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A bem da Nação

O NASCIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS DOS EUA

A HISTÓRIA ESQUECIDA

Quando os EUA nasceram, no final do séc. XVIII, havia uma grave crise com os muçulmanos do norte da África.

Eram povos oficialmente muçulmanos, que viviam sob as leis do Corão.

- Estes islâmicos atacavam os navios que passavam pelo Mediterrâneo, incluindo os americanos, sequestrando, escravizando e matando ocupantes, além de saquear a carga. Os navios americanos eram normalmente protegidos pela marinha inglesa antes da independência dos EUA, mas depois de 1776, era cada um por si.

- Os piratas muçulmanos cobravam fortunas para resgate dos reféns e os preços subiam sempre a cada sequestro bem sucedido. Thomas Jefferson opôs-se veementemente aos pagamentos, mas foi vencido pelo voto. Os EUA e as outras nações com navios sequestrados, aceitavam pagar os resgates e subornar os piratas. O Presidente americano era George Washington.

- Por volta de 1783, Thomas Jefferson, Benjamin Franklin e John Adams vão para a Europa como Embaixadores, para negociar tratados de paz e cooperação. Os EUA nasceram em 1776 e desde então, estavam mergulhados  na Guerra de Independência. Assim que a situação acalmou, essas três grandes figuras  saem em missão diplomática para representar o país.

- Em 1786, depois de dois anos de conversações diplomáticas com os islâmicos, Thomas Jefferson e John Adams encontraram-se com o embaixador dos povos que ficavam na região de Trípoli, actual Líbia, chamado Sidi Haji Abdul Rahman Adja. Jefferson estava incomodado devido aos ataques que não acabavam, mesmo com todos os esforços de paz. Quis saber por isso, com que direito os muçulmanos continuavam a sequestrar e a matar os americanos.

- A resposta que ouviu, marcou Jefferson para sempre: "o Islão foi fundado nas Leis do Profeta, que estão escritas no Corão, e diz que todas as nações que não aceitarem a sua autoridade são pecadoras, que é direito e dever declarar guerra contra os seus cidadãos onde puderem ser encontrados e fazer deles escravos; e que todo o muçulmano que for morto na batalha irá de certeza para o Paraíso."

Jefferson ficou chocado. Ele não queria acreditar que uma religião literalmente mandava matar todos os que considerava infiéis e que quem morresse na batalha iria para o paraíso.

- Durante 15 anos, o governo americano pagou os subornos para poder passar com seus navios na região. Foram milhões de dólares, uma quantia que representava 16% de todo orçamento do governo federal. O primeiro presidente do país, George Washington, não queria ter forças armadas permanentes, por não ver riscos de ataques ao país, mas os muçulmanos fizeram mudar esta ideia. Os subornos serviriam para evitar a necessidade de ter forças militares permanentes, mas não estavam a funcionar porque os ataques continuavam. Quando John Adams assume a Presidência dos EUA, as despesas sobem para 20% do orçamento federal.

- Em 1801, Jefferson torna-se no terceiro presidente americano e, mal tinha esquentado a cadeira, recebe uma carta dos piratas aumentando o preço da autorização para  navegar naquela área. Jefferson fica louco e, agora como presidente, diz que não vai pagar nada.

- Com a recusa de Jefferson, os muçulmanos de Trípoli tomaram conta da embaixada americana e declararam guerra aos EUA. Foi a primeira guerra da América após a independência. A marinha de guerra americana foi criada exactamente para esse conflito. As actuais regiões da Tunísia, Marrocos e Argélia juntaram-se aos líbios na guerra contra os americanos, o que representava praticamente todo norte da África com excepção do Egipto.

- Jefferson não estava para brincadeiras. Mandou os seus navios para a região e o conflito durou até 1805, com a vitória americana. O presidente americano ainda colocou tropas ocupando o norte de África, para manter a situação sob controle.

Thomas Jefferson ficou realmente impressionado com o que aconteceu. Ele era contra as guerras e escreveu pessoalmente as leis de liberdade e tolerância religiosa que estão na origem da Constituição americana, mas entendeu que o Islão é totalmente diferente, era uma religião imperialista, expansionista e violenta.

Jefferson mandou publicar o Corão em inglês em 1806, lançando a primeira edição americana. Ele queria que o povo americano conhecesse o Corão e entendesse aqueles povos do norte da África que roubava, saqueava e matava, cobrava resgates e que declarou guerra quando os pagamentos cessaram.

Durante 15 anos, um diplomata de Jefferson chegou a dizer, que os americanos eram atacados porque não atacavam de volta, sendo vistos como fracos. A fraqueza americana foi um convite para os muçulmanos daquela época, como é hoje para o ISIS. 

Só houve paz na região quando Jefferson atacou e venceu a guerra, ocupando depois o território. Só assim foi conseguida a paz.

Eles estão como os motivadores da primeira guerra; foram eles que forçaram a criação das forças armadas que nem existiam, e fazem parte até do hino dos marines que começa com "From the Hills of Montezuma / To the shores of Tripoli".

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(por amabilidade de D. Martinho Pereira Coutinho)

O COLAÇO DO REI

Do Dicionário Priberam da Língua Portuguesa extraio que «Colaço» deriva do latim collacteus, -ei, que tanto é um adjectivo como um substantivo masculinos e que tem dois significados, a saber:

  1. Que ou quem, em relação a outra pessoa, foi amamentado ao mesmo peito, sem, porém, serem irmãos;
  2. Que ou quem é muito amigo ou muito íntimo de outra pessoa.

* * *

Dada a definição, passemos à história…

O meu irmão, nascido em 1939, não chegou a conhecer a mãe que morreu na sequência do parto. Passado pouco tempo, com o aparecimento dos antibióticos, essa morte não teria certamente acontecido. E se nessa época, pós Pasteur, já havia cuidados de higiene, imagine-se o que seria a mortalidade antes dele. Era, pois, frequente que os mais pequenos problemas provocassem a morte da mãe, do filho ou de ambos.

Morta a mãe ou sobreviva esta mas sem leite e salva a criança, havia que encontrar ama de leite, tarefa nem sempre fácil mas não impossível. Entre casadas e solteiras em condição láctea, sempre aparecia quem quisesse ganhar uns cobres para amamentar filho alheio. Eis como duas crianças, não irmãs, eram amamentadas pela mesma mulher, eis que se lhes chamava colaços, do mesmo leite.

Contudo, a História registou outro tipo de circunstâncias em que um filho perdeu o leite materno e teve que passar a fonte alternativa. Foi o caso do futuro rei D. Sebastião que, nascido a 20 de Janeiro de 1554, se viu privado da mãe, D. Joana de Áustria cujo irmão, Filipe II de Espanha, a requisitou em Maio desse mesmo ano para que ela desempenhasse a regência de Espanha enquanto ele se deslocava a Inglaterra. Eis como a D. Sebastião, aos quatro meses de idade, tiveram que arranjar uma ama de leite.

Não consta dos meus registos o nome dessa lactante nem do filho que já traria ao colo na certeza, porém, de que este e D. Sebastião foram colaços.

Que tipo de relações teriam os colaços? Boas – cada um mamando de seu peito; de competição – ambos disputando o mesmo peito.

Então, aceitemos que se um era inequivocamente D. Sebastião de Portugal, o outro era o seu colaço, muito provavelmente de estirpe plebeia, sem nome de grandes pergaminhos, ficando conhecido por «o Colaço» com um ou dois «eles», neste caso, «Collaço» como a etimologia latina sugere.

Da história que me foi contada, resulta que D. Sebastião e o seu colaço, o tal Collaço, mantinham boas relações e que este acompanhou o Rei na expedição a Alcácer Quibir.

E a especulação continua com o Collaço (ou Colaço) a morrer em combate, o Rei a sobreviver e a trocar de identidade com o amigo morto.

Resultado: o Colaço a ser metido em caixão como se fosse o Rei; D. Sebastião a pôr-se a caminho de Tânger sob a identidade de Colaço.

Aqui, faço um intervalo na história que me foi contada para lembrar que o préstito fúnebre de D. Sebastião de Silves até ao Mosteiro dos Jerónimos foi constituído por uns quantos Cavalheiros nomeados pessoalmente por Filipe II de Espanha, I de Portugal, pelo que, agora, sou eu a especular sobre o que possa estar dentro da urna em que supostamente jaz D. Sebastião: o Rei, o seu colaço, os restos de um animal, um monte de lixo ou de pedras? Nada melhor do que abrir a tumba e ver. Para quê? Não para reescrever a História, obviamente, mas apenas para medir o caracter de Filipe II de Espanha. E só.

Retomando a especulação inicial, o Rei, sob o falso nome de Colaço, ter-se-á fixado em Tânger e tido descendência. Uns séculos mais tarde, um seu putativo descendente regressou a Portugal sob a identidade, entretanto oficializada, de Alexandre Rey Colaço, pai de Amélia Rey Colaço.

Donde se conclui que mais vale ser Rey Colaço do que colaço do Rei.

Oxalá apareça quem goste de estudos genealógicos e se decida a verificar até onde vai a imaginação nesta história que me foi contada por um não académico.  

Outubro de 2019

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Henrique Salles da Fonseca

DIOGO FREITAS DO AMARAL

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(21 de Julho de 1941 – 3 de Outubro de 2019)

 

CDS – Centro Democrático Social, o Partido de que foi o primeiro Presidente, em parte nenhuma do nome nem dos princípios por que sempre se regeu se afirma de direita. O «D» significa «democrático» no sentido que no Ocidente se dá ao conceito que é o de defensor da liberdade de opinião, dos Direitos Humanos em conformidade com a respectiva Declaração Universal de 1948, do pluripartidarismo, da independência dos Poderes Legislativo e Judicial, da dependência do Poder Executivo relativamente ao Legislativo, da dependência das Forças Armadas e de Segurança ao Poder Executivo. Nos seus princípios, o CDS não faz uma opção de Regime (República ou Monarquia) pelo que essa é uma matéria fora de discussão e que só a cada militante diz respeito.

Sob a égide de Diogo Freitas do Amaral, o CDS sempre se afirmou como seguidor dos princípios da Doutrina da Democracia Cristã, ou seja, da Economia Social de Mercado. O «C» significa «Centro» e não tem qualquer outro significado que não exactamente esse, ou seja, que não é de direita nem de esquerda. A génese doutrinária do CDS nada tem a ver com qualquer dependência do marxismo tanto praticante como seu «spin-off» mas, sendo incondicional defensor do Estado de Direito, opõe-se frontalmente a todas as formas de fascismo quer de direita quer de esquerda.

Sob a égide de Diogo Freitas do Amaral, ninguém entrou no CDS que não subscrevesse estes princípios doutrinários.

No dia da sua morte, continuo a crer que se manteve firme nestes princípios fundadores do CDS que, para além dele, muitos continuamos a considerar fundamentais. Mais opções que o Partido admitiu – Liberalismo e Conservadorismo - após a sua presidência, alteraram o modelo inicial e Freitas do Amaral não se terá sentido confortável.

Mas foi ele que nos deu os princípios fundamentais.

R. I. P.

3 de Outubro de 2019

Henrique Salles da Fonseca

JARDIM DA ESTRELA – 2

A cena passa-se num caminho lateral do jardim junto ao muro do antigo Hospital Militar Principal estando eu sentado debaixo duma grande árvore a descansar da caminhada que fizera desde casa até ali. Aproxima-se um casal de meia idade já passada que mira e remira a árvore. Hesitantes, dirigem-se-me em português mas com uma pronúncia que não duvido de os classificar como emigrantes em França.

Ele – Bom dia, Senhor!

Eu – Bom dia Cavalheiro! – respondi eu para não ser repetitivo.

Ele – O Senhor sabe que árvore é esta com estes ramos pendentes?

Eu – Não são ramos, são raízes aéreas e é uma «Figueira da Índia». Há-de ter um nome científico qualquer mas isso eu já não sei. Como se imagina, é muito antiga.

Ela – E dá frutos?

Eu – Sim, sim, à semelhança de todas as plantas, mas eu creio que a Senhora pergunta se os frutos são comestíveis. Sim, são, mas têm uma casca rija e é preciso dar-lhes pancada para os abrir. Dizem que o miolo é macio mas um pouco ácido. Nunca comi. Há tempos vi aqui um grupo de imigrantes a comê-los e a espalharem as cascas por toda a parte. Vieram os guardas do jardim e obrigaram-nos a varrer tudo. Eles diziam em inglês que no país deles não varriam e que não era aqui que iam varrer. Foi só verem um polícia a vir ali ao fundo e agarraram-se às vassouras e ficou tudo limpo. Ainda pensei que eles agarrassem nas vassouras para desancarem os guardas do jardim mas eram cobardolas e «enfiaram a viola no saco». Nunca mais vi ninguém aqui a comer disto.

Ele – O Senhor não imagina como está em França com os muçulmanos…

Ela - … uma vergonha! Parece que eles é que são os donos da França.

Eu – Por aqui ainda não é assim mas não estamos livres de que tal aconteça. Não temos um muro à nossa volta. Mas quanto mais disso houver em França, mais a Marine le Pen vai ganhar votos e ela pode muito bem construir um muro como o Trump.

Ela – Mas não há-de ser só para não os deixar entrar. Ela vai ter que deportar todos os que se portem mal. E quando eles disserem que já são cidadãos franceses, ela tem que lhes dizer que vão fazer a glória da França no país dos paizinhos deles.

Eu – Julgo que é isso mesmo que o Canadá já faz há bastante tempo.

Ele – Mas nós andamos aqui a fazer turismo, não andamos a fazer política francesa. O Senhor sabe o que é este editício aqui nas nossas costas e que parece abandonado?

Eu – Sim. Até há meia dúzia de anos era o Hospital Militar Principal que esteve aqui durante muitos anos. Mas antes disso era um convento beneditino. Só que, a certa altura, os frades acharam que o clima aqui em cima era insalubre e que lá em baixo, mais próximo do Tejo, era muito melhor. Então, fizeram outro convento lá ao fundo da Calçada da Estrela que é essa rua que vai por aí a baixo (apontei para lá). Por acaso – e dizem as más línguas que foi mesmo por mero acaso – do outro lado da calçada havia outro convento, o das Francesinhas… Talvez tivessem sido elas que lhes tinham dito que os ares eram por ali muito mais puros. Sim, talvez. Entretanto, uma grande parte do convento das freiras foi demolido e o convento dos frades é hoje a «Assembleia da República» cuja nova arquitectura foi inaugurada pelo Rei D. Manuel II.

Ela – O Rei a inaugurar o edifício da República?

Eu – Naquela altura chamavam-lhe «Cortes».

Ele – Bem, acho que já o maçámos muito com perguntas da nossa História. Agora vamos ver a igreja ali à frente.

Eu – Está lá a Rainha D. Maria I. Dêem-lhe os meus cumprimentos.

Feitas as despedidas, seguiram ao caminho deles e eu deixei-me ficar a pensar se a Marine vai mesmo fazer um muro. Nada me admiraria.

Outubro de 2019

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Henrique Salles da Fonseca

QUEM DIRIA…

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Manuel Teixeira Gomes

(Portimão, 1862 – Argel, 1941)

(7ª Presidente da República – 6/10/1923 – 11/12/1925)

Principais obras literárias (in Wikipédia):

* * *

Membro de família abastada, Manuel Teixeira Gomes nasceu em Portimão no ano de 1862 e pelos 10 anos ingressou no seminário de Coimbra até que passou para a Universidade a fim de cursar medicina. Mas a boémia foi mais forte do que o rigor científico e assim foi que o jovem se passou a dedicar mais às artes, ou seja, à estroina.

O abastado pai convenceu-se então de que mais valia continuar a dar-lhe a mesada e deixá-lo viver a sua vida de rapaz, já então com mesclas de literatura, pintura e escultura. Mudando-se para Lisboa, optou pela literatura e passou a colaborar em revistas e jornais… até que o pai o conseguiu atrair para os negócios da família (frutos secos, nomeadamente algarvios) e o fez viajar pelo Mediterrâneo e Europa firmando contratos um pouco por toda a parte. O próprio escreveu na sua “Miscelânea”: Fiz-me negociante, ganhei bastante dinheiro e durante quase vinte anos viajei, passando em Portugal poucos meses.

Foi neste período que ganhou mais mundo do que aquele que já de cá levava, passou por experiências que lhe proporcionaram grandes recordações e nos facultaram a nós, seus leitores, páginas admiráveis. Senhor de vasta cultura, pôs no papel episódios rocambolescos e de muito outras ordens, por exemplo, aqueles que nos deixou intitulados “Duas novelas eróticas”. Quem diria…

Republicano, a sua vida política ao serviço do novo regime começou logo em 1911 e prolongou-se até 1918 no espinhoso cargo de Embaixador em Londres. Levar a Velha Albion a reconhecer a jovem e ainda pouco estável República Portuguesa não era tarefa fácil uma vez que os monarcas britânicos tinham laços familiares com os depostos monarcas portugueses que viviam exilados em Inglaterra. Mas conseguiu insinuar-se de tal modo que ao fim de alguns anos a família real o passou a convidar para o palácio com toda a naturalidade. Sabe-se, por exemplo, que a rainha Alexandra lhe pediu para lhe decorar o gabinete oriental no Palácio de Buckingham.

Normalizadas as relações diplomáticas entre Portugal e a Grã-Bretanha, foi a vez de em 1918 Sidónio Paes subir ao Poder demitindo o Embaixador em Londres que regressou ao Algarve para gerir directamente as suas propriedades.

Contudo, o fim do consulado sidonista fez com que logo em 1919 Teixeira Gomes fosse novamente chamado à diplomacia, desta feita em Madrid e em Londres.

Como Presidente da República, ocupou o cargo entre 5 de Outubro de 1923 e 11 de Dezembro de 1925 mas demitiu-se antes do fim do mandato deixando-nos com o seu conhecido desabafo: A política, longe de me oferecer encantos ou compensações, converteu-se para mim, talvez por exagerada sensibilidade minha, num sacrifício inglório. Dia-a-dia, vejo desfolhar, de uma imaginária jarra de cristal, as minhas ilusões políticas; sinto uma necessidade, porventura fisiológica, de voltar às minhas preferências, às minhas cadeiras e aos meus livros.

Com o advento do Estado Novo em 1926, auto-exilou-se em Argel onde retomou a escrita dos seus livros até que morreu em 1941. O seu corpo foi trasladado para Portugal em 1950 mas os seus escritos já cá estavam. Por exemplo, esses contos eróticos.

É de nos perguntarmos sobre o que será mais estranho: se um escritor do erotismo chegar a Presidente da República; se um Presidente da República divagar pelo erotismo.

Ainda estou na minha: quem diria…

Claramente, uma personalidade sobre que falamos de menos e que lemos de menos. Pela minha parte, sinto que devia lê-lo mais se houvesse onde encontrar os seus livros. Na falta de novas edições, penso nele de cada vez que sobrevoo Argel e faço o gesto simbólico de o cumprimentar levando a mão esquerda ao chapéu (que não uso nos aviões) libertando a direita para um aperto de mão a «quem a levou bem levada» e deixou uma ou duas filhas pela calada das noites algarvias…

Henrique Salles da Fonseca

 

BIBLIOGRAFIA:

Manuel Teixeira Gomes, DUAS NOVELAS ERÓTICAS – Contexto Editora – Lisboa, 1995

UMA MÃO CHEIA DE PROBLEMAS

Em 1750, mais de 200 anos após o Tratado de Tordesilhas, é assinado o «Tratado de Madrid» ou «Tratado dos Limites» como também ficou conhecido, que, mais uma vez, procurou resolver pela via diplomática os problemas de fronteiras entre os territórios pertencentes à Coroa portuguesa e aos domínios espanhóis, constituindo uma nova etapa na trajectória das missões jesuítas.

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A Colónia de Sacramento passou de novo para a posse de Espanha em troca dos Sete Povos das Missões, da margem esquerda do rio Uruguai. Os índios deveriam abandonar as suas terras, retirando-se do actual Rio Grande do Sul para a margem ocidental do rio Uruguai, hoje território argentino e paraguaio. É decretado o gradual desmantelamento das missões.

Os guaranis não acolheram bem a decisão da entrega das terras e das aldeias edificadas ao longo de décadas. O abandono das terras representava a ruína total dos povoados e a destruição de toda as actividades económicas, sociais, políticas e religiosas vividas naqueles espaços. Os guaranis resistiram às determinações régias e o contingente militarizado das reduções passou a representar uma ameaça aos intentos das potências ibéricas que decidiram invadir as missões. Para a Europa, era inconcebível que os indígenas não fossem súbditos fiéis e obedientes, comportando-se de acordo com as monarquias ibéricas. Em Maio de 1754, dois exércitos vão contra os redutos: um português vindo de Norte por mar; outro espanhol vindo do Sul pelo rio Uruguai. A 12 de Fevereiro de 1761, optou-se pela substituição do «Tratado de Madrid» pelo «Tratado do Prado», que estatuía a entrega dos Sete Povos das Missões e da Colónia do Sacramento aos antigos donos. Novos conflitos eclodiram e a paz só viria a ser restabelecida em 1777 com o «Tratado de Santo Ildefonso». Durante todo este percurso, a indefinição de fronteiras na região platina foi uma constante.

O «Tratado de Madrid» representa o início de uma série de transformações que viriam a comprometer as relações entre a Igreja e o Estado, com incidência na América do Sul. A guerra guaranítica e a ocupação dos Sete Povos pelos Exércitos ibéricos acabaram por provocar o declínio demográfico, a dispersão dos índios e por pôr fim à comunidade de jesuítas e guaranis. O período que decorreu entre 1753 e 1769 caracterizara-se por uma significativa dispersão populacional. Neste processo, não podem ser só considerados os factores externos mas também factores de ordem interna, como a rigorosa disciplina imposta na sequência da ocidentalização e as contendas entre chefes locais desejosos de manter a supremacia na região.

Vencidos, destroçados e espoliados das terras onde viviam, os índios abandonaram as aldeias – uns regressaram aos matos, outros foram para junto das cidades dos colonos, outros, ainda, acompanharam os luso-brasileiros, povoando as primeiras vilas do Rio Grande do Sul.

Novos aldeamentos indígenas surgiram com uma administração secular, baseada em modelos de organização social e política, ajustados a outros princípios.

* * *

 E a pergunta que resta colocar é: e que danos foram provocados aos portugueses por ali abandonados?

21ABR19.jpgHenrique Salles da Fonseca

BIBLIOGRAFIA:

HISTÓRIA DA COMPANHIA DE JESUS EM PORTUGAL, Maria de Deus Beites Manso, EDIÇÕES PARSIFAL, 1ª edição, Setembro de 2016, pág. 163 e seg.

DAS MINHAS NAVEGAÇÕES E ALHEIAS

SOCOTORÁ

 

Verás defronte estar do Roxo estreito

Socotorá, com o amaro Aloé famosa.

(Os Lusíadas - Canto X - estrofe 137)

 

Antiguidade

Na Antiguidade, a ilha encontra-se referida no "O périplo do mar Eritreu" (manuscrito, século I) como "Dioskouridou" em alusão ao autor greco-romano Dioscórides. Entretanto, nos nossos dias, o arqueólogo e antropólogo G. W. B. Huntingford, assinala que a toponímia "Socotorá" é de origem grega, mas que procede do sânscrito "dvipa sukhadhara" ("ilha da felicidade").

No século X, o geógrafo árabe Almaçudi comentou que a maioria dos habitantes das ilhas eram cristãos.

 

Descobrimentos portugueses

À época dos Descobrimentos portugueses, é provável que o primeiro navegador a alcançar a ilha tenha sido Vicente Sodré, tio de Vasco da Gama, que ali terá feito aguada antes de se perder nas ilhas de Curia Muria (atual Omã) em 1503. No entanto, essa primeira descoberta é disputada por Diogo Fernandes Piteira (ou Pereira), segundo Damião de Góis e João de Barros que, de regresso ao reino, dele deu notícia a D. Manuel I. O navegador e militar António de Saldanha, que navegara na região rumo ao estreito do Mar Vermelho, confirmou em Lisboa a bondade da ilha em portos e quanto à provável existência de cristãos descendentes dos habitantes que o apóstolo São Tomé doutrinara aquando do seu naufrágio no local a caminho da Índia.

Para além da aparente população cristã que a Coroa Portuguesa considerou urgente libertar da servidão imposta pelo rei muçulmano de Fartaque (atual cabo Fartak, no Iémen), Socotorá, localizada à "mão esquerda entrando para o estreito, junto ao cabo Guardafui", aparentava ser uma peça-chave para o controle do Mar Vermelho. Por essa razão, D. Manuel traçou um plano de conquista da ilha incumbindo Tristão da Cunha e Afonso de Albuquerque dessa missão e de nela instalarem uma fortaleza. Para esse fim, fez embarcar uma estrutura de madeira prefabricada em Lisboa. A conquista da ilha teve lugar em 1507, sob o comando de Tristão da Cunha, após a tomada da Fortaleza de Soco (à época, escrita Çoco), guarnecida por 120 homens sob o comando do "mui valente cavaleiro e sem medo nenhum" Coje Abrahem, filho do rei de Caxem (atual Qishn), cidade a alguns quilómetros do cabo Fartak.

 

O Forte de São Miguel de Socotorá

As obras da fortificação ficaram a cargo do mestre de pedraria Tomás Fernandes. Sob a invocação de São Miguel, ficou sob o comando do capitão D. Afonso de Noronha tendo a mesquita local sido convertida em igreja sob a invocação de Nossa Senhora da Vitória e a orientação de Frei António do Loureiro, guardião do mosteiro franciscano de São Tomé, o primeiro fundado extramuros e também o primeiro fundado no Estado Português da Índia.

 

Do século XVI ao XIX

A infertilidade da terra e o isolamento da praça em pleno território controlado pelo inimigo, levou a que, tanto a guarnição militar quanto os religiosos, fossem assolados pela fome, pelas doenças e pelos levantamentos dos muçulmanos, recebendo socorro apenas após a conquista de Ormuz por Afonso de Albuquerque (1507). Em pouco tempo, entretanto, a tese de que era essencial a ocupação de ilhas para o controle das rotas marítimas, começou a perder peso na estratégia portuguesa na região. A Fortaleza de Angediva havia sido abandonada (1506) e assim o seria o Forte de Socotorá (1511) e o Forte de Quíloa (1512).

A evacuação de Socotorá fez-se com o recurso às naus de Diogo Fernandes de Beja que não apenas fez demolir a fortificação até aos alicerces como transportou toda a sua guarnição para reforço de Goa e mais de duzentas mulheres e demais cristãos da terra, assim como a artilharia e demais apetrechos.

Com a retirada portuguesa, o arquipélago passou para o controle dos sultões Mahra.

A ilha continuou a servir de ponto de aguada aos portugueses tendo nela permanecido sempre um ou dois missionários. Alguns dos cristãos no local foram catequizados por São Francisco Xavier aquando da sua passagem para a Índia (1542), que descreveu a ilha como "(...) terra desamparada e pobre, não crescendo nela nem trigo, nem arroz, nem milho, nem vinha, nem fruta: é muito estéril e seca".

Entre 1540 e 1541 foi descrita por D. João de Castro, que registou: "(...) em todo o circuito da ilha não há porto nem outra alguma estância onde possa algum navio invernar seguramente". Em suas águas várias embarcações naufragaram, sendo a mais famosa o galeão Santo António, sob o comando do capitão Manuel Pais da Veiga, tendo como piloto Aleixo da Mota, em 1601.

Em termos económicos, os portugueses extraíam poucas matérias-prima, essencialmente o "sangue de dragão" (seiva de dragoeiro) e o aloé, este último utilizado como adstringente e purgante intestinal.

 

Do século XIX aos nossos dias

Devido à sua posição estratégica, passou a ser um protectorado britânico em 1886 controlando o estreito de Áden.

Com a independência do Iémen (1967), passou à sua soberania.

 

(Da Internet, Autor não identificado)

Por ali naveguei em Março de 2019 com piratas a bombordo e uma guerra civil (no Iémen) a estibordo. Mas passámos incólumes.

 

Junho de 2019

Henrique Salles da Fonseca

REPESCADO DO TINTEIRO

«USQUE AD NAUSEUM»

 

Ouço rádio no carro e é frequente deixar um programa a meio porque, entretanto, chego ao destino. Só me aguento um pouco desde que seja alguma música de que esteja a gostar muito e queira ouvir até ao fim. Mas, sendo conversa, corto-lhes o pio.

Então, nestes últimos dias, a conversa é sempre a mesma: Maio de 68 usque ad nauseum que é como quem diz até à náusea. E como o tema já é nauseante desde há muito, para além do ad, ele já é mesmo ex nauseum que em linguagem comum significa desde a náusea.

Creio mesmo que a maior parte das intelectualidades que falam do Maio de 68 ainda não eram gente em Maio de 1968 mas falam com muita sabedoria porque julgam que quem os ouve sabe ainda menos que eles. Enganam-se. Muitos de nós já eramos gente naquela época e vivemos tudo com alguma intensidade.

Então, o que foi o Maio de 68?

Tenho várias hipóteses de resposta…

  • Uma carnavalada;
  • Uma tentativa de revolução anarquista;
  • Uma tentativa de golpe de Estado comunista;
  • Uma revolta contra De Gaule…

… mas fico-me por uma mistura delas todas pois admito que de tudo por lá havia desde a carnavalada até à vontade de se verem livres da preponderância autoritária do «velho».

A sociedade francesa estava já muito igualitária, não admitia que alguém pudesse preponderar; o individualismo não queria orientações de classe; o marxismo queria impor uma orientação da sua classe, a proletária; o anarquismo não admitia peias à liberdade; os carnavalescos não quiseram perder a oportunidade.

E a pergunta permanece: - O que foi o Maio de 68?

A minha resposta é: - Um grande fiasco de revolta anti burguesa em que, felizmente para os burgueses, os seus adversários não se entenderam porque tinham (e têm) pressupostos incompatíveis.

Isto, o que penso de Maio de 68 tanto porque o vivi à distância geográfica duma Península Ibérica como à distância política de quem vivia num regime autocrático «proteccionista contra novidades». Mas a informação circulava e uma tia minha foi para Paris em Maio de 68 para ser operada ao coração. Foi operada, tudo correu bem, regressou a Portugal perfeitamente «recauchutada» e perguntou se era verdade que durante a estadia dela em Paris tinha acontecido alguma sarrafusca política. Ao que alguém lhe respondeu que tinha havido uma zanga entre o Sartre e o Aron. E ela respondeu que a Simone era danada para pôr o marido à zaragata.

Pois é, afinal houve mais França para além do «Maio de 68», esse tema que fede usque ad nauseum.

Maio de 2019

Henrique Salles da Fonseca

NÓS, OS FILHOS DOS VENTOS CÁLIDOS – 12

Eu às vezes temo ...

Eu às vezes temo que as pessoas pensem que o fascismo chega em trajes extravagantes usados por personagens grotescas e monstros como actores em peças teatrais nazis. O fascismo chega como se fosse um amigo, dizendo que restaurará a honra, fará sentirmo-nos orgulhosos, protegerá as nossas casas, dará empregos, limpará a vizinhança, lembrar-nos-á de quão grandes já fomos, escorraçará os corruptos, removerá qualquer coisa que nos incomode. Mas certamente não dirá que "O nosso programa significa milícias, prisões em massa, deslocação de populações, guerra”.

23 de Abril de 2014

Michael Rosen

Minha tradução a partir do original inglês em

https://michaelrosenblog.blogspot.com/2014/04/i-sometimes-fear.html

* * *

«Uma vez que o velho Deus abdicou, governarei o mundo doravante» - assim apregoava Nietzsche, o pai do niilismo.

* * *

A era niilista manifestou-se muito antes do que o filósofo imaginara: catorze anos depois da sua morte iniciou-se a Primeira Guerra Mundial e depois dela a Europa ficou nas garras do fascismo, do comunismo e do nazismo. E pouco tempo depois da primeira, sofreu outra guerra pior ainda que a anterior.

Desprezada a Civilização no que ela continha de valores perenes dando corpo à dignidade humana, a violência triunfou sobre a verdade e sobre a bondade. Dezenas de milhões de vidas foram aniquiladas sob o aplauso de dezenas de milhões de admiradores da violência. Sim, porque o niilismo só pode conduzir à ditadura, à violência e à aniquilação.

E como começou ele?

Perante o igualitarismo, todos têm razão, a ninguém é reconhecido o estatuto de sábio e tudo o que se apresente difícil é considerado antidemocrático; morto o conceito de que «o peso material determina o valor do oiro e o peso moral determina o valor do homem», a matéria reina e o dinheiro é a divindade suprema. Moral? A cada um, a sua.

- O que é bom para o oiro é bom para ti! Comercializa-te, adapta-te! Tudo o que te torna mais rico é útil; o que não for divertido é inútil e pode desaparecer.

Cada um que se valha a si próprio e os outros que «se virem» se conseguirem e, se não, tanto melhor pois mais fica para o vencedor entesourar.

Eis um conjunto de indivíduos que tudo fazem para vingar individualmente em prejuízo do próximo. A inveja ganha adeptos. Só que isto não é uma sociedade e muito menos uma Civilização. E onde não há coesão social, todos se sentem desamparados. Mas o desamparo é desconfortável. O desconforto gera a queixa e sempre acaba por conduzir à busca de soluções para se regressar a alguma situação assemelhável a conforto.

Assim se reúnem os ingredientes suficientes para que apareça um caudilho com promessas cujos méritos os desamparados não querem sequer questionar. E a ditadura, sempre radical, gera a violência e esta é a destruição.

Foi depois de muita desgraça que na tarde de 29 de Outubro de 1946, Albert Camus perguntou ao anfitrião André Malraux e ao grupo de outros convidados em que se destacava Jean-Paul Sartre – todos nascidos no niilismo e no materialismo histórico - se não achavam serem eles próprios, naquela sala, os maiores responsáveis pela falta de valores na Europa ocidental e se não estaria na hora de declararem abertamente que estavam errados, que os valores morais existem realmente e que doravante tudo fariam para restabelecer e clarificar esses princípios perenes e quiçá eternos. «Não acham que seria o princípio para o regresso de alguma esperança?»

E hoje?

Ah!, hoje, a História é a mesma que há muito Camus descreveu, a do triunfo do niilismo a que muito provavelmente se poderá seguir o fascismo. E isso, nós, os filhos dos ventos cálidos, não queremos. Cumpre-nos evitá-lo meditando…

* * *

Com a História aprende-se, mas é preciso conhecê-la; quem não conhece a História, corre o risco de repetir os erros do passado em vez de os evitar.

E o que nos conta a História?

Conta-nos que à amoralidade se segue a brutalidade, à lassidão se segue o aperto, ao esbanjamento se segue a austeridade, à autocracia se segue a volúpia populista.

E se de todos estes parâmetros já temos que baste, atentemos nas soluções que se impõem:

  • Reponhamos a formação política como missão essencial dos Partidos democráticos se não quisermos cair no fascismo;
  • Ponhamos à prova o que cada Partido (democrático) entende ser o bem-comum se não quisermos continuar a entediar os cidadãos e a engrossar a abstenção;
  • Reponhamos a ética da compaixão nas relações individuais e a de sentido de Estado nas relações colectivas se não quisermos cair nalguma sharia que nos seja imposta por estranhos radicais;
  • Criemos uma democracia muito mais directa nos Partidos do arco democrático se não quisermos dar força ao populismo.

* * *

Nós, os filhos dos ventos cálidos, nascidos na paz e criados no sonho, não estamos preparados para a queda de mais um ideal e já não temos idade para nos envolvermos directamente nas cenas de estalada brava se aí vier o fascismo, mas…

TENHO DITO!

(por enquanto…)

 

Junho de 2019

Henrique Salles da Fonseca

 

NÓS, OS FILHOS DOS VENTOS CÁLIDOS – 11

Depois de tanta manipulação de opiniões e de tantos actos sujeitos à investigação policial, a questão agora é a de saber como se pode confiar num político profissional. E a resposta é:

- Não pode!

Culpemos o pós-modernismo, o agnosticismo, o hedonismo, o que cada um por aí mais encontrar nas prateleiras da erudição mas não se esqueça o Caro Leitor de também apontar o dedo à ganância dos gatunos.

Contudo, eu creio que a maioria da classe política é constituída por gente honrada mas basta uma nódoa para podermos dizer que o pano está sujo. E quando a comunicação social empola as notícias, nós, os eleitores consumidores da informação, somos induzidos à generalização da tragédia da corrupção e para nos convencermos de que político é corrupto por definição e que político sério é excepção. E não faltam aqueles imbecis proto-gatunos (ou amigos de gatunos encartados) a dizer estupidezes tão horríveis como «Ele rouba mas faz obra, voto nele». E quem diz uma barbaridade destas, continua a não ter o seu direito ao voto sacado sine die por incrível que pareça.

Assim, se eu estou pessoalmente convencido da honradez da generalidade dos políticos, o Sr. Zé da Rua que vê telejornais, garante a pés juntos que a realidade é negativa. E o meu frio positivismo derrete-se perante o calor da refrega contra o establishment. O que eu penso não interessa; o que interessa é a opinião do Sr. Zé da Rua.

Estará alguém por trás da comunicação social a manipular a informação para que o eleitor seja conduzido ao descrédito no sistema democrático?

Estará alguém por trás de não sei que bastidores a manipular não sei o quê para que a liberdade da imprensa seja questionada?

Estará alguém a tentar convencer-nos de que não temos maturidade para nos governarmos soberanamente pois somos uma corja de gatunos?

Meditemos…

(continua)

Junho de 2019

Henrique Salles da Fonseca

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