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A bem da Nação

POR TORDESILHAS ALÉM… - 9

Para quem, como nós, aproveita a noite para dormir e o dia para viver, é boa a navegação nocturna em cenário de breu. Assim, depois de termos tido um problema com a âncora de bombordo que, digo eu, estaria ensarilhada num cabo submarino, lá conseguimos zarpar rumo a Montego Bay, Jamaica, o país de Bob Marley.

E quem foi Bob Marley?

Vai uma ajudinha da Wikipédia para os esquecidos como eu: Robert Nesta Marley, ou seja, Bob Marley (6 de Fevereiro de 1945 — 11 de Maio de 1981), foi um cantor e compositor jamaicano, o mais conhecido músico de reggae, famoso por ter popularizado o género.

Se quiser ouvir, aqui tem um pouco

https://www.youtube.com/watch?v=FeId3CzNlnc&t=2357s

Dedicado a protestar contra problemas sociais, levou, pela música, o movimento rastafári ao mundo com as mensagens de paz, irmandade, igualdade social, preservação ambiental, libertação, resistência e amor universal. Marley transformou-se na voz do povo negro da Jamaica que então era pobre e se dizia oprimido. A África e seus problemas de miséria, guerras e colonialismo também foram tema das suas músicas, por se tratar da terra sagrada do movimento rastafári. O lema Don’t worry, be happy! faz a síntese duma parte importante da sua mensagem.

E o que é isso do movimento rastafári?

Bom, para além das dicas que já dei, continuemos com a Wikipédia para recordarmos que o rastafári é um movimento judaico-cristão surgido na Jamaica, nos anos 30, entre negros camponeses descendentes de escravos. O movimento proclama Haile Selassie I (1892-1975), o último Imperador da Etiópia, como a segunda vinda do prometido Messias bíblico ou como a representação de Yahvé na Terra. De acordo com o livro etíope Kebra Negast, Haile Selassie é o herdeiro de uma dinastia real cujas origens remeteriam ao Rei Salomão de Israel, filho do Rei David e à Rainha de Sabá, o que é requisito bíblico para o status de Messias. Adoptado por muitos grupos ao redor do globo, o rastafári combina o cristianismo protestante, o misticismo e uma consciência política pan-africana. Os membros do movimento são os rastas.

Posto o que – e agora já sou eu de novo a botar faladura – não se pode compreender a Jamaica sem se saber o que acabamos de recordar. Até porque falar da Jamaica é o mesmo que falar de Bob Marley e falar deste é falar do movimento rastafári. E, de facto, em quase todos os locais públicos por onde passámos em Montego Bay, havia sempre um som que vinha de algures com um toque reggae, havia sempre alguém com um gesto a insinuar esse estilo. A mim, essa gente pareceu-me happy and not worried at all; outros há que dizem que é «tudo malta ganzada». Continuo na minha, actualmente, esta gente é feliz.

Extrovertidos como são, não estou a imaginar os jamaicanos metidos em clausura quando o corona vírus lá chegar. Mais facilmente morrerão a dançar.

Desembarcados, demos uma volta de autocarro por não sei onde (a minha fotofobia a pregar-me partidas) e rumámos a uma praia situada junto do aeroporto pelo que me lembrei do Gilbert Bécaud e «les avions sur l’aéroport…». E foi um caldinho de aviões a rugir nas nossas costas e o reggae a sair dos ubíquos altifalantes. Demos uns quantos mergulhos, estendemo-nos ao Sol e hoje, sim, como muito bem me corrigiu D. Pepe Gener em comentário à crónica anterior, almoçámos debaixo de um baniani imponente. Curiosas, estas árvores que crescem a poucos metros da água salgada. São como os caimões.

Comida feita, companhia desfeita, metemo-nos nos autocarros até ao barco e zarpámos rumo de regresso a Colón, Panamá.

E aí é que vai mesmo começar a grande aventura.

(continua)

Henrique Salles da Fonseca

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