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A bem da Nação

POUPANÇA E INVESTIMENTO

 

A sequência é mais longa do que o título pois, mesmo num esquema super-simplificado, começa em receitas e despesas cujo saldo, sendo positivo, gera poupanças e é destas que saem os investimentos. E são os investimentos que geram novas receitas e assim sucessivamente num acumular de poupanças e investimentos…[i]

Quando a série é truncada pelos impostos, a acumulação de riqueza, de poupanças e de investimentos é directamente reduzida e a pergunta que fica é a de saber se o uso público dessas reduções é mais proveitoso para o conjunto da sociedade do que a hipótese de a série cumulativa de riqueza se manter intocada.

A resposta nunca será dada com rigor matemático pois é hoje para nós óbvio que as funções de soberania, nomeadamente as Forças Armadas, têm que ser financiadas e elas são improdutivas no sentido da acumulação de riqueza na série com que abro este escrito[ii].

A imprescindibilidade dos gastos públicos financiados pelos impostos é, contudo, discutível e também aí se deveria situar a fronteira entre os vários Partidos. Rareiam as discussões políticas em torno dos custos de contexto, da análise comparativa dos benefícios sociais (globais, claro!) entre a gestão pública e a privada na Instrução (educação é a família que a ministra, não a escola) e na Saúde, os dois sectores de gestão mais sovietizada que por cá temos.

Os temas têm muito de discutível e não colhe a atitude de pré-vencidos dos Partidos que se renderam à derrota eleitoral a qual, eventualmente, resultou de não terem anunciado propostas inovadoras nestes e noutros tópicos que agora não me ocorrem. Os vencidos deixaram-se conduzir para temas que não os distinguiam dos que ganharam e sofreram as consequências que as urnas lhes ditaram por falta de imaginação ou por concordarem com o statu quo que o seu eleitorado tradicional queria ver modificado.

Não faltará numa putativa discussão desta temática quem se assanhe nas políticas de redistribuição da riqueza  e na protecção dos mais desfavorecidos mas certamente também haverá quem considere importante não se continuar a hostilizar os que criam essa riqueza, os que criam postos de trabalho, ou seja, os que financiam todos os custos públicos.

É hora de falar de ideias, não mais de factos e muito menos de pessoas.

Novembro de 2019

Urinol público Estocolmo.JPG

Henrique Salles da Fonseca

 

[i] - Os comunistas, ao combaterem o lucro, impediram a constituição de poupanças e disponibilidades para investimentos donde resultou a «glória» de Novembro de 1989

[ii] - Há, como é sabido, modos de redução da dita truncagem mas a chamada «indústria de guerra» só pode ser lucrativa por via do comércio internacional, não na dimensão doméstica. Se os lucros gerados pelas exportações de material de guerra superarem os custos internos dessa função de soberania, a minha conjectura negativa deixa de fazer sentido.

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