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A bem da Nação

A CRISE DA CRISE! A ANTI-CRISE

 

 

Em Setembro de 2008 escrevi:

 

Crise é como mosca, mosquito e jacaré: existem há centenas de milhões de anos e não se antevê que acabem. Nem os jacarés, tão perseguidos por causa da sua pele.

Diz a Bíblia que houve uma “crise” quando se construía a Torre de Babel, e assim a construção foi interrompida; houve graves crises nos vários impérios que se esfumaram na história – sassânida, egípcio, persa, romano, inglês e até o pseudo português – e agora chegou a crise que demorou a manifestar-se: a da ganância e da roubalheira!

 

Mal fazia ideia do agravamento que iria ter esta pseudo crise. Pseudo porque assistiu-se aos governos de todo o mundo a sustentar os bancos com milhões ou triliões e nem seis meses eram passados e já todos eles tinham lucro suficiente para pagar a “ajuda” que receberam. Até a General Motors, agonizando, pré falida, no ano seguinte tem o maior lucro de toda a sua história. 

 

A França luta com um crescente desemprego, a que não sabe como dar fim, mas no último mês diminuiu o número de “demandeurs d’emploi”, dos que estão inscritos aguardando um posto de trabalho. Como isto aconteceu? Onde está a crescer o mercado? Nos bancos, correctores de bolsa, empresas de produtos de alto luxo, como a de relógios que se vendem entre dez e cem mil euros, nas “grifes” de roupas extravagantes e caríssimas, perfumaria sofisticada, etc.

 

Nunca se venderam tantos carros de luxo, relógios de ouro com diamantes e tantos aviões para particulares. Até a Rolls Royce decidiu fazer um modelo exclusivo para venda na China!

 

Nunca, jamais, em tão pouco tempo surgiram do nada, como fungos e cogumelos (não comestíveis, venenosos) tantos milionários, biliardários! E a pobreza cresce no mundo.

 

Mas que diabo de contra-senso! Alguma coisa está profundamente errada em tudo isto, o que nos leva a imaginar que o “efeito Tunísia” não vai ficar pelos países árabes, mas espalhar-se por todo o mundo!

 

"Business marriage"

 

Os órgãos de informação andam excitadíssimos com o, em breve, casamento do príncipe William e a mulher com quem já vive maritalmente há vários anos. Logo ele que vai ser o chefe da Igreja Anglicana! Prepara-se uma festa “a la royale” para uns 2.000 convidados! Revistas de fofoca estão loucas para serem as primeiras a darem essa importantíssima reportagem ao mundo, a BBC vai ganhar uma fortuna, e os noivos, aliás, os amancebados, receberão uma grossa parte de toda essa encenação teatralizada, que vai fazer vibrar os peitos de milhões de babacas de ambos os sexos por esse mundo de “republicanos”!

 

É difícil imaginar o quanto vai custar ao tal príncipe regularizar, perante a lei e a Igreja, a sua situação de concubinato conhecido e aplaudido. Os dois milhares de convidados “especiais” vão, além de aplaudir, também gastar fortunas em presentes, vestidos novos, exibição de jóias, hospedagem e deslocações até ao local da boda, etc.

 

E à nossa volta, milhões, milhões, mesmo de súbditos dessa majestade, passam mal. Pior ainda os pseudo súbditos da Commomwealth, como alguns países africanos, que a única migalha que vão receber desse fausto, será a fotografia do casal, cheio de medalhas, tiaras, brilhantes e outros adornos e ainda terão de pagar esse papel com os noivos a rir da miséria.

 

Lembra-me aquela maravilhosa canção com Bing Crosby e Louis Armstrong: “What’s the reason for the celebration?”... Mais ainda porque o “hoje” não tem nada a ver com aquele “What a wonderful world”!!!

 

No Brasil, 38% dos jovens na faixa dos vinte anos não conseguem trabalho. O índice de criminalidade entre esses jovens é o mais alto
do mundo. E as empresas públicas e os bancos têm lucros recorde na sua história. Em toda a história. Nem os Rothschild quando eram praticamente os únicos a explorar, violentamente, como todos os banqueiros, o “grande império” britânico.

 

Não é o Ben Ali, nem Mubarak ou o louco do Kadhafi que estão errados. É o mundo todo que está de cabeça para baixo e, como os Três Macacos Sábios, ninguém quer saber do Outro. Nem do planeta em que vivemos, que está doente, doentíssimo.

 

O mundo árabe está à procura do seu futuro. Luta, mostra que as “coisas” não se podem eternizar só para benefício de uns quantos e... os especuladores de petróleo aproveitam para fazer subir os preços em flecha. A Líbia produz somente 1 a 2% do petróleo mundial; reduziu a produção para menos de 50%; a Arábia Saudita já disse que aumenta a sua caso seja necessário e os preços não pararem de subir!

 

E não há ninguém que vá em cima desses especuladores e os meta na cadeia, como ao sr. Madoff. Porque a corrupção é assim mesmo: uma mão lava a outra! Como na política.

 

Não tarda a que o fenómeno “Tunísia” atravesse o Mediterrâneo e outros mares. A “Alternativa” só pode acontecer quando a população se dê conta da força que tem... quando culta e unida!

 

Não é pelo voto que se lá chega. Por enquanto. Porque a verdadeira crise está na falta de Homens (ou Mulheres!).

 

Lembrai-vos de São Paulo na Iª carta aos Coríntios: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer.”

 

Rio de Janeiro, 25 de Fevereiro de 2011

 

 Francisco Gomes de Amorim

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