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A bem da Nação

PORTUGUESES QUASE ESQUECIDOS

KXAH-Diogo de Mendonça Côrte-Real.jpg Diogo de Mendonça Côrte-Real, diplomata e estadista português, foi Secretário de Estado dos reis D. Pedro II e D. João V.

 

Natural de Tavira onde nasceu em 17 de Junho 1658, era filho de Diogo de Mendonça Côrte-Real e de Jerónima de Lacerda, ambos nascidos na nobreza com relações familiares com algumas das casas nobres mais ilustres de Portugal e de Espanha.

 

A sua grande inteligência manifestou-se logo desde a escola primária. Matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde se doutorou em Cânones em 1686 e em Direito em 1687. Foi como juiz-chefe da Comarca do Porto que se notabilizou pela sua rectidão e pelo seu carácter. Reconhecida a sua competência na Corte de D. Pedro II, o rei intimou-o em Janeiro de 1691 a deixar a magistratura e a tornar-se diplomata. Foi enviado como representante especial junto da República Holandesa a fim de resolver a questão dos ataques constantes da Marinha Holandesa aos navios portugueses.

 

Em 3 de Março, Côrte-Real embarcou para a República Holandesa; em 14 de Abril, não longe da costa inglesa, o navio encalhou num banco de areia. Sendo o perigo iminente, o pânico tomou conta dos passageiros e da tripulação mas Côrte-Real manteve a calma e ajudou os oficiais que fiscalizavam o procedimento de evacuação. Côrte-Real, a sua família e o Capitão deixaram o navio a bordo de um pequeno barco; o resto da tripulação a bordo de outro pequeno barco; os dois pequenos barcos passaram a noite à deriva até que, pela manhã, avistaram a costa inglesa. Desembarcado, viajou para Londres donde seguiu para Haia.

 

Diogo de Mendonça Côrte-Real mostrou-se eficiente em lidar com as dificuldades que surgiram entre Portugal e a República Holandesa. Após uma série de conferências sobre o assunto, em 22 de Maio 1692, o diplomata alcançou o objectivo da sua missão quando as duas nações assinaram um tratado ao abrigo do qual a Holanda pagou oitenta mil Patacas como compensação por todos os ataques a navios portugueses.

 

O sucesso desta missão rendeu-lhe elogios por parte do seu Rei, D. Pedro II.

 

Por relevantes serviços prestados à Coroa, em Abril 1701 D. Pedro II nomeou-o Secretário Real das Mercês e Expediente tendo como funções a expedição de decretos, despachos, cartas e documentos e, mais especificamente, a ordenação das Misericórdias.

 

Quando Portugal passou a participar na Guerra de Sucessão espanhola, Côrte-Real ficou encarregado da administração das operações armadas e mais tarde participou das negociações que levaram à assinatura do Tratado de Utrecht que poria fim ao conflito.

 

Morrendo D. Pedro II em 9 de Dezembro de 1706 subiu D. João V ao trono.

 

O novo rei chamou Diogo de Mendonça Côrte-Real para seu Secretário de Estado (posição equivalente à actual de primeiro-ministro) em 27 de Abril de 1707. Entre muitas outras missões, Côrte-Real foi encarregado dos contratos de casamento entre o príncipe D. José e da Infanta de Espanha, Mariana Victoria, bem como entre o Príncipe das Astúrias D. Fernando e a Infanta Bárbara de Portugal.

 

Diogo de Mendonça Côrte-Real casara-se com Dona Teresa de Bourbon, viúva de Álvaro da Silveira e Albuquerque, Coronel do Regimento de Cascais e Governador do Rio de Janeiro, em Outubro 1718.

 

Activo, estava no seu escritório em 9 de Maio de 1736 quando, tendo ido passear um pouco pela sua quinta em Benfica, Lisboa, sentiu uma dor aguda. Morreu em poucas horas. Tinha 77 anos.

 

KXAH-Igreja de Benfica, Lisboa.jpg

 Igreja de Benfica, Lisboa

Foi sepultado na Igreja de Nossa Senhora do Amparo.

 

Bombaim, Maio de 2015

 

Keith Xavier de Herédia-2.jpg

Keith Xavier Ataíde de Herédia

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