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A bem da Nação

HISTÓRIA MUITO RÁPIDA

Era um grupo duma trintena de amigos, todos ex-alunos de um importante colégio em Lisboa; todos casados ou, entretanto, viúvos com excepção de um que era Padre.

Reuniam-se a um determinado Domingto de cada mês para o almoço mas, antes, os católicos iam à Missa e os outros liam o «Diário de Notícias».

Janeiro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

DA BOA OU DA MÁ AUDIÇÃO

Teatro de Bayreuth.jpg

Foi no dia 13 de Agosto de 1876 que se inaugurou o Festival de Bayreuth no teatro cujo projecto e construção foram supervisionados pelo próprio Wagner. Tudo começou com «O anel dos Nibelungos» em que Siegfried mata o dragão. Este, ameaçado pelo herói, abana vigorosamente a cauda, revira os olhos e deita fumo pelas narinas.

É Cosima Wagner que nos conta nos seus diários que a única oficina que encontraram para fabricar uma máquina que, devidamente revestida imitando um dragão, abanasse a cauda, revirasse os olhos e contivesse depósitos que permitissem no momento certo fazer sair fumo pelas narinas do «boneco», se situava em Inglaterra. Adjudicado o trabalho, foi o dragão fabricado mas a montagem final das três partes, cauda, corpo e pescoço (e cabeça, presumo), deveria ser feita no destino.

Quase tudo bem. A cauda e o corpo chegaram a Bayreuth a tempo e horas mas o pescoço foi enviado para Beirute porque o funcionário do Despachante encarregado do envio dessa peça tinha problemas de audição. Ou seria o mandante do despacho que tinha problemas de dicção? Cosima não esclarece quem a lê mas o Festival foi inaugurado na data prevista, sem que nem o dragão nem Wagner perdessem a cabeça.

Imagine-se a gritaria histriónica que haveria e quantas cabeças rolariam se nas vésperas da inauguração do primeiro festival de folclore de Santa Marta de Tornozelo faltassem as pandeiretas…

Novembro de 2019

Henrique Salles da Fonseca

OBVIOUSLY

Na minha actividade de reaproximação a Portugal dos descendentes dos «portugueses abandonados», são muitos os contactos que mantenho em todo o mundo, sobretudo naquelas partes em que tivemos um Império.

No Oriente e até no Extremo Oriente, são muitos os lusófilos que nutrem uma enorme admiração pelo nosso país. A maior parte dos meus contactos começou há pouco a aprender os primeiros rudimentos da nossa língua e até já está em andamento o dicionário de «Português de Portugal – Português de Malaca» Mas, daí, a conversarmos, vai uma grande distância. Por enquanto, servimo-nos do inglês como língua intermédia.

Foi assim que recentemente perguntei a um interlocutor, o que era feito de um terceiro de quem não tinha notícias desde há muito tempo. E a resposta foi rápida: - (…) it seemed to have become defunct after he passed away (…). «Parece que se tornou defunto depois de ter morrido».

Ainda não respondi porque ainda não parei de rir. A ver se consigo respirar um pouco…

Lisboa, 13 de Outubro de 2019

Navegando arquipélago Estocolmo.jpg

Henrique Salles da Fonseca

 

AH! MAFAMEDE, MAFAMEDE…

… VALHA-ME SANTA LUZIA!!!

Santa Luzia.png

 

Foi por terras de Mafamede que me lembrei de Santa Luzia.

 

Santa Luzia de Siracusa (~283-304), Santa da Luz segundo a tradição da Igreja Católica. Mesmo sem olhos, nascida numa família rica de Siracusa, foi venerada como virgem e mártir cristã que, segundo consta, morreu durante as perseguições do imperador Diocleciano.

 

Na antiguidade cristã, juntamente com Cecília, Águeda e Inês, todas elas atempadamente canonizadas, a veneração a Santa Luzia foi das mais populares e, como as primeiras, tinha ofício próprio chegando a ter vinte templos em Roma nomeados em sua devoção.

 

O episódio da cegueira, ao qual a iconografia a associa, deverá estar ligado à faculdade espiritual de captar a realidade sobrenatural. Por este motivo, Dante Alighieri, na Divina Comédia, lhe atribui a função de «graça iluminadora».

 

E assim foi que ficou como padroeira dos amblíopes, zarolhos, cegos e, claro está, dos oftalmologistas – e presumo que dos optometristas, oculistas e outros que tais…

 

E porque foi em terras de Mafamede que me vi metido em trabalhos com o meu olho direito, lembrei-me dela. E muito!

 

Então, foi assim…

 

… meti-me a fazer um rally pelas dunas do deserto do Dubai e na manhã seguinte apareci com a sensação de que ia fazer um treçolho. Só que não tinha a pálpebra inchada. O pseudo-treçolho desapareceu mas surgiu uma mancha opaca. No hospital do barco deram-me um antibiótico oftálmico e um anti-inflamatório. Assim me tratei até ao final do cruzeiro (rejeitei uma ida a um oftalmologista em Aqaba) e apresentei-me no Banco do Hospital de Santa Maria no dia seguinte à chegada a Lisboa. Médicos em polvorosa a espreitarem cá para dentro, análises (normais), TAC (normal), ida à Neurologia (saído limpo)… mais análises na manhã seguinte mas, entretanto, tome lá isto mais aquilo. E tomei. Vá ter connosco ao «Instituto Gama Pinto». Fui. Devo ter sido observado por cerca de uma dúzia de especialistas. Absolutamente formidável a atenção que me dispensaram. Derrames e inflamações desde a córnea ao disco e ao próprio nervo óptico. Como acontece uma coisa destas? Sabemos lá! Vi-os «à nora» e foram muito sinceros (e sérios, claro!): Quando não sabemos o que fazer, receitamos cortisona. Tome isso! Tomei tudo nas doses prescritas.

 

Voltei lá hoje e viram-me pormenorizadamente. Que estou incomparavelmente melhor. Reduziram-me a medicação. Posso montar de novo a cavalo mas com cautela. Querem ver-me no final do mês e então é que se vai ver quanta visão mantenho no olho afectado. A ver, como se diz em Oftalmologia.

 

Valham-me Santa Luzia e os médicos do Gama Pinto.

 

Sim, quem se mete por terras de Mafamede… é como quem adormece com crianças, sai húmido.

 

Lisboa, 11 de Abril de 2019

 

Arábia-3.png

Henrique Salles da Fonseca

 

BIBLIOGRAFIA:

Wikipédia, sobre Santa Luzia

 

 

CRISTIANO RONALDO

Ronaldo.jpg

 

Estranhará o meu Leitor que refira este simpático personagem do futebol mundial mas faço notar que nos meus escritos cabem todos os assuntos que respeitem à nossa Nação e Ronaldo é inultrapassável nesse tema.

 

E, isto, apesar de eu não ligar absolutamente nada à «indústria de bafordos».

 

Contudo, para se entender esta minha entrada, basta que eu refira algo tão simples como: quando nas minhas viagens por esse mundo além, me perguntam donde sou e eu respondo que de Portugal, logo referem Ronaldo com largos sorrisos e demais sinalética de evidente simpatia [1].

 

Então, o que hoje refiro é o espanto que se apoderou de mim quando, indo ao Google à procura de «escritores portugueses», me deparei com Cristiano Ronaldo.

 

Bouche bée, não desisti e cliquei nalgumas entradas que me foram apresentadas. Poderia ter ficado a saber muito sobre os golos, as namoradas, os filhos, os carros e etc. mas confesso que não o fiz. Entretanto, não encontrei a mais pequena referência a uma só linha que o nosso (sim, ele é nosso, português) simpático e importante atleta alguma vez tenha escrito.

 

Admito que a minha busca possa não ter sido exaustiva mas, compreenderá o Leitor, a expectativa comum sobre Ronaldo não é no campo da literatura e é, sim, no do futebol. Vai daí, desisti.

 

Conclusão: o Google não é infalível – até prova em contrário.

 

Janeiro de 2019

Urinol público Estocolmo.JPG

Henrique Salles da Fonseca

 

[1] - Há uns quantos anos, o personagem logo referido em circunstâncias semelhantes era Luís Figo, donde vem a simpatia que por ele continuo a nutrir

PERFUNCTÓRIO

 

Foi preciso ter uns maduros 73 anos para hoje ver pela primeira vez uma palavra tão portuguesa como eu, mas com que nunca me tinha cruzado: «perfunctório».

 

Caramba, estou sempre a aprender!

 

Ofereço-me esta lição como presente de Natal mas, como sou magnânimo, divido-o equitativamente com quem ler este escrito.

 

Ido ao Dicionário Priberam, fiquei a saber que palavra tão estranha significa algo que dura pouco, que é leve, passageiro, por oposição a duradouro ou a permanente; que é pouco importante ou pouco aprofundado, que é ligeiro, superficial, por oposição a profundo; que se faz só para se dizer que se fez e não por necessidade ou com algum fim útil, por oposição a essencial, a indispensável.

 

Leveza.jpg

 

Parece que estou a ler uma frase jocosa do Eça em que, pela fonética, se assemelha a «supositório». Mas também poderia ser o nome de algum instrumento próprio para ele limpar as fossas nasais. Esta última hipótese deve ser por causa da sílaba «func» e, claro está, pela sonoridade inerente à draconiana função naso-expiratória.

 

Mas não, a frase que li é a tradução portuguesa da que presumo sua homóloga inglesa escrita por um americano judeu auto-exilado em Roma na sequência do suicídio da mulher duma ponte abaixo algures na Carolina do Sul.

 

Para começo de livro[1] – e isto passa-se logo na primeira página do primeiro capítulo - acho «especial» para não dizer macabro.

 

Então, foi pelas seis da manhã que os dois carabinieri de guarda à Embaixada de França acenderam cigarros e puseram em marcha o carro de serviço em que se preparavam para fazer «a perfunctória ronda ao Palazzo Farnese».

 

E duma assentada fiquei a saber que a Embaixada de França junto do Quirinale está instalada no Palácio Farnese cujo périplo se pode fazer perfunctoriamente.

 

A talhe de foice, o facto de uma Embaixada estar «junto do Quirinale» não tem qualquer significado de proximidade geográfica mas sim de «acreditado junto da República Italiana», ou seja, do palácio que é a residência oficial do Chefe do Estado Italiano.

 

Mais: qualquer país que se prese tem duas Embaixadas em Roma sendo uma «junto do Quirinale» e outra «junto da Santa Sé» (do Vaticano).

 

No nosso caso, ambas as Embaixadas estão instaladas principescamente mas não investiguei se o seu périplo também se pode fazer perfunctoriamente. A ver…

 

24 de Dezembro de 2018

SET18.JPG

Henrique Salles da Fonseca

 

 

 

[1] - «MÚSICA DE PRAIA», Pat Conroy, Círculo de Leitores, ed. Setembro de 1996, pág. 27

INSPIRAÇÃO POÉTICA

EBI Rabo de Peixe.jpg

 

A professora pediu aos alunos para fazerem uma redacção sobre a escola.

 

Um deles escreveu:

 

A minha escola é pequena, mas muito bem arranjada.

A minha escola é como se fosse um jardim. Nós, os alunos, somos as flores e a Senhora Professora é como se fosse um monte de estrume que nos faz crescer belos e fortes.

 

Chegou-me por e-mail como tendo acontecido na Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe (Ilha de São Miguel, Açores), desconhecendo-se qual a nota atribuída ao referido aluno.

 

Independentemente do que haja de verdade em toda a historieta, parece-me que a «imagem poética» é verdadeiramente inspiradora e por isso aqui a deixo como sugestão a poetas nascentes.

 

127.JPG

Henrique Salles da Fonseca

 

 

 

 

“TENHO UMA PULGA ATRÁS DA ORELHA”

 

Pulga atrás da orelha.jpg

 

Tenho aqui "uma pulga atrás da orelha": ou há "gato escondido com o rabo de fora" ou então temos mesmo que "agarrar o touro pelos cornos" e preservar os provérbios portugueses carregados de significado semântico. Sempre ouvi dizer que "mais vale um pássaro na mão que dois a voar" e, sinceramente, deixar voar tanta simbologia vai deixar-nos como "peixes fora de água" em algumas conversações. Vale que "cão que ladra não morde" e às vezes há mesmo que "engolir um sapo". Desculpem se estou para aqui a desbobinar "cobras e lagartos" mas eles deviam era estar "caladinhos que nem um rato" e tirar "o cavalinho da chuva", porque, "macacos me mordam", acabar os provérbios com animais é o mesmo que deixar de "falar como um papagaio", que é uma coisa que eu adoro.

 

Os políticos às vezes são "chatos como uma carraça" e só dá vontade de lhes gritar "vai-te embora ó melga! , vai-te encher de moscas!". Não tarda proíbem todas as histórias com bichos e até quem se apaixona fica proibido de sentir "borboletas na barriga" ou de "ir ver a foca" (esta é só para quem é de Coimbra! ). Enfim, "os cães ladram e a caravana passa".

 

E agora, se quiserem, partilhem, que "a cavalo dado não se olha o dente" e embora "ovelha que berra é bocado que perde" eu não tenho medo pois "quem tem medo compra um cão preto".

 

Definitivamente, neste país, temos é que aprender a ser "espertos que nem uma raposa" para não "andarmos para trás como o caranguejo".

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