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A bem da Nação

QUARTA-FEIRA DE CINZAS INICIA A QUARESMA

 

Carnaval em Trás-os-Montes.png

 

Também há uma Vida depois do Carnaval

 

Vivemos numa sociedade esgotada – uma sociedade avozinha cuja fertilidade se extingue nela (1). Construímos uma sociedade livre mas pobre de sentido. Daí assistirmos a uma insatisfação generalizada de uma sociedade livre de sentido que proclama a libertinagem egoísta como estilo de vida.

 

Quarta-feira de cinzas inicia os 40 dias da renúncia ao supérfluo para se reflectir sobre o sentido da vida e preparar o espírito para a Páscoa.

 

A Quaresma segue o exemplo de Jesus que jejuou 40 dias no deserto para resistir às tentações da vida. O número 40 tem um carácter simbólico e neste caso prepara para melhor se fazer face à vida. Também Elias fez uma caminhada até ao monte Horebe e Moisés andou 40 dias em torno do monte Sinai. Monte é símbolo de algo mais elevado, de algo a atingir e a caminhada é o símbolo da vida. Através da ascética purifica-se o espírito do pó da caminhada preparando para a Páscoa, símbolo e festa da morte e ressurreição.

 

Em conventos havia o hábito de monges e monjas, na prática do seu jejum, distribuírem-no pelos pobres o fruto (os produtos alimentícios) da sua renúncia e do que tiravam ao corpo. Assim se exercita o estar presente também para os outros. Muitos cristãos renunciam ao vinho, às guloseimas, à carne ou a outra comodidade durante a Quaresma. Jejuar é mais que fazer uma dieta; Jejuar promove a saúde do corpo e da alma; é renunciar para que outros tenham mais da vida ou para a vida; na medida em que os outros têm mais também eu terei porque deles a vida transbordará também para mim.

 

Quaresma é tempo de metanóia (cada um terá a sua), é a fase da mudança para melhor se poder ver através da poeira e da intoxicação do nosso tempo e melhor entender o ruído à nossa volta. Não se trata apenas de uma cura de emagrecimento para aperfeiçoar o corpo mas também para se perscrutar também o sentido dele e o sentido da vida. Todos temos a experiência de que um estômago demasiado cheio impede a ideia e o sentimento.

 

Vivemos num tempo que nos leva à auto-exploração, num tempo de forças que nos querem ver na falta de noção, na inexperiência colectiva!

 

Muitos cristãos vão à igreja na Quarta-feira de cinzas e recebem na testa um sinal da cruz com cinza. A cinza recorda a transitoriedade lembrando-nos que também há uma vida depois do Carnaval.

 

A Quaresma com o seu apelo ao jejum tem uma componente individual, social, política e religiosa. A nossa sociedade precisa de momentos que nos recordem da necessidade de moderação.

 

António Justo.jpg

António da Cunha Duarte Justo

 

  • Francisco I, no seu discurso ao parlamento europeu em 2014, denunciou a falta de vitalidade do continente europeu comparando Europa com uma avó “que já não é fértil”.

 

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