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A bem da Nação

QUANDO AS AMIGAS CONVERSAM...

«QUEM FAZ UM FILHO FÁ-LO POR GOSTO»!?

 

 Já várias questões tínhamos tocado, toques ligeiros, não direi de puro afloramento, que, para borboletas, já se nos foi a graça por elas emprestada ao seu repasto floral, e nunca, ai de nós, poderíamos equiparar-nos à leveza dos passos da Leonor do Rodrigues Lobo, com poderes de autêntica magia revitalizadora das verduras, pesem embora os exageros retóricos da sua sensibilidade a tender para o barroco:

 

Francisco Rodrigues Lobo.jpg 

Francisco Rodrigues Lobo (Leiria, 1580 — Lisboa, 1622; estátua em Leiria)

 

As flores, por onde passa,

Se o pé lhe acerta de pôr,

Ficam de inveja sem cor,

E de vergonha com graça;

Qualquer pegada que faça

Faz florescer a verdura:

Vai formosa, e não segura.

 

Até para equiparação, porque somos todas dadas aos trabalhos caseiros – a nossa amiga menos – e eu própria jamais poderia aspirar a um prémio dos que sempre distinguiram as mulheres autênticas, no amor do lar – mas a minha irmã em tudo o que toca cria beleza e sabor, coisa que chega para nos abranger às três, daí que, se não poisamos quais borboletas ou pés mágicos de Leonor, não se nos daria de sermos equiparadas a abelhas operosas sugando néctar para a colmeia, que até é mais consistente e generoso do que o que a borboleta absorve em proveito próprio.

 

Afloráramos a política, esperançadas em Francisco Assis, ao que ouvíramos, decidido a intervir para favorecer a coligação da direita, que é como quem diz, o país, que a Catarina, para obter simpatias a favor da sua, da esquerda, vai repetindo monocordicamente, – direi mesmo, apatetadamente, o nosso ofício de obreiras não nos favorecendo a expressão oral – que vai repor ordenados descongelando-os etc., como primeiro passo dos seus acordos com Costa e o outro PC que ela derrotou, mariposa sortuda.

 

Outra questão que pus na mesa do nosso prândio foi a dos vencimentos dos locutores televisivos, segundo e-mail que recebi, que chegam aos 40.000 euros mensais do vencimento do Goucha, muitos acima dos 30 mil, mas todos eles superiores aos 10 mil, ordenados esplêndidos em programas cujos apresentadores têm de repetir exaustivamente a necessidade do toque telefónico de 6o cêntimos com IVA, para o prémio diário. Mais do que abelha, senti-me no papel de vespa avançando sobre os programadores televisivos que reduzem a sociedade portuguesa a ouvintes cretinos, e os coitados dos locutores a oradores de feira, simples vendedores de banha de cobra, para poderem auferir desses vencimentos obscenos, num país que a Catarina chama de gente com fome e por isso faz questão em repor o que foi tirado, sem explicar onde o vai buscar. Como é possível descer-se tanto de nível, sem qualquer respeito pela formação desse povo, na lorpice de tão cansativos apelos de 60 cêntimos e mais IVA?! E os programas até pretendem ser culturais, mostrando aspectos e empreendimentos das terras, mas sobretudo o esplendor das comidas, das coxas das donzelas dançarinas, e a profusão carinhosa dos beijinhos para as famílias.

 

Todas nos passámos um pouco com estas referências, mas a conversa desandou, (depois da sobre os migrantes com cenas de arrepelar os cabelos), para os telemóveis, um instrumento que, segundo a nossa amiga, até já serve para pagar as contas, sem necessidade de cartão Multibanco, o que me deixou de boca aberta, momentaneamente livre de libações.

 

E fez um gesto com as mãos, gesto de quem folheia a caixinha mágica, a marcar o número:

-No futuro, será assim: Quer um filho? Vai ao telemóvel e escolhe.

 

O Ari e a Simone não passam de uns anjinhos, Santíssimo Sacramento! Como diria a minha mãe…

 

Berta Brás 2.jpg Berta Brás

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