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A bem da Nação

REPÚBLICA HIEROCRÁTICA DO IRÃO

 

Ali Kamenei.jpg

 

Durante séculos, os xiitas tinham declarado como ilegítimo qualquer governo enquanto durasse a ausência do «imã» oculto. Como tal, não aceitava que os ulemás governassem o Estado. Porém, dadas as circunstâncias do Irão do Xá, os ulemás deviam governar excepcionalmente para salvaguardar a soberania de Deus. Se um faqih (académico em jurisprudência islâmica) assumisse o controlo das instituições políticas e administrativas, poderia assegurar a aplicação correcta da Sharia. Mesmo que o faqih não estivesse à altura do Profeta e dos «imãs», o seu conhecimento da Sharia significava que podia assumir a mesma autoridade que eles tinham tido.

 

Uma vez que Deus era o único legislador verdadeiro, em vez do Parlamento que criava a sua própria legislação humana, haveria uma Assembleia que aplicaria a Sharia em cada aspecto da vida humana.

 

E assim aconteceu e continua a acontecer no moderno Irão com todas as ambiguidades da sua teocracia[1] xiita que conhecemos pelos meios de comunicação social e literatura sem fim. Quem é que não conhece a história rocambolesca da tomada da Embaixada dos Estados Unidos pelos estudantes de Teerão a 14 de Fevereiro de 1979? E o desejo de Komeini em impor aos Estados Unidos o repatriamento do Xá Muhammad Reza Pahlevi? Quem é que não conhece as execuções massivas e primárias de iranianos coniventes com o antigo regime Pahlevi? Se o antigo regime monárquico era ditatorial, este novo regime não é menos ditatorial.

 

O que é que falta em toda esta narrativa política, religiosa e revolucionária? Falta (...) o princípio da racionalidade.

 

Uma fé irracional é sempre fanática e paranóica. Não dialoga nem aceita qualquer género de democracia participativa porque a soberania de Deus só pode ser aceite de modo totalitário sem mediações humanas democráticas. Os direitos humanos submetem-se, sem tergiversar, ao único Direito de Deus.

 

O xiismo do actual Irão komeinita é uma ideologia fundamentalista fruto duma teologia também fundamentalista.

 

Entregar o governo duma nação ou das nações à religião (religiões) sempre foi e continua a ser um perigo letal.

 

 

P. Joaquim Carreira das Neves.png

Joaquim Carreira das Neves

 

In “DEUS EXISTE? – uma viagem pelas religiões”, EDITORIAL PRESENÇA, 4ª edição, Setembro de 2013, pág. 332 e seg.

 

NOTA: Sobre o xiismo, ver p. ex. em https://pt.wikipedia.org/wiki/Xiismo

 

[1] Teocracia – o regime político que é comandado por Deus; Hierocracia – o regime político que é comandado pelo Clero.

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