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A bem da Nação

FALANDO...

O Acordo Ortográfico de 1990 (AO90) caracteriza-se pelo «nivelamento por baixo» privilegiando a fonia e relegando a etimologia para segundo plano. Esta inversão de valores vincula a tendência de transformar o português de língua erudita em linguajar boçal.

A propósito de «nivelar por baixo», vem sendo banalizado o tratamento por tu em detrimento de fórmulas cerimoniosas, respeitadoras do próximo. O «tutoyer» francês que em português se traduz por «tratar por tu» já foi adoptado como «tutear» mas a cerimónia, o tratamento por Você (Senhor, Senhora ou Senhores), ainda está fora do dicionário.

Eis, pois, que venho propor a criação da palavra «vocear» para significar o tratamento por Você.

Contudo, na expressão oral, o superior hierárquico deve ser tratado por «o Senhor», «a Senhora» ou «os Senhores» e nunca por Vocês(s) nem sequer pelo nome próprio, apenas pelo apelido. Mas estas já são regras de protocolo e não de gramática.

Passada a «chazada» aos relações públicas e atendedores de «cal centres», é chegada a hora de reforçar a via etimológica para que a língua portuguesa não se abastarde «à la diable». Assim, aqui fica a proposta à Secção das Letras da Academia das Ciências de Lisboa: «Vocear» - tratar por Você.

Dezembro de 2022

Henrique Salles da Fonseca

DA MENTE E DA PALAVRA

"l´pnguaA criança chora para expressar uma necessidade; grita para afirmar algo que não sabe expressar de outro modo; faz birra quando lhe recusam ou tardam na satisfação de um desejo. À medida que vai crescendo, por imitação e compreensão progressiva, vai juntando novas formas de expressão, as suas capacidades cognitivas vão crescendo do nível imitativo, do raciocínio empírico até que… se aposenta como cientista de renome. A menos que – por vontade própria ou alheia – tenha ficado pelo caminho.

Deixemos por momentos o grande cientista no seu recato de estudo e desçamos à rua.

E que ouvimos nós? 

Por contraste com as subtilezas linguísticas do cientista que se refere ao passado por «foi, terá sido, poderia ter sido…», ao presente por «é, poderá ser…» e ao futuro «será, poderá vir a ser, talvez seja» e do iletrado ouviremos formas simplistas: de passado (foste), presente (és)  e futuro (vais ser). E quanto mais elementar o nível de instrução, mais simplista a expressão até ao estágio da pronúncia deturpada e quase incompreensível.

Do cientista, ouviremos raciocínios especulativo-dedutivo-conclusivos; do iletrado, ouviremos observações empíricas e pouco mais.

* * *

Primeira conclusão: - A subtileza linguística resulta da necessidade de expressão relativa a raciocínios elaborados; as formas simples da linguagem resultam da inexistência de raciocínios elaborados a expressar.

Segunda conclusão: - A mente determina a formulação da linguagem no sentido de que a palavra serve a mente; não existe aqui uma relação biunívoca.

* * *

Mais ou menos elaboradamente, não nos exprimimos por geração espontânea, fazemo-lo segundo uma tradição etimológica a qual, em boa verdade, serve de poita a obstar a derivas e extravagâncias fónicas.

Quando, oficialmente, se corta a relação etimológica, a língua corre o grave risco da tal deriva errática e das influências fónicas. Se a esta deriva se juntar a moda telegráfica da simplificação sintática, teremos não a democratização da língua mas, sim, a sua boçalização.

Terceira conclusão: - É fundamental manter uma língua (a portuguesa, claro!) que sirva as necessidades da expressão erudita.

Julho de 2022

Henrique Salles da Fonseca

POBRE LÍNGUA PORTUGUESA

O Acordo Ortográfico de 1990 – a que os preguiçosos se referem por AO90 -  contribui para abolir as ligações etimológicas da língua portuguesa e, portanto, as variantes cultas das palavras. Ao ver privilegiada a via fónica, a língua, ljtrlra significativamente erudita, transforma-se numa linguagem de boçalidade.

O português padrão (o que se fala e escreve em Portugal expurgado de regionalismos) está a transformar-se num estranho dialecto com determinações incompreensíveis que se afastam da etimologia e das restantes línguas latinas. Com a agravante de nem sequer haver qualquer uniformização com os outros países de língua portuguesa que ou não aplicam o dito Acordo ou do mesmo resulta que sigam regras diferentes, graças à pronúncia que utilizam.

Um bom exemplo disto resulta da tradução do livro da autora argentina María Gainza, que em espanhol se chama “El nervio óptico”, mas que em acordês se transforma em “O Nervo Ótico”. O problema é que sempre se utilizou na língua portuguesa a expressão “ótico” como relativa ao ouvido, reservando-se o termo “óptico” para a visão. Tal é o significado dos respectivos antecedentes gregos “otikos” e “optikos”. O Acordo Ortográfico de 1990 aboliu esta distinção essencial mas apenas no português padrão, o de Portugal, continuando a distinção a existir no português do Brasil. Puro absurdo.

E o mesmo sucede com outras palavras como “recepção” e “concepção”, que se conservam sem alterações na ortografia brasileira, mas que na portuguesa passam a “receção” e “conceção”, facilmente confundíveis com “recessão” e “concessão”. Qual a necessidade de abolir a grafia anterior se o que se consegue é criar uma ortografia que ainda mais se diferencia da dos outros países lusófonos?

Isto já para não falar da multiplicação dos erros de escrita que o Acordo Ortográfico de 1990 causou, com a absurda directriz de querer abolir as consoantes mudas, estando muita gente a abolir consoantes que continuam a pronunciar-se. É assim que já se viu aparecer erros como “fato”, “infeto”, “corruto”, que demonstram bem a falta de critério na abolição das consoantes pretensamente mudas.

Mais: a expressão culta “ruptura”, mais próxima do latim, foi transformada em “rutura”, esquecendo-se que já existia a variante popular “rotura”; fala-se em “ótico” para a visão, mas esquece-se que a medição da mesma continua a ser a “optometria”; e os egípcios, pelos vistos, passaram agora a viver no “Egito”, esquecendo-se que a palavra Egipto tem origem no deus Ptah que, tanto quanto se sabe, ainda não passou a Tah. Lastimável e, por tudo isto, denunciável.

 

Henrique Salles da Fonseca

(adaptação de texto apócrifo recebido por e-mail)

 

LÍNGUA PORTUGUESA EM GOA

Delfim Correia Da Silva (Prof.)

Director do «Instituto Camões» em Goa

Departamento de Estudos Portugueses - Universidade de Goa
16 August at 18:25  ·
Caros amigos, vem este meu texto a propósito da verdadeira "mis en scène" que constituiu a reportagem altamente difundida pela AFP e vertiginosamente transmitida, no último fim de semana, em várias línguas, através de diversos orgãos de comunicação social internacionais, sobre o rápido desaparecimento da herança lusófona em Goa e, muito em particular, a morte da língua portuguesa.
Dois factos curiosos a registar:
1) a matéria parece não ter sido muito valorizada pelos jornais locais.
2) a reportagem foi realizada em fevereiro/março de 2021, mas só agora divulgada.
A História é o que é. Não podemos reescrevê-la de acordo com aquilo que gostaríamos que tivesse sido. O copo para uns está meio cheio, e para outros meio vazio, ou até totalmente vazio! O que, relativamente à herança portuguesa em Goa, não é francamente o caso! Não vou discutir as razões sustentadas pelas aves necrófagas ou profetas da desgraça, nem tentar dourar a pílula, apenas apresentar neste meu espaço factos que contrariam essa narrativa e que tenho ouvido desde a minha chegada a Goa em 2008.
A herança cultural portuguesa não se reduz ao pastel de nata ou ao fado, a cujo ressurgimento tive o prazer de assistir, principalmente a partir de 2014, com a realização do concerto de Cuca Roseta na Kala Academy, o Concurso de Fado da Semana da Cultura Indo-Portuguesa, o projeto cultural “Fado de Goa” do Hotel Taj Vivanta, liderado por Ravi Nischal, ao qual Sónia Sirsat deu a melhor continuidade e mais recentemente a criação do CIPA onde os turistas afluem para sentir, a exemplo do icónico restaurante Alfama no Hotel Cidade de Goa, o ambiente de uma verdadeira casa de fado. Hoje em dia, começa a despontar um leque de entusiastas fadistas que seguem não só os passos da sua mentora e formadora, Sónia Sirsat, mas também da talentosa Nadia Rebelo. O fado é ainda objeto de estudo académico, pois integra desde o ano académico 2018-2019 o programa de uma disciplina curricular do B.A. em estudos portugueses, na Universidade de Goa.
Escusado será de referir a importância do rico património cultural de influência portuguesa existente em Goa, quer a nível da arquitectura, quer nas áreas da literatura, da música ou das artes em geral que atraem anualmente centenas de investigadores nacionais e estrangeiros, possivelmente tantos ou mais do que a Macau, território que serve muitas vezes para estabelecer uma errónea comparação com Goa, realidades muito distintas por razões que, por serem fastidiosas, me abstenho de desenvolver.
A peça jornalística, centrada na rápida perda da identidade cultural portuguesa, mereceu algum destaque no que diz respeito à língua, e o estado lastimoso em que se encontra neste território. E mais uma vez, não podemos tomar como referência o pujante crescimento verificado na China e em Macau, em particular, por se tratarem de realidades muito diferentes.
Sei que este texto, poderá ser lido, na sua forma original, por pouco mais de 10,000 habitantes em Goa, número escasso se comparado com os potenciais leitores de há 60 anos. Mas ao contrário do apregoado declínio da língua portuguesa no território, nos programas escolares e académicos temos assistido a um lento, mas seguro progresso do português.
Sim, é verdade, após 1961 a língua sobreviveu em ambiente familiar, em quase clandestinidade, a transmissão foi estabelecida dos pais para os filhos e mais tarde para os netos. Noutros casos, com a morte dos mais velhos, morreu também uma língua de herança.
O português, em contexto de ensino-aprendizagem, é uma língua estrangeira em Goa, a par do francês, havendo ainda a considerar alguns, poucos, aprendentes de alemão, italiano e espanhol.
A minha experiência em Goa, enquanto leitor do Camões na Universidade de Goa, responsável pelo Departamento de Português e Estudos Lusófonos de 2009 a 2018, coordenador da Cátedra Camões “Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara” e membro, até muito recentemente, do Board of Studies de Português permite-me assegurar que os estudos portugueses estão, contrariamente ao que pretendem fazer crer, de saúde, com resultados nunca antes alcançados.
O Departamento de Português esteve encerrado de 2001 a 2005. Até esse período, 39 alunos saíram formados com o M.A., registando-se apenas um doutorado, em 1995. Graças ao extraordinário trabalho do meu antecessor, foi possível reabrir o Departamento e reiniciar o programa de M.A. em 2006. Desde então, saíram da Universidade de Goa 95 mestres em Literatura e Cultura Portuguesas, muitos deles, hoje, docentes em universidades indianas, colégios e escolas secundárias. Hoje em dia, o Departamento de Português oferece um amplo programa de Estudos Portugueses. Para além do M.A. e do M.Phil, criado em 2014, os cursos de graduação contam também com os programas de B.A. Honors, inaugurado em 2019-2020, e do Doutoramento relançado em 2020-2021.
Se nos últimos dois anos, assistimos a uma redução no número de alunos inscritos nos cursos livres e opcionais, em grande parte devido à suspensão das aulas presenciais e dos cursos da Cátedra, consequência da pandemia, o número de inscritos nos cursos de graduação, afinal o que mais importa em termos académicos, aumentou substancialmente. E muito em breve,  com o conhecimento exato dos resultados das matrículas para o presente ano letivo 2021-2022, haverá, estou certo, dados ainda mais animadores.
Há muito tempo que o Departamento de Português deixou de ser a “lanterna vermelha” na Universidade de Goa, considerando o número de alunos matriculados. O M.A. em português tem, desde 2006, funcionado ininterruptamente e nos programas até se verificou uma expansão.
Claro, o copo está apenas meio cheio! Falta desenvolver projetos academicamente mais ambiciosos. Estamos a dar nesse sentido alguns importantes passos. Para além da Cátedra Cunha Rivara que conta com conceituados investigadores e professores visitantes de prestigiadas universidades portuguesas, deu-se início no ano passado ao programa de Doutoramento em Português. Dos alunos formados com M.A. pelo Departamento após 2006, dois estão atualmente inscritos no PhD da Universidade de Goa, um inscrito no programa de PhD da Universidade de Delhi, dois encontram-se na fase da escrita da tese doutoral (um, pela Universidade Nova de Lisboa, e o outro, pela JNU/Universidade do Porto), e um outro, após ter concluído o M.A. em 2010, defendeu recentemente a sua tese de doutoramento na JNU.
Poderia, como bom indicador, mencionar ainda a procura que temos sentido no Centro de Língua Portuguesa do Camões em Pangim. Devido à pandemia encerramos os cursos presenciais em março de 2019. Em junho de 2019 reiniciamo-los na modalidade online com muito mais sucesso. Este ano já ultrapassamos a centena de inscritos.
Em janeiro de 2021 realizamos, a pedido da diretora dos Arquivos e Arqueologia, um exame para a seleção de tradutores. Dos 20 candidatos, 19 foram aprovados com elevadas classificações.
Estes são alguns dos factos, e poderia apresentar muitos mais, que, no mínimo, mostram que o rei não vai assim tão despido. Tirem as vossas conclusões!

TEMAS DA LÍNGUA PORTUGUESA

«A MÃO» ou «À MÃO»

Tem ou não tem crase [1]?

Será «a mão» quando o «a» é o artigo definido feminino singular; haverá crase quando se tratar da conjugação do mesmo artigo definido com o advérbio de localização «em» transposto para «na» (em a) e absorvido pela crase em «à» (em a a mão). Neste caso, será «à mão».

Exemplos:

  • - Esta é a minha mão direita, a de semear.
  • - O lápis está à mão de semear (significando que o lápis está perto da mão que eu uso para semear o cereal)
  • - Ele cose a mão - “a mão” aqui é a parte do corpo humano que estava ferida por objecto cortante e estava precisada de ser cosida (suturada)
  • - Ele cose à mão aqui, “à mão” é locução adverbial, que dá ideia de maneira.

Henrique Salles da Fonseca

(por adaptação de lição do Professor Pedro Valadares)

 

[1] - Crase - substantivo feminino - contracção ou fusão de sons vogais num só

UM MAU SERVIÇO PRESTADO À NAÇÃO

O Acordo Ortográfico de 1990 cabimenta aquilo a que antigamente chamávamos erros de ortografia, privilegia a fonia e ignora a etimologia. Ou seja, numa penada, a língua portuguesa perdeu o seu caracter maioritariamente erudito e transformou-se numa forma de expressão da boçalidade de caipiras, jagunços e outros iletrados. Claramente, o tão medíocre «nivelar por baixo».

Nestes últimos dois séculos, as tentativas de aproximação da nossa escrita à fonia são tão antigas quanto António Feliciano de Castilho cuja proposta «viu»[i] chumbada por quem então tinha poderes para decidir sobre esse tipo de matérias.

Muito mais recentemente, foi o brasileiro Paulo Freire que preferiu combater o flagelo do analfabetismo adulto por uma via de escrita fónica que os destinatários conseguissem entender, ou seja, uma forma despojada da erudição que os sertanejos não conseguiriam absorver.

Pessoalmente, aceito o método fónico como transitório, destinado a uma classe etária já avançada que não criará raízes nas normas oficiais mas que passa assim a ter um meio de comunicação de que anteriormente não dispunha. Contudo, se essa escrita fónica me parece aceitável quando dirigida aos mais velhos, já não a tenho como aceitável junto das crianças.

Foi precisamente o contrário que aconteceu em Portugal: nós, os adultos, preferimos usar a forma erudita e às crianças foi imposta a boçalidade.

Claramente, um mau serviço prestado à Nação.

Fevereiro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

[i] - Castilho era cego

  NA MORTE DE MALACA CASTELEIRO

Malaca Casteleiro.jpg

Morreu o Professor João Malaca Casteleiro, principal responsável português do Acordo Ortográfico de 1990.

A minha frontal oposição ao dito Acordo fundamenta-se sobretudo em argumentos políticos e não em razões de técnica linguística.

Não me parece oportuno trazer aqui essa argumentação e, pelo contrário, merece referir agora um sentimento real pela perda de alguém que prosseguiu um ideal e que o defendeu até ao fim da vida.

Ideal que não é o meu mas isso é matéria que não vem ao caso.

João Malaca Casteleiro, RIP

Fevereiro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

EXPRESSÕES CURIOSAS DA LÍNGUA PORTUGUESA

18FEV19-1.jpg

DOSE PARA CAVALO

Significado: Quantidade excessiva; demasiado.

Origem: Dose para cavalo, dose para elefante ou dose para leão são algumas das variantes que circulam com o mesmo significado e atendem às preferências individuais dos falantes.

Supõe-se que o cavalo, por ser forte; o elefante, por ser grande, e o leão, por ser valente, necessitam de doses exageradas de remédio para que este possa produzir o efeito desejado.

Com a ampliação do sentido, dose para cavalo e suas variantes é o exagero na ampliação de qualquer coisa desagradável, ou mesmo aquelas que só se tornam desagradáveis com o exagero.

 

QUESTÕES DA NOSSA LÍNGUA - 1

 

A bem da Nação, tratemos a nossa língua com correcção

 

AGRADECENDO…

Em Portugal, agradecemos algo que alguém fez por nós com um «obrigado». Isso significa que nos sentimos obrigados para com esse alguém pelo favor que nos fez.

Quando o agradecimento é individual, em nome apenas de quem o profere, o termo deverá ser usado no singular: Obrigado. «Eu sinto-me obrigado perante si pelo favor que me fez».

Quando o agradecimento é feito em nome de mais do que uma pessoa, o termo será então aplicado no plural: Obrigados. «Nós sentimo-nos obrigados perante si (ou vós) pelo favor que nos fez (ou fizeram)».

Não faz, portanto, sentido o agradecimento que há dias recebi de quem me quis agradecer algo que por ele fiz (e que já esqueci) dizendo «obrigados».

Mas há mais: se quem agradece é do sexo masculino, dirá «obrigado»; se do sexo feminino, dirá «obrigada»; o mesmo se diga para os plurais «obrigados» e «obrigadas».

Obrigado pela atenção que prestaram a esta minha prosa.

* * *

«A FIM» e «AFIM» – qual a diferença?

Os termos «a fim» e «afim», apesar de terem a mesma fonia, têm significados diferentes.

«A fim» - escrito separado, o termo forma a expressão «a fim de», que tem o significado de finalidade; é sinónimo de «com o propósito de», «com a intenção de», «com o objetivo de».

Ex1: Ele estudou bastante A FIM DE passar na prova.

Ex2: O Rui começou a correr A FIM DE perder peso.

«Afim» - escrito junto, o vocábulo indica afinidade; pode funcionar como substantivo ou adjectivo; como adjectivo, refere-se a algo similar, parecido ou relacionado.

Ex: Moçambique é um país AFIM de Portugal, pois as duas nações falam português.

Como substantivo, a palavra indica pessoas que são parentes ou têm algum tipo de afinidade.

Ex: Para a festa, convidarei empregados e AFINS.

Como truque para não confundir as duas expressões, basta lembrar:

  • FIM de FINALIDADE;
  • AFIM de AFINIDADE.

(Adaptado do Clube do Português)

* * *

«A PARTIR DE…»

PERGUNTA

Escreve-se ou diz-se «apartir» ou «a partir»?

RESPOSTA

A palavra «apartir» não existe. Portanto, diz-se «a partir de...» (no sentido de «depois de...») ou «aquilo é para partir» (no sentido de «quebrar»).

A outra palavra parecida que existe é «apartar» que significa «separar».

* * *

«ALGUÉM» e «NINGUÉM»

CONCORDÂNCIA COM OS INDEFINIDOS

«Alguém» e «ninguém» levam, em geral, o adjectivo para o masculino:

- Alguém está cansado?

- Não, ninguém está cansado.

* * *

AVENTURA e VENTURA

AVENTURA

a·ven·tu·ra (4 sílabas)

Substantivo feminino

  1. Feito extraordinário
  2. Caso inesperado que sobrevém e que merece ser relatado.
  3. Acaso

Palavras relacionadas: aventurado, aventurar, aventureiro, aventuroso, odisseia, alvorário, rocambolismo.

VENTURA

ven·tu·ra (3 sílabas)

Substantivo feminino

  1. Fortuna próspera; sorte
  2. Felicidade.
  3. Destino; acaso
  4. Risco; perigo

«À ventura» = AO ACASO, À SORTE

Palavras relacionadas: acaso, felicidade, mascote, desventurar, sem-ventura, venturoso, felícia.

AVENTURAR

a·ven·tu·rar - 4 sílabas

Verbo transitivo e pronominal

  1. Pôr ou pôr-se em risco. = ARRISCAR
  2. Sujeitar ou sujeitar-se à ventura

Verbo transitivo

  1. Dizer ou fazer algo sem certeza (ex.: aventurou uma questão; não quis aventurar alvitres)

In PRIBERAM

(continua)

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