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A bem da Nação

SUPERFICIALIDADE E MÂNDRIA

Gosto de escrever curto porque também gosto de ler curto; prefiro a escrita enxuta, sem adjectivos e composta por frases curtas; procuro a síntese sem me preocupar que ela possa ser superlativa; evito excepções e particularidades.

Considero-me um generalista-superficialista e pasmo por haver quem diga que faço estudos profundos. Nada disso: limito-me a tocar pela rama em assuntos que podem ser considerados importantes.  Felizmente, há quem pegue nas minhas generalidades superficiais e as esmiúce produzindo, esses sim, textos de mérito. Refiro-me aos comentários aos meus textos publicados no “A bem da Nação” cuja leitura é imprescindível para um melhor entendimento das matérias tratadas.

E, a propósito de leitura, interpretação e entendimento…

* * *

… um conhecido meu que fora Prior de uma Paróquia numa quase extrema de Lisboa, dizia que tinha jovens paroquianos universitários com espírito de analfabetos pois as respectivas famílias eram compostas por avós analfabetos, pais e tios de letras muito rudes e, eventualmente, outros parentes entregues à delinquência. Nulos hábitos de leitura e limitada capacidade crítica para além das sugestões televisivas. E estas, como é sabido, são geradas em programas de entretenimento, ou seja, sem outro objectivo que não ultrapassa a ocupação dos profusos tempos livres de aposentados, ociosos e equiparados.

No cenário descrito por esse (já falecido) eclesiástico meu conhecido, os universitários eram a excepção à regra da mediocridade se não mesmo da delinquência.  Mas a excepção era prova de que, querendo, os membros daquele grupo social podiam progredir na escalada cultural, profissional e, daí, social. Os que o não faziam só se deixavam ficar a marinar em águas turvas devido à mândria.

* * *

Mândria é-o por si própria sem necessidade de grandes explicações: é não querer esforço físico ou intelectual, é sinónimo de indolência. Mas o indolente pode querer usufruir de regalias típicas dos esforçados e, daí, o recurso aos subterfúgios que podem chegar a extremos, à criminalidade.

A superficialidade pode significar apenas desconhecimento e vontade de apontar vias de aprofundamento dos conhecimentos. Muito provavelmente, trata-se de uma proposta de partilha de conhecimentos, uma postura de democracia intelectual.

CONCLUSÕES

  • A mândria corresponde a uma atitude negativa e potencialmente perigosa;
  • A superficialidade pode ser virtuosa e até democrática;
  • Pode haver mandriões que se refugiam nas superficialidades, mas dificilmente há superficialistas mandriões;
  • Há que temer miscigenações e excepções.

Dezembro de 2022

Henrique Salles da Fonseca

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