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A bem da Nação

DA LIDERANÇA

 

Não se lidera batendo nas pessoas. Qualquer idiota o pode fazer e isso é 'assalto' e não 'liderança'. Liderança é persuasão, conciliação, educação e paciência. É um trabalho longo, lento e difícil.

Eisenhower.jpg

Dwight D. Eisenhower

* * *

Eu não tenho medo de um exército de leões liderado por uma ovelha; Eu tenho medo de um exército de ovelhas liderado por um leão.

Frase atribuída a

Alexandre o Grande.jpg

Alexandre o Grande

A MORTE DO LINCE

 

Lince.jpg

 

Começa a ser repetitiva a notícia de que um lince apareceu morto.

 

Creio que algumas poderão ser as causas dessas mortes, nomeadamente a de se tratar de animais que foram criados em cativeiro e posteriormente libertados pelo que admito que não tenham a «expertise» suficiente para se cuidarem na liberdade a que foram obrigados.

 

Mas também admito que o instinto de sobrevivência com que nasceram não esteja adaptado aos automóveis nem aos criadores de gado miúdo de que eles, linces, apreciam o paladar.

 

Uma vez que não estou a ver os biólogos ligados à reintrodução do lince no habitat tradicional pugnarem pelo corte de estradas nem pela expulsão dos criadores de gado miúdo dos locais onde os linces aparecem mortos, creio mais sensato deixá-los viver em ambientes protegidos sem se correr o risco sério de extinção da espécie na liberdade fatal que lhes tem sido imposta.

 

Mas quando lidamos com ambientalistas, nunca se sabe qual a linha de raciocínio por que singram.

 

Janeiro de 2019

Tamil Nadu.png

Henrique Salles da Fonseca

SANS RANCUNE

 

Qualquer escritor é jovem aos 44 anos de idade e mais jovem ainda é quando, nessa idade, recebe o Prémio Nobel da Literatura. Foi em Dezembro de 1957.

 

Nascido em Argel em 1913, formou-se em filosofia e serviu-se da literatura para explicar os seus conceitos filosóficos. Tornou-se conhecido pela apologia da moral.

 

Morreu em 1960 num acidente de viação em França quando era conduzido pelo seu editor e amigo Michel Gallimard[i].

 

Chamava-se Albert Camus.

 

* * *

 

Quatro dias depois da cerimónia de atribuição do Prémio, deu uma conferência de imprensa na Universidade de Estocolmo resumindo o que dissera perante a Academia. Seguiam-se perguntas e respostas.

 

Foi quando um então jovem argelino residente em Estocolmo o interpelou pelo facto de ele não apoiar a independência da Argélia. Os ânimos azedaram-se e Saïd Kessal – assim se chama[ii] o imigrante ainda hoje residente na Suécia mas já octogenário – sentia-se humilhado com o posicionamento político de Camus.

 

A discussão acabou quando Camus proferiu a frase que ficou célebre incompatibilizando o terrorismo e a justiça:

J’ai toujours condamné la terreur. Je dois condamner aussi un terrorisme qui s’exerce aveuglément dans les rues d’Alger, par exemple, et qui un jour peut frapper ma mère ou ma famille. Je crois à la justice mais je défendrai ma mère avant la justice.

Albert Camus.jpgAlbert Camus

 

A sessão foi ali encerrada mas a história continua…

 

Foi já em 2010, aquando das celebrações do 50º aniversário da morte de Camus, que um jornalista francês descobriu Saïd Kessal em Estocolmo e o entrevistou.

 

Ficámos então a saber que, após o confronto, o entretanto octogenário se dedicara a estudar a obra literária de Camus passando a ter por ele uma enorme consideração. A ponto de, ao saber da morte trágica do escritor, se ter deslocado da Suécia ao local do acidente fatídico e aí ter depositado um ramo de flores.

 

Evidemment, sans rancune.

 

Dezembro de 2018

Natal 2011.jpg

Henrique Salles da Fonseca

NOTA: Este texto vem a propósito do ataque terrorista em Strasbourg

 

[i] - Camus teve morte imediata, Michel Gallimard morreu no hospital 5 dias depois do acidente, a mulher e a filha do editor saíram ilesas e o cão que com eles viajava desapareceu.

[ii] - Este «Presente do Indicativo» do verbo “chamar” refere-se a meados de 2010

“TENHO UMA PULGA ATRÁS DA ORELHA”

 

Pulga atrás da orelha.jpg

 

Tenho aqui "uma pulga atrás da orelha": ou há "gato escondido com o rabo de fora" ou então temos mesmo que "agarrar o touro pelos cornos" e preservar os provérbios portugueses carregados de significado semântico. Sempre ouvi dizer que "mais vale um pássaro na mão que dois a voar" e, sinceramente, deixar voar tanta simbologia vai deixar-nos como "peixes fora de água" em algumas conversações. Vale que "cão que ladra não morde" e às vezes há mesmo que "engolir um sapo". Desculpem se estou para aqui a desbobinar "cobras e lagartos" mas eles deviam era estar "caladinhos que nem um rato" e tirar "o cavalinho da chuva", porque, "macacos me mordam", acabar os provérbios com animais é o mesmo que deixar de "falar como um papagaio", que é uma coisa que eu adoro.

 

Os políticos às vezes são "chatos como uma carraça" e só dá vontade de lhes gritar "vai-te embora ó melga! , vai-te encher de moscas!". Não tarda proíbem todas as histórias com bichos e até quem se apaixona fica proibido de sentir "borboletas na barriga" ou de "ir ver a foca" (esta é só para quem é de Coimbra! ). Enfim, "os cães ladram e a caravana passa".

 

E agora, se quiserem, partilhem, que "a cavalo dado não se olha o dente" e embora "ovelha que berra é bocado que perde" eu não tenho medo pois "quem tem medo compra um cão preto".

 

Definitivamente, neste país, temos é que aprender a ser "espertos que nem uma raposa" para não "andarmos para trás como o caranguejo".

Autor anónimo.png

Recebido por e-mail, Autor não identificado

O INCÓMODO DO PENSAMENTO

 

 

Pensar incomoda como andar à chuva

Quando o vento cresce e parece que chove mais.

(…)

Ser poeta não é uma ambição minha,

É a minha maneira de estar sozinho.

Alberto Caeiro (Almada Negreiros).pngAlberto Caeiro

 In “O Guardador de Rebanhos”

 

O poeta que me perdoe mas prefiro o incómodo à acefalia.

 

Quanto à poesia, creio que há muito quem se limite aos jogos de palavras e sons pelo que raramente ela faz sentido no papel; prefiro-a na vida.

 

Outubro de 2018

 

098.JPG

 Henrique Salles da Fonseca

(algures na Indonésia, SET18)

E JÁ LÁ VÃO MAIS DE QUINZE DIAS…

 

 

Elegante e fina, como já era há 50 anos; hoje, com muito mais sabedoria. Sabedoria que me faltou quando referi sessenta anos em vez dos cinquenta. E logo me tinha dito – Que horror, não me fale sobre esse tempo todo! E eu, já tarde, corrigi a boçalidade (que, entretanto, estava dita), dos sessenta para a casa dos cinquenta.

 

Isto, de as Senhoras darem ouvidos a boçais, dá nisto. Então, só me ocorre dirigir-lhe um «Sorry» se, por acaso, a dita Senhora ler estas linhas.

 

E o mais curioso é que nunca tínhamos falado directamente mas reconhecemo-nos logo que fomos apresentados formalmente.

 

Mais metro, menos centímetro, andamos pelas mesmas idades; temos respirado o mesmo ar e vivido as mesmas circunstâncias nacionais. Não estranhei minimamente estarmos em áreas políticas de grande proximidade – se é que não na mesma, mas não tive «lata» de perguntar.

 

E porque o ambiente social é próximo, foi com naturalidade que regressou a um ambiente que conheceu na infância e na juventude; eu nunca saí desse ambiente e as circunstâncias conduziram a que pudéssemos falar de coisas que nos dão prazer e, no caso dela, saudades.

 

Foi giro falarmos do Pai dela que foi um Senhor muito respeitável e do Avô que foi «só» Presidente da República.

 

Visita presidencial à Calheta.jpg

Visita presidencial à Calheta

(só identificarei o Avô após autorização da Neta)

 

Encontro que me leva a afirmar que é com este tipo de laços que se tece uma Nação. Neste caso, a nossa.

 

É claro que não lhe cito o nome mas garanto que gostei muito de falar desse tal passado.

 

Venham, então, as novas gerações que conheçam e se orgulhem deste passado.

 

Junho de 2018

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Henrique Salles da Fonseca

CONVERSAS MISTERIOSAS

 

 

 

Adolphine Freud, irmã do célebre psicanalista, não foi incluída no Visto de emigração que lhes permitiria viajarem para Inglaterra livrando-se do regime nazi que chegara à Áustria. Resultado, foi parar ao campo de extermínio em Theresienstadt.

Irmãs de Freud.png

 As quatro irmãs de Sigmund Freud morreram em campos de concentração.

Adolphine (Dolphi) é a primeira da esquerda

 

Aí, conheceu Ottla, irmã de Franz Kafka, que padecia de amnésia a quem contou as suas memórias pouco antes do gazeamento de ambas.

Franz e Ottla Kafka.jpg

 Franz Kafka e sua irmã Ottla

 

O mistério está então em saber como é que as histórias contadas a uma amnésica saíram cá para fora - para fora da ouvinte e para fora do campo de extermínio.

 

Mistérios…

 

Junho de 2018

008.JPG

 Henrique Salles da Fonseca

O GESTO É QUASE TUDO

 

 

O método cartesiano, baseado na dedução pura, consiste em começar com axiomas e, pela sua conjugação lógica, desenvolver raciocínios até chegar a conclusões.

 

Dissipadas as dúvidas e definida até uma ou outra cláusula pétrea que dê fixação histórica à questão, eis que o lógico assume certezas sem necessidade do recurso a dogmas. E, no diálogo, vem-lhe ao gesto essa certeza como reforço da clareza do pensamento.

HSF-O GESTO É QUASE TUDO.jpg

Quanto ao interlocutor duvidoso, à vista de linguagem gestual convincente (ou será apenas convencida?), dissipa hesitações para glória absoluta do lógico triunfante.

 

Não há dúvida, o gesto é quase tudo.

 

Dezembro de 2016

 

Henrique Salles da Fonseca.png

Henrique Salles da Fonseca

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