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A bem da Nação

PATANISCAS & LAROCAS - 1

Como diria Monsieur de La Palisse, comecemos pelo princípio. E o princípio, desta vez, não é o verbo mas sim o adjectivo que a todo o momento se transforma em substantivo, ou vice-versa. Laroca – bela, graciosa. E qual não foi o meu espanto quando o dicionário Priberam me apontou patanisca (sim, essa mesmo, a de bacalhau) como sinónima de laroca. Então, sinónima por sinónima, chamemos Patanisca a essa que anda por aí a dizer coisas à direita (ela sopra da esquerda) já que, em tempos, tivemos uma Ministra da Educação que, com toda a justiça, recebeu a alcunha de «carinha laroca».

Patanisca, a do Bloco etimologicamente sinistro, para que não restem dúvidas aos meus leitores em Margão, em Mbabane ou no Estreito de Fernão Veloso. E mais importante do que saber quem é ela (é do conhecimento público que se trata de uma Senhora casada e mãe de família, respeitável e respeitada), interessa saber o que é ela. A Patanisca é gramsciana. Não sei se ela sabe disso, mas é. E é nessa condição que temos que a ouvir (e aturar).

Então, foi assim: extintas as empresas industriais e agrícolas que não resistiram às exigências laborais impostas pelo PCP; por falta de «barricadas», o proletariado desmobilizou-se e teve que «se virar» por vias de sobrevivência imediata. Esse amolecimento fez implodir a mensagem revolucionária trauliteira. Mas, entretanto, apareceu a indústria da comunicação pelo que as barricadas operárias foram substituídas pela mensagem sofisticada, permanente, da destabilização da burguesia. Daí, o clima de sobressalto permanente, a criação da ansiedade, da insegurança, da desconfiança, da denúncia, da caça às bruxas. Todos os mandantes são corruptos  - e nós sabemos que os há mas seguramente não serão todos – pelo que há que construir uma classe impoluta que assegure a hegemonia cultural.

Eis ao que anda a Patanisca y sus muchachos.

E se todos nós, os que não somos muchachos dela, concordamos com o combate à corrupção, não estamos, contudo, pelos ajustes nessa de considerarmos ab initio todos os mandantes como mentes perversas e puníveis. Não, o que nós não queremos é que continue por aí à solta o reino do hedonismo num mar de desregulamentação em que tudo vale desde que se enriqueça muito e já! Ao contrário desses críticos, não nos move a inveja, queremos exterminar a pobreza e não viver à custa do incitamento dos «desgraçadinhos» à desconfiança dos que usam camisas lavadas. Nós, os serenos, rejeitamos o discurso do ódio mesmo quando proferido por uma patanisca bela e graciosa.

 

(continua)                

Lisboa, 1 de Novembro de 2019

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Henrique Salles da Fonseca

 

BIBLIOGRAFIA:

HEGEMONIA CULTURAL EM ANTÓNIO GRAMSCI - - https://www.infoescola.com/sociologia/hegemonia-cultural/

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