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A bem da Nação

PELA ÁSIA HÁ BONS PORTUGUESES

BONS PORTUGUESES ESQUECIDOS EM BANGUECOQUE

 

 

Conheci António Cambeta há uns anos largos. Já não nos encontramos há sete anos e, de quando em quando, almoçamos, acompanhado de sua esposa tailandesa, num restaurante simpático, junto aos estúdios do Príncipe Chatri Chalerm, realizador do filme épico Suriyothai.

 

António Cambeta, contou-me a sua história maravilhosa de vida e encontro nele um humanista que desde logo escrevi uma peça que inseri no “AQUI MARIA” em www.aquimaria.com/html/forum.html

 

Mas aqui há dias ao "calha" vou encontrar o seu blog “O MAR DO POETA” em http://cambetabangkokmacau.blogspot.pt e desde logo me veio à lembrança o nosso encontro em 2002 quando me levou a sua casa, na área da Lardprao Road.

 

Vamos certamente encontrar-nos novamente para almoçarmos e trocarmos impressões porque dá gosto conversar como um homem como António Cambeta.

DIÁSPORA
ENTRE DOIS AMORES

 

Entre dois amores viveram os portugueses desde que começaram a emigrar para as terras desconhecidas do mundo no século XV e dá-se no princípio da era do relacionamento de Portugal com as terras do Oriente, então ignoradas do Ocidente.

 

Por norma, os homens viajavam sós, ao serviço de El-Rei de Portugal como feitores, marinheiros e soldados. Na esperança de encontrar o “Eldorado”, juntava-se-lhe o homem do povo - na época considerado “ralé” -  que raramente o achava e terminava por servir reis do Oriente como soldado mercenário.

 

Vasco da Gama, com a descoberta do caminho marítimo pela rota do Cabo Bojador e, de volta a Lisboa com os porões das caravelas cheios até ao convés de pimenta, canela, sedas, gengibre, pedras preciosas e ainda muitos outros produtos provenientes da China, Índia, Ceilão, Ilhas Moluco e Sudeste Ásiático que, antes da conquista de Goa, eram comprados ou trocados em Cochim.

 

Era natural que o homem português voltasse eufórico e desejasse atingir o Oriente ao Deus dará, com o pensamento afastado dos naufrágios, da pirataria do alto mar, das doenças que poderia contrair ou sequer receoso do monstro mitológico Adamastor a soprar os ventos da sua ira nas águas tormentosas da Boa Esperança.

 

O emigrante português principiava uma vida entre dois amores: um, Portugal, onde pensava regressar um dia rico e famoso; outro era a mulher, oriental, que tinha esposado, constituindo família e daí o nascimento de vários filhos dessa união matrimonial.

 

A Portugal nunca mais voltaria se a sorte o não tivesse bafejado. Chegar a Portugal com “cotão” nos bolsos era coisa que não desejaria; a rico, decerto, jamais chegaria.

Começa, pois, a ser formada a diáspora portuguesa no Oriente, perfeita e homogénea, onde não existem preconceitos de racismo. Raro foi o português solteiro, emigrado para o Oriente, que não tivesse constituído família e esta tivesse sido a razão da sua permanência na Índia, Sri Lanka, Reinos do Sião (Tailândia) ou Pegú (Birmânia), Malaca, Macau, China ou Japão.

 

Nomes da nossa literatura tiveram os seus amores orientais onde aqui, entre tantos, se designam dois: Venceslau de Morais, no Japão e Camilo Pessanha, em Macau.

 

Milhares de outros, homens portugueses igualmente, foram amados por mulheres tolerantes, amorosas de olhos amendoados.

 

Gente desaparecida e esquecida no tempo e, até sem se saber ao certo onde foram sepultados, mas ciente se está que tiveram um enterro acompanhado por um missionário do Padroado Português do Oriente e uma cruz, mesmo que tenha sido de pau tosco, espetada na última morada.

Entre dois amores (considero três), vive o jovem na proximidade da casa dos 60, António Cambeta; Homem já da Ásia e onde vive há perto dos 40 anos.

 

Os três amores de António Cambeta são: o Alentejo, Évora onde nasceu; a esposa chinesa em Macau que lhe deu dois filhos e funcionários do Governo; uma Senhora tailandesa que conheceu e por quem se perdeu de amores há 23 anos e de cuja sincera ligação amorosa nasceram 3 formosas raparigas onde a fisionomia das três beldades luso-tailandesas tem bem vincados os sinais da latinidade de António Cambeta.

Que não se acendam as iras da gente pudica, dos castos, dos pregadores dos bons costumes pelo facto de António Cambeta ter vivido ao longo da sua permanência na Ásia entre dois amores.


Os seus dois filhos nascidos de uma Senhora chinesa, em Macau, o Luis Manuel de 33 anos e o Vicente de 32, contribuem, para a continuação da lusitanidade naquele território servindo a Administração; e quanto às suas três “princesas” tailandesas, está a prepará-las com uma educação primorosa para enfrentarem o futuro.

 

Rosa Cambeta, de 19 anos, é estudante, forma-se na mais moderna universidade no centro norte da Tailândia, Susaranee (nome de um Rei herói do antigo Sião); a Sunsanee Cambeta, de 9 anos e Catalya Cambeta de 8 anos, aprendem em excelentes escolas para depois seguirem o caminho da Rosa e com isto contribuir para o desenvolvimento da Tailândia moderna e preparada para um futuro promissor económico dentro do contexto dos países do Sudeste Asiático.

 

Além do mais, a comunidade lusa/portuguesa vai continuar presente na Tailândia e, com isto manter as raízes da sua identidade na velha capital Aiútaia (Ayutthaya), na proximidade de atingir os 500 anos de relacionamento amistoso entre Portugal e a Tailândia.

António Cambeta deixou o seu Alentejo em 1964 e partiu para Macau, como oficial miliciano, inserido na Companhia de Caçadores 690. Passou à disponibilidade em 1967 e ficou por Macau como funcionário de uma companhia de navegação. Mais tarde ingressou nos quadros dos Serviços da Marinha do território. Foi patrão de várias lanchas de fiscalização no Rio das Pérolas, frequentou cursos avançados de processos alfandegários em Hong Kong e teve a seu cargo a chefia de todos os sectores do Departamento Aduaneiro de Macau. Socorreu humanitariamente e resgatou em situações aflitivas centenas de refugiados vietnamitas (boat people).

Foi condecorado com as medalhas de Dedicação e Mérito Profissional, pelos Governadores Carlos Melancia e Rocha Vieira. Durante a longa carreira teve vários louvores e menções honrosas pelos bons serviços prestados em Macau sob Administração Portuguesa.

 

António Cambeta, reformado, vive desafogadamente entre os vários amores: as duas companheiras asiáticas, os filhos e as filhas que estas lhe ofereceram.

 

Évora, no imenso Alentejo, é o outro seu amor.

Mas pelo que ouvi de António Cambeta pareceu-me que de quem mais gosta é de Macau e da Tailândia.

 

Évora, de tempos a tempos, para matar saudades.

 

 José Gomes Martins

 

COISAS DA ÍNDIA – 4

 

 

AS AVENTURAS DE BASTIÃO PIRES

 

INQUÉRITO

 

Cartas dos Vice-Reis da Índia, n.120.
 
Estas são as cousas que o vigário geral Bastiam Pirez e seu cryado Pero Gonçalves tem feitas, per onde merecem V.A. os mandar vyr da India pera darem contas dellas. Tirou de esmolas de todolos fidalgos, casados e solteyros, mais de tres mill pardaos.... E continuando as acusações: a Bastião e ao seu criado Pero Gonçalves e, uma longa ladainha denunciadora de actos de ladroagem: pratas, veludos, paramentaria da igreja, terrenos tirados aos naturais de Cochim, mulheres penhoradas por um tostão. E, continua: Item. Tomou na dita cidade huuma molher por força que estava em casa de hum seu cunhado, e a deu a quem quis. (testemunhas, nomes designados).

 

 

A huuma molher portuguesa pedio de cavalgar pubricamente, dizemdo que lho dese por amor de Deus, e nam lho querendo dar por amor de Deus, que lhe dese huum beyjo por amor de Santa Maria. (Testemunhas). Item. Tinha huuma menina empenhada por treze tamguas e vendia, dizendo que era sua cativa. (Testemunhas). Item. Com sem tyo que Johan Bras o padre quytasse huuma molher a seu marido, nom tendo elle, dito Joham Bras, poder pera iso, e asy veyo o marydo desta mulher pedyur ao dito Pero Gonçalves que servya de vigairo que lhe entreguase sua molher, porque ha tynha presa, e elle lhe dise que se fosse muyto embora por omde quisese, que nam tinha dever de lha entregar, pois nam tinha testemunhas como era sua molher, nem ella por omde o nam era,soomente pela leyxarem levar a huum homem com que ela anda misturada. (Testemunha). Item. As mysas do Inffante dos sabados não se dizem muitas vezes pelas quais ha huum marco de prata.(Testemunhas)

Nam se cumprem os testamentos dos defuntos, e tudo toma o que lhe a mao vay pera sy. Testemunhas: os Padres beneficiados. Ficaram, aqui por descrever outras acusações contra o pobre do padre Bastião Pires designadas no inquértio do Vice-rei da Índia, enviado para Lisboa e para conhecimento de D.João III o Piedoso.

 

Bastião Pires pagou por alto preço a amizade que dispensou a El-rei D.Manuel e ao Grande Afonso de Albuquerque.

 José Gomes Martins

 

Fontes: Das M. do P.P. do Oriente, Silva Rego, Vol.1 e 2. Gavetas da Torre do Tombo, Fundação Calouste Gulbenkian.

 

http://portugalnatailandia.blogspot.com/2010/06/coisas-da-india-os-pecados-de-bastiao.html

COISAS DA ÍNDIA – 3

 

 

AS AVENTURAS DE BASTIÃO PIRES

 

CARTA DE BASTIÃO A D. MANUEL I

 

Uma longa missiva dirigiu Bastião, o Vigário Geral, a D. Manuel I datada em 8 de Janeiro de 1518. Conta que há dez a doze mil cristãos em Cochim. Denuncia Lopo Soares de Albergaria que deixou morrer à fome e à sede 300 cristãos malabares no estreito de Meca, porque não lhes deu comida nem gota de água. Em vez de carregar mantimentos nas naus, encheu-as de mercadorias para os capitães.

.

Os míninos cristãos que aqui são ensinados, tinham mantimentos assentados por Afonso de Albuquerque. Lopo Soares tirou-lhos. Nunca mais nenhum quis aprender.

 

E quase no fim desta carta lamuriante, diz a el-Rei: Mande Vossa Alteza homens que sejam de 30 anos para cima, que seja em seus feitos e hajam vergonha.
.

Em 14 de Janeiro de 1519, a cidade de Cochim concede um louvor a Bastião Pires e transmitiu a D. Manuel; o Ouvidor das suas mágoas, por tudo que se ia passando por Cochim e Índia.

 

 

 

 

O Rei Venturoso já não pertencia ao número dos vivos. As notícias de Portugal à Índia demoravam quase um ano. As queixas visavam Lopo Soares de Albergaria, Vice-Rei da Índia, após a morte de Albuquerque, seu inimigo pessoal.

.

Bastião sempre fora bem acolhido e protegido por Albuquerque, enquanto Lopo Soares não nutria nenhuma simpatia pelo Vigário Geral.

 

A respeito de Albergaria, informava: No ano que foy Lopo Soares pera Portugall eu foy com hele, como Vossa Alteza no dyto ano me enviou a resposta de huma carta que vós por mym foy enviada no ano de quynhentos e desoyto. As cousas que Vossa Alteza manda qua que se cumpram, que som servyço de Deus e noso, poucas as esmolas, que Vosa Alteza manda dar aos pobres, a symquo anos que se nom deu e muytos precem a fome// e, vemdo a nosa pouca carydade areceam muytos de se tornar crystãos...

 

.

A carta de Bastião Pires é composta de várias páginas. O Vigário Geral defende a propagação da religião em Cochim. E, também os interesses da Coroa portuguesa. Sabe converter gente ao cristianismo e dá-lhe esmolas. Assim, Portugal voltará mais forte na Índia. D. Manuel considera-o, mandou-o ir a Portugal dar-lhe conta como era que tudo por ali se passava. Albuquerque não ignora a acção evangelizadora do Vigário e apoia-o. D. Manuel e Albuquerque finaram-se e Bastão Pires fica só no mundo, não tem apoios e não escapa ao ajuste de contas.

 

  José Gomes Martins

(Bangkok)

 

http://portugalnatailandia.blogspot.com/2010/06/coisas-da-india-os-pecados-de-bastiao.html

COISAS DA ÍNDIA – 2

 

BASTIÃO PIRES EM COCHIM

 
 

Quando Bastião Pires chegou a Cochim os mecanismos da religião católica estavam já a funcionar perfeitamente e existiam muitas conversões: mulheres que se tinham ligado a soldados, marujos, comerciantes, à ralé, prostitutas que o constante e progressivo aumento da chegada dos portugueses veio aumentar o desejo de muitas mulheres nativas exercerem a mais antiga profissão do mundo.

 

Na propagação da fé cristã, os missionários do Padroado Português do Oriente não procuravam gente de qualidade ou de casta pura. Todas serviam e eram muito bem recebidas. Interessava, apenas, conseguir a conversão de grandes multidões. A selecção desses novos fiéis ficava para depois. A prostituição veio a ser um quebra-cabeças para Afonso de Albuquerque, porque pretendia que os seus homens não fossem atingidos pelas doenças venéreas, já muito desenvolvidas na Índia.

 Já antes de Albuquerque, em 1506, Dom Francisco de Almeida se insurgia contra as "mulheres de vida fácil". Desejava pôr termo e encerrar as casas de "porta aberta" de Cochim mas o hábito dos homens lusos de procurar essas mulheres já vinha de 1498, quando fizeram parte da armada de Vasco da Gama e descoberto o Caminho Marítimo para a Índia.

 

Onde as naus aportavam, os homens ataviados de cio pela longa permanência de meses nas águas dos oceanos, saíam para terra em busca do que a natureza do corpo lhes pedia. Vasco da Gama, na escala que fez em Quilôa em 1502, com a segunda armada para a Índia sob o seu comando, foi de tal ordem desassossegado por mulheres nativas e pelos seus homens que permitiu o acesso a bordo de 40 mulheres, que de suas vontades seguiram até Cochim.

 

Por lá ficaram depois. Antes de partir para conquistar Malaca, Albuquerque escolheu um local onde construir uma igreja afastada da fortaleza e substituir a capela dentro do baluarte. Mediu o terreno em frente do ancoradoiro das naus. Encomendou a obra e pensava Albuquerque que no regresso de Malaca estaria concluída mas tal não viria a acontecer durante os seus dois anos de afastamento. O empreiteiro tinha falecido e sumido o dinheiro adiantado. Bastião Pires, já Vigário de Cochim, informou El Rei Dom Manuel ter pedido dinheiro ao Vedor da Fazenda para as obras mais importantes. O Vedor respondera-lhe que a Fazenda não tinha provisões e o pouco, se ainda existisse, era bem melhor utilizá-lo em favor dos portugueses que em Cochim morriam à fome.

 

Bastião Pires decidiu ele próprio construir a igreja pedindo esmolas aos fiéis conseguindo valiosas dádivas de pardaus de ouro. Apesar de tanto ouro oferecido, a igreja ainda não estava construída em 1527. Em 1532, o novo vigário, Padre Manuel Vaz, comunicava ao Rei D. João III ter encontrado a igreja coberta de palha.

 

Com virulência atirava as culpas e o desleixo para Bastião Pires: «As obras da casa da oração não são mais, tão pouco menos que obras de Santa Ingrássia». Passado mais de nove anos, em 1514, uma carta da Câmara da cidade transmite ao Rei, em Lisboa que «....a igreja de Cochim estava cuberta de ola e feita hum palheiro».

 

 José Gomes Martins

(Bangkok)

 

http://portugalnatailandia.blogspot.com/2010/06/coisas-da-india-os-pecados-de-bastiao.html

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