Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

A bem da Nação

ESTE, O TEMPO DA GUERRA...

… em que não se limpam armas.

O teatro das operações é global, o cenário é pandémico e o inimigo é o COVID.

A prioridade a que tudo se deve submeter é o extermínio do inimigo. Tudo o mais é supérfluo.

Eis por que tenho o Orçamento do nosso Estado para 2021 como algo que deve ser posto incondicionalmente ao serviço dessa causa maior, o extermínio do vírus, o fim do estado pandémico e a retoma da normalidade.

Crendo que a única arma eficaz será a vacina, divido o tempo em duas fases – a da pré-vacina e a da pós-vacina - a que faço seguir uma terceira fase, a da normalização.

 

  1. Na fase pré-vacina, a Economia tem que ser sustentada por subsídios públicos de sobrevivência, reembolsáveis (sem juros) em prestações a partir de um ano após o fim das restrições impostas pela pandemia.
  2. Na fase pós-vacinação global da população, livre dos condicionamentos da fase anterior, deixe-se a Economia retomar a actividade produtiva para que, um ano depois, tenha recuperado o suficiente para que possa dar início à amortização dos subsídios recebidos durante a fase anterior;
  3. O stock da dívida pública deverá então (e só então, passado um ano do levantamento das restrições pandémicas) voltar a merecer os nossos mais exigentes cuidados.

Este, um tempo de excepção em que os critérios de equilíbrio estrito das contas públicas devem ser maleabilizados mas, claro está, em que os abusos mais devem ser alvo de férrea vigilância política e, talvez mesmo, policial.

Novembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

E AGORA...

RELEMBRANDO…

RELEMBRANDO…

OBJECTIVO - A ideia fundamental consiste na irrigação extensa do Saará de modo a que nele se criem condições propícias à fixação de populações actualmente desamparadas que assediam a Europa em fluxos migratórios descontrolados.

https://abemdanacao.blogs.sapo.pt/nasser-1936809

MÉTODO – Dessalinização da água do mar pelo método da evaporação-condensação utilizando energia solar (e eólica conforme as condições locais).

QUEM – Público ou privado, deve ser mantido em mãos portuguesas tanto na concepção como na negociação e na implementação.

https://abemdanacao.blogs.sapo.pt/geringonca-1937405

 

* * *

E agora que existe a ideia mas tudo falta para a concretizar, a pergunta que se coloca é: - E agora?

Diminuído por grave problema oftalmológico, não estou em condições de tratar do assunto com a dinâmica que ele merece pelo que gostaria de reunir um pequeno grupo de meus concidadãos entusiastas da ideia e do método que se propusesse a…

  • Promover a ideia junto do Ministério da Economia com vista à construção de um protótipo num Instituto público de investigação industrial e, …

…uma vez afinado o projecto e provadas as respectivas funcionalidade, produtividade e, consequente, a sua competitividade perante métodos alternativos,

  • Promover a ideia da irrigação do Saará junto do nosso Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Ofereço a ideia a quem nela queira pegar com garantias de perseverança. Não quero quaisquer direitos sobre ela nem sobre os respectivos resultados. Apenas pretendo que o Saará se transforme numa região menos agreste para a vida e que nela se possam fixar aquelas populações desamparadas que hoje assediam a Europa.

Numa fase inicial, proponho-me receber em sallesfonseca@sapo.pt as manifestações de vontade de quem queira «agarrar» na ideia. Respeitarei as condições de confidencialidade ou publicidade que me sejam solicitadas.

 

Se quiserem ter a gentileza de me irem informando do andamento da concretização da ideia, ficarei grato e ao dispor na medida das minhas actuais (e eventualmente futuras) capacidades.

Setembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

GERINGONÇA

Quando, há dias, escrevi o texto anterior intitulado «Nasser», considerei que estava a ser utópico, voluntarioso em excesso, quase infantil. Publiquei-o, claro está (até porque não escrevo para arquivo) mas hesitei na respectiva divulgação. E qual não foi o meu espanto com a receptividade que foi demonstrada por comentários positivos que me fazem admitir não ter sido tão infantil quanto temera nem tão excessivamente voluntarioso ou utópico. Sinto-me, pois, encorajado e prossigo…

* * *

A ideia de irrigar o Saará é antiga e a barragem de Assuão é o exemplo mais «faraónico»; a ideia de dessalinizar a água do mar é antiga; a ideia de irrigar intensa e extensamente o Saará com água dessalinizada pode não ser moderna; as tecnologias da energia solar (e eólica), sim, é que são relativamente novas viabilizando economicamente o processo de evaporação-condensação. Esta relativa modernidade não obsta, contudo, a que esteja disponível na Internet muitíssima informação, esquemas de funcionamento, inclusive.

Fora eu bricoleur e avançava já na construção de um protótipo de geringonça que bombeasse água do mar, a fizesse evaporar à força de energia solar e, numa serpentina de refrigeração, a fizesse condensar, já sem sal, num recipiente ali ao lado. O princípio é tão «moderno» quanto o alambique; a diferença está na energia utilizada. E, já que estamos com a mão na «massa», admitamos outros materiais que não o velhinho cobre dos alambiques do medronho algarvio. Se eu conseguir que um engenheiro se interesse pela ideia, tenho a certeza de que todas as minhas dúvidas desaparecem num instante e que o «boneco» da geringonça aparece feito com todas as especificações necessárias. E quando o engenheiro começar a especificações, logo surgirão oportunidades para puxar pelas cabeças. Então, assente o «boneco», vai ser necessário orçamentar a construção desse protótipo, reunir os fundos necessários e adjudicar o fabrico a uma oficina de serralheiro que ofereça garantias de qualidade na execução da obra.

E assim por deante…

A alternativa a este projecto privado é conseguir-se o apoio público, nomeadamente do Ministério da Economia e respectivas instituições de investigação.

Privado ou público, o projecto pode perfeitamente ser nosso, português, sem necessidade de recurso a estrangeiros. O que a abundante informação técnica disponível não disser, a capacidade de raciocínio local há-de suprir.

Entretanto, o Instituto para a Cooperação (MNE) que vá preparando a agenda das reuniões bilaterais com os Governos do Norte de África.

E se os Governos do Magreb e do Makresh não estiverem interessados em sedentarizar os nómadas, ficamos com uma geringonça que em anos de seca nos livrará do sufoco espanhol às águas transfronteiriças.

Para já, talvez seja prudente ficarmo-nos por um protoprojecto.

Setembro de 2020

  • Henrique Salles da Fonseca

NASSER

 

O Saará é um absurdo

Quando o Professor Joaquim Laginha Serafim (Loulé, 1921-Lisboa, 1994) fez 60 anos, os amigos e colegas apresentaram-l  mais emblemáticos[i].

Gamal Abdel Nasser (1918-1970), Homem de Estado egípcio, teve muitas qualidades e alguns defeitos, o pior dos quais foi ter morrido cedo[ii]. Uma das qualidades que teve foi a de fazer construir a barragem de Assuão com a qual constituiu uma enorme reserva de água doce assim regularizando o caudal do Nilo permitindo o regadio onde historicamente imperava o deserto.

A enorme barragem foi um marco fundamental no combate ao deserto e serve de exemplo ao que poderia ser o norte de África se os dirigentes políticos do Magreb e do Makresh tivessem hoje a visão de Nasser.

Quem hoje navegue no Mar Vermelho ao longo das costas egípcias e percorra o Canal de Suez, verificará que ao longo de toda essa enorme extensão, existe uma linha verde para alguma contenção das investidas do deserto e para mostrar que, mesmo ali, em zonas inóspitas, a água doce faz maravilhas.

Entretanto, a ciência e a tecnologia avançaram enormemente e muitos casos haverá em que, perante a inexistência de linhas de água doce, a irrigação se possa fazer sem recurso a lençóis subterrâneos de «águas fósseis» como fez Kadhafi, mas apenas pela dessalinização da água do mar.

Sem desmerecer todas as experiências já realizadas com a dessalinização da água, convenhamos que, aplicando a energia solar (ou eólica) ao processo da evaporação-condensação, o Saará deixou de ter legitimidade para continuar a ser uma realidade geográfica limitadora da vida e poderá ser transformado numa região, se não aprazível, pelo menos com aceitáveis níveis de humanização.

E que poderá acontecer uma vez «domado» o Saará?

  • Redução da pressão sobre o «aquecimento global»;
  • Criação de condições de habitabilidade hoje inexistentes;
  • Criação de riqueza agrícola em áreas actualmente estéreis;
  • Fixação de populações que actualmente assediam a Europa;
  • Ocupação produtiva de populações actualmente ociosas se não mesmo esmoleres que assim deixam de depender do Zakat[iii] e consequente perda de influência dos pregadores radicais.

Eis algumas das razões pelas quais me parece que a Europa tem todo o interesse em promover a irrigação do Saará. S

Contudo, se Portugal lançar a ideia, certo será que os «gulosos» e nada solidários parceiros europeus nos passarão a plano terciário apenas nos deixando algumas migalhas. Ou seja, a ideia deverá ser avançada por nós nas reuniões bilaterais que ocorram com os Governos do Magreb (Marrocos, Tunísia e Argélia – e Mauritânia?) e do Makresh (Egipto, Líbia-Trípoli e Líbia-Tobruk).

À consideração do Ministério dos Negócios Estrangeiros e de algum empresário que por aqui passe e seja tão ou mais sonhador do que eu.

Setembro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

 

 

[i] - Por incrível que pareça, a Wikipédia não refere esse projecto em https://pt.wikipedia.org/wiki/Laginha_Serafim

[ii] - Para recordar mais, ver https://pt.wikipedia.org/wiki/Gamal_Abdel_Nasser

 

[iii] - Esmola muçulmana obrigatória destinada ao amparo dos desvalidos e ao financiamento do clero

UMA DEMOCRACIA MITOLÓGICA

Quando leio que Espanha se avizinha por vezes de taxas de desemprego superiores a 20% da população activa, um único comentário me ocorre: - É mentira!

Por mais de uma vez ouvi mesmo referir essa taxa no nível dos 25% e logo me lembrei das contas feitas pelo Banco de Espanha aquando da substituição da Peseta pelo Euro que se mostraram erradas por defeito também na ordem dos 25%. Como assim? O erro estava no cálculo da economia paralela que seguramente ultrapassava essa percentagem. E vá de fazer a correr mais 25% de Euros…

Como é possível a economia paralela tomar conta de mais de 25% da economia de um país? Não é assim tão difícil se assentarmos na definição de economia paralela. Esta, é toda a que passa por fora da fiscalidade e não é necessariamente «caso de polícia» - partindo do pressuposto (muito discutível) de que a fuga ao Fisco não é «caso de polícia». Dito de outro modo, nem toda a economia paralela é criminosa de tráfico de seres humanos ou de matérias alucinogénias, etc. Economia paralela é a transacção não escriturada e, portanto, oficialmente inexistente, não tributada. Portanto, a conclusão é a de que, sim, é possível que a economia paralela de um país atinja essas percentagens que nos parecem absurdas: basta que os publicanos locais decidam, também eles, facturar privadamente uma fatia do que deveriam tributar o súbdito a favor da causa do Rei. Se aos publicanos referidos se juntarem os inspectores do trabalho, lá estão as empresas-fantasma, as que pura e simplesmente não existem pois todo o seu pessoal está no desemprego, mas a trabalhar clandestinamente. E o Rei a ver os navios a passar…

Lembro-me também de Milton Friedman quando ele blasfemava contra os preços administrativos das moedas – aquilo a que chamamos os câmbios oficiais – e dizia que o verdadeiro valor das moedas é o que vigora nos mercados paralelos. Abaixo o Banco de Angola, viva o Roque Santeiro!

Em Portugal, pelo contrário, temos uma Administração Fiscal ubíqua e considerada como uma das mais eficazes a nível mundial (5º ou 6º lugar num ranking que o meu contabilista não identificou) e não será difícil esse big brother saber quantos caroços de azeitona eu deitei para o lixo.

Eis a Península Ibérica a apresentar exemplos de eficácia fiscal entre o 8 e o 80 com todas as consequências que isso significa a nível da distorção da concorrência internacional e com os porcos espanhóis a chegarem ao Montijo mais baratos do que os produzidos localmente. Os cábulas a comerem as papas na cabeça dos bons alunos.

Apesar de tudo, conseguimos crescer 2,2% em 2019 e ter uma das mais baixas taxas de desemprego registadas aqui pelas redondezas.

Milagre? Não certamente. O turismo tem sido «pau para toda a obra» apesar da guerra que a esquerda parlamentar constantemente lhe move – cujo ideal de desenvolvimento deve ter algo a ver com o modelo cubano se não mesmo com o norte coreano. Mas temos também os chamados para-choques que evitam crises e fracturas. São eles a capacidade de adaptação de uma mão de obra de fraca formação e fraquíssima especialização a funções tão diversas como empregados de mesa, taxistas mais ou menos aperaltados, agentes imobiliários, telefonistas nos call centres, caixas nas grandes superfícies. Imagine-se o que seria toda esta gente licenciada em engenharias e outras ciências e tecnologias mais ou menos sofisticadas numa economia fiscalmente estrangulada, submetida à concorrência fiscal desleal e com um cenário parlamentar controleiro.

Se a tudo isto somarmos o facto de sermos uma economia pouco produtiva porque a voracidade sindical matou as grandes empresas ou as passou para o controle estrangeiro, uma medonha propensão marginal à importação, uma política fomentadora do consumo, o conceito de que o crédito é um direito (e não uma conquista de gente honesta) com a banca a falir estrondosamente e a passar também ela para mãos estrangeiras, temos todos os ingredientes para que a «coisa» dê para o torto. E, contudo, ainda só nos encaminhamos para a 5ª Grande Falência Nacional desde 1974.

Devemos estar sob a asa de São Miguel Arcanjo, o protector de Portugal e será por isso que ainda há quem tenha motivos para sorrir.

Sim, deve andar por aí muita mitologia a proteger a nossa democracia.

 

Henrique Salles da Fonseca

O QUE ELES DIZEM...

DIZ O «FORUM PARA A COMPETITIVIDADE» QUE:

Portugal tem um duplo problema de ter demasiado emprego nas microempresas (com menos de 10 trabalhadores): porque está claramente acima da média europeia; porque, no nosso país, as microempresas têm uma produtividade muito inferior à das outras. Se Portugal tivesse uma distribuição do emprego por dimensão das empresas em linha com a média da UE, poderíamos ter um PIB cerca de 15% superior ao actual.

E DIGO EU QUE:

Para que esses 15% a mais no PIB existissem, era necessário que a mão de obra em causa soubesse fazer alguma coisa para além de fritar batatas e servir às mesas.

Fevereiro de 2020

Henrique Salles da Fonseca

O QUE ELES DIZEM…

DIZ O INE QUE

De Setembro a Novembro de 2019, as exportações de bens registaram um aumento de 7,4% e as importações de bens registaram um aumento de 6,6%, em termos homólogos. Houve um agravamento do défice da Balança Comercial em 207,1 milhões de euros no período analisado.

E DIGO EU QUE

Já não me lembrava dos tempos em que as taxas de crescimento das exportações eram superiores às das importações mas a esperança nascida pelos valores relativos foi desbaratada pelos montantes absolutos implícitos na conclusão do INE. Ainda não foi desta que o caminho para o buraco se inverteu.

Henrique Salles da Fonseca

O QUE ELES DIZEM…

DIZ O EUROSTAT QUE:

  • Entre Janeiro e Outubro de 2019, Portugal registou um défice da Balança de Bens de 17,3 mil milhões de euros, o que compara com um défice de 13,9 mil milhões de euros no período homólogo. As exportações de bens aumentaram 3% e as importações de bens aumentaram 8% neste período face ao período homólogo.

E DIGO EU QUE:

  • Por este caminho não faltará muito para que mais bancos portugueses estoirem perante os seus credores externos

Dezembro de 2019

Henrique Salles da Fonseca

O QUE ELES DIZEM…

 

Diz o BANCO DE PORTUGAL que

em Outubro de 2019, a Dívida Pública se situou em 251,4 mil milhões de euros, o que representa uma diminuição de 0,9 mil milhões de euros face ao mês anterior e uma diminuição de 3,9 mil milhões de euros face ao mês homólogo.

E digo eu que

Estas são boas notícias que nada interessam ao BE que está a apresentar propostas ao Governo de reforço de 800 milhões de euros no orçamento da Saúde para 2020.

E será que mais dinheiro sobre um sistema algo descontrolado vai resolver algum problema ou vai apenas aumentar o descontrolo?

Eis a questão.

Henrique Salles da Fonseca

 

JARDIM DA ESTRELA – 1

A cena passa-se numa das esplanadas do Jardim da Estrela, em Lisboa, onde eu estava com a minha mulher. Lanchávamos…

Isabel – Olá Henrique! Gosto muito de te ver ao fim de tantos anos.

Eu – Olá Isabel! Também gosto muito de te ver. Apresento-te a minha mulher, a Graça. E a si, Graça, apresento-lhe a minha antiga colega de Liceu, a Isabel que era conhecida por «Isabel II» já que havia outra que era mais alta e era conhecida por «Isabel I». Senta-te aqui connosco. Que vais tomar?

Isabel, doravante a II – Posso tomar um café.

Graça – Só um café? Mande vir mais alguma coisa, uma torrada, um bolo…

Isabel II – Muito obrigada, Graça, mas fico-me só pelo café que é para que a balança não se queixe muito.

Pedido o café, expliquei à Graça…

Eu – A «Isabel II» também é economista. A «I» não acabou o curso; e

Você conhece-a porque ela é sua prima.

Graça – Ah, sim! Pela descrição, Liceu, alta e prima, já sei perfeitamente de quem se trata.

Isabel II – E foi a outra Isabel que vos apresentou, sendo sua prima?

Graça – Não, até já estávamos casados quando descobrimos que o Henrique a conhecia do Liceu.

Eu – E tu costumas vir aqui ao Jardim da Estrela?

Isabel II – Muito raramente. Só passo por aqui quando venho a casa duma amiga que mora ali daquele lado e quando estaciono o carro do lado contrário do Jardim. Assim, atravesso por aqui, faço um pouco de horas para chegar a casa da minha amiga e sempre é um bom pretexto para ver duas coisas que acho lindíssimas: o coreto e aquele antigo pavilhão de chá que agora é um infantário da Misericórdia.

Graça – Sim, também gosto muito dessas construções. Não sabia que o pavilhão tinha sido casa de chá.

Isabel II – Foi o que me disseram mas eu não fui verificar. Na Internet deve haver informação. Chegando a casa vou procurar.

Eu – Eu ouvi dizer ou li algures que era o chamado «pavilhão chinês». O que é que isso queria dizer…? Admito perfeitamente que fosse um salão de chá. E lembram-se do «Leão da Estrela»?

Graça – Isso foi um filme com o António Silva…

Isabel II - … e com o Vasco Santana…

Eu – Sim, também. Mas o que deu o nome ao filme foi uma história que li há pouco tempo sobre um tal Paiva Raposo que terá tido alguma actividade na exploração africana e que trouxe um leão que ofereceu ao Jardim. Tudo isto se passou em pleno séc. XIX e eu julgo que ainda não existia o «Jardim Zoológico de Lisboa». Então, este leão era uma enorme atracção e assim foi desde que aqui chegou até que se finou. Não consegui saber se morreu de velho, de gordo ou de neura. Pobre bicho – enjaulado toda a vida e vítima dos votos de celibato que alguém fez por ele…

Graça – Está então visto que o nome do filme nada tinha a ver com esse leão e devia ser um sportinguista que morava por aqui, na Estrela….

Isabel II - … e que queria ir ao Porto ver um jogo. Já não sei mais nada da história a não ser que o motorista era o Artur Agostinho…

Eu – Quando eramos miúdos, achávamos esses filmes muito maus, só gostávamos dos estrangeiros mas hoje achamos tudo isso muito giro. E outra coisa que li há dias foi que um Visconde qualquer que deu quatro Contos para os acabamentos deste jardim, foi promovido a Conde pela Rainha D. Maria II.

Isabel II – Quatro Contos para acabar o jardim e com direito a promoção a Conde. Fantástico! O que é o valor do dinheiro…

Eu – Isabel: sobre essa matéria sabes tanto ou mais do que eu. Que políticas monetárias foram seguidas desde o tempo de D. Maria II? E os Orçamentos do Estado? Havía-os à séria ou à força da espadeirada? Quantas vezes foi a Fazenda à glória desde essa época, quantas «troikas» tivemos?

Isabel II – Julgo que qualquer historiador económico, no fim do trabalho, terá que passar por um psicólogo ou mesmo por um psiquiatra que o reponha com alguma normalidade. Felizmente, não foi a isso que me dediquei; andei pela Cooperação. Mas agora, meus queridos, são horas de ir andando.

Feitas as despedidas, ficámos os dois a ouvir a passarada a regressar aos ninhos, antes do pôr do Sol. Posto este, pagámos a conta por muito mais dinheiro que o necessário para acabar o jardim no tempo da Rainha e não fomos promovidos a Condes.

Setembro de 2019

HSF-AGO16-Tavira

Henrique Salles da Fonseca

 

 

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2006
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2005
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D
  209. 2004
  210. J
  211. F
  212. M
  213. A
  214. M
  215. J
  216. J
  217. A
  218. S
  219. O
  220. N
  221. D