poesia indianista. É uma das obras-prima da poesia brasileira, graças ao conteúdo emocional e lírico, à força dramática, ao argumento, à linguagem, ao ritmo rico e variado, aos múltiplos sentimentos, à fusão do poético, do sublime, do narrativo, do diálogo, culminando na grandeza da maldição do pai ao filho que chorou na presença da morte.

 

Pela obra lírica e indianista, Gonçalves Dias é um dos mais típicos representantes do Romantismo brasileiro e forma com José de Alencar na prosa a dupla que conferiu caráter nacional à literatura brasileira.

 

Obras: Primeiros cantos, poesia (1846); Leonor de Mendonça, teatro (1847); Segundos cantos e Sextilhas de Frei Antão, poesia (1848); Últimos cantos (1851); Cantos, poesia (1857); Os Timbiras, poesia (1857); Dicionário da língua tupi (1858); Obras póstumas, poesia e teatro (1868-69); Obras poéticas, org. de Manuel Bandeira (1944); Poesias completas e prosa escolhida, org. de Antonio Houaiss (1959); Teatro completo (1979).

 

(da Internet)



publicado por Henrique Salles da Fonseca às 17:06
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