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A bem da Nação

AINDA AS PEDRAS E AS ORQUÍDEAS

 

 

Disse há dias da comunicação social o que Maomé não disse do chouriço mas, sem me negar no diagnóstico, creio conveniente para a serenidade dos espíritos de quem me leu, transcrever um pequeno texto de Gilles Lipovetsky do seu livro «O CREPÚSCULO DO DEVER», ed. D. QUIXOTE, 4ª edição, Maio de 2010, pág. 265 e seg.

 

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Em escassos quarenta anos, a comunicação social adquiriu, em particular através da hegemonia cultural da televisão, um papel e um poder excepcionais. Assim se impõem como poder autónomo capaz de modificar notoriamente tanto a vida política como a económica, cultural e a moral.

 

Esta omnipresença mediática, traduzida num poder de influência sem precedentes está na origem do regresso em força da preocupação ética: quando o poder aumenta, a interrogação sobre os limites justos do poder torna-se inevitável; quando os órgãos de comunicação se transformam em «quarto poder», a questão central já não é a dos direitos da informação, mas a dos deveres que resultam do papel crescente da «mediacracia».

 

Acontece com a ética da informação o mesmo que com a bioética ou a ética ecológica: a consideração das consequências deploráveis ou catastróficas para os homens e as instituições democráticas serve sempre de alavanca para a reactivação do princípio da responsabilidade.

 

Na sociedade pós-moralista, a ética não emerge socialmente como ideal incondicional, mas como resposta das sociedades liberais aos receios suscitados pela excrescência dos novos poderes, quer eles sejam tecnocientíficos ou mediáticos.

 

A vontade de uma ética da informação existe à imagem das sociedades pós-modernas viradas prioritariamente para as preocupações do presente e afastadas dos grandes desígnios colectivos e históricos.

 

A exigência social de uma informação responsável acompanha a falência de todas as «religiões seculares»; quanto menor é a fé futurista, mais se intensifica a importância da fidelidade aos acontecimentos do presente; quanto menos for a ideologia messiânica a dar uma visão de conjunto do mundo, maior será a preocupação de recolha, selecção e apresentação de factos pontuais; quanto menos se detém as chaves da história, mais se impõe o valor mínimo de honestidade na apresentação quotidiana da informação.

 

Quando os grandes confrontos sobre o sentido da história estão caducos, os debates em torno da responsabilidade da informação e da cidadania mediática tornam-se preponderantes.

 

O ressurgimento da intenção ética nos órgãos da comunicação constitui a resposta.

 

***

 

Como serão as orquídeas que vão brotar das pedras da actual «intifada»?

 

Se vier a ser como diz Lipovestky, então dá para acreditar que será possível das pedras nascerem orquídeas. Mas… ou somos nós a fazer por isso ou nem a Senhora dos Aflitos nos valerá.

 

Agosto de 2014

 

 Henrique Salles da Fonseca

 

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