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A bem da Nação

«POIS SE NÃO FOSTE TU, FOI TEU PAI»

 

BB-o lobo e o cordeiro.jpg

 

Sugerem-me o tema três exemplares nossos – aparentes - do PSD.

 

Começo por Garrett e a sua balada da sereia. Foi o que me lembrou, pensando em Marcelo Rebelo de Sousa:

 

Teresa Silva Carvalho-Barca Bela.jpg

 

 https://www.youtube.com/watch?v=2mGjVl70FvQ

 

Pescador da barca bela,

Onde vás pescar com ela

Que é tão bela,

Ò pescador!

Deita o lanço com cautela,

Que a sereia canta bela.

 

Mas cautela,

Ò pescador!

Não se enrede a rede nela,

Que perdido é remo e vela

Só de vê-la,

Ò pescador.

 

Pescador da barca bela,

Inda é tempo, foge de ela

Foge de ela,

Ò pescador!

 

almeida-garrett.jpg Almeida Garrett

 

Nós somos os pescadores que muito escutámos com algum fervor MRS, que nos sossegava um pouco o espírito ao Domingo à noite na TVI, parecendo ter no bolso a receita para a nossa serenidade, embora a minha mãe, que não acompanhava, há alguns anos, as suas falas, que a forçávamos a escutar, todos sentados nos sofás religiosamente àquela hora, família unida colhendo os privilégios da cultura televisiva – a minha mãe costumasse comentar, madona poderosa: “É um fala-barato!”.

 

O certo é que Marcelo parecia tudo saber, tudo resolver, de tudo dar conta, velozmente, com optimismo e confiança na nação, defendendo causas que nos pareciam ser as correctas, sereia cantando bela a sua música celestial que impunha, sem diálogo, magister dixit, orientando, sem contestação, Fénix no seu poleiro intocável, sempre velozmente perorando, torneira jorrando sem pingue-pingue de hesitações.

 

De repente, a sereia mostrou o seu temperamento real de nos comer a todos por parvos. Transformado em presidente hipotético, ele seria o de todos os portugueses, comia de todos os repastos, como já a tantos víramos fazer na vida, “Pescador da barca bela, inda é tempo, foge dela!”.

 

A figura seguinte lembrou-me Camões e o seu Adamastor, Mostrengo do fim do mar, horrendo e tenebrosamente ameaçador:

 Adamastor.jpg

 

Cum tom de voz nos fala, horrendo e grosso,

Que pareceu sair do mar profundo.

Arrepiam-se as carnes e o cabelo,

A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo!

(Lus., V, 40)

 

Sabe que quantas naus esta viagem

Que tu fazes, fizerem, de atrevidas,

Inimiga terão esta paragem,

Com ventos e tormentas desmedidas;

E da primeira armada que passagem

Fizer por estas ondas insofridas,

Eu farei de improviso tal castigo

Que seja mor o dano que o perigo!

(Lus. V, 43)

 

BB-Lobo com pele de cordeiro.jpg José Pacheco Pereira, o inspirador do paralelo, cada vez mais raivoso para com os da Coligação, a que dizem que pertence, sem que consiga esclarecer cabalmente por que vomita tanto fel, sob a aparência, todavia, de buda sereno, mastigando saberes em voz de falsete, Adamastor que me desculpe, que tem uma personalidade mais definida e humana, nos seus amores de engano, pela traiçoeira Tétis, P. Pereira provavelmente de tendências mais p’ró Narciso.

 

Para Pedro Marques Lopes, só me lembro de “piu-piu”, como paralelo.

 

Todavia, dentro do espírito de “traição” que tais comportamentos implicam, não posso olvidar a quantidade de fábulas à volta desse tema, entre as quais a do Lobo e o Cordeiro. Para não falar em Shakespeare, é claro, que dá muito mais trabalho a decifrar. Ou na própria Ilíada pioneira.

Berta Brás.jpg Berta Brás

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