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A bem da Nação

SILVESTRE E O IDIOMA

 

Silvestre quer saber

Por que razão eu estrago o português

Escrevendo palavras que nem há.

Silvestre quer saber...

 

Não é a pessoa que escolhe a palavra,

É o inverso.

Isso eu podia ter respondido.

 

Mas não.

O tudo que disse foi:

É um crime passional, Silvestre.

É que eu amo tanto a Vida

Que ela não tem cabimento

Em nenhum idioma.

 

Silvestre sorriu.

Afinal, também ele já cometera

O idêntico crime:

Todas as mulheres que amara

Ele as rebaptizara, vezes sem fim.

 

Amor se parece com a Vida:

Ambos nascem na sede da palavra,

Ambos morrem na palavra bebida.

Mia Couto.pngMia Couto

in "Idades, Cidades, Divindades", Lisboa: Editorial Caminho

ORIGEM DA PALAVRA SALOIO

 

 

Designa-se como saloio o habitante natural das zonas rurais do início do século XX em volta de Lisboa, a região saloia. A dita região compreende vários Concelhos, sendo os seus limites discutíveis. Há quem a defina como a correspondente aos concelhos da Amadora, Arruda dos Vinhos, Cascais, Loures, Mafra, Odivelas, Oeiras e Sintra.

 

ORIGEM DA PALAVRA SALOIO

Quando D. Afonso Henriques conquistou Lisboa aos mouros, para não despovoar a terra, deixou-os ficar na posse dos seus bens, impondo-lhes, contudo, certos tributos. Benefício e tolerância que a politica e a humanidade aconselhavam, estendeu-se aos lugares circunvizinhos da cidade. Esta foi logo aumentando em população cristã, que em si absorveu a mourisca pelo decurso dos tempos, o que não era tão fácil no campo. Dizem que a estes mouros dos arredores davam antigamente o nome de Çaloyos ou Saloios, tirado do titulo da reza que repetem cinco vezes no dia, chamada çala. Ficou o nome, ainda depois de povoados esses lugares apenas por cristãos; e talvez da mesma origem proviesse um antigo tributo que se pagava do pão cosido em Lisboa e seu termo e que era conhecido pela denominação de çalayo.

 

Saloias - Silva Porto.png

 Saloias, por Silva Porto (1850-1893)

 

Adaptado de O Panorama - Jornal Litterário e Instructivo da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Úteis, 21 de Abril de 1838

 

TEATRO MUITO RÁPIDO – 3

Pano de boca de teatro.jpg

  

TRIPAS À MODA DO PORTO

 

ACTO ÚNICO

CENA ÚNICA

 

O forasteiro chega ao Porto cheio de vontade de experimentar tripas à moda do Porto e entra na primeira tasca que encontra.

 

Forasteiro – Bom dia! O Senhor serve tripas à moda do Porto?

Tasqueiro – Oh! meu Sinhore, as milhores do Puorto.

Forasteiro – E o Senhor costuma lavá-las bem, muito lavadinhas, muito lavadinhas?

Tasqueiro – Bem, lavamos as tripas, sim, mas deixamos-lhes o sabor; não as lavamos assim tão por completo como o Sinhore está a dizer.

Forasteiro – Ah, sim! Então coma-as o Senhor!

 

CAI O PANO RAPIDAMENTE

 

Henrique Salles da Fonseca-16AGO16-2

Henrique Salles da Fonseca

TEATRO MUITO RÁPIDO - 2

Pano de boca de teatro.jpg

  

O LIVRO DOS PROBLEMAS

 

ACTO ÚNICO

CENA ÚNICA - Na livraria

 

ClienteBom dia! Os Senhores têm o livro «COMO RESOLVER METADE DOS SEUS PROBLEMAS»?

 

EmpregadoUm momento por favor, vou ver aqui no computador… (passam alguns momentos) … Sim, temos esse livro nos nossos registos. Deixe-me agora ver se temos algum exemplar em stock nesta loja… (passam mais alguns momentos) Ora bem, sim, parece que estamos com sorte, temos dois exemplares.

 

Cliente – Óptimo! Então, embrulhe-me esses dois exemplares que é para eu resolver todos os meus problemas e não apenas metade.

 

CAI O PANO RAPIDAMENTE

9JUL18.jpg

Henrique Salles da Fonseca

PORTUGUÊS, LÍNGUA DIFÍCIL

 

 

«Homem mata amante com vinte facadas no Fundão

Vera, assinada com facadas no Fundão..jpg

 

 

«Vera fazia 30 anos este domingo. Foi o filho de cinco anos que encontrou o corpo.»

“Correio da Manhã”, 11 de Março de 2018

 

Sinceramente, acho que as facadas podiam ter sido dadas noutra região da amante e não seriam necessárias as tais vinte. Se fosse na carótida, bastaria uma em vez das vinte no fundão.

 

Nada disto tem graça, ao contrário do que possa parecer à primeira leitura. Eu limitei-me a ler o título, não li a notícia e ignoro todo o drama envolvente.

 

O primeiro problema com que nos deparamos não é o assassinato – com o que nada temos a ver – mas sim o «analfabetismo» do jornalista que redigiu a notícia. Pior ainda, a negligência do chefe desse tal «analfabeto» que deixou passar tal título.

 

É claro que a frase deveria ter sido escrita de modo bem diferente: «No Fundão, homem mata amante com vinte facadas».

 

Eis como o gozo não teria oportunidade de espreitar sobre o ombro de um drama real nem sobre a incompetência de quem comunica com o público.

 

Triste sociedade esta que está nas mãos de tal qualidade informativa.

 

Março de 2018

 

Buenos Aires, 2012.jpg

 Henrique Salles da Fonseca

FACTÓTUNS DA CRUZADA DO CRIOULO

 

Crioulo de Cabo Verde.png

 

Perguntado, em recente entrevista ao jornal Expresso da Ilhas de 02 de Novembro de 2016, se “julgava que há pessoas que são contra a oficialização (do crioulo) só para não lhe darem o prazer de ver o seu reconhecimento”, o Professor Manuel Veiga (MV)1, antigo ministro da cultura, respondeu taxativamente que “o prazer não será para ele, mas sim para o povo de Cabo Verde”, visto que ele, Manuel Veiga, “fala o português, o crioulo e outras línguas.”

 

Ora, esta afirmação do MV tem que se lhe diga e não pode passar em branco. Costuma-se dizer que o peixe morre pela boca. É que das suas palavras tem de deduzir-se que a oficialização do crioulo será mais para consagrar a situação de baixa escolaridade de largo segmento do povo cabo-verdiano do que para a elevação do dialecto a língua capaz de todos os desempenhos sociais, formais e literários. Sim, implícito na afirmação de MV está o reconhecimento de que o seu estatuto social e cultural dispensa o uso do crioulo, já que para a sua projecção como intelectual e homem de letras tem outras línguas ao seu dispor, em particular o português. E não é por acaso que o diz. Ele sabe que se escrever obras literárias em crioulo, será para ganharem poeira nas prateleiras das lojas… cabo-verdianas, bem entendido. Magríssima procura devem ter e o autor não realiza os seus objectivos de notoriedade pública, além de ter de arrostar com prejuízos financeiros.

 

Contudo, outro entendimento do MV poderia supor numa aposta firme na língua portuguesa, conferindo-lhe prioridade, espaço e meios acrescidos, em benefício dos currículos escolares e também do ensino de adultos. Mas essa opção só ocorreria ao ex-ministro da cultura se ele tivesse uma visão mais alargada, evoluída e prospectiva do papel da língua na vida dos povos, em vez de circunscrita a este fraseado, qual epigrama, gravado no seu pensamento: “o crioulo faz parte da dignidade política, social e cultural conquistada com a independência em 1975” (entrevista ao Expresso das Ilhas em 2010). Caberá então ao leitor julgar se a “dignidade política, social e cultural” do povo cabo-verdiano sairia ferida com essa segunda opção, ou se, pelo contrário, ganharia mais sólida armadura para o futuro.

 

Com efeito, o MV bem a podia ter considerado, concedendo-lhe ao menos o benefício da dúvida, porque outra dignificação “política, social e cultural” teriam hoje as camadas desfavorecidas da população, acaso tivessem fruído das oportunidades que ele e outros tiveram na vida, a ponto de poderem hoje optar por esta ou aqueloutra língua no seu discurso. Porque está por demonstrar qualquer nexo de causalidade entre a promoção do crioulo e a afirmação da dignidade do povo cabo-verdiano, ao passo que cientificamente parece mais plausível que o reforço do ensino do português alargue os seus horizontes no plano “político, social e cultural”.

 

É que o crioulo é uma realidade adquirida e consumada, e vivenciada espontaneamente entre nós, pelo que a sua oficialização, uniformização e domesticação gramatical (alupequização)2 podem não acrescentar coisa alguma às competências pessoais e profissionais dos cabo-verdianos. Com o crioulo, as populações das nossas ilhas resolvem os seus problemas de comunicação mais triviais e instantes dentro do seu espaço social, mas já não será assim em circunstâncias laborais mais exigentes, e mesmo dentro do nosso território, como é o caso de empresas estrangeiras instaladas no país, em que no mínimo será útil e recomendável a comunicação em português.

 

Escusado é referir que fora das nossas fronteiras é que o crioulo, oficializado ou não, “alupecado” ou não, de nada valerá à nossa gente, se tiver de conviver no espaço lusófono, em situação informal, escolar ou laboral, com falantes da língua portuguesa, sejam eles angolanos, brasileiros, moçambicanos ou outros. Afinal, somos apenas uma presença insignificante de 500 mil entre 250 milhões de criaturas cuja ferramenta linguística comum é, fundamentalmente, o português. Por isso, é no mínimo surreal que nos deslumbremos tanto com o crioulo a ponto de o eleger como bandeira política. Assim como abjurar, por nosso arbítrio, a capacidade para comunicar escorreita e fluentemente, e em igualdade de condições, com os parceiros de um espaço comunitário – CPLP – que tem objectivos de concertação político-diplomática e de cooperação nos mais diversos domínios. Ripostar que a promoção do crioulo não interfere com a língua portuguesa, como pretenderão os autores desta cruzada, é tão insensato que não merece sequer resposta.

 

À afirmação do MV sobre a dignificação que o crioulo nos confere como povo, não encontro nada melhor para contrapor que esta reacção de uma mulher do povo quando lhe disseram que o filho ia aprender o crioulo na escola: “Adé, bsot insnal ê português porque crioulo ele nascê quel prindid”4. Este episódio foi contado por Viriato Barros. Pois então, será de concluir que uma mulher do povo, que labuta arduamente para ganhar o pão do dia, sabe mais da vida que um intelectual? Terá ela uma aptidão natural, vinda do instinto, para descortinar entre as sombras do futuro aquilo que um homem culto não lobriga? Provavelmente é o caso, se considerarmos que a lucidez humana muitas vezes se ilumina mais facilmente frente à agrura da vida real do que em monólogos intelectuais. No mais, o entendimento do MV sobre a dignidade do seu povo não passa de um chavão, mero palavreado para bordar uma presunção (política), e por isso perfeitamente descartável. É como se os factótuns desta cruzada do crioulo se julgassem ungidos por um desígnio escatológico, dispostos a toda a via-sacra, mesmo à revelia da opinião pública.

 

O MV, eu e muitos cabo-verdianos tivemos a feliz oportunidade de frequentar o liceu e outros níveis de ensino, o que não aconteceu com largas camadas da população cabo-verdiana. Assim, nós, os “privilegiados”, temos um painel de opções linguísticas que não está ao alcance do comum dos nossos conterrâneos. Livremente, falamos o nosso crioulo nos momentos e circunstâncias informais que entendemos, inscritos no universo da nossa memória afectiva. Contudo, não nos sentimos mais cabo-verdianos por isso, nem sentimos que algo acresça à parcela individual da nossa “dignidade política, social e cultural”. Por outro lado, não nos sentimos menos cabo-verdianos ao termos de falar o português. Simplesmente, o uso desta língua, que é tanto nossa de direito próprio como o é para 250 milhões de pessoas que connosco partilham séculos de história comum, alarga-nos as perspectivas do futuro, abre-nos um espaço de convívio multinacional, potenciando as condições para um maior acesso ao trabalho, à cultura e à promoção social.

 

O que o MV devia cuidar de saber é se os seus conterrâneos menos favorecidos desdenhariam a possibilidade de usar desenvoltamente o português, na sua terra e fora dela. Basta pensar que uma das mais gratas realizações da independência foi o aumento considerável da população escolarizada e instruída, havendo hoje numerosos licenciados, mestres e doutores na pirâmide da hierarquia social porque tiveram, efectivamente, uma oportunidade que antes era escassa. Não fora isso, talvez muitos deles estivessem a engrossar o sector dos que não dominam a língua portuguesa. Portanto, a continuidade da aposta na escolarização e no ensino poderá ser a via acertada para melhorar o desempenho dos cabo-verdianos na língua portuguesa e, implicitamente, resolver ou minimizar o problema da diglossia.

 

Pelo contrário, criar condições para o crioulo competir com o português, como propugna o autor do ALUPEC, vai agravar o problema linguístico cabo-verdiano, com o risco de liquidar definitivamente as competências na língua de Camões. E isso entra em contraciclo com as tendências de aglutinação e padronização de valores materiais e culturais perceptíveis neste mundo em acelerada transformação, tanto que um grupo de linguistas e peritos da UNESCO concluiu em 2003 que, em cada ano, entre 20 e 30 línguas minoritárias desapareciam no mundo. No fundo, é iniludível que o problema linguístico entre nós foi suscitado mais por um preconceito político contra a “língua do colonizador”, na expressão dos fundamentalistas de alguma cultura, do que por um “estado de necessidade”. Em minha opinião, o progresso contínuo da escolarização e um redobrado apoio ao ensino do português, tendem a resolver a nossa questão linguística, cada um dos idiomas ocupando o espaço da sua verdadeira vocação.

 

Bom seria que os factótuns da causa do ALUPEC e tudo o que lhe está subjacente reflectissem seriamente sobre esta problemática e não pressionassem os governos com o capricho do seu egocentrismo. Os desafios do futuro não se compadecem com a carnavalização de assunto tão delicado e importante para o futuro do país.

 

 

Tomar, Dezembro de 2016

 

Adriano Miranda Lima (2016).jpg

Adriano Miranda Lima

 

  1. Linguista cabo-verdiano, Professor numa universidade do país, defensor desde a primeira hora da oficialização do crioulo falado no território, tendo, para o efeito, criado um alfabeto a que deu o nome de ALUPEC (Alfabeto Unificado para a Escrita do Crioulo).

  2. Com escrita baseada no alfabeto ALUPEC.

  3. Idem

  4. Ora, ensinem-lhe mas é o português porque o crioulo ele nasceu com ele aprendido.

 

CARVALHO CALERO

 

Carvalho Calero.jpgA fala da Galiza, o português de Portugal, o português do Brasil e o português dos distintos territórios lusófonos, formam um único diassistema linguístico conhecido entre nós (Galiza) como galego e internacionalmente como português.

Ricardo Carvalho Calero (Ferrol, 1910 — Compostela, 1990) foi um filólogo e escritor galego do século XX, o primeiro Catedrático de Língua e Literatura Galegas, considerado o grande pensador do reintegracionismo linguístico. Escritor, nacionalista, teórico do reintegracionismo e professor universitário, é uma das figuras mais proeminentes do universo intelectual galego do século XX.

Wikipédia

UM CÊ A MAIS

 

C.jpg

 

Quando eu escrevo a palavra acção, por magia ou pirraça, o computador retira automaticamente o c na pretensão de me ensinar a nova grafia. De forma que, aos poucos, sem precisar de ajuda, eu próprio vou tirando as consoantes que, ao que parece, estavam a mais na língua portuguesa.

 

Custa-me despedir-me daquelas letras que tanto fizeram por mim. São muitos anos de convívio. Lembro-me da forma discreta e silenciosa como todos estes cês e pês me acompanharam em tantos textos e livros desde a infância. Na primária, por vezes gritavam ofendidos na caneta vermelha da professora: não te esqueças de mim! Com o tempo, fui-me habituando à sua existência muda, como quem diz, “sei que não falas, mas ainda bem que estás aí”. E agora as palavras já nem parecem as mesmas. O que é ser proativo?   Custa-me admitir que, de um dia para o outro, passei a trabalhar numa redação, que há espetadores nos espetáculos e alguns também nos frangos, que os atores atuam e que, ao segundo ato, eu ato os meus sapatos.

 

Depois, há os intrusos, sobretudo o erre, que tornou algumas palavras arrevesadas e arranhadas, como neorrealismo ou autorretrato. Caíram hífenes e entraram erres que andavam errantes. É uma união de facto – para não errar tenho a obrigação de os acolher como se fossem família. Em 'há de' há um divórcio, não vale a pena criar uma linha entre eles, porque já não se entendem. Em veem e leem, por uma questão de fraternidade, os és passaram a ser gémeos, nenhum usa chapéu. E os meses perderam importância e dignidade, não havia motivo para terem privilégios, janeiro, fevereiro, março são tão importantes como peixe, flor, avião. Não sei se estou a ser suscetível, mas sem p algumas palavras são uma autêntica deceção, mas por outro lado é ótimo que já não tenham.

 

As palavras transformam-nos. Como um menino que muda de escola, sei que vou ter saudades, mas é tempo de crescer e encontrar novos amigos. Sei que tudo vai correr bem, espero que a ausência do cê não me faça perder a direção, nem me fracione, nem quero tropeçar em algum objeto abjeto. Porque, verdade seja dita, hoje em dia, não se pode ser atual nem atuante com um cê a atrapalhar.

 

Manuel Halpern.png

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