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A bem da Nação

PALAVRAS SÁBIAS

Se a felicidade residisse nos prazeres do corpo, deveriam chamar-se felizes os bois quando encontram ervilhas para comer.

 

Heráclito de Éfeso.jpg

HERÁCLITO DE ÉFESO

In A FILOSOFIA NO SÉCULO XX, Fritz Heinemann, ed. Fundação Calouste Gulbenkian, 7ª edição, Outubro de 2010, pág. 72

 

 

CULTURA – O QUE É?

 

Cultura.jpg

 

Quando em 1938 Thomas Mann chegou aos Estados Unidos, fugindo ao nazismo, deu uma conferência de imprensa em que disse: «Onde eu estiver, está a cultura alemã».

 

Logo houve quem atribuísse esta frase a uma grande dose de arrogância e a simpatia com que foi recebido ficou claramente moldada pela impressão assim causada. Foi necessário esperar alguns anos para que essa frase fosse explicada pelo seu irmão mais velho, Henrique, quando nas suas memórias se refere ao episódio e o explica com a frase de Fausto: «Aquilo que de teus pais herdaste, merece-o para que o possuas».

 

Não fora, pois, arrogância mas sim um profundo sentido de responsabilidade que levara o escritor a identificar-se daquele modo com a sua própria cultura. O conhecimento do que outros fizeram antes de si já levara Hölderlin (1770 - 1843), o poeta atacado de mansa loucura, a afirmar que «Somos originais porque não sabemos nada».

 

Em 1518, Ulrich von Hütten (1488-1523), companheiro de Lutero, escrevia a um amigo que, embora fosse de origem nobre, não desejava sê-lo sem o merecer: «A nobreza de nascimento é puramente acidental e, por conseguinte, insignificante para mim. Procuro noutro local as fontes da nobreza e bebo dessa nascente. A verdadeira nobreza é a do espírito por via das artes, das humanidades e da filosofia que permitem à humanidade a descoberta e reivindicação da sua forma mais elevada de dignidade, aquela que faz distinguir a pessoa daquilo que também é: um animal

 

Ou seja, a nobreza conquista-se, não se adquire por via hereditária. Afinal, era isso que Mann significava quando chegou à América …

 

E o que é, então, a essência da cultura? É o conjunto das obras intemporais, as perenes, as que não passam de moda, as grandes obras humanistas, as que desenvolvem o pensamento especulativo. É a conjugação lógica de axiomas para a construção de novos silogismos e para a definição de doutrinas inovadoras. Eis o âmago da cultura, de uma qualquer cultura: o raciocínio especulativo, a independência relativamente à letra, a interpretação dessa mesma letra, a busca do significado. Quanto mais uma cultura se identificar com os valores humanistas e os promover, quanto mais convidar ao significado, mais elevada é essa cultura.

 

E o que é ser culto? Será saber muitas coisas? Não, isso é uma enciclopédia. O conhecimento dos factos não define a cultura mas apenas a dimensão do conhecimento. O culto é aquele que está aberto à nova interpretação, o que busca o significado.

 

E o que é ser educador? É «convidar os outros para o significado».

 

Eis ao que as elites devem andar: a transmitir o significado das coisas;

eis ao que elas têm andado: a imprimir um cunho pessoal aos acontecimentos.

 

Assim não se transmite o significado;

Assim se esmaga quem apenas serve para servir;

Assim se espanta quem vale.

 

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Henrique Salles da Fonseca

A LAVAGEM DA HISTÓRIA

 

 

O relativismo assumiu a forma de um movimento chamado «pós-modernismo» o qual tem ampla influência nas ciências sociais, nomeadamente na filosofia e na história

 

Os conceitos essenciais do pós-modernismo tendem para tudo definir como «um texto»[1] e colocar «o significado» como a matéria essencial desses textos e de quase tudo o que eles, pós-modernistas, tocam. Aqui chegados, pretendem descodificar esse significado dedicando-se àquilo que denominam a «desconstrução do significado» pois partem do pressuposto de que «é suspeita a ideia de realidade objectiva», ou seja, tudo é «relativo»[2].

 

A situação assim criada pelo relativismo, especialmente na esfera moral, gerou uma enorme crise de valores no âmbito da qual os pós-modernistas afirmam que o que hoje nos parece errado pode-se ter justificado nos contextos relativos à ocorrência. Assim, porque não reconhecem a existência de conceitos éticos (nem morais) absolutos, o «bem» e o «mal» variam no espaço e no tempo.

 

Rompendo com as certezas do modernismo racionalista, resta a dúvida de como o relativismo permite (ou não) que se possa atingir a certeza objectiva das grandes questões que se deparam a uma sociedade e do valor ético (e moral) que se pode dar a um conhecimento que decorre do pensamento racionalista.

 

A título de exemplo e para que melhor se compreenda onde o relativismo nos conduz, bastará referir as tentativas pós-modernas de “lavagem” de dirigentes moralmente tão condenáveis como Hitler ou Estaline.

  

Henrique, 30DEZ16, Mostar, Bósnia-Herz..jpg

Henrique Salles da Fonseca

(JAN17, em Mostar, Bósnia-Herzegovina, junto a vestígios da guerra)

 

 

 

BIBLIOGRAFIA:

Fernando Martins – HISTORIOGRAFIA, BIOGRAFIA E ÉTICA, in “Análise Social”, nº 171, Verão de 2004, pág. 391 e seg.

 

[1]  Mais vulgarmente, o contexto

[2] Conceitos fundamentais para um pós-modernista: o «contexto», o «significado», a «desconstrução», o «relativismo».

DO CONHECIMENTO E DA SABEDORIA

 

Descartes.jpg

 

Será o conhecimento que fundamenta o pensamento ou o contrário? Sei porque penso ou penso porque sei?

 

Eis uma questão que se resolve facilmente se entrelaçarmos os dois conceitos numa relação biunívoca; e assim passamos além de grandes filósofos, esses que tão afanosamente se dedicam à teoria do conhecimento, a epistemologia.

 

Por seu lado, a sabedoria indica quem tem bom senso – aquele que frequentemente é chamado de senso comum - e se comporta com rectidão num determinado enquadramento cultural e de tradição.

 

Se o conhecimento influencia o pensamento e este o pode sintetizar transformando-o em normas mais ou menos abstractas, então ao conjunto de abstrações podemos chamar normativo cultural, quadro legal, definição de bem e de mal… E o que é verdade para uma sociedade, pode não ser para outra porque as evoluções são habitualmente autónomas.

 

Assim chegamos ao conceito de Cultura que pode ser a de uma comunidade local ou regional, de uma Nação. Mas se aos parâmetros meramente profanos juntarmos a matriz religiosa, então passamos a falar de Civilização.

 

E deste emaranhado concluímos que dentro de uma Civilização há (pode haver) muitas Culturas. Para não ferir susceptibilidades, digamos então que dentro duma Civilização há (pode haver) muitas cambiantes culturais. Mas o contrário também é verdade e todos sabemos que – desde que esteja firmado o princípio da liberdade religiosa - dentro duma mesma comunidade podem coexistir religiões diferentes.

 

Mas não é do diálogo inter-religioso nem sequer do multiculturalismo que hoje trato. O que eu quero referir é a urgência que reconheço à afirmação dos valores culturais das comunidades que já existiam quando algures na História foram «tocadas» por outras Culturas e por outras Civilizações abdicando de modo mais ou menos evidente dos parâmetros da sua tradição. E dentro deste imbróglio, não é necessário hostilizar os novos conceitos, basta compatibilizar a tradição com o modernismo.

 

É esta compatibilização que deve dar corpo à nova literatura, à nova pintura, à nova música dessas comunidades, ao novo bom senso.

 

Então, é para servir essa convivência globalizada que os modernos meios de comunicação existem. Convivência que tem de ser pacífica, equitativa, de proveito comum, de valor acrescentado individual, colectivo e universal.

 

O conhecimento tende, assim, a conduzir-nos a um patamar comum, o do humanismo globalizado.

 

E a questão é: haverá sabedoria suficiente ou chauvinismo preponderante?

 

Dezembro de 2018

Sinagoga portuguesa-Amsterdam, JAN18.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(eu, gentio, na Sinagoga Portuguesa de Amesterdão, JAN18)

 

DO VALOR E DA IMPORTÂNCIA

VALOR, VAIDADE.jpg

 

O valor individual é um conceito endógeno, de medida subjectiva pelo próprio na razão inversa da humildade, na razão directa da vaidade e tem caracter estruturante, perene.

 

A importância é exógena, de medida objectiva pelos circundantes próximos ou longínquos, sem obrigatória relação directa com a realidade, frequentemente caduca, raramente perene, medida na razão inversa da inveja alheia e na razão directa dos favores esperados pelos observadores.

 

Como seria a sociedade se o valor individual fosse reconhecido externamente e a importância medida pelo próprio com humildade?

Importância.jpg

 

Não tenho uma resposta curta para a questão assim definida, apenas posso concluir que a ordem dos factores não é arbitrária e que a importância de cada um é apenas a que os outros lhe atribuem.

 

Janeiro de 2019

31DEZ18-Estocolmo.jpg

Henrique Salles da Fonseca

 

CAÍDOS NO POPULISMO

REVENDO CAMUS E NIETZSCHE

Friedrich Nietzsche (1844 —1900)

«Uma vez que o velho Deus abdicou, governarei o mundo doravante»

- assim apregoava Nietzsche, o pai do niilismo.

 

A era niilista manifestou-se muito antes do que o filósofo imaginara: catorze anos depois da sua morte iniciou-se a Primeira Guerra Mundial e depois dela a Europa ficou nas garras do fascismo, do comunismo e do nazismo. E pouco tempo depois da primeira, sofreu outra guerra pior ainda que a anterior.

 

Desprezada a Civilização no que ela continha de valores perenes dando corpo à dignidade humana, a violência triunfou sobre a verdade e sobre a bondade. Dezenas de milhões de vidas foram aniquiladas sob o aplauso de dezenas de milhões de admiradores da violência. Sim, porque o niilismo só pode conduzir à ditadura, à violência e à aniquilação.

 

E como começou ele?

 

Perante o igualitarismo, todos têm razão, a ninguém é reconhecido o estatuto de sábio e tudo o que se apresente difícil é considerado antidemocrático; morto o conceito de que «o peso material determina o valor do oiro e o peso moral determina o valor do homem», a matéria reina e o dinheiro é a divindade suprema. Moral? A cada um, a sua.

 

- O que é bom para o oiro é bom para ti! Comercializa-te, adapta-te! Tudo o que te torna mais rico é útil; o que não for divertido é inútil e pode desaparecer.

 

Cada um que se valha a si próprio e os outros que «se virem» se conseguirem e, se não, tanto melhor pois mais fica para o vencedor entesourar.

 

Eis um conjunto de indivíduos que tudo fazem para vingar individualmente em prejuízo do próximo. A inveja ganha adeptos. Só que isto não é uma sociedade e muito menos uma Civilização. E onde não há coesão social, todos se sentem desamparados. Mas o desamparo é desconfortável. O desconforto gera a queixa e sempre acaba por conduzir à busca de soluções para se regressar a alguma situação assemelhável a conforto.

 

Assim se reúnem os ingredientes suficientes para que apareça um caudilho com promessas cujos méritos os desamparados não querem sequer questionar. E a ditadura, sempre radical, gera a violência e esta é a destruição.

Camus.png

Albert Camus (Argélia, 1913 — França, 1960)

 

Foi depois de muita desgraça que na tarde de 29 de Outubro de 1946, Albert Camus perguntou ao anfitrião André Malraux e ao grupo de outros convidados em que se destacava Jean-Paul Sartre – todos nascidos no niilismo e no materialismo histórico - se não achavam serem eles próprios, naquela sala, os maiores responsáveis pela falta de valores na Europa ocidental e se não estaria na hora de declararem abertamente que estavam errados, que os valores morais existem realmente e que doravante tudo fariam para restabelecer e clarificar esses princípios perenes e quiçá eternos. «Não acham que seria o princípio para o regresso de alguma esperança?»

 

E hoje?

Ah!, hoje, a História é a mesma que há muito Camus descreveu.

 

SET18.JPG

Henrique Salles da Fonseca

 

 

BIBLIOGRAFIA:

Riemen, Rob – NOBREZA DE ESPÍRITO, UM IDEAL ESQUECIDO, Bizâncio, Lisboa, Abril 2011

Judt, Tony – O PESO DA RESPONSABILIDADE (Blum, Camus, Aron e o séc. XX francês), Edições 70, Maio de 2018

 

 

NIETZSCHE DIXIT

 

Até aqui, as nossas crenças e os conceitos usados para as formular foram o esteio transcendental da fé religiosa.

(…) Hoje, todavia, tudo está a mudar. As pessoas nascem num mundo onde não há certezas; e, por entre os farrapos da herança que recebemos, o abismo está sempre à vista. Em tais circunstâncias a vida humana torna-se problemática; sem uma reconstrução radical da nossa visão do mundo que torne possível a vontade de poder da qual as nossas iniciativas dependem, entraremos num estranho deserto espiritual no qual nada tem significado ou valor – [será] o mundo do último homem.

Friedrich Nietzsche

in «Breve história da filosofia moderna», Roger Scruton, “Guerra e Paz, Editores”, 1ª edição, Junho 2010 (pág. 249)

 

TEOLOGIA, DA MINHA - 17

Platão e o bem.jpg

 

Tenho como dogma a obrigação de praticarmos o bem.

 

Parafraseando o Cardeal D. Manuel Clemente, Patriarca de Lisboa, no seu livro “1810-1910-2010 DATAS E DESAFIOS” na pág. 121, «as coisas não são boas ou más porque Deus as mande ou as proíba; antes as manda porque são boas e as proíbe porque são más».

 

Mas eu não preciso de ordem divina para praticar o bem; tenho a sua prática como algo que é do meu próprio interesse. Nesta linha de raciocínio platónico, quase diria que é por egoísmo que pratico o bem cuja melhor definição me parece ser «a  qualidade de excelência ética atribuída a acções que estejam relacionadas com sentimentos de aprovação e dever».

 

Novembro de 2018

Fonte dos leões-Heráklion.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(Nikósia, ABR18)

APRENDER A PENSAR

 

 

Diz-se que é a Filosofia que nos ensina a pensar…

 

Diz-se tanta coisa que alguma há-de ser verdade mas desta, duvido.

 

Porquê?

 

Porque a Filosofia que por aí se ensina pouco mais é do que a história do que uns quantos pensaram e quase nada nos é dito sobre a estrutura do raciocínio.

 

Fala-se de Lógica e de outros temas mas pouco mais fazem do que citá-los e dizer o que Fulano e Beltrano disseram.

 

Sim, Filosofia é o estudo das questões gerais da existência humana, da essência do conhecimento, da verdade, da moral e da ética, da mente, do Universo. Mas quem ensina, nada adianta; limita-se a citar o que outros escreveram depois de terem pensado.

 

Portanto, as cadeiras de Filosofia deveriam mudar de nome para História do Pensamento.

 Aristóteles.jpg

Uma excepção a esta minha opinião: Aristóteles e os silogismos de que se fala abundantemente e com exemplos inventados no momento.

 

Então, o que tenho para dizer é que é com a Matemática mais ou menos elementar ou mais ou menos transcendente que se aprende a pensar.

 

Sim, tudo começa com a álgebra e com os conjuntos no ensino primário, com as equações e seus sistemas no secundário e com as funções no superior. A partir daqui, tudo pode ser simplificado ou complicado mas os conceitos básicos são aqueles que referi e são esses que nos ensinam a pensar.

 

E se se souber pensar, sabe-se escrever; se se sabe escrever, sabe-se comunicar; se se sabe comunicar, pode-se ser útil ao próximo. Caso contrário, é-se apenas um consumidor de oxigénio, um parasita.

 

A Matemática é o anonimato das variáveis e suas conexões através de modelos baseados na lógica. A lógica é o cerne da estrutura do raciocínio porque a definição das conexões entre as diferentes variáveis exige que se conheçam os relacionamentos, estes exigem o conhecimento da essência de cada elemento e a dissecação dessas essências só pode ser feita com base em definições exactas. Só as definições exactas facultam um raciocínio límpido, só com elementos inequívocos se pode pensar.

 

Portanto, é a Matemática que nos ensina a pensar, não a «História do Pensamento» a que há quem chame Filosofia.

 

Sugestões de pé de página: com a Matemática, aprenda a construir equações e vai ver que aprende facilmente a dividir as orações nas frases que constrói; não comece a escrever se não souber o fim da narrativa.

 

Maio de 2018

Fonte dos leões-Heráklion.JPG

 Henrique Salles da Fonseca

QUAESTIO IN SEMPITERNUM

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Hoje cito Raymond Aron nas suas «Memórias»[1] quando afirma que «só os filósofos pensam antes de terem estudado».

 

Ou seja, todos os demais começam por estudar e só depois é que pensam como se as dúvidas e as ideias lhes faltassem antes de aprenderem com os anciãos.

 

Será?

 

Duvido que Leonardo da Vinci, Galileu, Newton, Pascal, Einstein ou Stephen Hawking concordassem.

 

Por exemplo, quando ainda criança, Pascal foi posto de castigo no sótão da casa do pai por causa de qualquer coisa que não ficou para a História. Só que, quando foi libertado, a família constatou que o pequeno tinha escrevinhado as paredes com «coisas» inéditas. Chamados decifradores, concluiu-se que era aquela que viria a ficar conhecida como a Teoria das Secções Cónicas.

 

Mas isto sou eu a pensar mesmo antes de estudar… até porque todos os citados são daqueles a quem já não temos como lhes perguntar e, portanto, est ergo quaestio in sempiternum

 

Venha quem prove o contrário.

 

Maio de 2018

Hidra 3.jpg

 Henrique Salles da Fonseca

 

[1] - Pág. 25 da 1ª edição de GUERRA & PAZ, Fevereiro de 2018

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