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A bem da Nação

QUAIS MACNAMARAS DA COMUNICAÇÃO…

Antes tínhamos a Inquisição que proibia as respostas. Agora temos a comunicação social que proíbe as perguntas. Antes tínhamos a tortura. Agora temos a televisão. Antes tínhamos a PIDE. Agora temos a net-diarreia.

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É melhor? É melhor para quem? Que seres queremos ser? Que faremos da nossa humanidade?

 

Toda a gente sabe como se proíbem respostas. Fazem-se listas de fórmulas inadmissíveis. Como os Talibãs. Como o Daesh. Como Donald Trump. Como os norte-coreanos. Depois, pratica-se a censura. Exerce-se violência sobre quem dá as respostas erradas. Perseguem-se os prevaricadores. Queimam-se os livros e depois alguém acaba atrás do muro. Ou na fogueira. Ou no pelotão de fuzilamento.

 

Proibir perguntas é mais difícil. É mais capcioso. Mas é igualmente eficaz. Fala-se de coisas irrelevantes. Pratica-se o blá-blá dos programas generalistas. Fazem-se entrevistas com conversa da treta. Faz-se encobrimento, como Hillary Clinton.

 

Assobia-se para o lado, como Durão Barroso. Queimam-se neurónios e o mundo fica disponível para quem sobreviver a tamanha lavagem de cérebro.

 

Proibir perguntas

 

Proibir perguntas é uma técnica que segue muitos padrões. O primeiro é inundar-nos todos os dias com vagas de notícias sobre um facto.

 

Quando há jornalistas sérios, eles sabem detectar e questionar esses factos. Mas o truque consiste em passar de uma vaga, qual onda do canhão da Nazaré em que os pivots se instalam qual macnamaras da comunicação, para a vaga seguinte, enquanto a realidade permanece a doer.

 

Descontados os truques da imprensa, sabemos que a Coreia do Norte faz ensaios nucleares; a direita populista avança na Europa; as eleições nacionais em Espanha dependem das eleições regionais; o Banco Central Europeu continua a emitir 70 mil milhões de euros por mês. Os refugiados continuam a chegar. E quem tem tempo para perguntar porquê, como, quando e onde. E para quê? Já aí vem a vaga seguinte de notícias.

 

A revolução da consciência

 

O outro padrão de perguntas proibidas incide sobre a revolução da consciência que mudou a humanidade há uns 2500 anos. O mundo mudou desde que no século VI a. C. falaram personalidades como Confúcio e Lao-tsé na China, os autores dos Vedas e Buda na Índia, Zaratustra ou Zoroastro no Irão, os primeiros profetas em Israel e os filósofos pré socráticos na Grécia.

 

A revolução da consciência tornou impossível em cada uma dessa civilizações que leis, regras e normas sociais falem sozinhas, mesmo que falem mais alto que a voz da consciência. É um escândalo do ponto de vista jornalístico admitir que nada de importante aconteceu nos últimos 2500 anos. Mas se a comunicação social continua a ignorar que há factos da consciência mais altos, mais fortes e mais duradouros que os factos do dinheiro, do poder e da técnica, então não temos jornalismo.

 

O terceiro padrão de perguntas proibidas incide sobre a religião. A religião é apresentada como factor de guerras e conflitos. Como origem de fundamentalismos. Como etapa ultrapassada. O lado positivo destes equívocos é recusar a identificação do cristianismo com o triunfalismo ocidental que em tempos existiu.

 

O lado negativo é que é pior. Abraham Lincoln disse no discurso de Gettysburg, em l863: “A democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo.” O que nunca se acrescenta é que a frase foi adaptada da tradução das Escrituras por John Wycliff. “This Bible is for the government of the people, by the people and for the people”.

 

Em Portugal, os pais fundadores do liberalismo colocaram no exórdio da Constituição de 1822 a seguinte afirmação: “Em Nome da Santíssima e Indivisível Trindade, as Cortes Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa (…) decretam a seguinte Constituição Política, a fim de segurar os direitos de cada um e o bem geral de todos os Portugueses.” Mas continua a ser proibido perguntar por que razão a humanidade passou a datar a história entre antes e depois de Cristo.

 

Essa notícia foi tão forte que os redactores gregos das Escrituras chamaram-lhe a boa notícia, o evangelho. Afinal, eles é que eram os jornalistas.

 

13 de Setembro de 2016

 Mendo Castro Henriques.jpg

Mendo Castro Henriques

Professor na Universidade Católica Portuguesa

 

 

Também publicado no Jornal O TORNADO

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