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A bem da Nação

EFEMÉRIDE

25 DE NOVEMBRO DE 1975

Comemoremos hoje o 47º aniversário da consolidação da Democracia em Portugal.

Honra aos militares que o fizera, o então Coronel Jaime Neves e seus «Comandos».

ESTALAGEM DO FAROL.jpeg

(foto Almeida Serra/Carlos Traguelho)

 

PELOS CAMINHOS DA HISTÓRIA

Estando o Rei D. Manuel, o primeiro desse nome, no seu paço da Ribeira, em Lisboa, mandou aparelhar cavalos e mulas para viajar a Cintra (Sintra, na ortografia actual). Viagem de passeio com Damas e cortesãos anosos. Iriam «por baixo», ou seja,  rumariam ao paço dos arcos (Paço d’Arcos) e daí entrariam por terra adentro pelas margens da rireira de Barcarena. (~50 kms quando hoje, pelo IC19 são 32). No regresso, «por cima», passariam pela Serra da Carregueira para visitar o Senhorio de Belas.

* * *

No século XVI, o que seria um «cavalo de rei»? Comeria o quê? De que medicina disporia? A que equitação estariam submetidos?

Muito pouco comeriam. Talvez palha, erva verde quando a houvesse, algum cereal. Comparando com hoje, alimentação pobre indutora de problemas no desenvolvimento físico, parasitismo, raquitismo, maus aprumos, andamentos pobres ou mesmo defeituosos… Ou seja, um «cavalo de rei» no séc. XVI não passaria hoje de uma pileca. E, perante a rudeza equestre daquelas épocas, as pilecas, coitadas, faziam-se manhosas. Então, para evitar alegrias que fizessem os reais costados roçarem pelo chão, a comida era pouca pelo que, comparando com os primores de hoje, «cavalo de rei» naqueles tempos não passaria de pileca raquítica e manhosa. E mesmo assim, para segurança absoluta do Senhor absoluto, mais valia que o palafreneiro caminhasse ao lado esquerdo da cabeça do cavalo segurando cautelosamente o palafrém que é como hoje chamamos à faceira.

* * *

Pronto para marcha logo pela manhãzinha, saiu o séquito real do pátio principal do paço da Ribeira rumando a poente. Passaram por trás de todas as carreiras onde se construíam naus (hoje, a Ribeira das Naus, o largo do Corpo Santo, a Rua de S. Paulo…) pela praia do Tejo até subirem à arriba (Calçada Ribeiro Santos) passando junto à Ermida de Santos o Velho e (pela actual Rua das Janelas Verdes) passaram junto ao novo hospital (Posto de Saúde da GNR/Quartel da Brigada de Trânxito), seguiram à Pampulha e ao Convento do Livramento (que no séc. XVII viria a ser residência temporária de D. Catarina de Bragança, recém viúva de Carlos II de Inglaterra e hoje gabinete do ex-Presidente Cavaco Silva – instituição, pelos vistos, vocacionada para albergar pretéritos mais ou menos perfeitos ou imperfeitos) e chegaram junto do poço (al kantara, em árabe, significa “o poço” = Alcântara) na base do Baluarte do Livramento (onde o Prior do Crato, já aclamado Rei pelo povo reunido em Santarém no âmbito das Côrtes de Almeirim, viria a ser traído e assim perdendo o trono para Filipe II de Espanha). Na foz da ribeira, subiram o vale (Avª de Ceuta) para atravessarem a vau (na actual Repsol/Quinta do Cabrinha) e desceram até à Praia das Fontainhas. Seguiram ao longo do juncal (Rua da Junqueira) para verem as obras da igreja de Stª Maria de Belém e as da torre que haveria de (nunca) defender a entrada do Tejo. Continuaram pelas praias até chegarem à foz do Jamor. Subiram até encontrarem um va seguro e retomaram caminho por arribas que haviam de os depositar no pátio retrós do paço doa arcos.

Descansados, aliviados dos «besoins», comidos e bebidos, foi hora de marcha até à margem da ribeira de Barcarena. Sempre pela margem esquerda, subiram até à charneca do Cacém onde escolheram o melhor vau para seguirem quase sem obstáculos até à fresca Aldeia de S. Pedro. A partir daí, foi tudo a descer mas se a descida é amiga dos bípedes, os quadrúpedes não gostam de sentir a cabeça mais baixa que a garupa e foi com alívio que todos chegaram a salvo ao paço da Vila de Cintra. Quase treze horas tinham passado desde que tudo começara.

«A ver se mandava fazer uma ou outra ponte… mas a prioridade era o caminho marítimo para a Índia» - pensou o Rei - «…a ver se falo com Vasco Anes…», o Corte Real mais  novo que era o seu Védor da Fazenda (actualmente, Ministro das Finanças). Mas dessa conversa não encontrei rasto (nem procurei).

EFEMÉRIDES

5 de Outubro de 1143 - assinatura do Tratado de Zamora firmando a paz entre D. Afonso Henrique e seu primo Afonso VII de Leão assim se fixando a independência de Portugal

"5 de Outubro de 1143

Quem não sabe esta data

Não é bom português"

* * * *

5 de Outubro de 1910 - passagem dos portugueses do estatuto de súbditos ao de cidadãos.

«... E VÓS, TÁGIDES MINHAS...» - 3

ou

O MUNDO VISTO A PARTIR DE LISBOA

1975 – entrega das colónias portuguesas aos «cuidados do Império Soviético; entrada em vigor da nova Constituição «rumo ao socialismo»; inversão de todos os Valores até então vigentes pelo PREC (Processo Revolucionário Em Curso; golpe militar em 25 de Novembro repondo a democracia;

1976 – ano 0 (zero) da Democracia na 3ª República Portuguesa.

* * * 

De regresso à dimensão territorial do séc. XV, a europeia, havia a necessidade de obstar aos apetites soviéticos e aos do iberismo. A solução foi a da adesão à então CEE a qual, para além do mais, era totalmente compatível com a já então longa pertença à NATO.

A partir daqui, afastado o perigo (real) de sovietização e de absorção (potencial) ibérica, todas as opções estruturais foram sendo tomadas por arrastamento e por validação democrática à posteriori, nas eleições que se foram seguindo em que foram homologadas as decisões anteriores pela vitória sucessiva ou alternada dos Partidos que haviam «assinado» as ditas opções. Refiro-me à adesão à CEE, à transformação desta em União e à adesão ao Euro. A alternativa teria sido a nossa albanização «enver ohxiana» ou o retorno ao «orgulhosamente sós», mas já sem Império e sem o correspondente afluxo de divisas e oiro aos activos do Banco de Portugal.

Reconheçamos hoje que, apesar de nem sempre termos estado do lado maioritário, as opções seguidas foram as sensatas.

Perdemos parte da Soberania Nacional? Sim, sem dúvida e isso foi muito penoso para muitos de nós, nomeadamente para mim próprio mas…

… uma das primeiras perdas da nossa Soberania terá sido quando há muito tempo aderimos à Convenção Internacional dos Correios…

… estas últimas perdas (no âmbito da CEE/UE) foram o «preço a pagar» pela garantia desse Valor mais alto que é a Independência Nacional integrada num espaço plurinacional solidário e de coesão sempre negociada.

E agora?

Agora, aqui chegados e depois de termos evitado alguns exageros (Federação e Constituição p. ex.), vamos continuar a viver numa União de Estados Soberanos.

Vejamos, pois, como é o mundo a partir de Lisboa…

Lisboa, 22 de Setembro de 2022

Henrique Salles da Fonseca

NA RUA DOS NAVEGANTES - 1

NOTAS PRÉVAS

  1. Navegante é todo aquele que se faz transportar numa nave (navio); navegador é aquele que comanda e dirige uma nave (navio). Ou seja, todos os navegadores são navegantes mas nem todos os naveganfes são navegadores.
  2. A Rua dos Navegantes é em Lisboa, ali à Estrela, no centro da Capital do Império que foi.
  3. Tendo sido desafiado para dissertar sobre navegadores, logo me lmbrei de o fazer enquanto passeava ao longo da Rua dos Navegantes.

* * *

Então, é assim que…

…qQuando pensamos em navegantes, logo nos vêm à memória «os nossos egrégios avós que nos hão-de levar à vitória» mas eu creio que outros há que não se incluem nos hinos da glória e que merecem a nossa evocação.

Sugiro que não esqueçamos o Almirante Gago Coutinho que foi o navegador do avião «Lusitânia» pilotado pelo Comandante Sacadura Cabral e que não passemos em falso por Paulo da Gama, esse, sim, homem de mar e não o seu mano Vasco que era homem de sequeiro.

Mas neste introito pretendo ensaiar uma correcção histórica evocando um injustiçado pela memória.

Assim, da tripulação da frota da grande viagem de Fernão de Magalhães, poucos foram os que chegaram à História: para além do próprio Magalhães, saltaram para a glória dos tempos o cronista António Pigafetta e o contabilista da expedição Juan Sebastian del Cano. O cronista chegou à História pela sua própria mão pois editou profusamente a sua importante crónica ao longo dos muitos anos que viveu confortavelmente na sua Génova natal; o contabilista chegou à História porque era espanhol. Mas…sigamos Pigafetta…

Emboscado e morto Fernão de Magalhães, seguiu-se-lhe na mesma «sorte» Duarte Barbosa, Contramestre da expedição e cunhado de Magalhães. Afastada a liderança portuguesa, ficava livre o caminho para a glória castelhana e, vai daí, urgia nomear novo comandante. Instalada a disputa entre os espanhóis de mar, acabaram por assentar na escolha do que nada sabia de mar nem de azimutes. Eis como o comando foi para o Cano. Mas o orgulho marinheiro dos auto preteridos ter-se-á evaporado e todos começaram a sofrer de maleitas incapacitantes para a pilotagem. A melancolia terá sido contagiosa pelo que sobrava o piloto português Francisco Rodrigues que, saudoso da namorada que deixara em Sevilha, assumiu a pilotagem da única nau que restava de toda a frota, a carraca «Victória». Indo o comando «de facto» parar às mãos do português e deixando o «de jure» ao contabilista, Francisco Rodrigues teve que tomar imediatamente algumas decisões fundamentais pois já Magalhães concluíra (à custa da própria vida) que as Molucas se situavam no hemisfério português conforme Tordesilhas. E a decisão mais importante foi a de se esconder o melhor possível de navios portugueses e das suas rotas habituais.

Assim, ziguezagueando pelo resto ocidental das Filipinas, correu pelo Estreito de Torres deixando a bombordo a ilha dos coelhos gigantes, serpenteou pelas Molucas e Celebes, deixou Java a estibordo e tomou o Índico em diagonal por mares de ninguém no rumo constante de sudoeste. Deixou a Ilha de S. Lourenço a estibordo para lá do horizonte assim chegando à vista da curva índica africana. Aí chegados, conta Pigafetta com detalhes tenebrosos, apanharam ondas de dezasseis metros que conseguiram passar porque a «Victória» era uma carraca a cujo comando ia o formidável Rodrigues. Afinal, o temível «mar das tormentas» até lhes pareceu sereno.

Chegados ao Atlântico, rumo a Norte, vento pela ré, já todos se sentiam em casa.

Mas nem assim os ânimos esmorecidos se reanimaram e quando finalmente a «Victória aportou a San Lúcar de Barrameda, parecia um cangalho desprezível e a população demorou tempo a ovacionar o contabilista.

E o Rodrigues?

Mistério…!!!

Agosto de 2022

HOSPITAIS PORTUGUESES NA ROTA DA ÍNDIA


  1. Tavira – 1430 (já existia neste ano mas não se sabe quando foi inaugurado; actualmente, pertence à Santa Casa da Misericórdia de Tavira)

  2. Safim (Marrocos) – 1486

  3. Tânger – 1516

  4. Arzila – 1516

  5. Santa Cruz do Cabo de Gué (Agadir, na actualidade) – 1505

  6. Ilha de Santiago (Cabo Verde) – 1497

  7. Jorge da Mina (actual Gana) – 1498

  8. São Tomé – 1504

  9. Bahia – 1510 (cerca de)

  10. Sofala (Moçambique) – 1505

  11. Ilha de Moçambique – 1507

  12. Quilôa (actual Tanzânia) – 1505

  13. Melinde (Zanzibar) – 1511

  14. Cochim (Índia – actual Estado de Kerala) – 1505

  15. Cananor (Índia – actual Estado de Kerala) – 1506

  16. Goa (Índia – actual Estado de Goa) – 1512

  17. Baçaim (Índia – actual Estado de Maharastra) – 1512

QUEM TAL DIRIA...???

O título deste texto esteve para ser «A atracção dos opostos» mas, pensando mais um pouco, achei que a essência do Poder autocrático gera solidariedades curiosas. Em alternativa, parece melhor enquadrar o texto num conjunto a que chamo «Curiosidades da História».

Então, o facto histórico que recentemente me foi contado por quem «in illo temporae» teve acesso à correspondente informação  no exercício das suas funções quando cumpriu o Serviço Militar Obrigatório, consistiu na vigilância que os Serviços Secretos portugueses antes de Abril de 1974, a PIDE, exerciam sobre certos refugiados lestian em Portugal (opositores ao comunismo no seu país) a troco de informações dos correspondentes serviços secretos lestianos sobre os movimentos do Dr. Cunhal e de outros comunistas portugueses  que andassem refugiados pelo lado de lá da Cortina de Ferro.

Não teço agora comentários à qualidade das informações transmitidas de lado a lado nem sobre a relevância que cada receptor (e inerente tratamento) deu às ditas informações. Apenas constato que umas não impediram a passagem do Império Português para a tutela do homólogo soviético assim como, no sentido contrário, não impediram a queda da Cortina de Ferro. O que me interessa, isso sim, é constatar uma colaboração – que considero totalmente absurda – entre serviços secretos de lados opostos da «barricada». E o que me causa maior espanto foi ter havido troca de informações entre os Regimes do «ultrarradical de esquerda» Jivkove do «ultra radical de direita» Salazar. Só consigo entender esta realidade como uma tentativa de cada um dos autocratas se manter no poder garantindo o máximo de «status quo». Ou seja, algo como uma solidariedade estabelecida sobre um estilo de exercício do poder – neste caso, o autocrata - e nada tendo a ver com as causas estratégicas, económicas ou sociais defendidas por cada um. Ainda admito uma outra hipótese: que exista uma solidariedade corporativa mundial entre os agentes secretos de modo a que todos tenham as «barbas de molho» quando o seu lado ruir. Será então verdade que, na queda de Ceaucescu, os chefes da «Securitate» se passaram directa e rapidamente para os serviços secretos de um país levantino amigo do Ocidente?

Diz-se, diz-se… mas se, por acaso, tiverem alguma ponta de verdade, imaginemos a distância que deve existir entre as conversações que realmente existem entre a Rússia e a Ucrânia e aquilo que nos é transmitido pelos noticiários, os que se dizem defensores da verdade. Quem tal diria…???

Mas, nesse espaço entre a verdade e a fantasia do que os «negociadores» atiram cá para fora, morre muita gente.

Lisboa, 19 de Abril de 2022

 

 

«PAZ» RUSSA

 

• Grande Guerra do Norte e Anexação da Estónia e da Letónia, 1700-1721

• Partilha da Polónia, 1772-1795

• Anexação da Crimeia, 1783

• Supressão da Polónia, 1794-1795

• Guerra Finlandesa e ocupação da Finlândia, 1808-1809

• Guerra Caucasiana e Genocídio dos Circassianos, 1817-1864

• Pogroms de 1821 (Império Russo) 

• Guerra Russo-Persa de 1826–1828 e A

anexação da Geórgia, Arménia e Azerbaijão

• Repressão da Polónia, 1830-1831

• Intervenção na Hungria, 1848-1849

• Guerra da Crimeia, 1853-1856

• Repressão da Polónia, 1863

• Pogroms de 1881–1884 (Império Russo)

• Pogroms anti-chineses do Amur (Império Russo), 1900  

• Pogroms de 1903–1906 (Império Russo)

• Guerra Soviético-Ucraniana, 1917-1921

• Deskulakização (Rússia Bolchevique e União Soviética), 1917-1933

• Terror Vermelho (Rússia Bolchevique), 1918-1922

• Intervenção na Guerra Civil da Finlândia, 1918

• Guerra Russo-Lituana, 1918-1919

• Guerra da Independência da Estónia, 1918-1920

• Guerra da Independência da Letónia, 1918-1920

• Guerra Polaco-Russa, 1919-1921

• Anexação da Íngria Finlandesa, 1919–1920

• Invasão e Ocupação do Azerbaijão, 1920##

• Invasão e ocupação da Arménia, 1920

• Invasão e ocupação da Geórgia, 1921

• Repressão da Karélia, 1921–1922

• Sistema do Gulag (União Soviética), 1923-1961

• Coletivização forçada (União Soviética), 1927-1940

• Deportação dos íngrios finlandeses (União Soviética), 1929-1944

• Holodomor (Ucrânia), 1932-1933

• Grande Terror (União Soviética), 1936-1938

• Invasão e ocupação soviética da Polónia, 1939-1941

• Guerra de Inverno (tentativa de invasão da Finlândia), 1939-1940

• Massacre de Katyn (União Soviética), 1940

• Ordens de pilhagem de artefactos culturais e infraestrutura industrial durante a ocupação soviética da Polónia e da Alemanha Oriental, (1940-1947)

• Ocupação da Bessarábia e Bucovina do Norte, 1940-1941

• Ocupação dos Países Bálticos, 1940-1941

• supressão da Insurgência da Tchetchénia, 1940-1944

• Deportações forçadas da Bessarábia e Bucovina do Norte, 1940-1951

• Guerra da Continuação (Segunda Guerra Soviético-Finlandesa), 1941-1944

• Massacre dos prisioneiros de guerra pelo NKVD (União Soviética), 1941

• Deportação dos Gregos Pônticos (União Soviética), 1942-1949

• Deportação dos Calmucos (União Soviética), 1943

• Operação Lentil (limpeza étnica da Tchetchénia e da Inguchétia), 1944

• Deportação dos Tártaros da Crimeia (União Soviética), 1944

• Deportação dos Turcos Mesquécios (União Soviética), 1944

• Deportação dos Bálcaros (União Soviética), 1944

• Transferência Forçada das Populações Alemãs (1944–1950)

• Massacres de civis durante o Cerco de Budapeste (Hungria), 1944-1945

• Ocupação da Roménia, 1944-1958

• Campanha de Violações de Mulheres (Polónia e Alemanha), 1945

• Caça ao Homem de Augustów (Polónia), 1945

• Bloqueio de Berlim (Alemanha Ocupada), 1948-1949

• Oposição ao Plano Marshall, 1948-1951

• Divisão da Alemanha, 1949-1990

• Organização da Greve Geral contra o governo da Áustria, 1950 

• Repressão de Berlim e Alemanha Oriental, 1953

• Massacre de 9 de Março (Geórgia), 1956

• Repressão dos Protestos de Poznan (Polónia), 1956

• Intervenção na Hungria, 1956

• Supressão dos Irmãos da Floresta (Países Bálticos), 1945–1956

• Muro de Berlim (Alemanha Oriental), 1961-1989

• Massacre de Novocherkassk (Rússia Soviética), 1962

• Repressão das Manifestações de Yerevan (Arménia), 1965

• Operação Danúbio (Invasão da Checoslováquia), 1968

• Repressão dos Protestos de Dezembro (Polónia), 1970 

• Repressão da Sublevação da Lituânia, 1972 

• Repressão dos Protestos de Junho (Polónia), 1976

• Repressão das Manifestações da Geórgia, 1978

• Invasão e Intervenção no Afeganistão, 1979-1989

• Lei Marcial na Polónia, 1981-1983

• Tragédia de 9 de Abril (Geórgia), 1989

• Tentativa de supressão da Revolução Romena, 1989

• Janeiro Negro (Azerbaijão), 1990

• Primeira Guerra da Tchetchénia, 1994-1996

• Segunda Guerra da Tchetchénia, 1999-2009

• Guerra do Daguestão, 1999

• Guerra Civil da Inguchétia, 2007-2015

• Invasão da Geórgia e Ocupação da Ossétia do Sul e da Abecásia, 2008-… 

• Anexação da Crimeia, 2014-…

• Intervenção em Donetsk e Lugansk (Ucrânia), 2014-…

• Invasão da Ucrânia, 2014 "

 

De governantes bélicos a Paz não tem qualquer valor, portanto os seus desejos de riqueza pessoal arrastam povos para a destruição, para assim 

poderem-se apropriar das riquezas criadas pelo povo! 

 

(Por gentileza do Coronel Manuel Neves Veloso)

 

EFEMÉRIDE CAMONEANA

A Sua Excelência a Ministra da Cultura

Na eventualidade de Vossa Excelência não ter sido atempadamente informada, comunico que a «Rede Camões na Ásia», constituída por estudiosos e investigadores da obra camoniana, se reuniu em Congresso no dia 12 de Março deste ano de 2022 em Jakarta com o intuito de celebrar o 450º aniversário da primeira edição d’«Os Lusíadas» e de lançar a respectiva tradução em indonésio.

Havendo quem defenda a tese de que Camões possa ter iniciado em Ternate a composição do nosso panegírico, compreende-se o interesse indonésio na celebração da obra, da efeméride e da respectiva tradução para a sua língua nacional.

E nós, Excelência?

Dando-se a provável eventualidade de a nossa sociedade civil estar atordoada com a pandemia e com a guerra da Rússia, compreende-se a falha na comemoração da efeméride mas, precisamente por isso, conta-se com a liderança de Vossa Excelência na necessária celebração.

Celebração cautelosa no que respeite à saúde pública, sem custos que agravem o défice das contas públicas mas, isso sim, com a solenidade que Camões merece.

E se deixámos passar a data em que «Os Lusíadas» saíram dos prelos de António Gonçalves, 12 de Marco de 1572, não deixemos escapar 2022 sem, pelo menos, uma Sessão Solene na Biblioteca Nacional e a deposição de coroa de flores junto ao túmulo do poeta. E que tudo decorra sob a égide de Sua Excelência o Presidente da República.

A bem dos Valores Nacionais,

Henrique Salles da Fonseca

REFLEXÃO COLONIAL - 4

O espírito desenvolvimentista que se vivia em Moçambique durante a minha comissão de serviço militar fez com que, uma vez passado à disponibilidade em Lisboa, me metesse num avião de regresso à Lourenço Marques (hoje, Maputo), já como civil.

E foi lá do fundo do mapa do Império que vi como a «evolução» do Professor Marcelo Caetano ia sendo torpedeada pela «continuidade» do Almirante Américo Tomás e seus apoiantes, o «Almirantado».

Numa primeira observação, levei a crédito as já referidas 800 toneladas de oiro e a débito uma tonelagem de inércia ultra conservadora que não consegui quantificar.

Mas – e lá vem o tal «mas» que nos baralha os parâmetros - em 1972 o oiro foi (internacionalmente) desmonetarizado, ou seja, deixou de servir para saldar contas entre Bancos Centrais passando a ser um activo em mercado livre (privado) controlado por relativamente poucos «especialistas» que não brincam em serviço. Quer isto dizer que ao primeiro sinal de que um banco pretende comprar oiro, a cotação sobe à estratosfera e ao primeiro sinal de que um banco quer vender oiro, a cotação desce às profundezas infernais. Daqui resultou que as tais reservas de oiro serviam para muito menos do que poderíamos imaginar e menos ainda do que poderíamos desejar. Portanto, mais valendo tê-lo do que não tê-lo, havia que encontrar soluções de viabilização do modelo económico sem chegarmos a insolvências e, se tal acontecesse mais uma vez, não contássemos com essa «pesada herança» amarela[1].

E se com o oiro as habilidades não seriam muitas, com o «deadweight» do Almirantado, a inércia faria esticar o reboque e a deriva passar a desnorte. Contudo e apesar do «deadweight» do Almirantado, Portugal conseguiu durante o consulado marcelista alcançar taxas de crescimento raras na nossa história económica e que deixariam saudades-

Entretanto, não tive a confirmação da notícia que então circulou de que o Professor Marcelo Caetano, já então Presidente do Conselho, tinha estado confinado durante uma semana no Palácio de Queluz às «ordens» de Américo Tomás[2].

A ideia da evolução controlada das colónias para uma autonomia progressiva e uma futura independência cordata com a Metrópole acabou por ser um fiasco depois dos entorces impostos pelo Almirantado e foi já em clima de pré-ruptura com o «Estado Novo» que o General Spínola, se montou na ideia do Professor Marcelo Caetano publicou esse sucesso editorial que foi «Portugal e o futuro».

A partir daqui, o «caldo entornou-se» cada vez mais e foi só esperar pelo golpe comunista em 25 de Abril de 1974.

Passadas as colónias portuguesas para o domínio soviético, cesso aqui este enquadramento e passo-me para uma reflexão pós-colonial.

Fevereiro de 2022

 

[1] - Um agradecimento especial ao meu colega António Palhinha Machado pela rememoriação deste ponto

[2] O Professor António Alves Caetano apenas me confirmou que o seu irmão gostava muito de trabalhar no Palácio de Queluz

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