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A bem da Nação

POR ESSA PICADA ALÉM… - 1

 

Então, comecemos pelo fim…

Faz hoje, 14 de Julho de 2019, 47 anos que o António Sousa Pires, o Miguel Lory e eu começámos a viagem de Nampula a Lourenço Marques.

E agora, vamos até antes do princípio…

O transporte foi o meu carro, um Fiat 128 de 4 portas, branco, com o volante à esquerda, que eu mandara ir de barco de Lisboa a Nacala e que chegara incólume a Nampula montado num wagon dos caminhos de ferro. Faço desde já notar que esse verdadeiro «herói das picadas» foi o único carro que até hoje eu tive que dobrou duas vezes o Cabo da Boa Esperança. Não deve haver muitos carros que se possam gabar de tal feito em viagens de longo curso (isto, para despistar quaisquer viagens de proximidade pois não sei se há algum ferry boat que ligue Capetown a alguma ilha nas respectivas afueras tais como Roben Island e quejandas).

FIAT 128 - FB-75-81.jpg

Esse herói regressou a Portugal já depois do «glorioso», passou todo o PREC no activo e só quando a calma voltou é que ele teve direito à reforma. Um valente que nunca deixou o dono na estrada. Nunca, mesmo!

Não faltará muito para que o leitor perceba por quê tanta atenção ao carro.

Mas, entretanto, durante a nossa (do carro e minha) estadia de 13 meses em Nampula, ele viajou aos fins de semana em direcção à Ilha de Moçambique, a Nacala e não só em direcção à costa mas também ao interior, àquilo a que vulgarmente chamávamos «o mato». Aprendemos a «navegar» em areia solta com e sem carga e nunca o valentaço se atascou. Mas o dono dele teve o cuidado de nunca lhe pedir que passasse linhas de água como os patos, com água pelos peitos. Sempre fomos mais de sequeiro do que de aguadas. Aventureiros, sim, mas não maliquinhos da cabeça.

Até que a picada do Namialo a Nacala foi substituída por uma estrada moderna em que o nosso herói podia andar à sua velocidade máxima sem que deixasse de parecer que estava quase parado.

Então, o dono dele fechava a «guerra» às 6 da tarde e íamos jantar a casa dos pais do Miguel Lory, em Nacala, exactamente 200 quilómetros de porta a porta. Para lá, tudo bem mas, na volta, com um tinto seguido de algum digestivo que sabiam lindamente, o sono apertava naquela estrada sem movimento nem curvas. Mas o herói manteve-se sempre em cima do alcatrão e nunca esbarrou em bandos de babuínos noctívagos. Na dúvida, nunca parámos na berma para passar pelas brasas porque aquela é zona de leão. A solução foi a de arranjar um pendura cuja função principal era a de não me deixar adormecer ao volante. O Zé Pessanha foi o habitué nestas peregrinações em que havia troços relativamente longos em que a estrada era ladeada por floresta compacta, uma verdadeira muralha de cada lado sem se ver um palmo lá para dentro. Era daí que podiam saltar os babuínos mas era daí que não havia perigo de aparecerem elefantes ou sequer leões. Gente? Nessa floresta, não de certeza; nos outros troços, pouca ou quase nenhuma pois a estrada tinha acabado de desbravar a região até então isolada e a velha picada era longe daquele novo traçado.

«FB-75-81», o “nome” que ostentou enquanto reinou em Moçambique; «MLJ-21-56», o “nome” que as Alfândegas de Moçambique lhe impuseram para embarcar no «Infante D. Henrique» rumo a Lisboa na companhia do dono e da namorada, a Guida.

Continuemos…

Julho de 2019

Henrique Salles da Fonseca

 

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