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A bem da Nação

OS OBJECTIVOS DA COBIÇA ESTRANGEIRA

 

Afinal... O que pretendiam os holandeses?

 

Nas expressivas páginas do seu Maurício de Nassau, Américo Mendes de Oliveira Castro, cotado historiador brasileiro, explicando-nos o espírito neerlandês, diz-nos, seguindo os raciocínios de Barleu: Somos moderados onde o inimigo é rico; inofensivos onde é pobre; vitoriosos onde é belígero.

 

E esclarece, transcrevendo uma passagem da obra citada de Barleu, panegirista do príncipe João Maurício de Nassau: Portanto, não reputamos injusto obtermos o ouro mediante guerras legítimas, nem espantoso buscá-lo pelos mares em fora, nem vergonhoso ganhá-lo comerciando, nem desagradável tomá-lo ao inimigo.

 

 (*)

 João Maurício de Nassau-Siegen, em holandês Johan Maurits van Nassau-Siegen e em alemão Johann Moritz von Nassau-Siegen, (Dillenburg, 17 de Junho de 1604 — Cleves, 20 de Dezembro de 1679)

 

O holandês, saiba-se já, demandava apenas o açúcar! Transpunha os oceanos, aportando ao Brasil e a S. Tomé, em prol dum produto que a Europa avidamente reclamava! Almejava desalojar-nos, pois, dos núcleos de irradiação onde nos fixáramos. Surpreende o desiderato?

 

E adita Américo Mendes de Oliveira Castro no seu trabalho: Estas considerações evidenciam que o móbil dos holandeses ao lançarem os seus olhos vesgos de cobiça, não mais para o Oriente pagão, mas para as terras onde abundava o açúcar, era apenas, exclusiva e confessadamente, fazerem um bom negócio sob a forma ainda inédita entre povos cristãos... todos os que compunham o grupo de desabusados salteadores, reunidos sob o rótulo da Companhia das Índias Ocidentais, desde o mais opulento mercador de Amesterdão até o mais humilde dos empregados eram unicamente aguilhoados pela ideia de enriquecer rapidamente: saque e pilhagem, para os que arriscavam a vida nas lutas; o açúcar transformado em ouro sonante para os dirigentes de Amesterdão e para os accionistas.

 

Em 1706, voltaram os franceses. Norteava-os o apetite que instigava os súbditos batavos da Casa de Orange. Uma esquadra de muitos navios desembarcou gente de combate no Príncipe. Os incêndios lavraram em quase todos os edifícios. A fortaleza, de robusta construção, foi investida e rendeu-se. As naus e urcas surtas no porto experimentaram a crua sorte dum inesperado afundamento. Acossados os invasores, por desencadeada uma campanha de guerrilhas chefiada pelo heróico capitão-mor Manuel de Sousa Costa, o qual se ocultara nas florestas, breve os intrusos bateram em retirada. Mas retornaram em 1709, desembarcando em S. Tomé. Assolaram a cidade e partiram, porém, só depois de atulhados os cofres de bordo com 20 000 cruzados, alcançados por violentíssima extorsão.

 

Descortinamos facilmente, pelo quadro exposto, qual, e em que agruras se debateu, a movimentada vida e actividade de S. Tomé. Atenta a necessidade de ser utilizada a ilha como apoio aos descobrimentos a efectuar mais a sul, despontou o ensejo de rapidamente crescer em bens de raiz e multiplicar-se em serviços. Averiguadamente S. Tomé, pela sua importância e posição geográfica, dobrou o nível delineado de dinâmico gerador de iniciativas. Todas as feitorias disseminadas pelo Golfo da Guiné, nos territórios do Gabão, Costa do Ouro, Togo, Daomé, Nigéria e Camarão, se não abrolharam, na maioria mantiveram-se, sem uma excepção só, da sua operosidade infatigável. Reflectiu-se, de modo imperativo, a sua acção na penetração até do Continente. Fozes de estuários, parcelas longínquas no interior virgem, foram exploradas e tornaram-se conhecidas, assente uma obstinação inteligente e acrisolada. Distende-se o senhorio da ilha, expansão e monopólio comercial, da fortaleza de Axem, a oeste do Cabo das Três-Pombas, à embocadura do Zaire. O padre Fernão Guerreiro – como exemplo – testemunhando a efervescência dum burgo surgido bastante a sul do Cabo Verga, escreveu: Aí, um Bento Correia da Silva, natural da Ilha de S. Tomé, com um irmão seu e outros parentes e amigos, fez uma povoação, a qual foi crescendo de modo que haverá nela quinhentos portugueses, e entre brancos e pretos 3000 pessoas.

 

MODO DE SER DOS PORTUGUESES E O SEU SENSO SOCIAL E DE ACOLHIMENTO HUMANO

 

Não é lícito furtar-nos agora a destacar o meio social de S. Tomé. Entrevê-se, pela Carta Régia, de Janeiro de 1515, subscrita por D. Manuel I, qual fosse o objectivo dela e as formalidades futuras. O Venturoso ordenou, sem exclusões de nenhuma espécie, que todas as escravas unidas e vivendo com os primeiros brancos, ficassem desde aquela data livres. Considerava também livres os descendentes e precisou que nunca estes poderiam ser citados ou procurados como cativos do rei ou de qualquer. Tal mercê, por nova Carta Régia, de 1517, abrangia então todos os serviçais varões, aceites pelos primeiros moradores da ilha como seus escravos.

 

Não se pressuponha agora que S. Tomé constituísse, de qualquer maneira, para exclusivo uso dos metropolitanos, um feudo. A exemplo das ilhas, no Arquipélago de Cabo Verde, os estrangeiros exerciam o comércio e prosperavam no âmbito de múltiplas funções. Avultavam, sobretudo, os genoveses, castelhanos e franceses. No Loango consentíamos até uma feitoria neerlandesa, a par da nossa. Outras, mais tarde, por toda a parte, inglesas e holandesas se estabeleceram.

 

Ajuíze-se, pois, que ao propormos falar da Angola não podemos deixar, como se vê, de mencionar a pérola do Atlântico, que tão relevante papel desempenhou nos destinos desta província.

 

Rio de Janeiro, 11 de Outubro de 2011

 

 

 Francisco Gomes de Amorim

 

(*)http://www.google.pt/imgres?q=Maur%C3%ADcio%2Bde%2BNassau&um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1024&bih=753&tbm=isch&tbnid=qwx2-mepSnLxLM:&imgrefurl=http://www.hirondino.com/historia-de-portugal/mauricio-de-nassau/&docid=XqtvaUUTzlC7gM&w=249&h=320&ei=9KeVTo-4EoOVswb-sZzBBQ&zoom=1&iact=hc&vpx=207&vpy=126&dur=2826&hovh=255&hovw=198&tx=108&ty=131&page=1&tbnh=152&tbnw=114&start=0&ndsp=24&ved=1t:429,r:1,s:0

O DESCOBRIMENTO DE S. TOMÉ

 Aqui «encalharam» em 1470 os descobridores da ilha e cheguei eu, Henrique Salles da Fonseca, em boa hora para ajudar o pequenito a transportar o cacho de bananas para o almoço dele e respectiva família

 

Quando João de Santarém e Pedro Escobar descobriram em 1470 a Ilha de S. Tomé, cumpriram apenas a incumbência confiada por D. Afonso V a Fernão Gomes, a cujo serviço ambos os navegadores se achavam. O descobrimento efectuou-se precisamente no dia 21 de Dezembro e portanto foi consagrado ao Apostolo S. Tomé. Logo em 1 de Janeiro, menos, pois, de duas semanas, descobriram os dois nautas portugueses a Ilha de Ano Bom e a 17 de Santo Antão ou Santo António Abade, denominada mais tarde do Príncipe.

 

Fernão Gomes era, no prazo estipulado de cinco anos, o arrematante, por contrato com Afonso V, dos descobrimentos da costa africana, a partir do Cabo de Palmas, celebrado em Novembro de 1469. As clausulas impunham-lhe, no decurso de cada ano, o descobrimento de 100 léguas de costa, considerando como início a Serra Leoa onde Soeiro da Costa e Pedro Sintra deram por findas as suas viagens.

 

Só em 1493 a Capitania de S. Tomé, doada a Álvaro Caminha, conheceu os primeiros moradores permanentes. Estabeleceram-se estes apenas um pouco mais tarde no local (idos, então, de Agua-Ambo), onde a capital da ilha hoje se alicerça. Naturalmente que o objectivo requerendo uma fixação de gente branca, simultaneamente exigia uma população de cor, apta a resistir aos rigores do clima, se aceitarmos que S. Tomé era essencial elo na escala dos previstos desdobramentos para o Sul, assim constituindo uma base de abastecimento, de movimentado e alto teor económico. Foram deste modo introduzidos na ilha agrupamentos negros, escolhidos nas zonas do continente africano próximo. O resultado imediato foi o cruzamento de mulheres negras com naturais metropolitanos recém vindos. Deste castiçamento se obteve uma classe abastada. Sobressaiu um predomínio vinculado de tal mestiçagem, ainda actualmente aceite pelas populações radicadas na Ilha.

 

Observou-se ali, quanto a povoamento, o que anteriormente se lobrigara no Arquipélago de Cabo Verde. Como exemplo a Ilha da Boa Vista, no mesmo arquipélago, muito antes de ter sido colonizada pelo elemento negro, fora ocupada por metropolitanos e entre estes iríamos achar até um ou outro estrangeiro. Cristóvão Colombo, com amarga surpresa sua, conforme o diz no seu diário, foi descobrir naquela ilha um hospício destinado a tratamento de gafos, em 1498, instalado atenta a extraordinária abundância de tartarugas no local e a crença generalizada de que o óleo dos quelónios era soberano contra a lepra.

 

Tão intenso e feliz foi o povoamento de S. Tomé que em 1504 os cónegos de Santo Eloi erigiriam uma freguesia, designada por Nossa Senhora da Graça. Ponderemos, entretanto, a fim de atribuirmos o indispensável valor a série de actividades em curso na Ilha de S. Tomé, que, pouco antes, isto é em 1500, a Ilha do Príncipe presenciara a fixação dos primeiros residentes, sob o entusiástico patrocínio de António Carneiro, homem na metrópole apontado como detentor de riquezas em dinheiro e outros bens de excepcional relevo. Apenas esboçada a ocupação, os povoadores do Príncipe, recrutados quase todos na Ilha da Madeira, devotaram-se ao cultivo da cana sacarina. Breve os terrenos arroteados se encheram de engenhos e edificações.

 

Em 1517, S. Tomé, orgulhava-se, tal como o Príncipe, da sua produção de açúcar. O gado concentrava-se nos pastos acessíveis e abundantes. Já, então, na ilha, se contavam muitos moradores de cor negra, que, em virtude da sua actividade, tinham amealhado verdadeiras fortunas. Destacava-se entre todos eles um preto muito idoso de nome João Menino. Anos volvidos, D. João III, que não perdia de vista o Brasil, em 19 de Maio de 1524 outorgava foral aos habitantes são-tomenses. Desfrutaram estes, por via disso, de isenções especiais. Compensação oportuna se afigurou, se sopesarmos o largo e fecundo esforço despendido e o tenaz e diligente espírito de abnegação patente em todas as suas emergências e actos. Pela bula Aequum reputamus, de 3 de Novembro de1534, Paulo III criava a Diocese de S. Tomé. O primeiro bispo foi D. Diogo Ortiz de Vilhena. Incorporavam o novo cantão eclesiástico as Ilhas do Príncipe, Fernando Pó, Ano Bom e Santa Helena e, ainda, agregados, o Cabo Palmas, os mais distantes das Agulhas e Boa Esperança, além, claro, da própria ilha.

 

FRANCESES E HOLANDESES ACOMETEM A ILHA DE S. TOMÉ

 

Tempo após, menos de um ano, por Carta régia datada de 22 de Abril de 1535, o bloco de S. Tome era elevado a cidade. Instigou o legislador uma causa sagrada e convincente. Um decreto promulgado em 1539 determinava que os mulatos honrados e casados na Ilha de S. Tomé pudessem servir nos ofícios do Conselho. No seu Islario General, Afonso de Santa Cruz, que escrevia, supõe-se, em 1545 ou 1550, narra-nos que a urbe era então lugar onde proliferava numero não inferior a 4000 almas. Sabemos o motivo: fundamentava-se S. Tomé, para o aumento demográfico, que abrangia também os mulatos honrados do Conselho, na produção da cana sacarina. Vinham somente depois o marfim e, quanto a escravos, o comércio destes. Os rendimentos colhidos eram então muito elevados. Noite e dia formigavam artífices num vasto estaleiro e as feitorias não se contavam por menos de 12 a 15.

 

Em virtude de tão assinalada prosperidade, cuja fama ganhava já a Europa, os corsários franceses em 1567 acometeram a ilha e procederam a um desembarque. Repelidos com firmeza, deixaram nos areais muitos mortos e feridos. Uma esquadra holandesa repetiu, entretanto, a façanha em 1600. Comandava-a o almirante Estêvão Van Der Hagen, duramente castigado antes num ataque às gentes das Ilhas de Maio e do Príncipe. Saqueou o marujo a capital, mas a armada retirou precipitadamente, ameaçados os batavos como se observaram pelos residentes, os quais, a rebate dos sinos e clamores, acorreram das plantações vizinhas. O assalto determinou, contudo, um preconizado abandono de muitas famílias, aliás sem imediatas consequências, que preferiram para campo da sua actividade o Brasil. Assustava-as a perspectiva dum desencadeamento de cruéis assédios, devastadores e pertinazes, atingindo o animoso e porfiado labor geral. Julgadas as circunstancias, Lisboa procurou obstar a uma prejudicial transferência de valores e pessoas. Todavia, a administração dos Filipes não se decidia por uma adopção de medidas, cuja urgência visivelmente se impunha. Só em 16 de Janeiro de 1606 se promulgou um alvará atinente à situação. A cupidez dos franceses e flamengos -frequentemente estes dispunham de frotas de 20 e 30 unidades – foi devidamente apreciada. Mercê, porém, do ascendente de alguns portugueses, estacionados na costa e conhecedores do problema que aos moradores de S. Tomé se levantava, doaram-se a estes moradores, então, privilégios em tudo idênticos àqueles de que há muito os habitantes de Évora beneficiavam.

 

A pequena ilha do Atlântico, sem dúvida, era um diamante admiravelmente facetado. Os haveres arrecadados lá, deslumbravam. Até nas sinistras antecâmaras do Escorial a sua luz, muito antes de tais acontecimentos, prefulgiu...

 

Pedro Botelho de Andrade, dos governadores nomeados por Lisboa, foi dos que mais se consagrou ao estudo da fixação de capitais e colonos, por aquilatar o estado especial desperto pelo embarque para o Brasil, então cada vez maior, de diversas famílias influentes. O dinheiro da Metrópole e os braços de novos obreiros, viu o Governador, tornaram-se realmente imprescindíveis.

 

A situação agravou-se de súbito em 1637, patente que os neerlandeses, atacando S. Jorge da Mina, se tinham apossado, umas após outras à das feitorias de Calabar, Fernando Pó, Gabão, Rio de El-Rei, Cabo de Lopo Gonçalves e Rio Real.

 

S. Tomé foi tomada em 3 de Outubro de 1641. No ano seguinte, contudo, o Governador Lourenço Pires de Távora, pelejador ousado, contando no seu activo muitos anos de permanência na ilha, empenhou-se por recuperar a fortaleza, onde flutuava a bandeira dos holandeses. Tombaram no campo português, irmanados, brancos e pretos, sem resultado. Porém, em Janeiro de 1644, as inexpugnáveis muralhas, cercadas pelas forças então desembarcadas de Lisboa, capitularam. O bravo governador foi pouco depois confirmado no lugar e dali em diante gozou de todos os direitos no tocante a cultivar o gengibre dourado, regalia a quase nenhuns concedida. Salientou-se Lourenço Pires de Távora pela sua conduta honesta, a par de raras qualidades de energia, brio e discernimento. A sua administração pode, sem favor, equiparar-se à de Ambrósio Pereira de Berredo e Castro.

 

O que pretendiam os holandeses?

 

Rio de Janeiro, 10 de Outubro de 2011

 

Francisco Gomes de Amorim

S. Tomé e Príncipe

Notas sobre uma viagem de turismo

 

TERCEIRA PARTE

 

Resumo da 2ª parte: Périplo rodoviário da ilha de S. Tomé por concluir; notável actividade educativa perspectivando um futuro mais exigente; tradicional modelo de desenvolvimento completamente exaurido; opção urgente entre maledicência histórica de Portugal e constantes pedidos de ajuda; catarse da corrupção afasta os políticos da realidade do país; turbulência política no horizonte.

 

Constatação: a Força Aérea santomense é composta por um “Aviocar” português, servido por tripulações portuguesas; a Armada santomense é composta por duas lanchas de desembarque e o treino do pessoal do navio prometido pelos EUA está a ser feito por oficiais da Armada portuguesa; os fardamentos dos militares do Exército santomense são portugueses, fabricados nas nossas Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento, ali em Belém. Pergunta: porque é que continuam apagadas as armas de Portugal no brasão sobre a entrada principal da Fortaleza de S.Sebastião?

 

Constatação: a reforma agrária que em 1975 varreu o sul de Portugal já foi desmantelada não só porque as UCP’s faliram como porque provou à saciedade que não servia os interesses daqueles que se propunha defender. Pergunta: porque é que se insiste na nacionalização das empresas agrícolas santomenses que estão falidas, paralisadas e em ruínas?

 

Estas duas constatações e as respectivas perguntas não são capciosas porque não pretendem induzir seja quem fôr em erro mas têm respostas tão evidentes que até me escuso de as escrever. O que não me escuso de fazer é chamar a atenção para o facto de elas se relacionarem com duas realidades de dimensão de Estado, ou seja, com a Soberania Nacional e com o modelo de desenvolvimento da Economia Nacional.

 

Questão fundamental para um Estado, a soberania nacional só pode ser exercida se puder contar com o apropriado financiamento e este ou tem origem interna -– gerado pelos impostos cobrados –- ou tem origem externa – em doações feitas pelos amigos.

 

Eis como três temas, a Defesa, a Economia e os Negócios Estrangeiros, aparentemente tão distantes, estão, afinal, intimamente relacionados.

 

Já dissertei suficientemente sobre a Defesa e sobre a Economia santomenses; tratar mais delas podia ser pleonástico ou até mesmo cacofónico.

 

Resta o terceiro tema, o tal que resolve os problemas do primeiro quando o segundo não corresponde em conformidade: Negócios Estrangeiros.

 

Que política externa deve seguir um país que percorre os fora internacionais de mão estendida à procura de esmolas? Que política externa deve seguir um país que põe a sua soberania nas mãos de uma ou duas multinacionais? Que política externa deve seguir um país que se encontra na fronteira do novo Tratado de Tordesilhas do petróleo? Que novos “amigos” vêm agora ao cheiro das riquezas descobertas recentemente? As respostas parecem-me óbvias e julgo que não há melhores do que os velhos amigos.

 

Com a transferência das Colónias portuguesas para a jurisdição do Império Soviético, os novos Senhores afinavam por um diapasão materialista em que a solidariedade não passava de palavra vã de cartilha doutrinária, a convivência não existia e a mundividência bebia nas fontes das estepes siberianas. Com os portugueses a serem enxotados e as roças a entrarem em colapso, desapareceu num ápice a estrutura hospitalar privada do país, subiram as endemias em flecha, ficaram todos no desamparo que é a fórmula extrema a que naquelas latitudes chega o desemprego. A solidariedade soviética traduziu-se em hinos patrióticos pois o rublo não tinha curso internacional e não comprava o arroz que faltava como complemento habitual da mandioca e quando o estreitamento de laços entre os povos se assemelha aos definidos no sindicalismo, então estamos a lidar com uma base proletária descapitalizada, incapaz de resolver os problemas colocados pela própria pobreza.

 

A convivência não foi suficiente para gerar mulatos com traços do Gengis Kahn. A mundividência tinha sobretudo a ver com a luta de classes mas as classes ricas estavam longe de pensar em ir a S. Tomé nesses idos de 70 e os santomenses acabaram sozinhos a fazer luta de classes como o pobre D. Quixote, contra moinhos imaginários. Nesse tempo as contas públicas santomenses eram segredo de Estado. Entretanto, o próprio Império Soviético colapsou e assim se libertou o mundo dessa infâmia que se chamava colectivismo. Mas ficaram as chagas, nomeadamente nessa terra linda que se chama S. Tomé e Príncipe e nas tão simpáticas gentes que a habitam.

 

Está na hora de sarar os males e os “panos quentes” já não são suficientes. Para o bem de quem não tem culpa de ter nascido e de viver em S. Tomé e Príncipe, eu faço os seguintes votos: • Que os políticos – todos – se compenetrem de que não são donos do país; • Que os políticos – todos – sirvam o país em vez de se servirem dele; • Que o nacionalismo santomense se baseie na naturalidade do direito à autodeterminação em vez de invocar em Museu os maus exemplos de quem não representa a nação portuguesa; • Que institucionalmente se abra um debate nacional sobre política económica; • Que se consiga -– à semelhança do que oportunamente fez Cabo Verde –- um Acordo de Cooperação Cambial com Portugal de modo a evitar maior erosão da Dobra; • Que -– com o apoio da OMS e de alguma Universidade -– se consiga instalar uma Escola de Medicina Tropical que ajude a resolver os problemas endémicos e atraia estudantes de todo o mundo; • Que – no âmbito do nascente modelo de desenvolvimento – os empresários hoteleiros se associem com o principal objectivo de promoverem a instalação e assegurarem o funcionamento de uma Escola de Hotelaria; • Que – com o apoio da FAO e de várias Universidades – se organize o Congresso da Pesca e o do Cacau; • Que se façam as pazes com o investimento directo estrangeiro e, descomplexadamente, se convide os antigos proprietários a retomarem as empresas de que foram expulsos; • Que o Vaticano reconheça a soberania de S. Tomé e Príncipe e não considere mais o país como uma colónia de Angola; • Que o petróleo não seja motivo para a desgraça de S. Tomé e Príncipe.

 

Quem me quiser acompanhar, diga agora: ÁMEN !

 

FIM DA TERCEIRA E ÚLTIMA PARTE

 

Lisboa, 25 de Fevereiro de 2005

 

Henrique Salles da Fonseca

S. Tomé e Príncipe

Notas sobre uma viagem de turismo

 

SEGUNDA PARTE

 

Resumo da 1ª parte: Avião cheio, princípio de turismo à séria; estrada a precisar de atenção; Ilhéu das Rolas, paraíso na Terra; escolarização total das crianças; oferta nascente de alimentos locais com benefício imediato para a população residente; formidável ecologia e muito bom acolhimento aos portugueses; futuro risonho.

 

A estrutura rodoviária alcatroada de S. Tomé consiste no que segue: • Estrada nº 1 com cerca de 46 kms na costa ocidental da ilha, entre a cidade de S. Tomé e Santa Catarina; • Estrada nº 2 com cerca de 19 kms entre a cidade de S. Tomé e a Pousada da Boa Vista, junto à roça “Nova Moca”; • Estrada nº 3 com cerca de 97 kms na costa oriental da ilha, entre a cidade de S. Tomé e um pouco além de Porto Alegre, no extremo sul. O périplo da ilha nunca foi feito pela governação portuguesa desde o reinado do nosso D. Afonso V – primeiro rei de S. Tomé – em 1470 até ao último Governo do Professor Marcello Caetano em 1974; até ao momento em que escrevo estas linhas, a governação sequente insiste na opção de não circundar a ilha por estrada utilizável. Mistérios das opções políticas...

 

As últimas estimativas – correspondentes ao ano de 2004 – apontam o número de 150.000 para os residentes no país, ou seja, incluindo a ilha do Príncipe. Para podermos estabelecer um paralelo nesta dimensão, relembremos que em 2001 a Amadora contava com cerca de 176.000 residentes, o Algarve com um pouco mais de 395.000, Cabo Verde tinha na viragem do milénio cerca de 435.000 habitantes e em 2001 residiam em Lisboa quase 565.000 pessoas. Esta questão é importante porque traduz o tipo de problemas que se coloca, nomeadamente na falta de dimensão do mercado doméstico santomense e, portanto, na escassez da oferta. Por evidente falta de massa crítica de operadores económicos, fácil é admitir que sempre exista alguma opacidade dos mercados (por antinomia com a transparência) donde resultem difíceis políticas de formação de preços. Se a este tipo de problemas claramente insolúveis no médio prazo – - se não mesmo no longo -– juntarmos uma moeda nacional que o turista não toca nem sequer vê durante uma semana, então podemos imaginar uma realidade ainda mais penosa quando a quase totalidade da população dispõe de um poder de compra que o coloca muitas vezes à margem da economia monetária.

 

Os melhores edifícios que encontramos ao longo das estradas são as escolas e –- mais importante ainda –- cheios de alunos. Há também que assinalar o enorme número de escolas que encontramos um pouco espalhadas por toda a parte onde o alcatrão nos leva e não foi nem uma nem duas vezes que reparei que ao lado de um edifício escolar a precisar de reforma se estava a construir um novo para o substituir. Acho isto formidável e digno dos maiores encómios. O ensino primário corresponde aos 4 primeiros anos, o secundário aos 6 seguintes e, como já disse, estão espalhados um pouco por toda a parte. Depois disso, existe o Instituto Politécnico na cidade de S. Tomé. Julgo que com esta grande apetência pela educação se pode perspectivar um futuro bastante mais interessante que a situação actual mas temo que as saídas profissionais escasseiem se o modelo de desenvolvimento não se adaptar com alguma urgência a uma população cada vez mais educada e, portanto, mais exigente.

 

Dói visitar as roças de cacau. A “Rio de Ouro”, que era um ex libris do país, foi tomada pelo mato. Diz-se –- e eu ouvi dizer -– que o pessoal rouba o cacau e que o vai vender de seguida aos donos dos cacaueiros. Mas eu conto a história de outra maneira: os donos dos cacaueiros deixaram de ter pessoal assalariado, com vencimentos fixos e prémios de produção; passaram a pagar apenas “à peça” o que significa que cada trabalhador só recebe o correspondente ao que apanhar e, para além disso, recebe um pontapé no traseiro. Até nos capatazes pouparam os novos roceiros. Deixou de haver o “trabalho forçado” de que tanto falam os historiadores mas eu sou mais lacónico e digo apenas que deixou de haver trabalho. E era no tempo dos portugueses que havia exploração . . . Last but not least: a roça “Rio de Ouro” passou a chamar-se “Agostinho Neto”... et pour cause... desencontrei-me dos médicos que servem no hospital... E os do hospital de “Água Izé”? E os dos outros hospitais que havia um pouco por toda a parte e que hoje estão destelhados e tomados pelo mato? As perguntas poderiam seguir quase interminavelmente se quiséssemos continuar a apontar o dedo acusatório à História mas isso seria pura perda de tempo porque eu acho mais interessante não discutir a História e, antes, aprender com ela.

 

Mas se eu faço um esforço para não discutir a História, então também espero que os políticos santomenses façam o mesmo e optem entre dizer mal de Portugal ou pedir a Portugal que tudo faça por S. Tomé. Não faz qualquer sentido ensaiar as duas coisas ao mesmo tempo. É evidente que não paguei os 3 dólares que me pediram para entrar no museu da Fortaleza de S. Sebastião para . . . ouvir dizer mal do meu país. E digo mesmo mais: pobre causa nacional, essa de se ter que dizer mal de alguém para se justificar a si próprio. As nações existem por mérito próprio e não pelos erros dos outros. É claro que não gostei de ver as estátuas dos descobridores com os narizes partidos, tudo porque alguém andou a procurar maus exemplos entre os portugueses para encontrar uma justificação histórica que conduzisse ao corte dos laços com Portugal. O Coronel de Artilharia Carlos de Sousa Gorgulho foi inapto no desempenho das funções de que terá sido incumbido e que desempenhou entre 10 de Abril de 1945 e 17 de Abril de 1953 depois de ter sido desmentido pela PIDE no conluio comunista que o Governador descobrira entre os contestatários à sua actividade governativa. E esta actividade, claramente perversa, já tinha sido há muito redimida pelos Governadores seguintes. E se, por acaso, o não tivesse sido plenamente até à independência, então sê-lo-ia agora pela miséria a que os santomenses estão reduzidos.

 

A viabilização da sociedade santomense não passa pela maledicência de Portugal; passa pela busca de um novo modelo de desenvolvimento.

 

Os políticos santomenses andam muito ocupados na catarse da usurpação dos fundos da cooperação de que mutuamente se acusam, estão alheados das preocupações da população que se debate na miséria de uma monocultura agrícola sem futuro, demoram na instalação do novo modelo de desenvolvimento endógeno que indubitavelmente passa pelo turismo e criam a descrença no sistema democrático que os sempiternos autocratas ansiosamente hão-de querer derrubar. Sobretudo agora que apareceu ouro negro.

 

Apesar de tudo, concluo que as pessoas, o clima e a paisagem foram as causas do meu agrado.

 

FIM DA SEGUNDA PARTE

 

Lisboa, 23 de Fevereiro de 2005

 

Henrique Salles da Fonseca

S. Tomé e Príncipe

Notas sobre uma viagem de turismo

 

PRIMEIRA PARTE

 

Em cumprimento do previsto e anunciado, fui com a família a S.Tomé e Príncipe de 12 a 20 de Fevereiro deste ano de 2005. Levantámos voo de Lisboa por volta da meia-noite de Sábado para Domingo e chegámos a S. Tomé pelas 6 e pouco da manhã. Avião praticamente cheio de portugueses com alguns franceses à mistura.

 

No aeroporto já estavam alguns “minibuses” à espera dos cerca de 50 turistas com destino ao Ilhéu das Rolas. Foram quase 80 penosos kms porque estávamos cansados da viagem de 6 horas nocturnas de avião e porque a estrada já viu melhores dias; chegámos à Ponta Baleia duas horas depois e tomámos o barco para o Ilhéu numa viagem de cerca de 20 minutos.

 

Só o deslumbramento das paisagens por que íamos passando escamoteava o cansaço. Foi com alívio que nos vimos no destino, sossegadamente nos instalámos, demos um mergulho na piscina e começámos a pensar no almoço.

 

O empreendimento hoteleiro das Rolas já existe há 7 anos mas só agora, no princípio de Fevereiro, é que passou para a gerência dos actuais proprietários, o Grupo Pestana.

 

Primeira nota sensibilizante: a bandeira portuguesa bem à frente de quem chega mas dando logicamente a direita à bandeira santomense como é de protocolo.

 

O Ilhéu das Rolas tem sensivelmente a forma de um ovo com cerca de 2 kms de comprimento e a largura máxima de 1,5 kms. É lá que passa o Equador, de acordo com a confirmação feita pelo Almirante Gago Coutinho. De rocha vulcânica, tem contudo praias com areia amarela à nossa maneira e o solo é praticamente todo ocupado por vegetação que seria muito densa se não estivesse domada pelo homem que ali produz sobretudo côco. O Senhor Sílvio Cerveira, – português, – é o dono da roça e foi ele que fez o empreendimento hoteleiro que há pouco vendeu ao Grupo Pestana.

 

Não viverão em permanência no Ilhéu mais que 200 pessoas que moram em casas tipificadas feitas pelo proprietário da roça ao longo de uma rua com um certo ordenamento. Para além da roça propriamente dita, há pequenas parcelas em que os residentes mais dinâmicos produzem frutos e mandioca tanto para consumo próprio como para fornecimento ao hotel. O mesmo se diga do peixe abundante que é capturado por uma trintena de pirogas.

 

Sugiro a quem lá vá que se esqueça de pedir uma galinha assada. Por alguns motivos: ao matarem uma galinha, deixam de produzir ovos e esses têm mercado assegurado; ao matarem um galo, deixam de ter variedade reprodutiva e condenam a espécie; machos ou fêmeas, todos são pequenos e não enchem a barriga a um turista; só devem ter osso e constituem um perigo para quem tenha dentadura postiça ou “pivots”. Com a agravante de que no Ilhéu não há dentista. Aliás, no hotel não servem galinha – e eles lá sabem porquê . . . Só o Duarte é que se aventura a servir almoços mais ou menos piratas na praia “Maria Café” e posso dizer-vos que este verdadeiro empresário é um herói que do nada faz surgir um almoço: na praia angaria a clientela e manda os “sócios” para o mar à pesca do necessário e suficiente para os almoços contratados; no toco de uma árvore instala uma mesa redonda onde coubemos onze pândegos sentados em blocos de cimento que um dia servirão não se sabe bem para quê. Toalha de plástico cor-de-rosa com debruados de renda branca, copos e pratos de vidro, faqueiro suficiente.

 

Depois de muitos mergulhos e de distribuirmos os jornais lidos pela criançada que nos rodeava, lá chegou o almoço à cabeça do grande empresário Duarte; os “sócios” traziam as bebidas que consistiam em cerveja em garrafa e sumos em lata. O peixe assado tinha um tempero inesquecível e mesmo as Senhoras que habitualmente não gostam de picantes se renderam à evidência de paladar tão “exquis”; a fruta já tinha sido servida antes do almoço e consistiu em água de côco, carambola e goiaba. Dispensámos o café mas, na verdade, ninguém sequer perguntou se havia.

 

Algumas notas à margem deste almoço:

 

- As crianças santomenses que estiveram sempre connosco na praia nunca pediram nada e apenas mostraram interesse pelos jornais que íamos lendo; todas estão escolarizadas e enfrentaram com coragem a prova que um de nós lhes colocou de lerem breves trechos de uma entrevista que o Professor Eduardo Lourenço dera ao “Expresso”; prevaleceu o bom senso de não exigirmos interpretações ao texto por parte de crianças rondando os dez ou doze anos; um resultado em tudo igual se fossem “ressortissants” dos Champs Elysées;

 

- Estando nós habituados em Portugal a misturar várias espécies de café robusta e arábica de diferentes origens, ficámos todos espantados com o aroma e paladar do café santomense, de uma única espécie e não susceptível de loteamentos; dá para nos perguntarmos se andamos a fazer bem com as misturadas a que nos habituámos por cá na Europa em que até já há quem estranhe a falta de chicória e de outras mistelas mais ou menos ofensivas do bom gosto. Atenção, muita atenção, o “café de saco” é muito, muito bom mas o café expresso é como no Brasil: para esquecer! Porquê? Desconheço totalmente e fico à espera que alguém mais entendido nestas coisas do café nos explique.

 

Os jantares eram sempre no hotel sendo o restaurante num promontório isolado no extremo nascente da ilha, bem sobranceiro ao mar, sem paredes e muito menos janelas. A maior parte dos comes é de origem local e só os bebes vínicos é que logicamente são importados por manifesta falta de oferta local. É evidente a conveniência deste aprovisionamento local pois isso está a produzir efeitos imediatos muito benéficos sobre as populações que fazem esses fornecimentos. É claro que tudo ainda tem que “rodar” um pouco mais mas a verdade é que esta situação estava a acontecer apenas há 15 dias e ainda ninguém se habituou ao maior volume do consumo provocado pelo novo e constante afluxo de turistas que o Grupo hoteleiro consegue lá levar.

 

Viemos a saber mais tarde que o hotel tem uma roça na Ilha de S. Tomé onde produz a fruta que serve aos hóspedes. Visitámos essa roça: duvido que ela seja suficiente para o actual nível e variedade de consumo e desejo que passe a haver mais fornecedores como factor multiplicador da riqueza. O maior consumo não vai provocar aumento dos preços dos aprovisionamentos pois estamos perante um monopsónio local que se auto-condicionou pelas tarifas que pratica no mercado turístico. Esse problema só ocorrerá quando outras unidades hoteleiras existirem no extremo sul da Ilha de S. Tomé e começarem a entrar no mercado como compradoras de produtos nacionais. Por enquanto, as que existem lá mais para norte ainda estão lamentavelmente “penduradas” nas importações.

 

Conclusão: as pessoas, o clima e a paisagem foram as causas do meu agrado.

 

FIM DA PRIMEIRA PARTE

 

Lisboa, 22 de Fevereiro de 2005

 

Henrique Salles da Fonseca

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