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A bem da Nação

PRIMAVERA EM FLOR – 2

 

Francisco Maya, pintor.png

 

Sempre que descubro alguma coisa que devia conhecer mas que ignorava, dou por mim a constatar a enormidade da ignorância em que navego. Foi o caso do pintor Francisco Maya com cujo busto me deparei no topo do Miradouro das Flores. Apesar de ser filho do escultor Delfim Maya, Capitão de Cavalaria expulso do Exército por ser monárquico e cuja obra é sobejamente conhecida de todos os homens de cavalos em Portugal, eu nunca tinha ouvido qualquer referência ao filho com cujas pinturas me deparei na Internet logo que regressei ao hotel. Sugiro ao meu leitor que veja em http://charcofrio.blogspot.pt/2011/01/francisco-maya.html para ficar com um aperçu général deste verdadeiro valor da nossa Cultura.

 

Francisco Maya 1Francisco Maya 2.jpg

 

Francisco Maya 3

 

E dali fomos de jeep pela costa norte até à extremidade oposta da ilha do Porto Santo para vermos uma casa-museu típica.

 

Tubos de Órgão-Pico de Ana Ferreira-Porto Santo.

 

Passámos pelos “Tubos de Órgão” (formação rochosa semelhante à irlandesa “Calçada dos Gigantes”) no Pico de Ana Ferreira. E aqui está mais uma figura de que eu também nunca ouvira falar. Filha bastarda de D. João II, os da Corte quiseram-na bem longe e ela fez-lhes a vontade adoptando a Ilha do Porto Santo como sua morada e – diz-se ainda hoje – como seu feudo. O nome do Pico resulta do facto de, aquando dos ataques dos piratas, a população se refugiar no Pico do Castelo e ela, não se misturando com o «seu» povo, optar pelo refúgio no Pico que hoje tem o seu nome.

 

Picos do Facho e do Castelo.png

 

O terceiro Pico mais notório é o do Facho (o da direita, na imagem), também sobranceiro à capital da Ilha, que era onde se acendia um enorme facho para que os piratas julgassem que era nele que a população estava refugiada quando, na realidade, estava no do Castelo. Mas esse tipo de negaças de pouco serviu quando em 1619 quase toda a população foi dizimada ou escravizada com excepção de 18 homens e de 7 mulheres. Foi então que Filipe II (III de Espanha) procurou repovoar a ilha, determinando também a construção de uma fortificação para a protecção das gentes. Daí, o nome de Pico do Castelo de cujo armamento foi há poucos anos recuperado um canhão que estava perdido, enterrado algures no Pico.

 

MiradouroPicoDoCastelo.jpg

 

Arborizada progressivamente pelos Serviços Florestais regionais, a paisagem continua a pedir muito mais árvores mas talvez a vinha também pudesse desempenhar um papel importante. Nesta hipótese, recomendo vivamente que se procure convencer algum enólogo que se dedique a ensinar aquela gente de modo a que abandonem os métodos de fabrico das actuais zurrapas que só a boa educação impede que se cuspa de imediato o que se prova. Na minha opinião, a produção vinícola local – felizmente diminuta – é absolutamente imbebível. Mas que as encostas daqueles montes precisam de ocupação, disso não tenho dúvidas. Antes que alguma rara enxurrada as esbarronde até ao mar.

 

A extremidade oriental da ilha chama-se Serra de Fora e está praticamente desabitada. Excepção a uma cidadã alemã que lá vive sozinha acompanhada duma caçadeira com que ameaça algum intruso. Não deixa de ser curioso que na extremidade mais isolada da ilha mais isolada viva uma pessoa sozinha. A vida monástica de clausura sempre deve ser mais animada que a desta Fulana. Mas se como Vasco da Gama dizia que “há gente para tudo, até para andar no mar”, também há quem se isole do mundo numa extremidade do extremo mais ermo da humanidade. Feitios...

 

E quanto às flores primaveris, nenhumas.

 

Hoje fico-me por aqui. Talvez amanhã haja mais.

 

Maio de 2015

 

Porto Santo-MAI15-B.jpg

Henrique Salles da Fonseca

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