Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A bem da Nação

PRIMAVERA EM FLOR – 3

 

 

Porque estamos em democracia, a autocracia de Ana Ferreira não faria hoje qualquer sentido pelo que foi substituída pela hegemonia de duas famílias poderosas chegadas não do amigo Continente mas sim da Madeira. E como me foi contado por diversos portosantenses em conversas separadas, a economia da ilha é dominada por esses dois clãs a quem o povo atribui todos os males de que padece. - Mas o Governo Regional da Madeira mudou, disse eu. Ao que me responderam geralmente com um encolher de ombros significando algo como «wait and see». Talvez seja por causa deste confronto intra-regional que a Autarquia local é socialista e não social-democrata. E eu, que nada tenho a ver com o assunto, pergunto-me se o mal é do ovo ou da galinha: votam num Partido diferente, não têm o apoio do Governo Regional; não têm apoio do Governo Regional e protestam votando num Partido diferente. Se são adultos e já andam nestas andanças há décadas, não vejo que se perfilem candidatos interessados em resolver o despique.

 

Lobo Marinho.jpg

 

Os problemas de que se me queixaram são dois: os horários das ligações marítimas beneficiam os madeirenses e prejudicam seriamente os portosantenses; os hotéis modernos (de 5 estrelas) praticam o regime de «tudo incluído» nada deixando transbordar para a economia local.

 

E nós (a minha mulher e eu), antes de ouvirmos essas queixas, tínhamos já tomado a decisão de não irmos de barco à Madeira pois teríamos que lá ficar uma noite para nada visitarmos ou duas noites para podermos ter um dia de visita; optáramos pelo regime de dormida e pequeno-almoço para podermos cirandar por onde nos apetecesse sem ficarmos agarrados a um único hotel. E o povo da restauração agradeceu muito acolhendo-nos com verdadeira simpatia. Almoçámos todos os dias nos bares-restaurantes na praia e ao jantar não repetimos um único restaurante para tentarmos «distribuir o mal pelas aldeias».

 

Em termos turísticos, Maio não é carne nem peixe pois fica depois da Páscoa e antes do Verão. Mas os pilotos dos aviões estrangeiros têm muito medo do aeroporto da Madeira e dias houve em que fugiram 4 ou 5 para o Porto Santo cuja pista foi inicialmente construída pela NATO e hoje, depois de civilizada, é uma maravilha de conforto. E os turistas desses aviões desviados fazem quase sempre um «night stop», expressão banal na gíria local. Pelo menos o valor dessa curta hospedagem fica na ilha. Mas convenhamos que é curto pois soubemos que no nosso hotel chegámos a estar apenas três hóspedes: nós os dois e uma velhota alemã que se metia alegremente nos copos. E cá está mais uma alemã que há muitos anos vai para o Porto Santo.

 

Aerovip2014.jpg

 

As ligações aéreas regulares com a Madeira são feitas com um avião de 18 lugares (o maior, pois há um outro de 4 lugares que vi estacionado no aeroporto mas sobre que não ouvi falar) que parece desempenhar a missão a contento dos locais mas fizeram-nos logo saber que a empresa concessionária da ligação é do continente amigo e não da Madeira. As ligações aéreas de emergência - evacuações de cariz médico - são feitas pela Força Aérea de avião (ou de helicóptero para os casos que exijam a utilização do heliporto no Hospital do Funchal).

 

Não cheguei a perceber qual a missão da Marinha e do Exército mas admito que ambos exerçam missões de soberania. In extremis, de quem os locais dependem é da Força Aérea; os outros Ramos das Forças Armadas, por pouco que façam em termos operacionais, sempre largam umas maçarocas localmente e isso o povo vê com muito bons olhos.

 

O campo de golfe está muito amarelado e tiveram que me apontar o único praticante que lá estava quando subi ao Pico de Ana Ferreira; os courts de ténis não tinham actividade quando por lá passámos e o cartódromo está abandonado.

 

Parece que da modorra local nem só os madeirenses serão os culpados.

HSF-Primavera em flor.jpg

E finalmente vi flores que alegraram a nossa Primavera: eram umas ervas daninhas que - também elas e não apenas as «boazinhas» - floriam junto a um muro de cimento que esse, coitado, não floresce.

 

E por aqui me fico assim pondo um ponto final na reportagem sobre o Porto Santo. Obrigado pela companhia e até à próxima!

 

Maio de 2015

 

Porto Santo-MAI15-B.jpg

Henrique Salles da Fonseca

1 comentário

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2007
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2006
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2005
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D
  196. 2004
  197. J
  198. F
  199. M
  200. A
  201. M
  202. J
  203. J
  204. A
  205. S
  206. O
  207. N
  208. D