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A bem da Nação

SHALOM – 3

 

 

Descendo do Monte das Oliveiras ao terreiro das três fés, deu para me questionar sobre quem serão hoje os Fariseus, os Saduceus, os Essénios, os Zelotas e os Samaritanos. Mais: se todos esses se reportavam a um único nome de Deus, que dizer hoje do que continua a acontecer no âmbito dessa mesma fé mais nas duas novas que se lhe juntaram pela mão de Cristo e pela de Maomé? E, contudo, o Deus é o mesmo para todos. Quem diria...

 

 

Breve passagem pela Igreja da Agonia (ou de Todas as Nações) e lá fomos directos ao Monte Sião, ao túmulo do Rei David e à sala do Cenáculo passando directamente por locais que até à guerra dos 6 dias estavam obstruídos por barreiras totalmente intransponíveis separando o Islão do Judaísmo e do Cristianismo. Sim, nos tempos modernos judeus e cristãos vêm mantendo uma relação de grande compatibilidade enquanto que as relações com os muçulmanos...

 

Foi onde se diz localizar-se o túmulo do Rei David que identifiquei um grupo de peregrinos judeus do Biafra que se assumem portugueses e é claro que quiseram tirar uma foto comigo. Espero que a publiquem no Facebook para eu depois a trazer aqui.

 

Munido de um certo sentido da História, percorri de seguida todas aquelas ruelas em direcção ao Santo Sepulcro. Não esperava, contudo, que por ali houvesse atropelos deselegantes. Sim, as fés podem e devem afirmar-se mas o proselitismo tem limites de decoro e pôr no alto do minarete em altos berros uma gravação do chamamento à oração muçulmana ali mesmo às portas do Santo Sepulcro ultrapassa a decência e passa para as bandas da ordinarice. E se algum muçulmano se ofender com esta minha opinião, desde já lhe digo que se vá ofender para Meca ao som dos sinos de uma igreja cristã de qualquer rito, à sua escolha.

 

 

O Santo Sepulcro é sem dúvida o local mais sagrado para muitos milhões de pessoas e, mais ou menos tocado pela fé, é emocionante pisar aquelas lajes já tão gastas por tantos peregrinos ao longo destes vinte e um séculos que a paixão de Cristo comove multidões. Dá para imaginar tudo naquelas últimas Estações da Via Dolorosa, antes do revestimento arquitectónico que hoje monumentaliza um chão que ficou sagrado só por ter sido pisado por quem morreu para nos salvar.

 

Deu para pensar que sobre aquele local já tudo foi dito, que nada de novo se pode dizer. Mas, pensando melhor, há uma coisa que ainda não foi referida e que agora afirmo: a emoção que eu próprio senti percorrendo lenta e solenemente aquelas últimas Estações e quanto me sensibilizou a emoção dos que me rodeavam. E não é só o sentimento emotivo mas também o sentido duma enorme responsabilidade que se adquire ao sair de local tão sublime, o centro da nossa civilização. Sentido do divino, contágio emotivo, razão histórica, sentido de responsabilidade.

 

E porque éramos um grupo nada jovem, o nosso guia «José» conduziu-nos pela Via Dolorosa em sentido descendente pois era evidente que não teríamos aguentado subi-la. Cruzámo-nos contudo com alguns grupos que quase em marcha forçada cantavam e rezavam (em várias línguas) sem mostrarem qualquer cansaço ou hesitação. Não há dúvida, a fé consegue prodígios. Mas foi nesse ambiente de grande religiosidade que passámos por uma loja dum muçulmano que tinha música pop em alta berraria parecendo fazê-lo apenas para perturbar peregrinos duma religião que não a sua. Mais um ordinário que me indignou. Felizmente, os peregrinos ignoraram a estupidez e prosseguiram as suas procissões.

 

Aproximámo-nos então da entrada para o recinto do Muro das Lamentações onde todas as cautelas relativas à segurança são poucas. Todos compreendemos essas cautelas e foi com grande respeito que entrámos em local tão importante para o Judaísmo.

 

Março de 2014

 

 

Henrique Salles da Fonseca

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