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A bem da Nação

OS CEMITÉRIOS DA DISCÓRDIA

 

 

 

Há dias um bando de adolescentes que sempre se mostraram “muitos tranquilos” (?!) depredou, numa pequena provação em França, um cemitério judeu. Depois dos ataques que estes sofreram no país foi mais um escândalo que o francisquinho da Holanda aproveitou para voltar a falar na liberté, nos valeurs de la Republique e mais uma vez afirmar que governar c’est pas facile.

 

Foi um acto besta de adolescentes entre 15 e 18 anos que demonstraram assaz capacidade de destruição e falta de respeito pelos vivos e sobretudo pelas ossadas que ali descansavam. A pena, coitadinhos dos ados, vai ser fraca. Direitos humanos.

 

Mas entretanto ficou-se a saber que durante 2014 o vandalismo mórbido de destruir cemitérios, em França, alcançou números extraordinários: 214 cemitérios cristãos, 40 ou 50 judaicos e uns 20 de muçulmanos.

 

Vai tempo em que os grandes reis eram enterrados cheios de jóias e ouro, vivos eram abatidos e depois lhes retiravam dentes de ouro que os nazis vendiam aos muito sérios e isentos judeus suíços! Agora não vale a pena fuçar nas tumbas, porque nada de valor lá se encontra. Então porquê isto?

 

É uma evidente demonstração de covardia. Nojenta, abominável. Ir perturbar as ossadas dos que já cá não estão e não se podem defender.

 

Mas a estupidez começa pela separação do local onde pode ser enterrado cada corpo conforme a religião que praticou. Até entre cristãos, católicos e protestantes!

Até em Angola houve o Cemitério dos Ingleses: protestantes não podiam ser enterrados ao lado dos católicos. Em Lisboa há outro. No Rio de Janeiro e em muitos outros lugares. E cemitérios para judeus também os há por todo o lado.

 

FGA-cemitérios holandeses.jpg

Ao que chegava (e chega) a estupidez humana: marido, protestante, e mulher católica, unidos por cimento em cemitérios separados! (Holanda, final séc. XIX)

 

É incompreensível esta psicose de se separarem os mortos. Razão tinham os hindus que cremavam os corpos; muitos deles mandavam levar as cinzas para o templo do deus da sua crença. Como é evidente ninguém vandalizava caixinhas com cinzas.

As penalidades de lei deviam ser mais duras para quem pratica esses crimes, repito, crimes, porque esses actos são piores do que simples vandalismo: são manifestações de intolerância e de total covardia. E ninguém aprende sem não levar umas palmadas bem dadas. Até o Papa Francisco diz que dar uma palmada aos filhos – nada de brutalidade – só os ajuda a melhor distinguirem o certo do errado.

 

Todos, eu, e tu, e aquele monte, e o Sol que agora se esconde, são moléculas do mesmo Todo, governadas pela mesma Lei, rolando para o mesmo Fim somos. (Eça – Civilização)

 

Hoje, o politicamente correcto não permite que se bata nos filhos; se um vizinho vir uma cena dessas pode fazer queixa e os pais perderem a guarda dos filhos.

 

Em África, nas populações ainda com magnífica vida primitiva, ninguém bate nos filhos. Eles crescem em total liberdade. A verdade é que vivem cercadas de carinho e não têm como ter “ataques de fúria” e, por exemplo, quebrar um prato ou a televisão. Também não roubam um dinheirinho da carteira da mamãe para comprar cigarros, nem ficam à janela a chamar nomes feios a quem passa na rua!

 

Lembro um episódio curioso: a minha filha Helena teria uns 12 ou 13 anos. Sem suspeitar que eu estava em casa, entrou porta dentro a fumar! Levou um tapa na cara, o cigarro voou e ela nunca mais na vida voltou a fumar. É ela quem conta essa história e que agradece o tapa que levou!

 

Diz um provérbio cuanhama que “O tronco da árvore se endireita enquanto é novo e verde.” E para que continue a crescer bem direita tem que se amarrar a uma estaca.

 

O mesmo com a juventude, antes que se desgarre: educação firme “amarrados à estaca do respeito e do amor aos outros, ao respeito pelos pais e mestres, etc.”, do mesmo modo que têm que receber destes o exemplo.

 

Todos os anos há vandalismo nos cemitérios. Aqui no Brasil a finalidade não é política, mas unicamente destruidora: roubar cruzes e outras imagens de bronze ou ferro, para vender a receptadores que, mais ainda estes, deveriam sofrer pesadas sentenças.

 

Destruir pela simples finalidade de destruir só acontece mesmo na cabeça dos que nada têm dentro dela. Então a solução para esses marginais deverá ser encher-lhes a caixa craniana. Se não a encheram por dentro com boa formação e respeito, quando crianças e adolescentes, agora só por fora, com um monte de bordoada e uns anos na cadeia.

 

Pelo andar da desumanização, nem depois de morto se consegue descansar... em paz.

 

25/02/2015

 

Francisco G. Amorim-IRA.bmp

Francisco Gomes de Amorim

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