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A bem da Nação

PORTUGAL EM PERIGO?

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SEM O REINO UNIDO, A POLÍTICA ALEMÃ FICA

EM MINORIA NO CONSELHO DA UE

 

Reforço das Posições minoritárias do Conselho?!

 

 

Muitos alemães andam bastante desiludidos com o Brexit. Agora a “fracção do sul”, em torno da França, passa a ter uma posição determinante dentro do Conselho da UE na determinação dos seus destinos; a Alemanha perde os 29 pontos da sua aliada GB. Enquanto os países do Norte apostavam na força da economia (liberalismo económico) e no reformismo, os do Sul desafiam mais o Estado que querem mais forte e consequentemente com uma política mais proteccionista.

 

O grande problema alemão surgirá da falta do Reino Unido na UE, porque, segundo a constituição da UE, bastam 35% dos votos dos Estados membros para bloquear as decisões. A França passa assim a ter mais poder e, deste modo, poderá, com os membros do sul, fomentar o proteccionismo, retardar as reformas e talvez conseguir um Euro mais fraco. Consequentemente, a Alemanha passará a ter uma posição minoritária no Conselho Europeu. Por isso fará tudo por tudo para que se faça uma mudança do contrato da UE no sentido de voltar a introduzir o fortalecimento das posições minoritárias. (Por outro lado a França está muito dependente da Alemanha, o que a não tornará muito fidedigna na qualidade de defensora dos interesses dos estados dos sul).

 

O Prof. Dr. Hans-Werner Sinn adverte a Alemanha para intervir no sentido de fortalecer a sua posição em relação à nova constelação de forças entre os Estados membros depois do Reino Unido abandonar definitivamente a UE, o que acontecerá certamente em 2019. As negociações do Brexit começarão no Outono e prevê-se que se prolongarão por dois anos. A GB está interessada em colocar a sua economia em fraldas enxutas, neste espaço de tempo; não é mero acaso o facto de a primeira visita ao estrangeiro da chefe do governo britânico ter sido à Alemanha, onde foi recebida com honras militares.

 

Perderá Portugal perder o seu potencial futuro?

 

O Reino Unido, como potência europeia de grandeza comparável à França e à Alemanha ao pretender sair da UE talvez o faça também por razões de poder soberano e de influência muito concretas. A razão fundamental do Brexit veio da política de refugiados na UE e das consequentes medidas para limitar a soberania dos países. A Inglaterra sabe bem que se continuasse na UE teria muito provavelmente, também ela, de colocar o muito do seu mar à disposição de Bruxelas (UE) que com o argumento de criar uma fronteira comum contra os refugiados se apoderaria dos mares que pertencem de momento aos Estados ainda em parte soberanos! (Coitado de Portugal! Com a UE perdeu já a pesca e as indústrias de roupas e calçado mas com tal medida perderia o seu futuro!).

 

As grandes potências são eficientes nas suas estratégias e na preparação exímia dos acordos; seria de esperar que as elites dos Estados membros mais fracos, desta vez, estejam mais atentas para que futuros acordos não sejam feitos à custa da EU ou dos países menos atentos; doutro modo tornar-se-ia indiferente o pertencer ou não pertencer à UE. Ângela Merkel e Theresa May procuram ganhar tempo, o tempo que faltará a Bruxelas para poder pensar com a cabeça dos povos da Europa!

 

Não só de pão vive o homem” (Mt 4,4)! Os ingleses estão preparados para serem mais senhores deles mas também para apertarem o cinto: talvez se fechem um pouco ao mundo para se abrirem um pouco mais a ele! Quanto a problemas, como de costume, o povo suportá-los-á. Segundo uma investigação referida na imprensa alemã, 600.000 pessoas britânicas especializadas tencionam continuar a sua carreira profissional num outro país da UE; isto significaria um arrombo para a indústria britânica. A desunião da Europa fortalece outras potências na concorrência pelo poder económico, político e cultural num momento da História em que cada nação está dependente das outras. A Europa precisa porém de um grande abanão para poder acordar para a sua missão de caracter integral e inclusivo. Com a experiência das duas grandes guerras e nas figuras de Hitler e de Estalin a Europa autêntica acabou; poderia recomeçar de novo com uma Alemanha genuína (Infelizmente a Alemanha apenas se preocupa com a economia europeia sem ter em conta a defesa da sua cultura (também do idealismo alemão que atraiçoa!) Pelos vistos a UE tem em vista a destruição das possibilidades de futuro das soberanias menos poderosas!

 

A Europa é um mosaico de mentalidades diferentes. Os latinos são crentes do Estado; os germânicos reconhecem-no como pai mas confiam no próprio trabalho, na inovação tecnológica e na concorrência. Falta aos dois blocos a redescoberta da alma que os uniria no respeito por diferentes mentalidades.

 

Uma curiosidade

 

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O Reino Unido e a Alemanha são governados por filhas de párocos: Theresa May e Angela Merkel determinam a marcha da Europa. As mulheres encontram-se na avançada também no FMI e os USA também passarão, certamente, a ser governados por uma mulher. Apesar da presença feminina relevante, domina na política e na economia o espírito masculino protestante! (Talvez se consiga um equilíbrio social da masculinidade e da feminilidade na Europa quando os padres católicos puderem casar!)

 

Margaret Thatcher dizia: “Se quiseres que alguma coisa seja falada, pergunta a um homem; se quiseres que alguma coisa seja feita, pergunta a uma mulher.” Tem-se a impressão que os homens andam a viver à custa dos galardões anteriormente conquistados. A sua soberania continua visível numa sociedade de estruturas masculinas muito embora assumida por mulheres!

 

*Distribuição dos votos do Conselho da UE (órgão deliberativo)

França, Alemanha, Itália e Reino Unido têm 29 votos cada; Espanha e Polónia: 27 votos; Roménia: 14 votos; Países Baixos: 13 votos; Bélgica, República Checa, Grécia, Hungria e Portugal: 12 votos; Áustria, Bulgária e Suécia: 10 votos; Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Lituânia e Eslováquia: 7 votos; Chipre, Estónia, Letónia, Luxemburgo e Eslovénia: 4 votos; Malta 3 votos.

 

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António da Cunha Duarte Justo

 

LONDRES EMAGRECE

 

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Com o Brexit Londres emagrece e Frankfurt engorda
 

Frankfurt é o Principal ponto de Cruzamento da UE

 

O centro financeiro de Londres emagrece e o de Frankfurt engorda. Segundo a imprensa alemã, em 2014 trabalhavam na City of London 358.000 empregados bancários. Com o Brexit 70.000 terão de ser deslocalizados, dado a Grã-Bretanha passar a não pertencer à UE. Também a instituição de supervisão bancária EBA terá de deixar Londres. Isto porque muitos operadores internacionais têm de operar a partir de um país da UE.

 

Em Frankfurt, em 2015 trabalhavam 62.500 bancários em 180 Bancos e no BCE. Frankfurt, que tem 40% do tráfego de dados europeus e com o melhor cruzamento aéreo internacional irá ver aumentada, em dezenas de milhares, o número de banqueiros e de outros lobistas de empresas internacionais que deixarão Londres. De considerar que só o Banco Alemão tinha até agora em Londres 8.000 empregados. É verdade que algumas empresas multinacionais têm receio do direito de trabalho alemão, dado proteger bastante os direitos dos empregados, o que levaria instituições internacionais a privilegiar outros centros (Paris, Madrid, …) que os quereriam albergar nas suas cidades. Nestas questões os interesses favorecedores do centralismo são, como acontece em Portugal, mais fortes, tudo se juntando na capital em prejuízo das regiões. Esta é a conhecida prática: “a quem tem dar-se-lhe-á e a quem não tem até o pouco que tem se lhe tirará”!

 

Nada contra o centralismo desde que compense ricamente as margens. No centro há a possibilidade de as instituições se interrelacionarem e os lóbis conseguem alcançar melhor os seus objectivos.

 

Em 2011, contra qualquer racionalidade e contra melhor saber, o governo português extinguiu o vice-consulado de Frankfurt! Fê-lo contra a comunidade portuguesa e contra os interesses de Portugal, como então foi avisado.

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António da Cunha Duarte Justo

 

 

BREXIT

 

A derrota do sucesso

 

Ainda estamos a digerir o que sucedeu em Inglaterra desde o referendo de 23 de Junho. A começar pelos ingleses, pois cada vez é menos evidente se o Brexit vai avante. Por muitas razões.

 

Muita água correrá debaixo das pontes do Tamisa até surgir uma solução. Mas uma coisa é certa. Os critérios para explicar o fenómeno do Brexit não são económicos, nem financeiros nem sequer políticos mas sim culturais e vão até ao tutano do ser humano.
 

Desde 23 de Junho desenrola-se um espectáculo tão agitado quanto uma tragédia de Shakespeare, alimentado pelos demónios à solta da xenofobia, ganância, ressentimento e traição, e de uma falta total de bom senso e pragmatismo, tudo isto no país europeu que julgávamos corresponder a este estereótipo.

 

O poema Waste Land de T. S.Eliot aplicou-se nos anos 20 a uma sociedade devastada pelos desastres da Grande Guerra. Um século depois, a minha percepção do que se passa em Inglaterra é que uma sociedade também é devastada pelo sucesso.

 

Nenhuma praça financeira é tão orgulhosa quanto a City de Londres onde trabalham mais de meio milhão de pessoas. A City só tinha a ganhar em ficar na Europa. Mas a City perdeu no referendo.

 

Nenhuma monarquia europeia parece tão legítima e enraizada quanto a britânica. Mas a rainha Isabel II arrisca-se a ser a última do Reino Unido se a Escócia quiser ser independente e europeia.

 

E, sobretudo, nenhum povo europeu tem a reputação de ser tão democrático quanto os britânicos. Contudo, o dia 23 mostra o pior da democracia como ditadura da maioria que vai buscar legitimidade ao grotesco abuso de poder da maioria conjuntural.

 

Se uma maioria – mesmo qualificada – votasse restabelecer a pena de morte, quem acharia legítimo? 75% dos jovens britânicos votaram pela Europa e claro que são contra o fim de direitos como a liberdade de circulação no espaço europeu.

 

A democracia nunca deve ser uma ditadura da maioria, seja na região da Madeira, na Coreia do Norte, ou no Reino Unido. Não pode sujeitar-se a decisões conjunturais que se contradizem. O 1º referendo ao Brexit disse Não. O 2º disse Sim. Quase 5 milhões já pediram um 3º referendo mas seria ridículo e gravoso seguir esse caminho.

 

Uma consulta popular com implicações constitucionais exige uma maioria qualificada. E as constituições democráticas restringem algumas opções legislativas a fim de proteger pessoas e minorias. Em nome do bem comum que não pode ser destruído por demagogos.

 

Mas foi isso mesmo que sucedeu no 23/6. Após uma campanha de mentiras e xenofobia do lado dos Brexiteers e após uma campanha mole do Remain, a apontar os males da saída e nunca os benefícios da União. Boas razões havia de ambos os lados. Há sempre. Chama-se política.

 

Creio que ainda ninguém assinalou que o 23 de Junho é o Midsummer’s night dream, o sonho de uma noite de S. João, com uma galeria de personagens dignas de Shakespeare.

 

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A Midsummer Night’s Dream

“The Reconciliation Of Oberon And Titania” by Joseph Noel Paton

 

David Cameron demitiu-se na manhã de 24. Tem muitas culpas no cartório. No início terá sido um “Blair dos Conservadores”. Mas a ambição levou-o a propor um novo referendo para roubar votos ao UKIP. Agora vai atravessar o deserto.

 

O carismático Boris Johnson demitiu-se no dia 27. Após sair de mayor de Londres, passou-se em Fevereiro para o Leave. Seria o herdeiro de Cameron. Mas logo a 24, sem fazer declarações e vaiado percebeu que era um rato numa armadilha.

 

Nigel Farage, o ex-dirigente do UKIP da extrema-direita, mostrou um grau de irresponsabilidade total. No dia 24 começou a negar as promessas do Brexit. A 5 de Julho foi-se embora, com a sua fatiota bem engomada e o ar de palerma. Foi o tiro final no porta-aviões.

 

Jeremy Corbin, um dinossauro socialista que não aprende nem esquece nada deixou que o seu eleitorado trabalhista, farto de sofrer, desse a vitória ao Brexit. Deverá ser o próximo a demitir-se.

 

Michael Gove, Teresa May e outros talibans Conservadores que traíram o seu líder, David Cameron, irão disputar a liderança. São verdadeiras bruxas de Macbeth a preparar o cálice de veneno (1).

 

Caso o Brexit avance, fica à vista o desastre: o desinvestimento, a queda da libra, a independência da Escócia, os problemas das fronteiras da Irlanda, de Gibraltar, de Calais, a montanha de nova legislação… a lista é grande.

 

O resultado do referendo não é vinculativo. O Parlamento pode decidir de outro modo. Quem vai despoletar a granada do artigo 50? Quem quererá fazer o harakiri britânico ?

 

Quem mais depressa entendeu que nem tudo estava decidido em Inglaterra foi a chanceler Angela Merkel. Desmentiu as declarações duras e estúpidas da reunião dos Seis no Luxemburgo e veio abrir a porta a um estadista razoável em Inglaterra.

 

Há quem goste de esquecer que a Alemanha actual é a nação europeia que bebeu até ao fim, com Hitler, o cálice do populismo. Por isso proíbe os referendos na sua Constituição e recusa a ditadura das maiorias.

 

Neste momento, resta esperar que se erga alguém do Partido Conservador com a coragem de dizer que o Brexit é um crime contra a história da Inglaterra e contra a Europa das nações.

 

Os ingleses hão-de recuperar mas têm pela frente o ano mais longo das suas vidas. Apesar de tudo é o país de Churchill e de Shakespeare. De estadistas capazes de decisões corajosas e anti populistas e de gente capaz de parar para pensar, como só a cultura é capaz.

 

O Brexit não foi bom nem mau: foi a consequência de uma sociedade degradada até ao tutano pelo sucesso aparente, da sua libra orgulhosa, das suas instituições tradicionais. Mas nada disso vale quando desaparece aquele espírito de sacrifício, abnegação e bem comum que faz as nações viver.

 

A finalizar. O lado bom deste mal inglês, desta derrota do sucesso, foi ter alertado para o outro mal crónico da Europa: o pan-germanisno. Mas esse fica para o próximo artigo.

 

5 de Julho de 2016

Mendo Castro Henriques

Mendo Castro Henriques

Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Católica Portuguesa

 

 

(1) Teresa May foi entretanto nomeada Primeira Ministra

BREXIT

 

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O PROCESSO DE DIVÓRCIO DA GRÃ-BRETANHA COM

 

A UNIÃO EUROPEIA DURARÁ PELO MENOS 2 ANOS

 

Cameron semeou Democracia e agora o Mundo

 

colhe os seus Frutos!

 

 

Castigue-se o desertor”, gritam os europeístas! “Parabéns ao desertor” gritam os nacionalistas!

 

A União Europeia e a Grã-Bretanha recebem agora a factura da arrogância da sua classe política. Cameron semeou democracia e agora ela ondula pela Europa à maneira das searas em dias de ventania. Os adeptos do politicamente correcto procuram, com a sua música acompanhante, desviar a bola para canto difamando a voz do povo como sendo desafinação de populistas.

 

Bruxelas avisou Londres para apresentar já a declaração de saída e assim não “tomar todo o continente como refém”, e assim não prejudicar ainda mais a UE e não contagiar outros membros que já flirtam com a ideia da saída. A negociação do acordo encontra-se sujeita a vários entraves pelo facto do Brexit ter de ser ratificado pelas Câmaras britânicas. O requerimento de aplicação do artigo 50 da UE que dará início ao processo de saída, se não acontecer algum improviso até lá, será certamente iniciado em Novembro-Dezembro, a não ser que os interesses dos conservadores europeus sejam vencidos pelos interesses da esquerda.

 

Cameron, para defender os interesses do Partido Conservador e os interesses económicos da Grã-Bretanha pretende só abandonar o Governo em Outubro. Pretende assim que o processo de divórcio só seja solicitado depois de haver novo Chefe de Governo. O processo de divórcio durará 2 anos como prevê o artigo 50, a não ser que algum país não esteja de acordo e então o prazo seria prolongado, como opinam os especialistas. Ângela Merkel já deu sinal de compreender a intenção de Cameron em querer adiar o início do processo de divórcio; políticos de outros partidos alemães não acham oportuna a posição de Merkel. Os britânicos, encontrem-se em que posição se encontrarem, conseguirão sempre condições especiais para o seu país, tal como faziam já na UE e ao longo da história com Portugal. É um povo fino e pragmático!

 

O Busílis da questão

 

A França e outras forças reformistas não poderão deixar adiar muito o processo; doutro modo a resistência popular interna e contra a UE aumentará. É o que se diz pela Europa fora: o desertor tem de ser castigado para se estatuir um exemplo para outros países que seriam tentados a imitá-lo.

 

A Alemanha estará interessada na realização de um acordo de comércio livre entre a UE a GB antes do divórcio se realizar definitivamente. Com o Brexit, as economias de muitos países ressentir-se-ão e as consequências serão incalculáveis. As Finanças internacionais e os operadores mundiais começam a duvidar da Europa como lugar estável de investimento. A UE perde peso e a instabilidade, devido a um conglomerado de factores, acentuar-se-á. O movimento europeu de forças a operar em sentido contrário à filosofia da globalização reage agora no sentido do proteccionismo nacional contra um centralismo só orientado pelas leis de um mercado livre que não respeitava identidades nacionais, povo nem a sua cultura com os seus lugares sagrados  de refúgio.

 

A GB continuará a ser a Capital das finanças do mundo, tem bomba atómica, tem assento no Conselho de Segurança da ONU e tudo isto toca com muitos interesses comuns!

 

 

Estudos prevêem que o Pfund desvalorizará até 20%. A GB perde a vantagem competitiva que lhe advinha pelo facto de pertencer à UE. O centro financeiro Frankfurt ganha mais relevância.

 

Com a saída da Grã-Bretanha, a UE passará a investir mais no armamento para com o tempo criar um Exército Europeu. O Exército Alemão, na intenção de políticos, já pensa em abrir as suas portas a candidatos da UE.

 

O busílis da questão vem ainda do facto de 62% dos escoceses terem votado pela permanência da GB na UE. Deste modo, o referendo de 1914 sobre a independência da Escócia em que 55% tinham determinado a permanência na Grã-Bretanha, passa a ser maculatura, legitimando um novo referendo sobre a independência da Escócia, como pretende o seu Governo. Para alguns, isto poderia motivar as instituições britânicas a não ratificarem o referendo. Nesse caso, seria pior a emenda que o soneto. A Áustria já avisou que quer uma UE reformista e sem a Turquia. A França, a Chéquia, os Países Baixos, têm fortes movimentos cívicos que ameaçam com a saída da UE. Em Portugal também surgem vozes da esquerda radical nesse sentido mas isso não passa de conversa fiada, própria para entreter as emoções da sociedade portuguesa.

 

A UE, mesmo com a saída da Grã-Bretanha, continua a ser o bloco económico mais forte do mundo. Numa era de concorrência entre civilizações e grandes economias o vento delas não sopra em favor dos biótipos culturais nem das Nações. Geralmente, segue-se a regra de primeiramente encher o estômago e só depois a moral.

 

Há ainda um outro problema que a UE terá de levar a reboque por mais tempo! São os milhares de empregados britânicos nas instituições da UE. Bruxelas já disse: “Eles são funcionários da UE. Eles trabalham para a Europa”. Quem terá de pagar depois as suas deliciosas pensões terá de ser ainda negociado.

 

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António da Cunha Duarte Justo

GRÃ-BRETANHA

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NAÇÃO DA MAGNA CARTA - FLEXIBILIZA A EUROPA COM O REFERENDO

 

Os britânicos disputaram entre si, os europeus tremeram e os órgãos de decisão em Bruxelas começam a acordar. Resultado do referendo: 51,9% pelo Brexit e 48,1% pela permanência na UE.

 

Quem mais contribuiu para este resultado foi a vontade da UE querer impor quotas de refugiados ao Reino Unido e pretender obrigar o país a tratar os imigrantes da UE como trata os próprios nacionais, além de velhas facturas em aberto entre a velha Europa e a velha Grã-Bretanha.

 

A Libra desvaloriza-se e deste modo diminuirá a atracção de imigrantes provindos da Zona Euro.

 

Em Bruxelas, a língua oficial inglêsa perde a sua força em favor do alemão e do francês e talvez em favor de línguas internacionais como o português e o espanhol.

 

A UE tornar-se-á ainda mais dependente da Alemanha que embora perdendo a companheira de luta Grã-Bretanha na defesa do liberalismo económico americano; a Alemanha sentir-se-á, por outro lado, mais influente no sentido de defender uma UE forte com um Euro forte; terá como opositor a Europa latina com a França à frente. A força da economia dá porém razão à Alemanha e não ao sul, porque esta como potência económica, pode com os Estados Unidos e com a China forçar as economias menos competitivas. As forças empenhadas na construção de uma Europa das duas velocidades ganharão mais peso.

 

Os movimentos de regionalização e de federalização na Europa receberão maior impulso na Espanha (Galiza, Catalunha e País Basco) e no Reino Unido também.

 

As relações da federação, no Reino Unido, entre Irlanda do Norte, Escócia, Gales e Gibraltar obrigarão a coligações e a formulação de interesses contraditórios. A Irlanda e a Escócia que querem a UE, têm novos trunfos. E o caso do Gibraltar em certo modo também.

 

O referendo mostra um Reino Unido dividido em dois blocos e em regiões contraentes! Um exemplo concreto de uma UE em que uns resmungam e outros aplaudem mas de maneira ordenada e educada. A desordem da globalização exige a criação de ordens (blocos fortes), doutro modo, quem mandará nisto tudo é a China e os EUA com a comparticipação de outras potências como a Alemanha e a Grã-Bretanha.

 

Os movimentos nacionalistas ganham mais força porque a direita militante e a esquerda militante embora contraditórias se unem contra o projecto UE.

 

Tornar-se-ão os britânicos os mentores da Europa, a partir das ilhas?

 

Nos próximos dias 28 e 29 de Julho realizar-se-á uma cimeira dos Estados membros em Bruxelas.

 

A UE não pode permanecer como era, doutro modo seguir-se-ão outras desistências iniciadas pela exigência de referendos noutros Estados membros.

 

A sociedade britânica reagiu bem à decisão tomada. Ela foi o berço da democracia na Europa da Idade Média. Já no séc. XII-XIII havia contendas entre a Europa continental e a Grã-Bretanha que no meio delas criou a Magna Carta.

 

Dos conflitos de Inglaterra (1199-1216), com a França e com o Papado, surgiu na Inglaterra a primeira Magna Carta que limitava bastante o poder do Rei. Ela prescrevia que o rei não podia criar impostos sem ouvir os bispos, os condes e barões. Ainda no séc. XIII forma-se o parlamento que veio a dar origem à Câmara dos Lordes (nobres e clero) e à Câmara dos Comuns formada pelos cavaleiros e burgueses. Esta Magna Carta serviu de modelo para a limitação dos poderes dos reis no sentido de uma democratização que pouco a pouco se estende por toda a Europa. Da Inglaterra temos muito a aprender; entre outras coisas o respeito e o reconhecimento da comparticipação do rival no bem comum.

 

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António da Cunha Duarte Justo

BREXIT?

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Pergunta - A Grã Bretanha vai sair da UE?

 

Resposta – Isso é o que havemos de ver.

 

Pergunta - Como assim? Então o referendo não decidiu pela saída?

 

Resposta – O referendo não é deliberativo; é apenas indicativo.

 

Pergunta – Então de quem é a decisão?

 

Resposta – Do Parlamento e, mais concretamente, da Câmara dos Comuns.

 

Pergunta – E o Parlamento não vai corresponder à indicação dada pelo referendo?

 

Resposta – Não faço a mais pequena ideia. O que se sabe é que há uma maioria parlamentar a favor do «stay». Como vai ser? Respeitam a maioria referendada ou seguem as suas próprias convicções com base no argumento de que o «stay» faz parte do seu próprio mandato como membros do Parlamento? Podem sempre argumentar que o «stay» estava implícito na sua candidatura, na sua eleição e que, portanto, lhes cumpre seguir essa via. Mas eles são britânicos e nós nem sempre somos capazes de lhes adivinhar os pensamentos.

 

Pergunta – Mas e agora o que se segue?

 

Resposta – Para sair, a Grã Bretanha terá que invocar o Artº 50º do Tratado de Lisboa mas não há um prazo para o fazer. O Governo britânico pode mesmo não ter pressa e ir deixando essa invocação lá para as bandas do além…

 

Pergunta – E quem vai suceder a Cameron?

 

Resposta – Isso é coisa que se vai saber em breve. Mas já há muita dança com voltas e voltinhas com uns a dizerem que avançam e outros a dizerem que recuam…

 

Pergunta – E a rainha, que diz?

 

Resposta – Que sim.

 

Pergunta – Que sim a quê?

 

Resposta – Ao que chegar ao fim da dança. À rainha não compete dizer nada que não seja «sim». Nem é sequer ela a redigir os discursos da Corôa. Isso é da competência do Primeiro Ministro e ela apenas os lê.

 

Pergunta – Então para que serve a rainha?

 

Resposta – Não digo!

 

Pergunta – Não diz?

 

Resposta – Não!

 

Pergunta – Posso saber porquê?

 

Resposta – Porque tenho amigos monárquicos e não me apetece entrar em discórdia com eles.

 

Pergunta – Posso depreender que acha que a rainha não serve para nada?

 

Resposta – A depreensão é sua, eu não fiz tal afirmação. Mas não me parece que essa seja uma matéria importante para a questão de que estamos a tratar. Deixemos Sua Majestade tranquila.

 

Pergunta – E a Escócia e a Irlanda do Norte que votaram inequivocamente pelo «stay»? Acha que se despegam da Inglaterra e de Gales?

 

Resposta – Sim, vejo essa contingência como plausível e atribuo-lhe uma relevância enorme pois o petróleo do Mar do Norte é escocês. Ou seja, vão-se os anéis, os dedos e tudo… Os ingleses correm o risco de ficarem pobres como já não são há muitos séculos.

 

Pergunta – E as Universidades não produzem massa cinzenta suficiente para a Inglaterra continuar a ser importante?

 

Resposta – É claro que sim. Mas quem vai financiar essas Universidades? Se houver uma drástica redução das receitas públicas inglesas relativamente às homólogas britânicas…

 

Pergunta – Acha que a mossa vai ser grande?

 

Resposta – Acho que a mossa pode ser tão grande que a viabilidade do Estado Restante possa ser questionável.

 

Pergunta – Qual o modelo de desenvolvimento necessário a uma Inglaterra abandonada?

 

Resposta – Aí está a grande vantagem que eles têm por poderem contar com muita massa cinzenta. Isso permitir-lhes-á pensarem e decidirem sem ficarem à espera que outros pensem por eles. Só espero que este referendo lhes tenha servido de lição e que os demagogos sejam postos nos respectivos lugares.

 

Pergunta – E se o Governo britânico não invocar o Artº 50º do Tratado de Lisboa em tempo útil?

 

https://www.facebook.com/TheIndependentOnline/videos/10153765149496636/

 

Resposta – Fica o BREXIT sem efeitos práticos mas fica sobretudo o susto por que a UE passou e a necessidade imperiosa de se auto-reformular.

A UE não pode continuar a ser mais comandada por não-eleitos e por burocratas. É fundamental fazer depender os decisores dos eleitores numa escala muito mais evidente do que acontece actualmente. Se isso não acontecer, a UE virá a ser considerada apenas uma pseudo-democracia. É claro que não espero (nem desejo) que se copie o estilo suíço com referendos por dá cá aquela palha mas não podemos esquecer que os eleitores europeus respondem quase sempre negativamente quando são perguntados por isto ou por aquilo para se vingarem dos omnipotentes sábios que tudo decidem sem lhes passar cartão. Mais: a globalização dentro da UE já levou tanta gente à desgraça que o eleitor acaba por se voltar contra o «mercado único» e querer voltar à sua «quintarola privada». É para mim evidente que os europeístas tomaram o freio nos dentes e terão agora que moderar o passo. Se o não fizerem, arriscam tudo. A UE corre o perigo de desmoronamento se não se humanizar, se continuar a levar tudo pela frente como tem acontecido a torto e a direito.

O europeus já deram provas democráticas mais do que suficientes de que não querem continuar nas mãos de burocratas autocratas. Este referendo que determinou o sentido do BREXIT, foi apenas a mais recente dessas provas.

E só para acabar, no meio deste sarilho todo, está previsto que a UE seja presidida no primeiro semestre de 2017 pela… Grã Bretanha.

Vou-me fartar de rir sem achar grande piada ao ensarilhado de tudo isto. Será então a Grã Bretanha a presidir às negociações do seu próprio afastamento da UE? Será, pelo menos, curioso para não dizer kafkiano ou simplesmente absurdo. Apenas mais um absurdo.

 

Pergunta – E Portugal? Acha que deve sair?

 

Resposta – Fui muito céptico aquando do Tratado de Maastricht e todos sabemos que, tanto por opção interna como da UE, deixámos cair a produção da maior parte dos bens transaccionáveis com o argumento balofo de que não éramos competitivos. E nos serviços salvou-se o turismo apenas. É claro que se não éramos competitivos, tínhamos que pugnar pela competitividade do tecido empresarial em vez de lhe decretarmos eutanásias selectivas. O que foi feito a troco das ajudas estruturais, não foi suficiente para a cabal salvaguarda dos interesses de quem tinha que responder por uma crescente dívida externa. Mas, agora, creio que, uma vez feito o mal, seria muito pior a saída do que já foi a entrada. Temos que nos viabilizar, não temos alternativa ao regresso à produção de bens e serviços transaccionáveis, em especial nos bens alimentares. Mas para isso é necessário garantirmos a transparência dos mercados e promovermos a racionalidade no método de formação dos preços.

Só que eu ando há imenso tempo a pugnar por isto e os Serviços do Ministério da Agricultura ou fazem de conta que eu nada digo ou, como no sector das pescas, houve quem dissesse que como está é que é bom. Sim, é bom para a Procura porque para a Oferta é terrível e enquanto esta situação perdurar, nunca teremos produção e a importação será uma fatalidade. Quem comanda a política alimentar em Portugal? A Procura. Por outras palavras, o Comércio. E está bem de ver que os socialistas insistem no erro de que o consumo é motor do desenvolvimento num país de produção insuficiente e nós, os não socialistas, sabemos que a produção só é viável com preços logicamente formados em mercados transparentes. Também nunca consegui fazer os responsáveis privados pela agricultura perceberem isto.

 

Pergunta – Quem são os responsáveis privados da agricultura?

 

Resposta – A CAP. Portanto, em síntese, os grandes problemas do nosso desenvolvimento resolvem-se cá dentro mas só temos a beneficiar se pudermos contar com mercados bem maiores do que o doméstico. Ou seja, façamos o trabalho de casa mas não abandonemos a UE.

 

Pergunta – E o que dizem os Partidos da «coligação espúria»?

 

Resposta – Os socialistas dizem que o consumo é que é bom; o «tio» Jerónimo que diga o que quiser pois mais não fará do que se enganar a si próprio e a quem nele acredite; quanto à «Kika», ela que vá aprender alguma coisita de economia e de história e conversamos depois… Teatro já tínhamos que bastasse, não precisamos de mais.

 

Julho de 2016

 

Henrique na piscina das mulheres em Anuradhapura,

Henrique Salles da Fonseca

(em Polonaruva, Sri Lanka, ex-Império Britânico, NOV15)

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE UMA PEDRADA NO CHARCO

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     Começou por ser um lago de águas limpas e cristalinas onde Jean Monnet e os seus companheiros Adenauer, Schuman, Churchill e outros gostavam de ver os seus rostos reflectidos. Porém, mais tarde, aquelas águas se foram tornando fétidas, graças ao efeito pernicioso e superveniente de novos e variados afluentes, e, sobretudo, de uma poluição ambiental colectiva antes não imaginável. E é nesta espécie de pântano que acontece o BREXIT, ou seja, uma valente pedrada no charco. Que ninguém esperava e que alguns entendem que pode ser seguida de outras, como admite Wolfgang Münchau em artigo recente publicado no Financial Times.

 

     Metáforas à parte, passemos a tratar os bois pelos nomes.

 

     Várias causas podem ser apontadas para explicar o falhanço do projecto europeu, cujos sinais são cada vez menos disfarçáveis. O pano de fundo começou a ser tecido com o fim da Guerra Fria e o advento do Neoliberalismo, quando a lógica do mercado financeiro começou substituir sem rebuço os ideais de partilha, de solidariedade e de subsidiariedade. Mas o que é intrigante é a União Europeia se ter constituído em perfeita testa de ferro dos novos valores, completamente ao arrepio daquilo que foi o sonho de Jean Monnet. E o curioso é que ele deve ter pressentido este cenário à grande distância quando, em 1972, numa conferência realizada em Lausanne a que deu o título de “L’Europe Unie, de L’Utopie à la Realité”, afirmou que teria sido porventura mais avisado começar pela cultura e não pela economia. Este facto é-nos lembrado pelo Professor Adriano Moreira em artigo publicado no Diário de Notícias no passado dia 22 do corrente mês.

 

      O que é particularmente incómodo e desanimador é constatar que os actuais sucessores dos pais do sonho europeu não têm qualquer identidade genética com quem os precedeu no passado. Olha-se para o senhor Dijsselbloem (presidente do Eurogrupo), para o senhor Juncker (presidente da Comissão Europeia), para o senhor Schäuble (ministro das finanças da Alemanha), ou para o senhor Barroso (ex-presidente da Comissão Europeia), entre outros mais títeres do sistema hoje dominante, e o que é que se vê? Gente de duvidosa estirpe política, gente de visão anquilosada, gente ignorante ou insensível à História da Europa; ou se não a ignoram fazem dela autêntica tábua rasa. Com líderes deste calibre, o sonho europeu não podia almejar grandes horizontes, e provavelmente foi esta realidade redutora que Jean Monnet previu em 1972.

 

     Não vão faltar análises e previsões acerca do BREXIT. Há quem seja de opinião de que os efeitos da decisão dos ingleses serão mais devastadores para a zona euro do que para a sua própria economia interna. Além das suas previsíveis repercussões na coesão política do Reino Unido, e ainda com o ónus de poderem contaminar países onde os nacionalismos estão latentes, como os casos da Espanha e da Bélgica.

 

     Se não houver forma de regular os referendos sobre a União Europeia, estabelecendo a expressão eleitoral mínima para caucionar qualquer futuro Exit, a União irá ruir como um baralho de cartas. É inacreditável que esta situação não tenha sido anteriormente prevista nos tratados, mediante, por exemplo, a imposição de um mínimo de 70% de votos para caucionar a saída e um limite aceitável para a abstenção eleitoral, uma vez que se trata de situação deveras delicada para a estabilidade da União. Basta lembrar, como veio a público, que grande parte do eleitorado britânico se queixou de insuficiente informação sobre o que estava em causa e também de grosseira e despudorada manipulação eleitoral por parte de algumas forças partidárias concorrentes, designadamente dentro do Partido Conservador.

 

     No entanto, e apesar da apreensão que nos traz este BREXIT, há quem até pense que a pedrada no charco vai obrigar a União Europeia a reflectir sobre o seu estado e provavelmente a inflectir o rumo que vem seguindo. Isto é, a refundar-se. Mas independentemente deste Exit ou de outros que possam vir a perfilar-se no horizonte próximo, a União Europeia, à vista dos primeiros sinais, desde há muito que devia ter empreendido uma verdadeira autognose para tirar as devidas ilações sobre as causas do pântano contaminado em que se converteu. É quase unânime apontar como a causa mais flagrante do desvio do caminho o que ficou resolvido no Tratado de Lisboa, a partir do qual passámos a ter a Europa dos directórios, ou das chancelarias, em vez da Europa dos cidadãos. Com as vontades soberanas a ficarem na dependência de poderes que não passaram por escrutínio eleitoral, e, por isso, com duvidosa legitimidade democrática.

 

     Não quero ser alarmista, mas não posso deixar de ser realista e confessar a minha pouca fé no futuro desta União Europeia.

 

Tomar, 28 de Junho de 2016

 

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Adriano Miranda Lima

UM REFERENDO E A FALÊNCIA DOS PARTIDOS TRADICIONAIS

 

DESVIRTUAMENTO DO PODER QUE EMANA DO POVO.jpg

 

O referendo que ocorreu no Reino Unido, mais provavelmente ex-Reino Unido, veio trazer ao de cima o que já se ia apercebendo estar a acontecer no interior dos partidos políticos que nestas últimas décadas detinham o poder na maioria dos países europeus.

 

Com efeito os dois principais partidos do Reino Unido mostraram claramente não só estarem no seu interior desligados entre as chefias e as estruturas como talvez ainda pior desligados do seu eleitorado e isto se na verdade ainda o têm. O que significa na prática uma autêntica falência política em toda a linha.

 

No entanto isto não é maleita apenas inglesa.

 

A própria União Europeia está nesta mesma linha de actuação: afastamento crescente entre eleitores e eleitos e desenvolvimento de centros de decisão não eleitos, portanto democraticamente a eliminar.

 

Por outro lado em vários países europeus, não todos mas quase, tem sido claro não só esse afastamento da população em relação aos detentores do poder mas também estes serem mais ativos a beneficiar os seus partidários do que a defender os interesses essenciais dos seus países como seja a sua independência e o seu futuro.

 

Portanto só vejo duas hipóteses de solução: esses partidos reestruturarem-se para poderem depois reestruturarem o país ou surgirem novos partidos que não cometam os mesmos erros e sejam capazes de governar de forma a aumentar a riqueza do país e da sua população para o que é indispensável saberem dinamizar os trabalhadores e o capital produtivo (que é forçoso distinguir do especulativo que tem de ser controlado ou eliminado) pois sem esse conjunto de trabalho e capital bem sintonizado, e um Estado bem governado, não sairemos desta apagada e vil tristeza de crise.

 

Lisboa, 28 de Junho de 2016

Eng. J.C. Gonçalves Viana

José Carlos Gonçalves Viana

LONGUINHA CXLIV

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REFLEXÕES HERÉTICAS

 

Ou é da minha vista, ou a discussão em torno do Brexit (como em tantas outras momentosas ocasiões) gira em torno de uma falácia e de três argumentos não menos falaciosos.

 

A falácia: a Europa, se ainda se não reduz à Zona Euro (ZEuro), é, pelo menos, sinónimo de União Europeia (UE) - como durante décadas o foi conscientemente do Mercado Comum (MC) (afinal, uma variante da confusão que entre nós grassa entre Estado e Governo (mais Administração Pública), com efeitos não menos perniciosos).

 

Os argumentos falaciosos: (i) a paz na Europa depende da UE; (ii) a prosperidade na Europa depende da UE; (iii) sem a UE, a Europa não se alcandorará a potência mundial.

 

Convido-o, Leitor, a acompanhar-me nestas reflexões mais próprias de um herege.

 

A) A paz na Europa

 

Certamente, o leit-motif de Monnet-Schumann-Adenauer era: não mais pancadaria entre a França e a Alemanha. Mas abordaram a questão ainda com a mentalidade do período entre as duas guerras mundiais: controlar mutuamente a base industrial do aparelho militar de cada um (CECA) para ficarem os dois ao abrigo de surpresas desagradáveis. E juntaram ao acordo alguns dos países que mais tinham sofrido com as guerras entre ambos (Holanda, Bélgica e Luxemburgo) mais a Itália que não teria boas recordações de nenhum deles (Nizza/Nice é ainda hoje uma ferida aberta no orgulho da Itália do Norte). Estes quatro parceiros eram úteis a vários títulos: (i) serviam de lastro nos conflitos em que a França e a Alemanha futuramente se envolvessem, amortecendo-os; (ii) poderiam ter algum efeito moderador, au préàlable/vorher; (iii) mas, acima de tudo, afastavam a tentação de um qualquer dos ex-beligerantes lançar à socapa, em país vizinho, as raízes de um novo complexo militar-industrial (a Alemanha de então estava completamente bloqueada a Leste pela "cortina de ferro").

 

Para prevenir possíveis confrontos militares no futuro, a NATO (que a RF Alemanha tinha começado a integrar pouco tempo antes) era - e é - muito mais eficaz. Além de que, ao tempo, a vizinhança de uma URSS agressiva não abria espaço, a Ocidente, para novas aventuras militares-nacionalistas germânicas. Por isto, o argumento de que CECA e CEE eram fundamentais para a paz sempiterna na Europa Ocidental, embora simpático e apelativo para povos esvicerados por duas carnificinas, carecia de um módico de razão. Como dizia, com graça, o Embaixador Siqueira Freire: "A CEE é mais obra de Stalin que dos Pais Fundadores".

 

A queda do Muro de Berlim talvez não tivesse o poder de alterar substancialmente a correlação de forças no seio da CEE - e, se foi este o temor de Miterrand, não estaria ele a ver bem o problema. O que alterou, de cima a baixo, a geometria da CEE foram: (i) o colapso da URSS que deu rápido sumiço a uma ameaça geo-estratégica; (ii) a não menos rápida adesão dos ex-satélites europeus da URSS à CEE (impulsionada, se não mesmo forçada, por uma Alemanha reunificada; os casos da Eslovénia e da Croácia, que desencadearam a Guerra dos Balcãs e o desmembramento da Jugoslávia, são exemplares). E caía por terra o argumento que tinha, até então, sustentado a CEE na vertente "segurança": não só a ameaça geo-estratégia da URSS parecia ter desaparecido no horizonte, como a Alemanha (mas não já a França) passava a ter, a Leste, acesso franqueado a economias que lhe reforçavam o poder industrial.

 

Felizmente, ainda não surgiu na Alemanha a tentação de converter todo o seu poderio industrial em poderio militar-industrial - graças, não tenho a menor dúvida, à NATO. Mas, creio, bastará que Putin se torne mais ameaçador, e a NATO menos fiável, para vermos crescer uma nova Wermacht. Até ao momento, a hegemonia alemã na Europa manifesta-se mais através do controlo monetário da ZEuro do que por meio da eficiência industrial. A Zeuro, um brinde que Miterrand entregou à Alemanha de mão-beijada, mesmo conhecendo a inflexível posição alemã nestas matérias durante os episódios da "serpente europeia" e do Sistema Monetário Europeu.

 

B) A prosperidade na Europa

 

Como seria de esperar, a liberdade de comércio (eliminação das taxas aduaneiras e dos obstáculos de natureza administrativa ao movimento transfronteiriço de mercadorias e de serviços) deu um fortíssimo impulso às economias europeias que a praticaram.

 

O problema é que, desaparecidos os entraves ao comércio transfronteiriço, os restantes obstáculos, que sempre existiram, tornaram-se ainda mais visíveis e especialmente sentidos: o risco cambial - mas também as restrições que atingiam a movimentação de pessoas e de capitais e o livre estabelecimento.

 

As 4 liberdades acabaram por ser instituídas na CEE, mas à custa de regras cada vez mais minuciosas e intrusivas - e de um aparato burocrático para as preparar e fazer cumprir que não parava de crescer. O principal problema com este estado de coisas nem sequer era o peso da burocracia. Era, sim, o modelo que, na CEE, dava forma a essa burocracia: o modelo da regulamentação (tudo o que não está expressamente autorizado, está tacitamente proíbido), tão ao gosto das culturas francesa e germânica (onde nós, portugueses, vamos buscar inspiração). Nunca a Comissão Europeia (CE) deu mostras de acolher o bom princípio "Comply or Explain" que prevalece no sistemas de inspiração anglo-saxónica (e no sistema financeiro internacional, desde há uns anos a esta parte).

 

A pressão no sentido de "mais Europa, mais integração, mais federalização" decorre, precisamente, do modelo da regulamentação, uma vez que a CE sempre fez crer que lhe faltavam os poderes suficientes para se impor aos Estados Membros - alguns deles, aliás, organizados à luz do alternativo modelo da regulação (tudo está tacitamente autorizado, se não estiver expressamente proíbido).

 

O risco cambial era, porém, o maior empecilho - como tinha ficado bem patente nos fracassos da "serpente europeia" e do Sistema Monetário Europeu. Os Estados Membros mais desenvolvidos e, simultaneamente, exportadores líquidos (com a Alemanha à cabeça) sofriam-no de quatro maneiras: (i) pela incerteza que o risco cambial introduz sempre na actividade económica (e nos processos de decisão, em geral) - e, ainda que a exposição ao risco cambial possa ser razoavelmente coberta, isso implica inevitavelmente custos que roem as margens de lucro; (ii) por verem o potencial de compra do MC (e, mais recentemente da UE) diminuir de um dia para o outro, com as desvalorizações cambiais a que os Estados Membros economicamente mais débeis (mas, mesmo assim, mercados apetecíveis) tinham de recorrer de tempos a tempos; (iii) por terem de competir com economias, certamente menos inovadoras e menos eficientes, mas que não hesitavam em lançar mão da desvalorização cambial, já para impulsionar as suas próprias exportações, já para exportar parte das suas crises domésticas (que eram, aliás, frequentes); (iv) enfim, por se aperceberem da dinâmica de valorização imparável das suas próprias moedas nacionais - tendência que o seu potencial exportador e a sua boa gestão macroeconómica tornavam impossível de conter.

 

Por isso, o risco cambial tinha de desaparecer da CEE - o que só foi conseguido, em parte (porque vários Estados Membros se auto-excluiram e outros ainda não foram aceites), com a criação da ZEuro. ZEuro que a Alemanha, com uma estratégia negocial digna da eficiência germânica, moldou à imagem e semelhança do Deutsche Mark (DEM) – mas de forma a pôr-se ao abrigo da constante revalorização cambial de que o DEM não se conseguia livrar. Até então, sabia-se, os efeitos da "ortodoxia monetária e fiscal" alemã na sua própria economia eram atenuados pelas políticas fiscais mais expansionistas da Itália, da França e de alguns Estados Membros periféricos - apesar do incómodo que era a permanente ameaça de desvalorização cambial em várias economias da CEE. A partir de então, não mais risco cambial no interior da ZEuro - e o efeito contrabalanceador das políticas fiscais expansionistas era, agora, assegurado pelo crédito bancário transfronteiriço que fluia abundante e sem restrições.

 

Parecia o melhor dos mundos. Para os Estados Membros exportadores líquidos, com destaque para a Alemanha, que passavam a produzir e exportar livres da preocupação com o risco cambial em boa parte da sua actividade económica (e emprego). Para os Estados Membros importadores líquidos, que, sem grande esforço, recebiam dos Bancos alemães e franceses (e poucos mais) os fundos de que necessitavam para financiar o desequilíbrio sistemático das suas Balanças de Transacções Correntes (BTC). Mas não era tal - porque na vida económica não há almoços grátis.

 

Desde logo, os Bancos alemães e franceses endividavam-se até aos cabelos no mercado monetário dos EUA – o que a ninguém preocupava, até estalar a crise financeira de 2007/2010 (uma outra história, também digna de ser contada). E mais dois obstáculos se agigantavam: (i) na esfera real da economia - os desequilíbrios (deficits aqui; superavits acolá) das BTC no interior da ZEuro; (ii) na esfera nominal da economia - o risco de crédito que se ia acumulando nos Balanços dos Bancos que financiavam tais desequilíbrios (sobretudo, Bancos alemães e franceses, recordo), risco para o qual eles não dispunham de Capitais Próprios suficientes, nem tinham maneira de obter nos mercados financeiros o capital de que careciam. Deu no que deu - e foi o que se viu.

 

O objectivo oculto dos Programas de Ajustamento (vulgo, troika) foi difundir por esse mundo fora uma mensagem subliminar mais ou menos nestes termos: "Depositantes! Investidores! Contrapartes nos mercados financeiros! Sossegai! Não tendes por que vos preocupar. Quem deve dinheiro aos Bancos alemães e franceses vai acabar por pagar de uma maneira ou de outra. Por isso, estes nossos Bancos não terão de provisionar, muito menos contabilizar, perdas que consumam os seus Capitais Próprios. Alguns Bancos periféricos poderão colapsar e desaparecer, é certo. Mas, que diabo! há que dar o exemplo (e sempre é menos concorrência, que começava a irritar). O certo é que não deixaremos nunca que os grandes Bancos alemães e franceses fiquem em apuros".

 

Uma mensagem gritada e imposta a todo o custo - que mais exacerbou a propensão dirigista da CE (e do Eurogrupo), soprada dos bastidores pela Alemanha (Schauble).

 

Com o Euro, vemos agora, a CE ganhou novos pretextos para ampliar e aprofundar o modelo da regulamentação sobre o qual tinha construído toda a UE. E a Alemanha (mas só a Alemanha) obteve um conjunto de vantagens que de outro modo nunca estariam ao seu alcance: (i) conseguiu dissociar a evolução da taxa de câmbio da sua moeda nacional (agora, o Euro) do seu crescente potencial económico e dos sucessivos superavits da sua BTC; (ii) deficitária em matérias primas energéticas, conseguiu passar a pagar na sua própria moeda nacional (o Euro) o gás natural que compra na Rússia e noutras regiões euro-asiáticas - fundos que permanecem depositados nos seus próprios Bancos (os quais ficam assim poupados a problemas de liquidez, além de obterem evidentes e substanciais ganhos de senhoriagem; situação que só é igualada pelos EUA - mais nenhuma economia à face da Terra goza de igual privilégio); (iii) conseguiu pôr-se ao abrigo do risco cambial numa parte significativa das suas exportações e dos seus movimentos de capitais; (iv) conseguiu induzir nos restantes Estados Membros uma procura acrescida assente em dívida - de que a sua indústria (mas não os seus serviços) tira o melhor proveito; (v) pelo facto de financiar a compra das suas exportações, não directamente, mas através de Bancos locais, conseguiu que o excessivo endividamento das economias suas clientes não se reflicta de imediato nos principais Bancos alemães, antes corroa os Balanços desses Bancos locais; (vi) conseguiu transformar um grave problema de crédito malparado nos Balanços dos seus principais Bancos, num problema de default dos Estados Membros com desequilíbrios profundos nas respectivas BTC (o dedo em riste para os desequilíbrios orçamentais não é mais que uma cortina de fumo para ocultar os movimentos interbancários na ZEuro); (vii) converteu os contribuintes dos Estados Membros à beira do default (e, em tese, de todos os restantes Estados Membros) - estejam eles, contribuintes, pessoalmente endividados ou não - em fiadores irrestritos dos empréstimos que os Bancos alemães vão fazendo aos Bancos locais para financiar a procura de produtos alemães.

 

E é isto – não mais, ou menos, Europa - que está presentemente em causa.

 

C) A Europa como potência mundial

 

Para ser uma verdadeira potência mundial (isto é, capaz de projectar a sua vontade no mundo) falta à UE uma capacidade militar com efeito dissuasor credível. Não basta uma indústria militar de ponta (que existe). São necessárias botas dispostas a ir para o terreno, seja onde for. E só no Reino Unido - e, talvez, em França - estão disponíveis essas tais botas em número significativo. A UE só é vista como potência mundial enquanto integrar a NATO. Até agora, tem surgido na cena mundial sempre na sombra do poder político-militar dos EUA - e sem o conforto dessa sombra, pouco ou nada contaria.

 

Acontece que a Alemanha nasceu com o sonho - e o apetite - de ser vista como uma potência mundial (das Grosse Deutschland). Foi assim logo na Conferência de Berlim. Foi assim na curta Guerra Franco-Prussiana e com o Kaiser Guilherme II. Foi assim com Hitler, que cavalgou essa vontade e esse apetite até limites inimagináveis. E é assim, não tanto na UE, mas principalmente na ZEuro - o que é dizer, querendo ser vista como leader de uma moeda de reserva mundial (o Euro)

 

Pragmática, conhecedora da História à custa própria, a Alemanha sabe que, por maior que seja o seu poderio industrial e financeiro, com 80 milhões de habitantes nunca deixará de ser uma Média Potência, cuja zona de influência estratégica até se situa a Leste, onde cedo ou tarde esbarrará na Rússia - a Grande Potência que sempre temeu (infelizmente, ainda não vi suficientemente escalpelizado o papel da Alemanha nos acontecimentos que desaguaram na Revolução Laranja (Ucrânia, NOV2014); mas sempre me pareceram tirados quase a papel químico do que se passou na ex-Jugoslávia, com a Croácia e a Eslovénia, peças no mapa idealizado da Grosse Deutschland).

 

Para ser reconhecida como uma potência mundial, a Alemanha sabe que tem: (i) de se transvestir de UE, com os seus 550 milhões de habitantes; (ii) de ser um fidelíssimo membro da NATO - o que lhe evita o esforço económico e financeiro de criar e manter uma capacidade militar à altura das suas ambições, e não despertar receios na vizinhança. Dito de outro modo: a Alemanha tudo tem feito para se elevar discretamente ao patamar das 3 Grandes Potências mundiais (EUA, China e Rússia), aos ombros dos restantes Estados Membros (dizendo-lhes que são eles, em conjunto, e não ela, que têm voz entre os "Grandes") e usando o Euro como moeda de reserva mundial. Uma estratégia que tem seguido, desde os anos '80, de maneira inflexível, com disciplina germânica. Mas, cada vez mais, é só a voz alemã que se faz ouvir.

 

D) BREXIT

 

“Brexit, what a nuisance!” Não duvido. As razões que ditaram o voto maioritário no referendo britânico não se recomendam? Concedo. Mas o que foi posto frontalmente em causa não foi a Europa. Foi o modelo político-burocrático (a UE) em que se quis, e quer, espartilhar a Europa. Foi a referida falácia, mais os argumentos falaciosos que a acompanham. E foi também a nossa (não) política na Europa, resumida ao venal: “Façam o que muito bem entenderem, tanto se nos dá. O importante é mesmo que venha de lá o “taco”.

 

Se a resposta da UE (e a do nosso Governo, à sua escala insignificante) for "mais Europa" – em que custos e benefícios continuem a ser cada vez mais desigualmente repartidos, já entre Estados Membros, já no interior de cada Estado Membro - não prevejo nada de bom para ninguém.

 

 

Junho de 2016

António Palhinha Machado

A. Palhinha Machado

 

BREXIT – 2

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Primeiro uma referência à Noruega: o maior produtor de petróleo do chamado “Ocidente”, tem conduzido de forma admirável os excedentes financeiros dessa exploração, para investimentos que assegurem, no futuro, a continuação do nível de vida, impecável, que hoje usufruem os noruegueses. Nada de espaventos arábicos ou idiotas dos venezuelanos. O maior investidor mundial, tem aplicado dinheiro em largas dezenas de países, jamais ultrapassando 5% do capital das empresas onde aplica, diversificando ao máximo e garantindo que se uma ou outra empresa falir a Noruega não vai sentir.

 

David Cameron apostou tudo num idiota referendo, colocou os ovos todos no mesmo cesto, orgulhoso e “seguro”, não soube conduzir a opinião pública e... dançou!

 

Não parece ter sido muito difícil derrubar a imbecilidade de slogans do “out” como “Give us our country back”, como se alguma vez o Reino Unido tivesse perdido a sua TOTAL independência. Não entraram no Euro, não alinharam no Schengen, não aceitaram lutar contra paraísos fiscais e se não gostavam muito das directrizes de Bruxelas, o que estavam lá a fazer 2.000 funcionários?

 

Boris bramava que a UE custava £ 400 milhões por semana, o que é mentira. Mandavam cerca de 350 e recebiam de volta 200, e tinham 2.000 funcionários, regiamente pagos, não pelo UK mas pela EU. O malandro do Boris, e seus correligionários usaram e abusaram disso, e ninguém os desmentiu. O que era de esperar?

 

Razão teve o Putin em dizer, há já quase duas semanas, que tinha sido a maior burrada do Sr. Cameron. E foi.

 

Quem ficou a ganhar com esta saída da UE? Todos os outros blocos económicos do mundo, sobretudo China e América do Norte, não esquecendo a Rússia, agora com a obsessão de reconstruir o Império Soviético e adorando ver a Europa se enfraquecer (vidé Ucrânia) e até o imbecil Donald Trump que vai dizer nos EUA que até os ingleses não querem mais imigrantes!

 

Quem votou no “out”? A velharia inglesa apavorada com os “imigrantes”! Teria votado na Rainha Vitória ou no Henrique VIII do mesmo modo, recordando os “bons velhos tempos” em que os marajás beijavam a mão do governador da Índia, ou quando morreu o rei Jorge VI, o futuro Eduardo VII estava de visita ao Quénia, recebeu o telegrama a avisar da morte do pai e que regressasse imediatamente a Londres. Eduard não regressou logo. Quis ficar mais uma noite porque sabia que nessa noite ia “comer a mulher do governador”. Comeu e quando chegou a Londres o velho rei já estava em baixo da terra. Esta é a Inglaterra que votou no “out”. Querem continuar com o seu snob “five ó clock tea”, e o futuro, como não será deles... que se lixe.

 

Quem saiu prejudicado? Os jovens que sabem que o futuro está inexoravelmente ligado à Europa, mesmo com o exemplo desastroso e infeliz que tem sido até hoje a condução super burocratizada do Parlamento Europeu.

 

Se em vez de implodir a Europa este BREXIT for bem mastigado por todos os países membros, pode ser que a Europa saia fortalecida.

 

Terá que reduzir o custo do Conselho e do Parlamento em 50% ou mais, para ver se alguma eficiência pode vir a ter, terá que bater o pé à sra. Adolph H. Merkel e sua fobia de conquistar a Europa esmagando os pequenos, terá que consertar a livre circulação de mercadorias, conscientes de que a França tem custos altíssimos nos produtos alimentares, mas que país nenhum pode depender de importação para comer – como é o caso de Portugal desde pelo menos... sempre – continuar a luta contra os paraísos fiscais, dos quais a Inglaterra é um carro chefe, e etc., além de inúmeros etcs., e tentar resolver o programa da invasão dos refugiados que já fez mais de 10.000 mortes por afogamento, entre estas mais de 2.000 crianças.

 

A sensação que fica é que o “glorioso” Reino Unido, depois de dominar o mundo, desde a China às Américas e África, demonstrou agora uma falta de raciocínio e bom senso, dignos de imberbes mentecaptos.

 

E é pena.

 

25/06/2016

 

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Francisco Gomes de Amorim

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