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A bem da Nação

A VINGANÇA DE DETROIT

 

 

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Quando o orçamento do Partido Comunista Chinês é segredo de Estado e o Orçamento das Forças Armadas é outro segredo de Estado, que sentido faz discutir a política monetária chinesa?

 

Quando as empresas cotadas na Bolsa de Xangai não têm contabilidade normalizada nem se aproximam sequer dos modelos internacionalmente aceites, que sentido faz atribuir um valor a uma empresa ali cotada?

 

Quando as moedas da China, de Hong Kong e de Macau têm o mesmo valor definido administrativamente, que credibilidade tem a política cambial chinesa?

 

 Que sentido faz a economia mundial dizer-se dependente dum conjunto de falsidades tão grande?

 

A China não passa de um bluff e todos os movimentos bolsistas no resto do mundo que agora se dizem em crise por contágio, não são mais do que pura especulação. As enormes perdas de quem agora vendeu, serão a breve trecho os enormes ganhos de quem comprou.

 

As enormes perdas no preço das commodities resultantes da redução da procura chinesa mais não foram do que pôr um travão à tensão especulativa a que esses preços vinham sendo submetidos; os mercados retomam assim alguma normalidade.

 

É tudo manipulação e só manipulação.

 

Na China só acredita quem quer e o Ocidente (Japão incluído) tem que deixar na China as fábricas cujas produções se destinem ao abastecimento do mercado chinês e mandar regressar à origem todas as outras fábricas que lá instalou para abastecimento do Ocidente. As «Detroit» espalhadas pelos EUA e Europa exigem-no (e os Sindicatos agradecem).

 

Agosto de 2015

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Henrique Salles da Fonseca

MITOLOGIA GREGA – 2

 Varoufakis.jpg

Excêntrico pelas camisas que veste, piroso pelo gosto que ostenta com as ditas camisas, vaidoso pelas atitudes que toma sobretudo perante o sexo feminino, tendencialmente caloteiro por apadrinhar a ideia do não pagamento das dívidas, esquerdino por blasfemar contra o capital e marxista por amiúde invocar Marx, ele tudo pode ser mas do que não podemos acusar Yanis Varoufakis é de ser ignorante ou curto de ideias.

 

Sim, já parti o bico a dois lápis com que vinha anotando à margem o livro “O MINOTAURO GLOBAL”, tal o calor da minha discórdia com alguns dos muitos temas de que ali se trata. Mas tenho que reconhecer que é obra interessante para quem gosta de temas económicos, de política internacional e quejandos... Podemos não concordar mas isso é outra questão. Livro a ler pelos esquerdinos para deleite intelectual e a estudar (para lhes conhecermos os tiques) pelos não esquerdinos.

 

A primeira edição, inglesa, data de 2011, ou seja, muito antes de o Autor imaginar (julgo eu) que viria a ser Ministro no seu país; a edição que me chegou às mãos, em português, data de Junho de 2015 e não sei sobre que revisão da obra inicial deriva na certeza, porém, de que transmite a ideia de que inicialmente se tratava dum trabalho centrado nos EUA mas a que posteriormente o Autor acrescentou uma perspectiva já sob forte influência do actual drama grego. Ou seja, parece-me algo como o slogan «leve dois e pague um».

 

Em traços gerais, para Varoufakis, a história económica divide-se em dois períodos: até à crise de 2008; depois da crise de 2008. No seu parecer, estamos agora (presumo que se refira a 2015) numa autêntica aporia. Ele acha que estamos num beco sem saída e que não se sabe minimamente o que vai acontecer de seguida mesmo que nada se faça. Ou sobretudo se nada se fizer. E como não sabemos no que demos, também não temos remédios a sugerir.

 

Quer dizer, ele acha que a única coisa que há a fazer é não pagar.

 

E como ele acha isso, a minha discórdia é estaminal e as vítimas são os bicos dos lápis.

 

Mais serenamente, o Autor dá-nos uma interpretação histórica muito interessante sobretudo a partir do início da guerra de 39-45 até Brentton Woods mas antes dessa digressão faz-nos um resumo das grandes correntes de opinião sobre as causas da crise de 2008.

 

Pese embora a inversão cronológica (o que me faz crer no tal acrescento das novas edições relativamente à obra inicial), o resumo das causas da crise de 2008 é interessante mas claramente discutível:

  1. O fracasso da imaginação colectiva para compreender os riscos do sistema que estava em funcionamento – acontecimentos rápidos de mais para que muitas mentes brilhantes conseguissem compreender o que se estava a passar;
  2. Deficiências da regulamentação em vigor – os operadores tiveram excessiva liberdade de actuação na sequência da desregulamentação dos mercados;
  3. Ganância irreprimível – todos queriam ganhar tudo, imediatamente;
  4. Origens culturais diferentes na Europa continental e no eixo UK-USA – excessiva ou insuficiente flexibilidade laboral, segurança social vs. globalização, etc;
  5. Toxicidade do «produto» financeiro – gato por lebre;
  6. O fracasso sistémico do capitalismo – e aqui entorna-se o caldo relativamente a quem (como eu) não é marxista.

 

Por hoje, fico-me por aqui com um diálogo que não existe no livro e que, portanto, é mitológico:

Pergunta de Varoufakis (pág. 35 in fine): - Alguém pode refutar a proposição de que o capitalismo, enquanto sistema, tem a capacidade incomum de se minar a si próprio?

Minha humilde resposta: - Sim, pode; a História. E mais lhe digo, Senhor Professor: o capitalismo, enquanto sistema, tem a capacidade incomum de se regenerar sempre que algum acidente de percurso o tolhe. É como o rabo decepado dos lagartos: volta a crescer.

 

(continua)

 

Setembro de 2015

 

De Denang para Hué.JPG

Henrique Salles da Fonseca

A VINGANÇA DE DETROIT

 

HSF-caos na bolsa de xangai.png

 

Quando o orçamento do Partido Comunista Chinês é segredo de Estado e o Orçamento das Forças Armadas é outro segredo de Estado, que sentido faz discutir a política monetária chinesa?

 

Quando as empresas cotadas na Bolsa de Xangai não têm contabilidade normalizada nem se aproximam sequer dos modelos internacionalmente aceites, que sentido faz atribuir um valor a uma empresa ali cotada?

 

Quando as moedas da China, de Hong Kong e de Macau têm o mesmo valor definido administrativamente, que credibilidade tem a política cambial chinesa?

 

 Que sentido faz a economia mundial dizer-se dependente dum conjunto de falsidades tão grande?

 

A China não passa de um bluff e todos os movimentos bolsistas no resto do mundo que agora se dizem em crise por contágio, não são mais do que pura especulação. As enormes perdas de quem agora vendeu, serão a breve trecho os enormes ganhos de quem comprou.

 

As enormes perdas no preço das commodities resultantes da redução da procura chinesa mais não foram do que pôr um travão à tensão especulativa a que esses preços vinham sendo submetidos; os mercados retomam assim alguma normalidade.

 

É tudo manipulação e só manipulação.

 

Na China só acredita quem quer e o Ocidente (Japão incluído) tem que deixar na China as fábricas cujas produções se destinem ao abastecimento do mercado chinês e mandar regressar à origem todas as outras fábricas que lá instalou para abastecimento do Ocidente. As «Detroit» espalhadas pelos EUA e Europa exigem-no (e os Sindicatos agradecem).

 

Agosto de 2015

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Henrique Salles da Fonseca

CALÇAS DE GANGA E OS CUSTOS DA LIBERDADE

 

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Um exemplo de efeitos da globalização

 

As calças de ganga tornaram-se em símbolo de liberdade.

 

0,8% da produção mundial de algodão para calças de ganga provém de agricultura biológica.

 

Uma costureira de calças de ganga ganha em Bangladesch 65 euros por mês (antes da catástrofe em 2014 ganhava 37 euros por mês).

 

75% do preço de umas calças de ganga são para os revendedores (retalhista dois terços) e para a empresa de marca (um terço).

 

24% são para material e transporte

 

1% são custos do trabalho. Por umas calças que custam 49 euros a trabalhadeira recebe 0,49 €

 

Para a produção de umas calças de ganga (plantação de algodão e acabamento com produtos químicos) são precisos 8.000 litros de água. Só para o branqueamento de umas calças de ganga com cloro são utilizados 60 litros de água (para comparação, um alemão utiliza 128 litros de água por dia). No tratamento de umas calças de ganga são usados até 700 produtos químicos.

 

Umas calças precisam de percorrer 19.000 km até chegarem ao vendedor na Alemanha. O algodão é cultivado na Índia ou Cazaquistão, fiado em fios na Turquia, colorido em Taiwan, tecido em pano na Polónia e com ele são feitas as calças de ganga na China.

 

Em 2013 a Alemanha importou 114.000.000 calças de Ganga. Por isso a média do custo de umas calças de ganga na Alemanha são 8,77€. Na França e na Itália o preço médio de umas calças de ganga são 15€. A diferença dos preços vem do facto de a Itália e a França importarem apenas um terço da quantidade que importa a Alemanha. Para esta informação servi-me dos dados para a Alemanha referidos no HNA de 25.04.2015.

 

O preço da moda obriga! A indústria têxtil é mundialmente a maior poluidora. A globalização, no que se refere à ganância de lucro tem consequências horrendas: destrói o saber ancestral e hábitos culturais, coloca os trabalhadores num combate de concorrência internacional desesperada e não respeita o ambiente.

 

Se na Europa os consumidores por razões éticas deixassem de importar os produtos Fast Fashion quem sofreria as consequências seriam as trabalhadeiras dos países da produção. Moralmente repreensível são as empresas que adquirem lucros à custa da humanidade. A sociedade precisa de uma mudança de pensamento, de uma nova mentalidade.

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António da Cunha Duarte Justo

O ESPECTRO DOS ANOS TRINTA

 

 

O descontentamento e o extremismo alastram em todo o Ocidente, a par da perda de confiança na classe política. A polarização partidária norte americana é máxima e na Europa sobem os movimentos anti comunitários. Até no pacato Portugal, responsáveis sérios fazem propostas incendiárias. O radicalismo nunca foi tão grande desde os tempos nazis. Não falta sequer uma crise financeira global, após 2008, turbulências regionais, como na Primavera Árabe e agora um autocrata com ambições territoriais. Ressurge o espectro terrível dos anos 1930.

 

Estas análises, tão abrangentes, perdem o mais importante. Porque vivemos também o tempo que regista a maior ganho de bem-estar e redução de pobreza da história da humanidade. Segundo o Banco Mundial, a população a viver com menos de dois dólares por dia desceu de 65% do planeta em 1990, para 43% em 2008, último ano disponível. Na China, essa taxa de pobreza caiu nesses 18 anos, de uns esmagadores 85% para 30%, e até na África a sul do Sara, a zona mais carenciada do globo, desceu de 76% para 69%. Desde 2005, pela primeira vez na história, menos de metade do mundo é pobre. Finalmente, a Terra começa a ser dominada pela classe média. Os impactos disto no bem-estar são enormes. A mortalidade infantil desceu no mundo de 62 mortes por mil nascimentos, em 1990, para 35 em 2012, e na China de 42 para 12; mas a maior descida foi na África subsariana, de 106 para uns ainda terríveis 64. Todos os números apontam para um espantoso progresso, sobretudo nas zonas miseráveis.

 

As causas são evidentes. Nos últimos 25 anos, o mundo abriu-se na famosa globalização, terminando clivagens seculares entre colonizadores e colonizados, esferas soviética e ocidental. Juntando a isso os avanços tecnológicos nas comunicações e energia e a redução dos custos de capital, os ganhos nas zonas pobres são incomparáveis com qualquer quarto de século anterior. Começa a falar-se no fim da velha miséria endémica (The End of Poverty, de Jefrey Sachs, 2005).

 

O contraste entre a revolta no Ocidente e as melhorias no Sul e no Oriente mostra que o mundo é muito grande, a realidade muito complexa e variada. Por isso o que dizemos nas análises não é mentira, mas o inverso também é verdade. É possível, com fundamento e credibilidade, traçar um quadro negro e ameaçador ou uma descrição esperançosa e entusiástica da mesma situação mundial. E ambos são válidos. Esta diversidade abre a porta a muitas manipulações e discussões, que ouvimos a cada passo.

 

Estes fenómenos, aparentemente opostos, mostram-se não apenas simultâneos, mas intensamente ligados. O avanço das zonas pobres, junto com mudanças técnicas, perturbaram a economia do Ocidente. Muitos sectores europeus e americanos viram-se desqualificados pelas novas tecnologias ou substituídos pela concorrência de regiões antes na miséria. Daí as falências e o desemprego que nos assolam. A reacção natural, de amaciar as dificuldades com dívida, rebentou inevitavelmente na bolha imobiliária americana e no descontrole orçamental europeu. Estes movimentos chegam para justificar a crise financeira, ânsias de alforria regionais e perturbações fronteiriças entre blocos.

 

O mundo vive grandes modificações, hoje como nos anos trinta. Mas o que então gerou a catástrofe não foram as mudanças, mas a raiva. O extremismo não resulta dos males da evolução mas da fúria contra ódios de estimação a quem atribuímos as culpas. Aquilo que nos atinge são mudanças globais, transformações tecnológicas, evoluções socioeconómicas. Não são conspirações, maldades, roubos de capitalistas ou comunistas, multinacionais ou burocratas, americanos ou judeus, parasitas ou corruptos. Eles são influentes mas, como nós, sofrem de algo que não controlam.

 

O mundo está a mudar. Não vale a pena fugir ou ignorar e são normais sonhos e medos, colaborações e desconfianças. Estamos mais próximos de um ideal utópico ou um conflito apocalíptico. A diferença entre eles está na raiva. Aquela mesma raiva que tantos alimentam no Ocidente, como nos anos trinta.

 

12 de Maio de 2014

 

 JOÃO CÉSAR DAS NEVES

ÍNDICE DE GLOBALIZAÇÃO

 

Segundo o KOF – Swiss Economic Institute, Portugal ocupa a 8.ª posição no Índice de Globalização de 2014 relativo ao ano de 2011, mantendo a mesma posição face à edição de 2013.

 

Na dimensão económica, Portugal ocupa a 16.ª posição entre os 154 países para os quais existem dados disponíveis (na edição de 2013, 18.ª posição entre 150 países).

 

No que respeita à dimensão social, o país ocupa a 12.ª posição dentre 200 países (11.ª em 193 países na anterior edição).

 

Quanto à dimensão política (para a qual existem, em ambas as edições, valores associados à totalidade dos países considerados, i.e., 207), Portugal mantém-se na 9.ª posição.

 

De acordo com a edição de 2014 do Índice de Globalização, a Irlanda foi o país mais globalizado em 2011, trocando assim de posição com a Bélgica (líder do ranking aquando da edição de 2013). A maior economia do mundo (EUA) ganhou dois lugares no ranking, ocupando agora a 32.ª posição, enquanto que a China, a segunda maior economia, perdeu três lugares, situando-se na 72.ª posição. Por oposição, a Somália foi o país menos globalizado em 2011, ocupando a 191.ª posição (sem valor associado na edição de 2013). Timor-Leste, que então ocupava o último lugar do ranking (187.ª posição), ocupa agora a 157.ª posição.

 

O KOF Index of Globalization mede 23 variáveis e adicionalmente a estes 3 índices calcula um índice de globalização agregado e sub-índices referentes a fluxos económicos reais, restrições económicas, dados sobre fluxos de informação, dados sobre contactos pessoais e dados sobre proximidade cultural.

PORQUÊ TANTA CRISE?

 (*)

É sabido, cansados de saber, que a crise provém, em primeiro lugar, pelo desaforo dos gastos públicos, de dinheiro fácil, do descontrole, mas principalmente pela roubalheira que o “sistema” financeiro internacional, com o beneplácito dos governos – de TODOS os governos - pratica impunemente em cima de todos e qualquer um sem querer saber das consequências.

 

O “pai” da crise, é, evidente, a Suíça. Foi lá que os gangsters inventaram as contas secretas, e por onde começou a sugar-se o dinheiro dos países. Há muitos anos, e ninguém teve coragem de lhes ir em cima, porque, porque?, todos estavam mancomunados no roubo.

Até que surgiram os chamados “paraísos fiscais”. Lembro uma conversa que tive uma vez, a seguir ao 25barra4, com alguém que estava ligado aos serviços secretos ingleses, em que fiquei a saber que os americanos pretendiam criar um desses paraísos nos Açores, para fazerem concorrência à Suíça. Como ficou... não sei. Ficou pelo menos na Madeira! O que é sabido é que paraísos existem em toda a parte, e segundo pesquisa na Internet são os seguintes:

 

Andorra; Anguilla; Antígua e Barbuda; Antilhas Holandesas; Aruba; Bahrein; Barbados; Belize; Campione d'Italia; Chipre; Singapura; Comunidade das Bahamas; Djibouti; Dominica; Emirados Árabes Unidos; Estados Unidos (não ocorre cobrança de imposto de residente que tem capital emprestado em outro país, estimulando o investidor a aplicar os juros em sua economia); Federação de São Cristóvão e Nevis; Gibraltar; Granada; Hong Kong; Região Autónoma da Madeira; Ilha de Man; Ilha Niue; Ilhas Bermudas; Ilhas Cayman; Ilhas Cook; Ilhas do Canal (Alderney, Guernsey, Jersey e Sark); Ilhas Marshall; Ilhas Maurício; Ilhas Montserrat; Ilhas Turks e Caicos; Ilhas Virgens Americanas; Ilhas Virgens Britânicas; Labuan; Líbano; Libéria; Liechtenstein; Luxemburgo (no que respeita às sociedades holding regidas, na legislação luxemburguesa, pela Lei de 31 de julho de 1929); Macau; Maldivas; Malta; Mónaco; Nauru; Panamá (facilidades para instalação de estaleiros); Paraguai (isenção de impostos para empresas que lá se instalarem e é permitida a repatriação total de lucros); República da Costa Rica; Samoa Americana; Samoa Ocidental; San Marino; Santa Lúcia; São Vicente e Granadinas; Sealand; Seychelles; Suíça (níveis moderados de tributação e segredo bancário); Sultanato de Omã; Tonga; Uruguai (imposto de 0,3 % para sociedade anónima de investimentos financeiros); Vanuatu (também Novas Hébridas).

 

Se algum dos leitores tiver um troquinho sobrando... a dificuldade é escolher o paraíso!

 

Uma alegria! Não há por que ter medo das autoridades (?) monetárias porque os donos da grana podem andar a passear com ela de um lugar para outro sem que sejam apanhados!

 

Vejam só quanto anda por esses paraísos, enquanto nós estamos entre purgatório e inferno, no artigo abaixo.

 

E... alguém vai fazer alguma coisa? Boa piada. Ninguém atira pedras ao ar!

 

*****

Do jornal “O Globo”, 23/07/2012

Bruno Villas Boas

 

Os milionários brasileiros têm uma fortuna estimada em US$ 520 biliões, o equivalente a mais de R$ 1 trilião, depositada em paraísos fiscais, o quarto maior volume de recursos do mundo, atrás apenas dos chineses (US$ 1,8 trilião), russos (US$ 798 biliões) e sul-coreanos (US$ 779 biliões).

 

Para se ter uma ideia dessa “sangria”, o dinheiro brasileiro expatriado para centros de sonegação fiscal seria suficiente para pagar metade da dívida pública federal (R$ 1,9 trilião) e supera a arrecadação de impostos federais no ano passado (R$ 993 bilhões).

Os números estão num estu­do brasileiro divulgado ontem pela organização inglesa Tax Justice Network. O levantamento revela ainda que milionários de 139 países tinham entre US$ 21 e US$ 32 triliões depositados "offshores" ao fim de 2010.

 

O valor equivale ao Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos) dos Estados Unidos e Japão somados.

"O estudo examinou um enorme 'buraco negro' da economia mundial que nunca foi mensurado, a riqueza privada offshore, um vasto volume de ganhos que não são tributados", expli­cou o economista americano James Henry, ex-chefe da con­sultoria McKinsey, contratado para comandar a pesquisa.

 

Somente 100 mil milionários, que formam uma elite financeira global, respondem por US$ 9,8 triliões do dinheiro depositado em paraísos fiscais. O tamanho da fortuna chama a atenção em um momento que os países pre­cisam arrecadar impostos e cor­tar seus gastos para enfrentar a crise financeira internacional.

 

O estudo revelou ainda que 50 bancos privados movimen­taram US$ 12,1 triliões entre as fronteiras dos países em 2010, para os seus clientes. Os destaques ficam para três gi­gantes globais: UBS, Crédit Suisse e Goldman Sachs.

 

"O sector offshore — especia­lizado em sonegação fiscal — é desenhado e operado não por obscuros bancos sem nome, em ilhas sumptuosas, mas pelos maiores bancos privados do mundo, escritórios de direito e de contabilidade sediados em capitais como Londres, Nova York e Genebra", diz Henry.

 

O trabalho não detalha a par­ticipação desses bancos na so­negação de impostos no Bra­sil. O documento teve como fonte dados do Fundo Monetá­rio Internacional (FMI), Banco Mundial e Banco de Compensações Internacionais (BIS).»

 

 

 

E, cadê Angola? E Guiné Equatorial?

 

O quadro acima denota uma situação muito curiosa: quanto menos confiança nos governos mais grana se pôe a andar. Infelizmente o Brasil ficou em quarto lugar!

 

Nem nas Olimpíadas ganharia uma medalha!

 

Rio de Janeiro, 23/07/2012

 

 Francisco Gomes de Amorim

 

(*)http://www.google.pt/imgres?um=1&hl=pt-PT&sa=N&biw=1311&bih=617&authuser=0&tbm=isch&tbnid=8qbBPKH5g_4QnM:&imgrefurl=http://democraciapolitica.blogspot.com/2011/12/inutil-moralidade-seletiva-da-midia.html&docid=5xcd8BD7QHSraM&imgurl=https://1.bp.blogspot.com/-oDM0yDrtx18/TuX8zC9LgEI/AAAAAAAAIX0/Jq_OLLF5yyk/s1600/paraiso%252Bfiscal.jpg&w=400&h=353&ei=hQQqUIqnOa-20QXu1ICYCg&zoom=1&iact=hc&vpx=112&vpy=137&dur=397&hovh=211&hovw=239&tx=117&ty=89&sig=109766553202599468647&page=1&tbnh=131&tbnw=147&start=0&ndsp=20&ved=1t:429,r:0,s:0,i:72

J’EN AI ASSEZ

 

 

globalizacao.jpg

 

 

Farto que estou de ver os resultados do liberalismo friedmaniano[1], apetece-me invocar Friedrich List e dizer que a livre troca universal, entre todos os países do mundo, apenas será possível num estádio último do desenvolvimento.

 

 Os países só podem progredir se seguirem políticas que lhes sejam úteis, nunca políticas que lhes possam ser prejudiciais. A adopção prematura do comércio livre planetário confirma as vantagens que desse modelo alcançam os países industrializados mas os países em desenvolvimento deviam poder proteger as suas actividades nascentes até conseguirem recuperar do atraso relativo. Numa perspectiva em que coubesse a auto-defesa, não fazem sentido instituições como a Organização Mundial do Comércio e muito menos Cimeiras como as de Doha em que se pretende assegurar que todos os países se devem desarmar e deixar o comércio totalmente livre. “Eu – que sou rico – entrarei na tua casa com os meus produtos; tu – que és pobre – entrarás na minha, se conseguires”. A integração entre os EUA, o Canadá e a UE fazem todo o sentido constituindo uma Convenção Transatlântica de Comércio Livre mas o livre comércio entre os EUA e o México significa a anulação deste. Nos corredores da diplomacia internacional o México fica muito agradecido aos EUA porque estes o transformam na linha de montagem dos produtos industriais que ainda requerem mão-de-obra intensiva, desde que esta seja barata. Quando deixar de o ser, a linha de montagem muda-se para outro local mais barato e assim sucessivamente até chegar ao mais fundo buraco do mundo. Entretanto, o mexicano ficou desempregado e muito provavelmente sem nada mais saber fazer do que juntar as peças daquele produto que já não existe. E se um mínimo de providência existir, o Estado mexicano que suporte esse desemprego, que se endivide para pagar esses novos custos, que negoceie nos mercados internacionais de capitais o financiamento da despesa que lhe poderá talvez evitar a eminente ruptura social.


Assim é que ao liberalismo friedmaniano apenas interessam a livre circulação de mercadorias e de capitais mas não a da mão-de-obra. Nisso recebeu um inesperado apoio das conservadoras forças sindicais do mundo desenvolvido que também não admitem o livre estabelecimento de pessoas, não vá a imigração “furar” o status quo, as convenções colectivas de trabalho. Eis como no mundo desenvolvido os sindicatos se transformaram nas forças mais conservadoras, adversas a qualquer espécie de solidariedade para com os efectivamente necessitados oriundos do terceiro mundo, defensoras acérrimas dos vários “Espaço Schengen” e “Fortaleza Europeia” que existam por esse mundo fora.

 

E como deveremos nós, os Estados lusófonos, enquadrar um processo destes? Ficando-nos pela discussão da sintaxe e do hífen? Como poderemos compatibilizar Schengen e a CPLP? Eis algumas das questões que merecem reflexão num quadro bem diverso daquele que nos vem sendo permitido.

 

E a primeira pergunta que coloco é muito simples: haverá alguma alternativa plausível ao cenário em curso?

 

De resposta muito dúbia, parece mais fácil procurarmos um modelo próprio de desenvolvimento compatível com o que nos é servido do que estarmos a tentar mudar por nós próprios o rumo da História do mundo. Não temos hoje a importância relativa que tivemos no séc. XV mas também nunca tanto como hoje a decisão colectiva passa pelo somatório das decisões individuais.

 

E se não podemos discutir a História e o rumo que ela se prepara para tomar, entremos nesse barco e viabilizemo-nos dentro dele.

 

E é nessa tentativa de viabilização que as perguntas continuam. Com que massa cinzenta poderemos contribuir para o desenvolvimento desta aldeia global? Que teses académicas com inquestionável repercussão científica internacional são na origem escritas em português? No ranking mundial de Universidades, em que lugares se colocam as instituições da Lusofonia? Que estrangulamentos existem no mundo lusófono para que ainda hoje, séc. XXI adentro, continuemos sujeitos ao flagelo do analfabetismo? Que forças gravitam na actualidade em torno das nossas elites: centrífugas como antigamente ou finalmente centrípetas?

 

Se não dermos respostas a estas questões, então não teremos lugar na História e não mais haverá centro, periferia nem palavra digna de nota.

 

Eis que, assim, o modelo do futuro

 

  • passa pela transformação das elites em elementos agregadores das nossas sociedades não mais podendo constituir instrumentos da repulsa;
  • passa pelas Diásporas a servirem o engrandecimento dos Centros;
  • passa pela pluricidadania;
  • passa pela vulgarização da palavra.

 

E se as elites têm que passar a congregar o resto das gentes, teremos que banir os resquícios de corporativismo que ainda nos entorpecem a actualidade, v.g. as Ordens profissionais e seu imperial magistério, temos que promover rapidamente a concorrência inter-universitária dentro de cada país, no espaço lusófono e no mundo inteiro, temos que garantir uma claríssima elevação do nível médio cultural dos nossos povos e promover o analfabetismo adulto a “coisa” do passado.

 

E se as Diásporas devem passar a servir os Centros, isso significa que a emigração não mais deve continuar a ser uma tábua de salvação a que os deserdados se agarram avidamente, para passar a ser um instrumento de obtenção da dimensão empresarial que o mercado doméstico é incapaz de garantir.

 

E se a solidariedade não é palavra vã, então Portugal tem a obrigação histórica de promover um estatuto de acolhimento especial a todos aqueles povos que alguma vez governou por esse mundo além, tudo culminando num processo de plurinacionalidade lusófona, em clara fraternidade internacional.

 

E se “é a falar que a gente se entende”, então temos que fazer com que o Instituto Camões deixe de divulgar a nossa palavra apenas nas Academias e Universidades para passar a fazê-lo com as portas abertas directamente para a rua, que é onde os povos se cruzam.

 

Por tudo isto eu digo que o modelo vigente se esgotou.

Por tudo isto eu digo que não me preocupo mais com o “politicamente correcto”. Por tudo isto eu digo “j’en ai assez”.

 

Lisboa, Julho de 2007

 

Porto Santo-MAI15-B.jpg

Henrique Salles da Fonseca

 

[1] - De Milton Friedman

 

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