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A bem da Nação

CAMÕES, O “IMPARCIAL”

 

 

O trinca fortes, Camões

 

As armas e os barões...

Cantando espalharei por toda a parte

Se a tanto me ajudar o engenho e arte.

 

 

 

O nosso épico não se fez rogado a enaltecer os feitos lusíadas nem a denegrir os que se nos opunham: nós, os heróis; eles, os vilões.

 

E assim fomos criados num imaginário glorioso que então nos levou «além da Taprobana» mas que ainda hoje nos faz sonhar com a Lusitânia Armilar onde cabem todos os que se sentem portugueses mesmo que já não falem a nossa língua e já lhes rareiem os genes lusitanos.

 

E é nestas brumas poéticas que me lembro de Heródoto, o pai da História, que tanto contava os feitos dos vencedores como dos vencidos para «impedir as grandes e gloriosas acções de gregos e de bárbaros de perderem o tributo de glória que lhes é devido».

 

Sim, Heródoto praticava a imparcialidade e era objectivo na descrição dos feitos que relatava. Por isso se credibilizou como historiador e não como poeta ou contista.

E se essa objectividade lhe atribuiu a «paternidade» da História, ela inspirou também todo o método científico, o mesmo que nos permite, tantos séculos depois, estarmos onde estamos, a desbravar os limites do Universo e a «tratar por tu» o núcleo das células.

 

Hoje, os lusíadas do século XXI, estamos todos em pé de igualdade, sem suseranos nem servos, sem dominadores nem dominados. Assentes na realidade, cumpre-nos aceitar as coisas como elas efectivamente são e, não querendo discutir as situações a que a História nos conduziu, resta-nos a possibilidade de tirarmos o maior proveito das circunstâncias, sem cenários mirabolantes.

 

Apetece, no entanto, perguntar como teria sido o nosso percurso nacional se em vez de Camões tivéssemos sido influenciados por Heródoto. Ninguém consegue imaginar os resultados duma experiência não experimentada mas talvez possamos admitir um percurso como o da Nação grega. E vai daí, não haveríamos por certo de querer a troca quando pela Grécia só a metade Sul de Chipre sonha enquanto nós temos – apesar de tudo – uma dimensão universal.

 

E como estaria hoje a nossa auto-estima se não fossemos diariamente achincalhados pelos telejornais?

 

E como estaria hoje a nossa determinação se não fossemos diariamente desmotivados pelos gatunos?

 

E como estaríamos hoje se os políticos se entregassem ao bem comum com a mesma tenacidade com que se dedicam ao «tira-te tu para me pôr eu»?

 

E como estaríamos hoje se a base da nossa cultura não fosse a fantasia épica e sim a verdade histórica?

 

Seríamos talvez uma Nação sorumbática, instalada, maçuda e rica mas não teríamos certamente as gargalhadas das anedotas nem os sonhos de voltarmos a ser a Nação gloriosa que nos contaram. E sem esperança não há futuro.

 

VIVA CAMÕES!

Dança com serpente.JPG

Henrique Salles da Fonseca

(algures na Amazónia, MAR16)

LUSITÂNIA ARMILAR

 Lusitânia Armilar 2.jpg

 

Há quem diga aí pela Internet que nós, os que cá estamos em Portugal, não prestamos e que os que emigraram, esses, sim, são os bons.

 

Acho que nós, os de cá, podemos ser classificados em seis categorias:

  • Os mandantes;
  • Os herdados;
  • Os que andaram por fora e voltaram;
  • Os estrangeiros que tomaram Portugal como país de acolhimento e adopção;
  • A maioria, que é a dos que não se incluem nas categorias anteriores mas são gente de bem;
  • Os gatunos e outros «artistas» que tais...

 

Portanto, antes de chegarmos aos últimos, os que não prestam – tanto indígenas como forasteiros – temos todos os outros que constituem a maioria absoluta dos residentes e, dentre eles, muitíssimos de grande valimento e seriedade absoluta.

 

Dos «artistas», com ou sem gravata, que se encarregue a Polícia pois é também para isso que pagamos impostos.

 

Portugal é o centro da Lusitânia Armilar e, portanto, pode e deve ser a casa natural de todos os lusíadas. E esses somos nós, os que gostamos de Portugal.

 

Portugal - ame-o ou largue-o!

 

Henrique Salles da Fonseca, Macau

Henrique Salles da Fonseca

(em Macau, DEZ06)

AQUI TUDO COMEÇOU…

 

HSF-Ceuta.png

A Conquista de Ceuta, cidade islâmica no Norte de África, por tropas portuguesas sob o comando de D. João I, consolidou-se a 22 de Agosto de 1415

 E FICOU ASSIM

HSF-Portugal_Império_total.png

 

 MAS EM 1974 VOLTOU A FICAR ASSIM

HSF-PORTUGAL 2.png

 

E COMO VAI SER O FUTURO?

Agora, banidas as armas, assinalam-se os Barões da amizade, da cultura, da equidade, do desenvolvimento e construiremos a Lusitânia Armilar. O futuro é o que os nossos Grupos de Paz construirem.

 

Agosto de 2015

Eu, Barril-8AGO15-2.jpgHenrique Salles da Fonseca

ESTILOS


Lusitânia Armilar 2.jpg

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atribui-se a Napoleão o conceito de que os homens superiores debatem ideias, os vulgares referem factos e os medíocres discutem pessoas.

 

Não havendo medíocres nas nossas cercanias, o vulgo dedica-se à discussão dos factos e os inúmeros intelectuais com que topamos preocupam-se com as ideias. Será?

 

Basta o Caro Leitor assistir aos inúmeros programas televisivos dos abundantes comentadores encartados para formarmos a nossa própria opinião sem necessidade das achegas que por aqui eu possa dar. E note que, neste preciso momento, estou a referir-me a pessoas, o que é tipicamente medíocre. Mas isso é um conceito napoleónico e alguém por nós já liquidou quaisquer veleidades imperiais da Nação portuguesa.

 

Sim, liquidaram de facto. Mas nós temos virtualidades que nos permitem encarar o futuro em equidade com todos os povos que algures no mundo e ao longo da História governámos umas vezes bem e outras «assim-assim». E essas virtualidades traduzem-se na capacidade que hoje temos de fazer uma Lusitânia Armilar assente no software e abdicando do hardware. Ou seja, não será com dispendiosos exércitos «putinescos» ou com gananciosas empresas multinacionais que voltaremos à nossa dimensão global, será sobretudo pela igualdade, pela Cultura e pela convivência pacífica.

 

E como faremos isso? Bem, já o estamos a fazer e não pedimos autorização a ninguém. A nossa Escola de Português (e não de «acordês») no Facebook já ultrapassou os 120 alunos e até ao momento nela estão publicadas 18 lições ministradas pela Professora Filomena Ferro; o grupo de amizade com Diu já ultrapassa os 800 membros; o grupo de conversação em português destinado aos lusófonos de Bombaim dá os primeiros passos; está aberto o processo para pedirmos ao Governo Português a nomeação de um Cônsul Honorário em Diu e outro em Damão; a Gramática Portuguesa da Professora Berta Brás está em distribuição aos professores na Guiné-Bissau e no norte de Moçambique… E o mais que se verá.

 

Só voluntariado e acções a custo zero para o Estado Português.

 

E tudo isto, apesar do conceito napoleónico, para tratarmos de pessoas.

 

Este é o nosso estilo, aceitamos companhia.

 

Pena é que o Director de Programas da RDP ainda não tenha tido tempo para responder ao e-mail que há meses lhe enviei (por indicação do Presidente da RTP/RDP que me respondeu instantaneamente) para a feitura de um programa semanal a custo zero para a empresa denominado «Lusitânia Armilar». Mas eu compreendo que esse cavalheiro deva estar muito ocupado a discutir ideias enquanto nós queremos apenas tratar de pessoas.

 

Agosto de 2015

 

Eu, Barril-8AGO15-2.jpgHenrique Salles da Fonseca

LUSITÂNIA ARMILAR

Lusitânia Armilar 2.jpg

 

PALESTRA NO

ROTARY CLUBE LISBOA-NORTE

13 de Maio de 2015

 

 

Boa noite!

 

Começo por agradecer ao meu amigo Francisco Monção Leão o convite que me endereçou para estar hoje aqui a contar ao que ando...

 

Muito obrigado!

 

Agradeço também o magnífico jantar e as palavras de apresentação mas, francamente, sou bem mais lacónico no modo como me costumo apresentar:

 

- Nasci em 1945 em Lisboa, onde resido;

- Economista de formação, já só trabalho para mim;

- Casado (sempre com a mesma mulher), sou avô;

- Cavaleiro nas horas vagas que são todas as que eu quero;

- Estudante nas horas sobrantes;

- Contribuinte do Estado Português.

 

Ora bem, ao que ando? Ando na reconquista do Império, pratico a compaixão e procuro a epifania joyceana das coisas com que me cruzo.

 

Começando pelo fim, procuro sentir a essência invisível que as coisas possuem (foi este o sentido que James Joyce atribuiu à epifania); preocupo-me com o bem-estar do próximo (é esse o sentido budista da compaixão e o sentido do amor cristão); pratico o princípio ético do «eu, tu, ele» (o que é que eu posso fazer por ti sem o prejudicar a ele, esse terceiro que nem sequer está aqui presente); e ando na reconquista do Império, sobretudo o do Oriente, o mais esquecido. Sim, à primeira vista esta reconquista parece uma tonteria (como diriam os conquistadores nossos vizinhos) mas eu explico que o faço com a particularidade de não usar espadas, espingardas nem canhões. Também não me chamo Vladimir Putin e, por isso, não pretendo subjugar ninguém e, pelo contrário, lido em pé de igualdade com todos os que procuro e encontro por esse mundo além...

 

E quem são esses que procuro e encontro? Pois são aqueles a quem chamo «portugueses abandonados», aqueles cujos antepassados foram administrados por nós, Portugal e que, pelas vicissitudes da História, abandonámos nas suas terras onde ficaram a defender os Valores que lhes legámos – a religião, a língua – (e, num nível mais carnal, os genes) rodeados de hostilidade ou, no mínimo, por desdenhosa indiferença. E, passados séculos nalguns casos, quase todas essas comunidades mantêm a religião; a língua foi-se transformando em crioulos ou nem sequer nisso; e os genes foram na maior parte dos casos diluídos por outras origens. Mas dizem-se portugueses e eu tenho muito orgulho nesse sentido de pertença que sempre me manifestam.

 

Essas gentes têm uma ideia muito antiga de Portugal: uma potência longínqua donde vieram (dizem eles) comerciantes, alguns soldados e sacerdotes. Esses estrangeiros chegaram em paz, para o comércio, os soldados chegaram muitas vezes a pedido das autoridades locais para os protegerem de vizinhanças incómodas e os sacerdotes falaram-lhes duma religião diferente das que seguiam até então e que se revelou deslumbrante no sentido literal do termo, o do deslumbramento provocado pela revelação[1], pela epifania, pelo perdão. E todos esses estrangeiros, sem excepção de classes, misturaram-se com as mulheres locais, tiveram filhos que adoptaram como efectivamente seus e a quem deram nomes portugueses: integraram-se, viveram e deixaram viver. E foi esse o nosso grande timbre imperial: viver e deixar viver. Nem todos os imperialistas disso se podem gabar e talvez esse tenha sido o nosso segredo para termos sido os primeiros a ir e os últimos a regressar.

 

Mas tudo o que começa também acaba e dias houve em que ocorreram as despedidas...

 

Do Sri Lanka, base do negócio das pérolas, saímos em 1658 de padiola, cheios de malária; fomos substituídos pelos holandeses (que também se encheram de malária e acabaram saindo em padiola, empurrados pelos ingleses que já bebiam gin com soda e esta com quinino pelo que não tiveram que sair de padiola). Mas fomos nós que lá deixámos uma comunidade hoje centrada na costa leste, em Batticaloa e Trincomalee, que se intitula a si própria de «portugueses do Sri Lanka», rezam em português e têm um crioulo interessantíssimo.

 Por exemplo, o «PAI-NOSSO» reza-se ainda hoje no Sri Lanka assim: Pai nosse qui está ne céos,Santificádo seja tua nomi,Venho nós a tua Reyno,Seja fêto a tua vontade,Assi ne terra, como ne céos;O pan nosse de cada dia nos dá ojo,E perdová nós nosse dívidas,Assi como nós perdovamos nosse dividóris,E nan nos desse caí em tentaçan,Mas livra nós de mal.Amen

 

E nós, que os abandonámos, como deveríamos rezar?

 

E é por lá que também se cantarola assim:

 

Anala de oru sathi padera juntu

O anel de ouro com sete pedras

Quem quera anal, avie casa minha juntu

Quem quiser o anel, venha casar-se comigo

 

Já foi todo partis, Ceilão per Japan

Já fui a toda a parte, do Ceilão para o Japão

Mais nunca trizé nada, for da firme coração

Mas nunca trouxe nada, excepto o fiel coração

 

Mais um exemplo, o último: o General que acabou com a guerra civil há meia dúzia de anos chama-se Sarath Fonseka e já foi candidato à presidência do país. Não, não o tenho como meu parente: o meu Fonseca escreve-se com c e o dele com k.

 

Da Birmânia, terra da teca, saímos com muitas lágrimas locais depois de Filipe de Brito e Nicote, nascido em Lisboa em 1566, ter sido eleito rei com o nome de Nga Zingar, de ter pelejado em defesa dos seus súbditos contra o invasor do norte, de ter sido derrotado e passado pelas armas em 1613. Mas o cristianismo vingou. São os bayingyis, os que se sabem luso descendentes que, com reminiscentes traços fisionómicos caucasianos, são maioritariamente católicos. Descendem dos soldados, comerciantes, marinheiros, sacerdotes e outros aventureiros portugueses que por ali deambularam e se fixaram a partir do séc. XVI. Até meados do séc. XIX falavam um crioulo de português que chegou a ter grande importância naquela região do globo, desde o Sri Lanka até ao Golfo de Bengala passando por toda a costa indiana do Coromandel. Não há hoje quem o fale e apenas se mantêm nomes e religião. E mesmo os nomes vão desaparecendo sempre que uma bayingyi casa com um birmanês. O Vaticano também não ajudou a nossa causa pois sempre substituiu os Padres portugueses por franceses em todo o sul da Ásia. Mas a partir de 1954, com a nomeação de John Joseph U Win, os Arcebispos de Mandalay (no norte do país) passaram a ser bayingyis, ou seja, deixaram de ser franceses [europeus oriundos da Sociedade para as Missões Estrangeiras de Paris (M.E.P.) (a grande adversária – se não mesmo inimiga - do Padroado Português)] e passaram a ser «portugueses» do Oriente. Não falam uma palavra de português, já poucos ou nenhuns genes portugueses devem ter mas também eles se dizem portugueses. E a pergunta que urge fazer é: - o que poderemos nós fazer para a retoma de contacto com estes portugueses abandonados se nem um Arcebispo tem acesso à Internet sob o actual regime militar em Mianmar? Aceitam-se sugestões. Até porque o único português de Portugal que a nossa Embaixada em Hanói tinha registado como residente em Rangum se passou para o Vietname, país em claro progresso e, portanto, bem mais apelativo para um arquitecto.

 

Do Japão saímos em 1638 por excesso de proselitismo dos Padres espanhóis que serviam o rei de Portugal que também o era de Espanha e porque os beneditinos de Manila queriam expulsar de Nagasaki a Companhia de Jesus que no Oriente estava sedeada em Goa mas que por ali era comandada a partir de Macau – e com essa saída acabou o comércio de prata e seda entre o Japão e a China que fazíamos com a chamada «nau do trato». Os católicos foram todos expulsos e os espanhóis, que tudo queriam, tudo perderam. Fomos substituídos pelos holandeses, calvinistas, menos atacantes do shintuismo tipicamente nipónico.

 

De Malaca saímos em 1641 porque não aguentámos mais essa frente de batalha contra os holandeses, empenhados que estávamos na Guerra da Restauração contra Espanha. Só que nessa expulsão houve portugueses e seus descendentes que foram escravizados pelo novo conquistador e enviados para Batávia (actual Jacarta) para que os holandeses ali tivessem mão-de-obra barata e ocidentalizada. Mas os holandeses não esperavam que esses escravos lhes pusessem tantos problemas disciplinares, do que só se libertaram quando lhes propuseram a alforria a troco de não abandonarem a região dando-lhes um terreno para se fixarem como homens livres; esse aglomerado ainda hoje existe nos arredores de Jacarta, chama-se Tugu e alberga uma população com uma cultura própria que se diz portuguesa. Os «tugas» da Indonésia, digo eu.

 

Da Índia saímos em 1961 varridos pela força bruta das armas, vendo as costas da Igreja que lá fundáramos e que no dia seguinte adoptou o inglês para as suas relações profanas pois só passaria a celebrar nessa língua (e não nas vernáculas genuinamente indianas) uns anos mais tarde quando a isso foi conduzida pelas decisões do Concílio Vaticano II.

 

E assim sucessivamente até que em 1974 o pano da cena imperial desceu e Portugal se viu na mesma situação territorial que tinha antes de 1415, ano da conquista de Ceuta em que o Infante D. Henrique foi armado cavaleiro.

 

Mas nem só de Império vive a retoma da nossa vivência global, a da Lusitânia Armilar.

 

Curaçau (a escassos 14 kms da costa venezuelana) nunca foi parte do nosso Império, a língua nacional é um crioulo de português, o papiamento, que qualquer um de nós percebe com relativa facilidade e alguma imaginação e quem conseguiu que essa colónia holandesa se transformasse em região autónoma da Holanda por meados do séc. XX chamava-se Moisés Frumêncio da Costa Gomes e tem uma estátua dourada no centro de Willemstat, a capital; os Apalaches nunca foram formalmente nossos mas o Canadá chama-se por nossa via e os melungeons dizem-se luso-descendentes; a Etiópia nunca foi nossa mas houve um português, o médico D. João Bermudes, que no séc. XVII desempenhou (contrariado) o cargo de Patriarca da Igreja Etíope e os descendentes de Pêro da Covilhã e dos 400 portugueses que por lá andaram tantos anos chefiados por Cristóvão da Gama devem ter muito que contar; e muitos outros casos existirão por aí além à espera de que os estudemos. Basta pensarmos nos 17 hospitais de apoio às navegações entre Tavira e Goa para imaginarmos o que espalhámos de bem-fazer.

 

Eis por que digo, um tanto sinteticamente, que nem só de Império vive a História de Portugal; mas também digo que não perco tempo a chorar a perda do que fomos porque todo o tempo é escasso para construirmos o infinito que seremos. E seremos a Lusitânia Armilar, amplíssima Nação.

 

E de que modo o seremos?

 

Ora bem, parafraseando Abdelwahab Meddeb – filósofo tunisino que até há pouco ensinou na Sorbonne, falecido em Paris em Novembro de 2014 – numa ideia que foi buscar a Ernest Renan, «a Nação não se funda nem sobre a unidade linguística, nem sobre a comunidade da fé, nem sobre a continuidade geográfica, nem sobre a partilha da História; a Nação existe pelo único desejo de constituir uma unidade».

 

E se a unidade linguística ajuda a tecer laços, a comunidade da fé ajuda a pensar de modos equiparáveis e a continuidade geográfica é matéria de que nós, portugueses, há muito abdicámos, então essa amplíssima Nação que seremos basear-se-á por certo e fundamentalmente no desejo de constituir a unidade. O resto vem por acréscimo. E, uma vez que não tenho representação oficial nem um tesouro que financie grandes feitos e outras acrobacias, navego, navego, navego...

 

Comecei por Goa e o primeiro contacto que lá consegui foi exactamente com a pessoa que procurava, o Dr. Jorge Renato Fernandes, fundador da Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa (também conhecida por Indo-Portuguese Friendship Society para tranquilizar freedom fighters goeses e outros nacionalistas indianos) que eu descobrira algures na Internet. Foi assim que conheci a obra fantástica que já estava em andamento e com que logo me prontifiquei a colaborar. Encurtando razões, com o apoio da Fundação Cidade de Lisboa (fundada pelo Eng. Nuno Abecasis), está actualmente a decorrer o 17º curso de português para adultos com uma média até agora de 96 alunos por curso, com aulas em Pangim, Margão, Mapuçá, Murmugão e Vasco da Gama. Estes cursos desenvolvem-se em 3 graus e são complementados por um curso de conversação em que, nestes, as turmas não ultrapassam os 15 alunos. Foi na selecção inicial dos professores de conversação que colaborei mas o processo já alcançou tal andamento que a minha participação deixou de se justificar. Passei-me então para outras paragens onde posso ser de alguma utilidade no desbravamento de novos caminhos. Mas não quero deixar de contar que em Goa o Instituto Camões está a funcionar nas instalações da Universidade pública local onde faz a formação de formadores, ou seja, forma professores de português e o Governo do Estado, quando numa escola da sua rede do ensino público identifica um grupo de encarregados de educação de pelo menos 15 alunos a quererem que os seus educandos aprendam português, contrata um professor licenciado pelo Instituto Camões e coloca-o nessa escola. Considero isto perfeitamente fantástico e não consigo calar o meu maior contentamento. Que ao pé de mim ninguém diga mal do Instituto Camões.

 

Posso também informar que em Pangim passou a haver uma celebração semanal da Missa em português. O que agora dava jeito seria que o mesmo passasse também a acontecer em Margão que é a maior cidade do Estado. Mas...

 

Alguns meses antes de morrer, o meu amigo Dr. Jorge Fernandes expressou-me a ideia de que seria muito importante para os lusófonos goeses que a Caixa Geral de Depósitos abrisse um balcão ao público a partir do escritório de representação que já tem na capital, Pangim. Esqueçamos por agora o outro sonho que ele tinha, o de ver restabelecidos os voos directos entre Portugal e Goa, desta vez em operação regular da TAP. Melhores dias virão...

 

E passei-me para Damão onde ainda não fui capaz de convencer a Madre Superiora do Instituto Nossa Senhora de Fátima (que é uma escola secundária da Igreja) a relançar as aulas de português que há tempos suspendeu. Mas também digo que todo este meu trabalho de «reconquista pacífica do Império» começou quando me chegou a mostarda ao nariz ao saber que nesta escola de Damão a professora de português era... uma freira espanhola. Imagine-se o sotaque com que os jovens damanenses haveriam de ficar. E logo pensei que mais valia acabar com esse desvirtuamento da nossa língua do que continuar a pactuar com o neo-colonialismo castelhano disfarçado nas saias duma freira. Já nos bastou a 3ª Dinastia, não precisamos de freiras espanholas em parte nenhuma. E foi em Damão que descobri o único cantor indiano cujo reportório é exclusivamente em português, o Noel Gama. A mulher do Noel (a Noelma) também é natural de Damão mas licenciou-se no Instituto Camões em Macau e quando regressou fez um curso de português para crianças que ministrou na sua própria casa. Depois duma interrupção por motivos de saúde, o processo do ensino do português será brevemente retomado, sempre sob coordenação local e extensão a Dadrá e a Nagar Haveli. Já tenho os primeiros contactos em Silvassa, principal cidade desses nossos antigos territórios.

 

Em Diu fala-se mais português do que em qualquer outra ex-praça portuguesa na Índia e desencadeámos há pouco o processo que conduzirá à nomeação de um Cônsul honorário de Portugal que se encarregará certamente de ali preservar a cultura indo-portuguesa.

 

Em Chaul e Korlai está-se neste momento a iniciar um processo que tem por objectivo fixar as regras gramaticais da língua que ainda lá se fala e que passa por ser um crioulo de português.

 

Em Baçaim, antiga «Corte do Norte» do Estado Português da Índia e donde saímos em 1739, foi recentemente formada a Associação de ligação a Portugal e à cultura indo-portuguesa na qual se realizará o curso de português. A Diocese local já declarou o seu apoio à iniciativa e é da mais elementar justiça expressar um agradecimento ao meu amigo P. Joaquim Loiola Pereira, Secretário do Primaz das Índias Orientais e Arcebispo de Goa e Damão, que se empenhou na condução do meu pedido de disponibilização de local apropriado para a realização das aulas. Pena foi que entretanto a professora que eu apalavrara para a função (uma algarvia devidamente habilitada para o ensino de português a estrangeiros que residia em Baçaim) tivesse regressado a Portugal. Ando agora à procura de uma alternativa.

 

A Diocese de Cochim tem o Instituto Vasco da Gama onde, entre outras actividades, se ministra um curso de português cujos primeiros alunos foram guias turísticos. Enfim, o pontapé de saída também aí está dado.

 

No Sri Lanka a retoma da portugalidade está em curso na sequência do tsunami que devastou a costa leste do país apanhando em cheio Batticaloa fazendo muitas vítimas. A AMI instalou lá de imediato um hospital de campanha, prestou na emergência uma ajuda importantíssima e quando os ânimos serenaram e a vida recomeçou, recuperou um imóvel degradado nele instalando uma maternidade. Mas não se ficou só pela medicina e mandou para lá um professor de português que exerceu a missão durante cerca de 2 anos. A reaproximação dos «portugueses» do Sri Lanka com Portugal vem sendo feita com determinação como ficou demonstrado com o entusiasmo com que o nosso Primeiro Ministro (Pedro Passos Coelho) lá foi acolhido. A AMI continua a desempenhar uma função fantástica que merece o meu maior aplauso.

 

Mais a nascente, o meu amigo Guido Kiko, «português» da Indonésia e regente de um grupo musical com instrumentos de cordas em tudo iguais aos que nós usávamos no século XVII (com o nome artístico de Keronkong Tugu), perguntou-me como havíamos de lhes ensinar o português moderno pois da nossa Embaixada em Jakarta não obteve a resposta que ele (e eu) gostaria de ouvir. Passados uns dias informa-me que recebera o convite do Governo de Timor-Leste para ir tocar durante a Cimeira da CPLP em Dili e foi nessa altura (corria 2014) que lhe disse que, se não conseguíamos um professor ido de Portugal, ele que pedisse a Xanana Gusmão um professor timorense que fosse para Tugu ensinar o português moderno. Parece que o meu amigo deu saltos de contente com a ideia e perguntou-me como deveria falar com Xanana. Muito bem, escrevi-lhe um breve discurso em português (obviamente, dei-lhe a versão inglesa para ele saber o que estava a dizer), ele leu-a no final do espectáculo, Xanana subiu ao palco para ouvir com ar compenetrado o pequeno discurso, terá dito que tomava o assunto em mãos mas deve tê-las lavado logo de seguida e...

 

Então comecei a pensar que eu próprio tinha que fazer alguma coisa para ultrapassar o que os importantões não fazem. Vai daí, falei com uma professora de português para estrangeiros (cuja língua materna seja o inglês) que depois duma relativamente longa carreira em Portugal ministrou 6 cursos presenciais em Goa e que acabava de se aposentar. Propus-lhe fazermos uma escola no Facebook ao que ela prontamente aderiu. Isso era para ela uma experiência completamente nova pois mal sabia lidar com o Facebook e nunca se imaginara a dar aulas por correspondência. Então, fundei o grupo a que dei o nome da professora «Filomena’s School – portuguese classes», fui-lhe dando umas dicas sobre o funcionamento dos grupos facebookianos, ela começou por fazer a primeira aula e eu fui desafiando alguns «portugueses abandonados» meus conhecidos a começarem a aprender português moderno a partir do zero. Bom, a «coisa» começou a mexer e já temos 118 alunos. Até ao momento disponibilizámos 15 lições e o processo continua com exercícios que a professora corrige em correspondência individual e não em público. O aluno mais oriental é um «tuga» indonésio e o mais ocidental é um «melungo» dos Apalaches.

 

Para além destes «zeristas» – os que começaram do zero – decidi dar a palavra aos que já sabiam alguma coisa pondo-os todos à conversa e misturando-os com portugueses e outros lusófonos de raiz. Assim nasceu o «Grupo de amizade Diu-Portugal» que nesta altura tem quase 800 membros e, especialmente destinado aos «portugueses» de Bombaim, o «Círculo Garcia de Orta de conversação em português» e que ainda só anda pela centena de membros.

 

Tudo isto corresponde a trabalho diário, pedra a pedra, lentamente mas com determinação, incluindo Sábados, Domingos, dias comuns e dias Santos.

 

Mas nem todos os «portugueses abandonados» têm Internet e alguns devem mesmo estar isolados no fundo de vales e nas sombras de florestas. Bom, a esses pretendo chegar via rádio (apesar de a RDPi ter encerrado a onda curta em Fevereiro passado) e por isso propus recentemente ao Presidente do Conselho Administração da RTP, Gonçalo Reis, fazer um programa semanal a custo zero para a empresa que dissesse aos «abandonados» que eles podem estar de facto abandonados mas não estão esquecidos. É claro que o programa se chamará “Lusitânia Armilar”. O Presidente da RTP respondeu-me de imediato encaminhando-me para o Director da RDPi (o que fiz nesse mesmo instante) mas o destinatário ainda não deve ter tido tempo de ler o meu e-mail... Se muitos dos «portugueses abandonados» já esperaram vários séculos, também podem esperar mais uns meses mas não tardará muito para que eu me lembre de qualquer outra coisa. O quê? Não faço por enquanto a mínima ideia mas desde já aceito sugestões.

 

Sim, o futuro é nosso porque não o deixamos ao sabor do acaso nem estamos disponíveis para incorrermos no risco de sermos mandados para o nono fosso (onde penam os semeadores da discórdia) do oitavo círculo do Inferno, o da fraude. Com franqueza, espírito de concórdia e olhos postos no futuro, construiremos a «Lusitânia armilar» da qual fará certamente parte a pluri-nacionalidade lusófona.

 

Muito obrigado pela atenção.

 

Fico ao dispor para os esclarecimentos que considerarem convenientes.

 

26mai08-FNACChiado.JPG

Henrique Salles da Fonseca

 

 

 

ANEXO I

17 Hospitais na rota da Índia

 

  1. Tavira – 1430
  2. Safim (Marrocos) – 1486
  3. Tânger – 1516
  4. Arzila – 1516
  5. Santa Cruz do Cabo de Gué (Agadir, na actualidade) – 1505
  6. Ilha de Santiago (Cabo Verde) – 1497
  7. S. Jorge da Mina (actual Gana) – 1498
  8. S. Tomé – 1504
  9. Bahia – 1510 (cerca de)
  10. Sofala (Moçambique) – 1505
  11. Ilha de Moçambique – 1507
  12. Quilôa (actual Tanzânia) – 1505
  13. Melinde (Zanzibar) – 1511
  14. Cochim (Índia – actual Estado de Kerala) – 1505
  15. Cananor (Índia – actual Estado de Kerala) – 1506
  16. Baçaim (Índia – actual Estado de Maharastra) – 1512
  17. Goa (Índia – actual Estado de Goa) – 1512

 

[1] - O Budismo, maioritário nessas regiões, não se baseia numa revelação.

PORTUGAL É AINDA SÍMBOLO DE ACESSO AO MAR NAS FLORES, INDONÉSIA

 

 

Portugal ainda é um símbolo de acesso ao mar nalgumas comunidades piscatórias da ilha das Flores, Indonésia, com portos ancestrais construídos por portugueses e outros agora reconstruídos com o apoio da cooperação internacional de Lisboa.

 

Em 2007, "o apoio português para construir o cais ajudou-os muito. Antes, só podíamos ir directamente para o mar a partir da praia e era muito difícil”, diz Paulus Kedang, cujo barco transporta diariamente “entre 100 a 250” pessoas.

 

Em Larantuca, o Estado português financiou, em 2007, à recuperação dos equipamentos portuários, atingidos nalguns casos pelo maremoto de 2004, um símbolo positivo da cooperação portuguesa que deverá ser agora de novo discutido pelas autoridades dos dois países no encontro de segunda-feira entre os ministros do Negócios Estrangeiros, Rui Machete e Marty Natalegawa.

 

 

Na regência das Flores Oriental, foram gastos 235 mil euros na construção do cais em Tanah Merah, na ilha de Adonara, inaugurado em 2009, e na extensão do cais existente em Lohayong, na ilha de Solor, uma obra finalizada em 2010.

 

No leste da ilha, na província de Sica, as obras em dois cais (Sica e Waturia) são menos consensuais, devido à sua má concepção e falta de qualidade.

 

Na aldeia de Sica, cujo turismo assenta sobretudo na herança portuguesa ali deixada, em especial pelos missionários católicos, são visíveis vários barcos estacionados junto à praia, ao lado dos destroços daquilo que foi o cais inaugurado em 2008.

 

O cais nunca teve utilidade, porque “antes de o utilizarem, já estava partido”, refere Gregorius Tamela Carvallo, habitante da aldeia de Sica, onde cerca de metade da população vive da pesca tradicional.

 

“Depois de o construírem, tornou-se numa área perigosa, porque fizeram-no muito perto” da costa, disse o aldeão que lamenta a opção do antigo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (actual Instituto Camões) de dar o apoio às autoridades locais em vez de implantar o projecto através de uma ONG.

 

“Eles apoiaram o governo local a nível económico, mas estes mudaram o dinheiro para a mão deles, porque é melhor proteger as suas casas do que fazer a obra” em condições, acusa, por sua vez, Daeng Colli, que vende peixe junto à estrada principal de Waturia.

 

Rudy Salam, pescador e líder da comunidade de Waturia, recorda uma reunião onde foi decidido que o cais deveria ficar a 200 metros da praia e lamenta que no final o mesmo tenho sido construído a apenas 36 metros, o que faz com que as ondas sejam maiores e dificulte a chegada dos barcos.

 

A força das ondas ao chocar com o cais provocou não só a destruição de parte da obra, inaugurada em 2010, mas também danos em cinco casas.

 

Por isso, entretanto, a comunidade decidiu destinar fundos para comprar barcos de pesca que recebeu do governo indonésio para construir uma barreira de pedras que facilita a atracagem dos barcos e protege as casas.

 

O regente de Sica, Yoseph Ansar Rera, que representa o poder central, também reconhece que “as condições não são boas” e promete reconstruir o cais, embora sem avançar uma data para tal.

 

Mas em Larantuca, a satisfação é evidente. O barco de Paulus Kedang viaja da aldeia de Palo, em Larantuca, até a Tanah Merah “mais de sete vezes” por dia, sendo que antes da construção do cais apenas fazia duas a três viagens diárias devido às dificuldades de acostagem.

 

Para Nurdin Syukur, proprietário de um barco com dois andares que faz a viagem entre o porto de Larantuca e o cais de Lohayong, na ilha de Solor, transportando cerca de 100 pessoas em duas viagens diárias, a extensão do cais foi positiva, “porque antes era muito difícil para as pessoas entrarem no barco”.

 

“O cais realmente ajudou muito o povo local”, disse à Lusa o líder da aldeia muçulmana de Loyahong, Abdullah Imran. O projecto trouxe ainda melhorias no “sector económico”, dado que várias “actividades diárias começam no cais”.

 

No entanto, o responsável da aldeia lamenta que o cais não tenha mais um metro de altura dado que o nível do mar por vezes dificulta a entrada e a saída dos passageiros.

 

O regente das Flores Oriental, Joseph Lagadoni Herin, mostra-se grato pelo investimento feito por Portugal, que foi “muito importante para a população local” e inspirou a regência a construir obras do género.

 

In O MIRANTEhttp://www.omirante.pt/

LUSITÂNIA NO BAIRRO LATINO

 

António Nobre (1867 - 1900)

 

Lusitânia Armilar:

1

Só!
Ai do Lusíada, coitado,
Que vem de tão longe, coberto de pó.
Que não ama, nem é amado,
Lúgubre Outono, no mês de Abril!
Que triste foi o seu fado!
Antes fosse pra soldado,
Antes fosse pró Brasil...

Menino e moço, tive uma Torre de leite,
Torre sem par!
Oliveiras que davam azeite,
Searas que davam linho de fiar,
Moinhos de velas, como latinas,
Que São Lourenço fazia andar...
Formosas cabras, ainda pequeninas,
E loiras vacas de maternas ancas
Que me davam o leite de manhã,
Lindo rebanho de ovelhas brancas;
Meus bibes eram de sua lã. …………………………………….

 

2-

Georges! anda ver meu país de Marinheiros,
O meu país das naus, de esquadras e de frotas!


Oh as lanchas dos poveiros
A saírem a barra, entre ondas de gaivotas!
Que estranho é!
Fincam o remo na água, até que o remo torça,
À espera de maré,
Que não tarda aí, avista-se lá fora!
E quando a onda vem, fincando-a com toda a força,
Clamam todas à uma: «Agora! agora! agora!»
E, a pouco e pouco, as lanchas vão saindo
(Às vezes, sabe Deus, para não mais entrar...)
Que vista admirável! Que lindo! Que lindo!
Içam a vela, quando já têm mar:
Dá-lhes o Vento e todas, à porfia,
Lá vão soberbas, sob um céu sem manchas,
Rosário de velas, que o vento desfia,
A rezar, a rezar a Ladainha das Lanchas:

Senhora Nagonia! ………………………………………………

 

3-

Georges! anda ver meu país de romarias
E procissões!


Olha estas moças, olha estas Marias!
Caramba! dá-lhes beliscões!
Os corpos delas, vê! são ourivesarias,
Gula e luxúria dos Manéis!
Têm nas orelhas grossas arrecadas,
Nas mãos (com luvas) trinta moedas, em anéis,
Ao pescoço serpentes de cordões,
E sobre os seios entre cruzes, como espadas,
Além dos seus, mais trinta corações!
Vá! Georges, faz-te Manel! viola ao peito,
Toca a bailar!
Dá-lhes beijos, aperta-as contra o peito.
Que hão-de gostar!
Tira o chapéu, silêncio!
Passa a procissão…………………………………………………

 

Mas agora é tudo tão diferente! Só António Nobre subsiste. No SÓ.

 

 Berta Brás

O MUNDO É REDONDO

 

 

Sim, o mundo é redondo e a Lusitânia armilar.

 

Mas há quem se sinta a remar contra a maré.

 

Poucos os que têm a nossa perseverança e muitos os que se desligam durante longos períodos da nossa luta contra o hedonismo reinante e contra a diluição de Portugal. Mas, por vezes, regressam. E até há os que dão um ar da sua graça comentando os que por cá andamos.

 

Fazem-me lembrar o que se passava comigo quando andava entre África e Portugal e, cá chegando, encontrava as mesmas pessoas a fazerem o mesmo que faziam quando as vira pela última vez. E eu pensava que elas deveriam ser umas tristes pois, entretanto, eu já dera a volta a meio mundo e elas continuavam ali sentadas no mesmo local... E passados estes anos todos, muitos ainda lá estão, mais velhotes, a fazer o mesmo. E eu hoje penso que eles é que são as âncoras do nosso Portugal enquanto eu não passava dum andarilho saltimbanco, meio azougado e leviano.

 

E como o mundo é redondo, somos nós que hoje cá estamos, perseverantes, a fazer sempre o mesmo. Só que não nos limitamos a limpar o estrume éguariço nem a ir para o jardim público jogar à batota enquanto alguém não fecha as tábuas à nossa volta: defendemos publicamente os Valores em que cremos dissecando as andanças da Nação a que pertencemos e de que tanto gostamos. E há quem cá venha espreitar o que fazemos. Não chegam todos hoje, alguns só amanhã cá espreitarão e assim será enquanto houver dedos para teclar...

 

Eu cá estou na senda da Lusitânia armilar!

 

Continuemos…

 

 

Henrique Salles da Fonseca

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