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A bem da Nação

PODE HAVER SEMPRE PIOR…

 

 

É muito conhecida

A fábula d’O Lobo e a Cegonha

Que La Fontaine encontrou

Nos fabulistas tradicionais

De mil ou dois mil anos antes,

Em que mesmo os animais

Se comportavam com um cinismo

Por demais!

A menos que fosse para disfarçar,

Esta aplicação aos animais

De vícios que os humanos revelavam

E que não convinha descrever

Sem ser

Com prudência metafórica

Ou animista

Menos incriminatória

Para o fabulista!

 

«O Lobo e a Cegonha»

 

Os Lobos comem sofregamente.

Um Lobo, agarrado à sua lambarice,

Engasgou-se de tal maneira

Que pensou perder a vida

Sem mais aquela:

Um osso se lhe espetara na goela.

Cheio de sorte, pois não podia gritar,

Uma Cegonha passou perto dele.

Fez-lhe sinal, ela acorreu prestemente.

Eis a Operadora a trabalhar.

Retirou o osso; depois, naturalmente,

Por conta de tanto mérito,

Pediu o respectivo pagamento.

« Pagamento? Diz o Lobo

Você está a brincar, ó comadre!

O quê! Não é para si grande sorte

Ter conseguido o seu pescoço retirar

Da minha goela forte?

Vamos, você é muito ingrata!

Nunca mais caia sob a minha pata.

 

Ora aqui está uma maneira

Bem descarada e arteira

De não pagar o devido,

Por serviço produzido!

E não vamos muito longe,

Que hoje, tal como outrora,

Em que a exploração era obra,

Há quem não pague o salário

Necessário

Ao que trabalha para ele,

Num rumo

De diligência e aprumo.

E ai de quem protestar

Por se sentir injustiçado!

À rua irá parar,

Com a autoridade

Própria de toda a opressão,

Quer seja dos empregadores

Quer seja dos opressores,

Sem qualquer sentimento

De direito ou justiça,

Palavras já sem sentido

Entre os Lobos habituais

Do nosso conhecimento.

Por outro lado

Também há as excepções.

Os casos das gratidões,

- Muitos! ao que se diz -

Dos favores

Por desempenhos trocados,

Esplendidamente pagos

E extremamente espalhados

Nestes nossos Estados.

Mas, haja Deus para nós!

Na nossa rábula,

Nem tudo são malfeitorias.

Também há benfeitorias

Nas nossas economias.

E sem fábula!

Cantemos, sim, com Amália,

As graças que apaziguam

Qualquer comadre ou compadre

Com melindre…

 

Ó comadre Maria Benta
seu garoto está melhor
o mal não é tão forte
que o faça estar pior.

 

 Berta Brás

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