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A bem da Nação

«RESSENTIMENT» - NIETZSCHE

Hoje, 28 de Maio de 2020, lembrei-me do conceito nietzschiano de ressentiment (que ele usa na grafia francesa) e que liga ao sentimento de superação de uma situação de constrangimento associada à inveja e à necessidade de culpabilização de alguém por esse sofrimento.

Historicamente, entre nós, temos duas formas de sublimação desse ressemtiment: a emigração, nomeadamente aquela que erigiu o Império; as revoluções, de que destaco as mais recentes, a da implantação da República, a do 28 de Maio de 1926 e a do 25 de Abril de 1974, uma sucessão ao estilo dos alcatruzes – alarga, aperta, alarga.

A Monarquia, tipicamente o regime em que uns nasciam destinados ao mando e os outros à obediência, foi substituída por um outro em que todos se achavam com direito ao mando, a sublimação do ressentiment numa explosão dos recalcamentos acumulados e de vingança pelas expectativas frustradas´- daí, a instabilidade social, as constantes revoltas de facção, os Governos de curta duraçã0o, a ausência de soluções sensatas ou eficazes, a bancarrota, a criação da ansiedade e da aspiração por uma paz entretanto perdida.

Foram os militares humilhados na Flandres, no norte de Moçambique e no sul de Angola que decidiram «pôr ordem no quartel» e em 28 de Maio de 1926 disseram que, a partir dali, eram eles que mandavam. Mas os traumas eram muitos e também eles não se entenderam como queriam. Lá tiveram que ser «arrumados» Gomes da Costra e Mendes Cabeçadas até que Carmona se sentou na poltrona. E foi depois duma negaça que tiveram que ir de novo pedir-lhe que regressasse. A quem? Àquele que definiria a vida portuguesa de 1933 a 1974, o Doutor Salazar.

E foram duas as missões que o levaram a agir: o reequilíbrio das Finanças Públicas e a oposição à determinação dos soviéticos de tomarem conta da Península Ibérica para subjugarem a Europa entre os Pirinéus e a futura cortina de ferro e, simultaneamente, tomarem conta das colónias portuguesas.

O desenvolvimento económico foi nesse longuíssimo período apenas o que o equilíbrio financeiro permitisse e as frustrações políticas dos que se sentiam constrangidos criaram tensões que a PIDE ia «gerindo» mas que, acumuladas, não podiam ser contidas.

O 28 de Maio perdurou tempo demais, não quis evoluir e quando o Proifessor Marcelo Caetano o tentou fazer, foi boicotado pelos «ultras» e viu-se apeado por um golpe comunista no dia 25 de Abril de 1974.

E aí, novamente, o povo saiu às ruas a berrar nem ele próprio sabia para quê e vá de se ver envolto num processo revolucionário soviético que só tardiamente derrubou. E só então é que o ressentiment pôde dar largas às invejas, às frustrações.

E já lá vão 46 anos em que a bancarrota regressou repetidamente, a bagunça alternou com a austeridade até que Stalin foi claramente substituído por Gramci na viabilização de uma geringonça governativa.

Segue-se o quê? Não sei mas gostaria que não fosse algo parecido com o que aconteceu ao inspirador destas linhas, Friedrich Nietzsche, a loucura.

Eis do que  «sans ressentiments», me lembrei hoje.

28 de Maio de 2020

Henrique Salles da Fonseca

ENIGMAS DA HISTÓRIA – 2

Antes do mais, recordo que todas as informações contidas no texto anterior resultam do esforço alheio de investigação, sendo que eu me limito a fazer como o cuco que usa o ninho laboriosamente feito por outros. Mas, já que não estou em condições de investigar (forte ambliopia), posso especular e tentar extrair conclusões mais ou menos certas mas plausíveis, pelo menos.

* * *

Então, o que me parece ter acontecido foi que na guerra de 14-18, Agostinho Lourenço terá sido integrado na 2ª Repartição do Comando Português, a da informação e contrainformação e, daí, foi um instante até se aproximar dos homólogos ingleses – não esqueçamos que a Força Expedicionária Portuguesa estava enquadrada no Sector Britânico – que, por sua vez, estavam próximos ou eram membros do MI6. Parece-me que foi aqui que se encurtaram as distâncias entre Agostinho Lourenço e o MI6, se é que as distâncias não se anularam mesmo.

De seguida, «o homem do bigode» veio de licença a Portugal e não voltou para o cenário da guerra.

É aqui que faço entrar Sidónio Paes na cena deste folhetim nomeando Agostinho Lourenço para o cargo de Governador Civil de Leiria a fim de extirpar os movimentos grevistas na Marinha Grande. Mas, feito o «serviço», não aqueceu o lugar pois foi nomeado Director da Polícia Preventiva a qual, segundo informam os nossos investigadores, terá sido instalada à imagem e semelhança do MI6, nomeadamente nas técnicas de «convite dos prisioneiros à fala».

Fim do Consulado Sidonista em 1918 e «o homem do bigode» desaparece da circulação. E desaparece durante 15 anos, o que não é brincadeira. Se me disserem que ele foi «estagiar» no MI6, eu acredito – tempo mais do que suficiente para confirmar fidelidades.

Reaparece em 1933 como Director, o primeiro, da PVDE – Polícia de Vigilância e Defesa do Estado que em 1945 mudou de nome (mas creio que de mais nada) para PIDE – Polícia Internacional e de Defesa do Estado. Lourenço manteve-se no cargo de 1933 a 1956, quando atingiu o limite de idade e se aposentou do serviço ao Estado Português. Depois de aposentado, por empenho do MI6, foi Director da Interpol durante cinco anos. De tudo, para concluir que Agostinho Lourenço era homem de confiança dos serviços de segurança britânicos.

E terá já sido nessa posição de confiança que actuou enquanto foi Director da PVDE/PIDE. Por alguma razão, era o único não-Ministro que acedia directamente ao Presidente do Conselho de Ministros e com ele despachava semanalmente.

Ora, tendo o Doutor Salazar desempenhado o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiro de 1936 a 1947, foi a Sevilha também nessa qualidade, o que lhe poupou imenso trabalho não tendo que instruir intermediários. E fez-se acompanhar pelas únicas pessoas da sua especial confiança: o motorista, o Embaixador Pedro Theotónio Pereira, seu braço direito para casos bicudos e Agostinho Lourenço como seu contacto directo com os «bas fonds» dos Aliados. Lourenço foi a Sevilha como membro relevante da comitiva do Doutor Salazar, não como Oficial de Segurança que, aliás, nunca foi. Da segurança do Presidente do Conselho e sua comitiva encarregaram-se dois Oficiais que a História apagou.

Sob a influência diplomática de Ramon Serrano Súñer (pela calada, o «Jamon Serrano») – que até então já tinha sido ministro seis vezes – a Espanha estava prestes a quebrar a neutralidade para alinhar militarmente com o Eixo.

Ora, em Sevilha, o Doutor Salazar garantiu a Franco que o embargo internacional a Espanha seria atenuado com a passagem dos abastecimentos dos Aliados através do território português desde que a Espanha mantivesse a neutralidade. Franco agarrou a ideia e, passado pouco tempo, dispensou Súñer de quaisquer funções ministeriais. Realmente, nunca mais Súñer voltou a ser ministro até que, com 102 anos de idade, se entregou ao Criador.

Se quiséssemos fazer humor, diríamos que o Doutor Salazar fizera uma mexida fundamental no Governo Espanhol. Mas, sem humor, temos que reconhecer que naquele encontro secreto em Sevilha aconteceram coisas importantes:

  • A neutralidade espanhola foi muito prejudicial ao Eixo que já não contava com a Itália para nada;
  • O Doutor Salazar demonstrou estar claramente do lado dos Aliados evitando que estes invadissem os nossos «portaviões» Açores e Cabo Verde;
  • Que três cérebros bem ginasticados valem bastante mais do que algumas Divisões Blindadas.

* * *

Acabo como comecei: os factos são fruto de investigação alheia; a especulação é minha. Esta, pode servir para alguém, com mais imaginação, escrever folhetins «à la façon de James Bond» ou para servir de sugestão a investigadores nas suas teses académicas. Nem a uns nem a outros cobrarei direitos de especulação.

FIM

Maio de 2020

Henrique Salles da Fonseca

ENIGMAS DA HISTÓRIA - 1

Comecemos pelo princípio…

… quando um correspondente – cuja identidade não estou proibido nem expressamente autorizado a revelar – me pediu ajuda na identificação de um tal «Jimmy» na fotografia de Salazar e Franco em Sevilha aquando do encontro secreto de 1942.

 

JIMMY.jpg

Da esquerda para a direita: Serrano Súñer, «o homem do bigode», Franco, Doutor Salazar, Embaixador Pedro Theotónio Pereira

Perguntava ele se «este Jimmy seria um homem de mão do Wild Bill Donovan (CIA)»

A este encontro se refere o texto de autoria alheia que publiquei no “A bem da Nação” em 23 de Janeiro de 2015 e que pode ser lido em

https://abemdanacao.blogs.sapo.pt/salazar-e-franco-1333359

À pergunta do meu correspondente sobre o Wild Bill Donovan respondi como segue:

Caro Dr. (…)

No encontro de Sevilha, custa-me muito a crer que na reunião só tenham estado Salazar, Franco e Suñer. Não acredito minimamente que o nosso Embaixador Pedro Theotónio Pereira tenha ficado do lado de fora da porta como um lacaio. Esteve seguramente lá dentro e só ele poderá ter dado aos nossos Arquivos Diplomáticos tanta da informação constante do texto que publiquei.

Como se depreende da descrição do encontro, tudo se resolveu com o Doutor Salazar a garantir a Franco que o embargo se aligeiraria e que os abastecimentos a Espanha não corriam risco. Ou seja, o Doutor Salazar falou em nome de terceiros, os Aliados. Estou, pois, em crer que na pacata Lisboa ninguém saberia do encontro secreto em Sevilha mas os Aliados saberiam tudo e talvez tenham mesmo mandatado o Doutor Salazar para falar em nome deles. Se esta minha presunção estiver minimamente correcta, acho plenamente plausível que da comitiva do Doutor Salazar pudesse participar alguém com sotaque inglês-americano. E, relativamente à foto, seria totalmente improvável que alguém não autorizado nela pudesse figurar. Neste tipo de circunstâncias, os espontâneos não são tolerados.  Quanto à identificação de Jimmy, nada posso adiantar para além de poder admitir que seja um dos figurantes na foto. Não posso identificar porque estou amblíope e porque, mesmo que visse claramente, não tenho qualquer referência fisionómica desse personagem. Pode (ou não) ser um desses figurantes.

Melhores cumprimentos,

Henrique Salles da Fonseca

Passado um ou dois dias, o meu correspondente escreve:

Consegui resolver a charada, é o homem do bigode – e faz-me chegar em inglês o que a Wikipédia diz de Agostinho Lourenço, «o homem do bigode» e cuja tradução para português é da minha responsabilidade:

Agostinho Lourenço da Conceição Pereira (5 de Setembro de 1886 - 2 de Agosto de 1964) foi um militar português mais conhecido por fundar e dirigir a Polícia Política Portuguesa sob o Estado Novo.

Integrou a Força Expedicionária Portuguesa  - por sua vez enquadrada no Sector Britânico - na Primeira Guerra Mundial. Durante o Consulado de Sidónio Paes, foi Governador Civil de Leiria (greves operárias na Marinha Grande?[i]).

Mais tarde, foi agraciado com o grau de Comandante da Ordem da Rainha Victória por serviços prestados ao futuro Eduardo VIII, na época Príncipe de Gales, quando o Príncipe visitou Lisboa em 1931.

Em 1933, nos primeiros tempos do regime de Salazar, Agostinho Lourenço fundou a PVDE, a polícia de segurança e imigração de Portugal. Segundo o professor Douglas Wheeler, analista da carreira de Lourenço, sugere fortemente que a influência dos Serviços de Inteligência Britânicos teve um impacto decisivo na estrutura e na actividade da PVDE". Lourcenço ganhou reputação junto de observadores britânicos, registada num documento confidencial produzido na Embaixada Britânica em Lisboa, que sugere uma opção "pró-britânica" da sua parte.

Agostinho Lourenço sempre manteve um bom relacionamento com o MI6, o que lhe permitiu, já reformado do Estado Português, tornar-se Presidente da Interpol de 1956 a 1961.  

Faleceu em Lisboa em 1964, um mês antes de perfazer 78 anos.

Mais fez o meu correspondente chegar-me o texto da VISÃO referido na Bibliografia cuja leitura recomendo vivamente e de que retiro duas informações que chamaram a minha atenção:

  • No Consulado de Sidónio Paes, foi Agostinho Lourenço que organizou a Polícia Preventiva;
  • Agostinho Lourtenço esteve desaparecido de 1918 a 1933.

(continua)

Henrique Salles da Fonseca

 

BIBLIOGRAFIA:

Wikipédia – Agostinho Lourenço

Ana Margarida de Carvalho - «O ANJO NEGRO DE SALAZAR» - “VISÃO” – 2016-07-17

https://visao.sapo.pt/atualidade/politica/2016-07-17-o-anjo-negro-de-salazar/

 

[i] - Hipótese minha, não do texto traduzido

HONRADOS SEJAM

Lisboa-Restauradores.jpg

RESTAURADORES DA SOBERANIA NACIONAL

EM 1 DE DEZEMBRO DE 1640

Afonso de MenezesD.

Álvaro Coutinho da CâmaraD.

Antão Vaz d’AlmadaD.
António de Alcáçova CarneiroD. – Alcaide-mor de Campo Maior
António Álvares da Cunha, D. – 17º Senhor de Tábua
António da CostaD.
António Luís de Menezes, D. – 1º Marquês de Marialva
António de Mascarenhas, D.

António de Melo e Castro
António de Saldanha – Alcaide-mor de Vila Real
António Teles da Silva – Governador do Brasil
António TeloD.

Carlos de Noronha, D.
Estêvão da Cunha
Fernando Teles de Faro, D.

Fernão Teles de Menezes – 1º Conde de Vilar Maior
Francisco Coutinho, D.

Francisco de Melo
Francisco de Melo e Torres – 1º Marquês de Sande
Francisco de Noronha, D.

Francisco de São Paio
Francisco de Sousa, D. – 1º Marquês das Minas
Gaspar de Brito Freire
Gastão Coutinho, D.

Gomes Freire de Andrade
Gonçalo Tavares de Távora
Jerónimo de Ataíde, D. – 6º Conde de Atouguia
João da Costa, D. – 1º Conde de Soure
João Pereira, D.

João Pinto Ribeiro, Dr.
João Rodrigues de Sá
João Rodrigues de Sá e Menezes, D. – 3º Conde de Penaguião

João de Saldanha da Gama
João de Saldanha e Sousa
Jorge de Melo
Luís Álvares da Cunha
Luís da Cunha
Luís da Cunha de AtaídeD. – Senhor de Povolide,
Luís de Melo, Alcaide-mor de Serpa
Manuel Rolim, D. – Senhor de Azambuja

Martim Afonso de Melo – Alcaide-mor de Elvas
Miguel de Almeida, D. – 4º Conde de Abrantes
Miguel Maldonado
Nuno da Cunha de Ataíde, D. – 1º Conde de Pontével
Paulo da Gama, D.

Pedro de Mendonça Furtado – Alcaide-mor de Mourão
Rodrigo da Cunha, D. – Arcebispo de Lisboa
Rodrigo de Menezes, D.
Rodrigo de Resende Nogueira de Novais
Rui de Figueiredo – Senhor do morgado da Ota
Sancho Dias de Saldanha
Tomás de Noronha, D. - 3º Conde dos Arcos
Tomé de Sousa -  Senhor de Gouveia
Tristão da Cunha e Ataíde - Senhor de Povolide
Tristão de Mendonça

EFEMÉRIDE

Jaime Neves.png

25 DE NOVEMBRO DE 1975

Faz hoje 44 anos que a democracia chegou a Portugal derrubando o comunismo que desde o 25 de Abril de 1974 tentava destruir a Nação pondo o país ao serviço da União Soviética.

Foi um punhado de valentes sob a liderança do então Coronel Jaime Neves que tomou a iniciativa de pôr fim ao desmando total a que estávamos a ser submetidos e de proclamar que estava na hora de se estabelecer efectivamente uma democracia de base pluripartidária, parlamentar.

Passadas as colónias portuguesas para a esfera do Império Soviético, estava cumprido o maior desígnio da “revolução dos cravos” perpetrada por uns quantos “anjinhos” e minada por alguns traidores. Eis por que o Dr. Álvaro Cunhal foi condecorado herói soviético já depois de 25 de Novembro de 1975.

No que então restava de Portugal, resolveu-se o problema com meia dúzia de sopapos bem dados em alguns adeptos do totalitarismo mas nas antigas colónias portuguesas começavam os sovietizados as chacinas contra as populações que queriam submeter pelo terror. Assim começaram as guerras civis em Angola e em Moçambique. Mas o sangue também jorrou – e muito - na Guiné e em Timor.

Passados 44 anos, eis-nos em Portugal numa democracia parlamentar consolidada e cheia de problemas conhecidos de toda a gente, discutidos por todos em público e sem constrangimentos.  Esta, sim, a liberdade real, não a da propaganda com que os abrilistas nos enchem as parangonas dos jornais. Mas a tranquilidade destes 44 anos levou-nos ao doce remanso das águas planas. E tudo é vida corrente, sem mais objectivos do que o bem-estar, o enriquecimento tão rápido quanto cada um consiga mesmo que sem olhar a meios; liberdade económica tão desregulamentada quanto os princípios do liberalismo sugerem, o crédito como um direito a dar suporte ao hedonismo, o género humano a apregoar que é híbrido, o vazio quanto a valores colectivos, nacionais, desígnios superiores.

Chegados ao deserto ideológico, à “vidinha” corriqueira, onde está quem nos sugira um sonho?

Eis o desígnio a que os políticos se deveriam dedicar durante os próximos 44 anos, sob pena de descrédito pessoal se o não fizerem e de diluição da Nação na voragem chinesa de mando no mundo.

25 de Novembro de 2019

Henrique Salles da Fonseca

CONSIDERAÇÃO INTEMPESTIVA

«Considerações Intempestivas» é o título geral de um conjunto de textos de Nietzsche e que, sob a forma de opúsculos, ele foi publicando à medida que os ia considerando concluídos[1] e em condições de divulgação.

A segunda Consideração tem a ver com a historiografia, ou seja, com a ciência e com a filosofia da História e intitula-se Da utilidade e das desvantagens da História para a vida.

A título de curiosidade, Nietzsche destrinça três tipos de interventores na História: o “antiquário” que procura preservar o passado; o “monumental” que procura emular o passado; o “crítico” que procura libertar o presente do passado.

Neste texto, Nietzsche disseca a realidade alemã do seu tempo alertando para que a obsessão das elites pelo passado estava a obstar à construção racional do presente.

Tomando em conta que o filósofo morreu no dia 25 de Agosto de 1900, temos que reconhecer que a «adivinhação» das dificuldades alemãs na construção de um presente racional se repercutiu muito para além do seu desaparecimento físico entre os homens conferindo-lhe uma efectiva capacidade de antevisão dos problemas por que a Alemanha haveria de passar. Por outras palavras, a loucura colectiva que assolou os alemães através do nazismo, tem raízes bem mais antigas do que aquelas que habitualmente se referem.

E estou mesmo em crer que Wagner tem algumas culpas no Cartório. Voltarei ao tema.

Novembro de 2019

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Henrique Salles da Fonseca

[1]- Para saber mais, ver em «Considerações intempestivas – F. Nietzsche»

O NASCIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS DOS EUA

A HISTÓRIA ESQUECIDA

Quando os EUA nasceram, no final do séc. XVIII, havia uma grave crise com os muçulmanos do norte da África.

Eram povos oficialmente muçulmanos, que viviam sob as leis do Corão.

- Estes islâmicos atacavam os navios que passavam pelo Mediterrâneo, incluindo os americanos, sequestrando, escravizando e matando ocupantes, além de saquear a carga. Os navios americanos eram normalmente protegidos pela marinha inglesa antes da independência dos EUA, mas depois de 1776, era cada um por si.

- Os piratas muçulmanos cobravam fortunas para resgate dos reféns e os preços subiam sempre a cada sequestro bem sucedido. Thomas Jefferson opôs-se veementemente aos pagamentos, mas foi vencido pelo voto. Os EUA e as outras nações com navios sequestrados, aceitavam pagar os resgates e subornar os piratas. O Presidente americano era George Washington.

- Por volta de 1783, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin e John Adams vão para a Europa como Embaixadores, para negociar tratados de paz e cooperação. Os EUA nasceram em 1776 e desde então, estavam mergulhados  na Guerra de Independência. Assim que a situação acalmou, essas três grandes figuras  saem em missão diplomática para representar o país.

- Em 1786, depois de dois anos de conversações diplomáticas com os islâmicos, Thomas Jefferson e John Adams encontraram-se com o embaixador dos povos que ficavam na região de Trípoli, actual Líbia, chamado Sidi Haji Abdul Rahman Adja. Jefferson estava incomodado devido aos ataques que não acabavam, mesmo com todos os esforços de paz. Quis saber por isso, com que direito os muçulmanos continuavam a sequestrar e a matar os americanos.

- A resposta que ouviu, marcou Jefferson para sempre: "o Islão foi fundado nas Leis do Profeta, que estão escritas no Corão, e diz que todas as nações que não aceitarem a sua autoridade são pecadoras, que é direito e dever declarar guerra contra os seus cidadãos onde puderem ser encontrados e fazer deles escravos; e que todo o muçulmano que for morto na batalha irá de certeza para o Paraíso."

Jefferson ficou chocado. Ele não queria acreditar que uma religião literalmente mandava matar todos os que considerava infiéis e que quem morresse na batalha iria para o paraíso.

- Durante 15 anos, o governo americano pagou os subornos para poder passar com seus navios na região. Foram milhões de dólares, uma quantia que representava 16% de todo orçamento do governo federal. O primeiro presidente do país, George Washington, não queria ter forças armadas permanentes, por não ver riscos de ataques ao país, mas os muçulmanos fizeram mudar esta ideia. Os subornos serviriam para evitar a necessidade de ter forças militares permanentes, mas não estavam a funcionar porque os ataques continuavam. Quando John Adams assume a Presidência dos EUA, as despesas sobem para 20% do orçamento federal.

- Em 1801, Jefferson torna-se no terceiro presidente americano e, mal tinha esquentado a cadeira, recebe uma carta dos piratas aumentando o preço da autorização para  navegar naquela área. Jefferson fica louco e, agora como presidente, diz que não vai pagar nada.

- Com a recusa de Jefferson, os muçulmanos de Trípoli tomaram conta da embaixada americana e declararam guerra aos EUA. Foi a primeira guerra da América após a independência. A marinha de guerra americana foi criada exactamente para esse conflito. As actuais regiões da Tunísia, Marrocos e Argélia juntaram-se aos líbios na guerra contra os americanos, o que representava praticamente todo norte da África com excepção do Egipto.

- Jefferson não estava para brincadeiras. Mandou os seus navios para a região e o conflito durou até 1805, com a vitória americana. O presidente americano ainda colocou tropas ocupando o norte de África, para manter a situação sob controle.

Thomas Jefferson ficou realmente impressionado com o que aconteceu. Ele era contra as guerras e escreveu pessoalmente as leis de liberdade e tolerância religiosa que estão na origem da Constituição americana, mas entendeu que o Islão é totalmente diferente, era uma religião imperialista, expansionista e violenta.

Jefferson mandou publicar o Corão em inglês em 1806, lançando a primeira edição americana. Ele queria que o povo americano conhecesse o Corão e entendesse aqueles povos do norte da África que roubava, saqueava e matava, cobrava resgates e que declarou guerra quando os pagamentos cessaram.

Durante 15 anos, um diplomata de Jefferson chegou a dizer, que os americanos eram atacados porque não atacavam de volta, sendo vistos como fracos. A fraqueza americana foi um convite para os muçulmanos daquela época, como é hoje para o ISIS. 

Só houve paz na região quando Jefferson atacou e venceu a guerra, ocupando depois o território. Só assim foi conseguida a paz.

Eles estão como os motivadores da primeira guerra; foram eles que forçaram a criação das forças armadas que nem existiam, e fazem parte até do hino dos marines que começa com "From the Hills of Montezuma / To the shores of Tripoli".

Autor anónimo.png

(por amabilidade de D. Martinho Pereira Coutinho)

O COLAÇO DO REI

Do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa extraio que «Colaço» deriva do latim collacteus, -ei, que tanto é um adjectivo como um substantivo masculinos e que tem dois significados, a saber:

  1. Que ou quem, em relação a outra pessoa, foi amamentado ao mesmo peito, sem, porém, serem irmãos;
  2. Que ou quem é muito amigo ou muito íntimo de outra pessoa.

* * *

Dada a definição, passemos à história…

O meu irmão, nascido em 1939, não chegou a conhecer a mãe que morreu na sequência do parto. Passado pouco tempo, com o aparecimento dos antibióticos, essa morte não teria certamente acontecido. E se nessa época, pós Pasteur, já havia cuidados de higiene, imagine-se o que seria a mortalidade antes dele. Era, pois, frequente que os mais pequenos problemas provocassem a morte da mãe, do filho ou de ambos.

Morta a mãe ou sobreviva esta mas sem leite e salva a criança, havia que encontrar ama de leite, tarefa nem sempre fácil mas não impossível. Entre casadas e solteiras em condição láctea, sempre aparecia quem quisesse ganhar uns cobres para amamentar filho alheio. Eis como duas crianças, não irmãs, eram amamentadas pela mesma mulher, eis que se lhes chamava colaços, do mesmo leite.

Contudo, a História registou outro tipo de circunstâncias em que um filho perdeu o leite materno e teve que passar a fonte alternativa. Foi o caso do futuro rei D. Sebastião que, nascido a 20 de Janeiro de 1554, se viu privado da mãe, D. Joana de Áustria cujo irmão, Filipe II de Espanha, a requisitou em Maio desse mesmo ano para que ela desempenhasse a regência de Espanha enquanto ele se deslocava a Inglaterra. Eis como a D. Sebastião, aos quatro meses de idade, tiveram que arranjar uma ama de leite.

Não consta dos meus registos o nome dessa lactante nem do filho que já traria ao colo na certeza, porém, de que este e D. Sebastião foram colaços.

Que tipo de relações teriam os colaços? Boas – cada um mamando de seu peito; de competição – ambos disputando o mesmo peito.

Então, aceitemos que se um era inequivocamente D. Sebastião de Portugal, o outro era o seu colaço, muito provavelmente de estirpe plebeia, sem nome de grandes pergaminhos, ficando conhecido por «o Colaço» com um ou dois «eles», neste caso, «Collaço» como a etimologia latina sugere.

Da história que me foi contada, resulta que D. Sebastião e o seu colaço, o tal Collaço, mantinham boas relações e que este acompanhou o Rei na expedição a Alcácer Quibir.

E a especulação continua com o Collaço (ou Colaço) a morrer em combate, o Rei a sobreviver e a trocar de identidade com o amigo morto.

Resultado: o Colaço a ser metido em caixão como se fosse o Rei; D. Sebastião a pôr-se a caminho de Tânger sob a identidade de Colaço.

Aqui, faço um intervalo na história que me foi contada para lembrar que o préstito fúnebre de D. Sebastião de Silves até ao Mosteiro dos Jerónimos foi constituído por uns quantos Cavalheiros nomeados pessoalmente por Filipe II de Espanha, I de Portugal, pelo que, agora, sou eu a especular sobre o que possa estar dentro da urna em que supostamente jaz D. Sebastião: o Rei, o seu colaço, os restos de um animal, um monte de lixo ou de pedras? Nada melhor do que abrir a tumba e ver. Para quê? Não para reescrever a História, obviamente, mas apenas para medir o caracter de Filipe II de Espanha. E só.

Retomando a especulação inicial, o Rei, sob o falso nome de Colaço, ter-se-á fixado em Tânger e tido descendência. Uns séculos mais tarde, um seu putativo descendente regressou a Portugal sob a identidade, entretanto oficializada, de Alexandre Rey Colaço, pai de Amélia Rey Colaço.

Donde se conclui que mais vale ser Rey Colaço do que colaço do Rei.

Oxalá apareça quem goste de estudos genealógicos e se decida a verificar até onde vai a imaginação nesta história que me foi contada por um não académico.  

Outubro de 2019

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Henrique Salles da Fonseca

DIOGO FREITAS DO AMARAL

Diogo Freitas do Amaral.jpg

(21 de Julho de 1941 – 3 de Outubro de 2019)

 

CDS – Centro Democrático Social, o Partido de que foi o primeiro Presidente, em parte nenhuma do nome nem dos princípios por que sempre se regeu se afirma de direita. O «D» significa «democrático» no sentido que no Ocidente se dá ao conceito que é o de defensor da liberdade de opinião, dos Direitos Humanos em conformidade com a respectiva Declaração Universal de 1948, do pluripartidarismo, da independência dos Poderes Legislativo e Judicial, da dependência do Poder Executivo relativamente ao Legislativo, da dependência das Forças Armadas e de Segurança ao Poder Executivo. Nos seus princípios, o CDS não faz uma opção de Regime (República ou Monarquia) pelo que essa é uma matéria fora de discussão e que só a cada militante diz respeito.

Sob a égide de Diogo Freitas do Amaral, o CDS sempre se afirmou como seguidor dos princípios da Doutrina da Democracia Cristã, ou seja, da Economia Social de Mercado. O «C» significa «Centro» e não tem qualquer outro significado que não exactamente esse, ou seja, que não é de direita nem de esquerda. A génese doutrinária do CDS nada tem a ver com qualquer dependência do marxismo tanto praticante como seu «spin-off» mas, sendo incondicional defensor do Estado de Direito, opõe-se frontalmente a todas as formas de fascismo quer de direita quer de esquerda.

Sob a égide de Diogo Freitas do Amaral, ninguém entrou no CDS que não subscrevesse estes princípios doutrinários.

No dia da sua morte, continuo a crer que se manteve firme nestes princípios fundadores do CDS que, para além dele, muitos continuamos a considerar fundamentais. Mais opções que o Partido admitiu – Liberalismo e Conservadorismo - após a sua presidência, alteraram o modelo inicial e Freitas do Amaral não se terá sentido confortável.

Mas foi ele que nos deu os princípios fundamentais.

R. I. P.

3 de Outubro de 2019

Henrique Salles da Fonseca

JARDIM DA ESTRELA – 2

A cena passa-se num caminho lateral do jardim junto ao muro do antigo Hospital Militar Principal estando eu sentado debaixo duma grande árvore a descansar da caminhada que fizera desde casa até ali. Aproxima-se um casal de meia idade já passada que mira e remira a árvore. Hesitantes, dirigem-se-me em português mas com uma pronúncia que não duvido de os classificar como emigrantes em França.

Ele – Bom dia, Senhor!

Eu – Bom dia Cavalheiro! – respondi eu para não ser repetitivo.

Ele – O Senhor sabe que árvore é esta com estes ramos pendentes?

Eu – Não são ramos, são raízes aéreas e é uma «Figueira da Índia». Há-de ter um nome científico qualquer mas isso eu já não sei. Como se imagina, é muito antiga.

Ela – E dá frutos?

Eu – Sim, sim, à semelhança de todas as plantas, mas eu creio que a Senhora pergunta se os frutos são comestíveis. Sim, são, mas têm uma casca rija e é preciso dar-lhes pancada para os abrir. Dizem que o miolo é macio mas um pouco ácido. Nunca comi. Há tempos vi aqui um grupo de imigrantes a comê-los e a espalharem as cascas por toda a parte. Vieram os guardas do jardim e obrigaram-nos a varrer tudo. Eles diziam em inglês que no país deles não varriam e que não era aqui que iam varrer. Foi só verem um polícia a vir ali ao fundo e agarraram-se às vassouras e ficou tudo limpo. Ainda pensei que eles agarrassem nas vassouras para desancarem os guardas do jardim mas eram cobardolas e «enfiaram a viola no saco». Nunca mais vi ninguém aqui a comer disto.

Ele – O Senhor não imagina como está em França com os muçulmanos…

Ela - … uma vergonha! Parece que eles é que são os donos da França.

Eu – Por aqui ainda não é assim mas não estamos livres de que tal aconteça. Não temos um muro à nossa volta. Mas quanto mais disso houver em França, mais a Marine le Pen vai ganhar votos e ela pode muito bem construir um muro como o Trump.

Ela – Mas não há-de ser só para não os deixar entrar. Ela vai ter que deportar todos os que se portem mal. E quando eles disserem que já são cidadãos franceses, ela tem que lhes dizer que vão fazer a glória da França no país dos paizinhos deles.

Eu – Julgo que é isso mesmo que o Canadá já faz há bastante tempo.

Ele – Mas nós andamos aqui a fazer turismo, não andamos a fazer política francesa. O Senhor sabe o que é este editício aqui nas nossas costas e que parece abandonado?

Eu – Sim. Até há meia dúzia de anos era o Hospital Militar Principal que esteve aqui durante muitos anos. Mas antes disso era um convento beneditino. Só que, a certa altura, os frades acharam que o clima aqui em cima era insalubre e que lá em baixo, mais próximo do Tejo, era muito melhor. Então, fizeram outro convento lá ao fundo da Calçada da Estrela que é essa rua que vai por aí a baixo (apontei para lá). Por acaso – e dizem as más línguas que foi mesmo por mero acaso – do outro lado da calçada havia outro convento, o das Francesinhas… Talvez tivessem sido elas que lhes tinham dito que os ares eram por ali muito mais puros. Sim, talvez. Entretanto, uma grande parte do convento das freiras foi demolido e o convento dos frades é hoje a «Assembleia da República» cuja nova arquitectura foi inaugurada pelo Rei D. Manuel II.

Ela – O Rei a inaugurar o edifício da República?

Eu – Naquela altura chamavam-lhe «Cortes».

Ele – Bem, acho que já o maçámos muito com perguntas da nossa História. Agora vamos ver a igreja ali à frente.

Eu – Está lá a Rainha D. Maria I. Dêem-lhe os meus cumprimentos.

Feitas as despedidas, seguiram ao caminho deles e eu deixei-me ficar a pensar se a Marine vai mesmo fazer um muro. Nada me admiraria.

Outubro de 2019

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Henrique Salles da Fonseca

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