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A bem da Nação

O SEU A SEU DONO

O governo grego chefiado por Alexis Tsipras e representado nas instituições financeiras internacionais por Yanis Varoufakis tem sido particularmente infeliz na apresentação das suas pretensões e na formulação de desculpas em matéria de descontrolo do endividamento externo. Recorre a toda espécie de ameaças, insultos e até a gestos obscenos para afirmar direitos que ninguém reconhece a práticas tais como fuga aos impostos e outras de igual quilate. Assim não conquistam nem simpatias nem reputação.

 

Tal atitude é tanto mais lamentável quanto, ao que se tem vindo a apurar recentemente haverá provavelmente aspectos em que alguma razão assiste aos Gregos.  

 

Com efeito, em Fevereiro último, a revista alemã SPIEGEL, fundamentando-se num relatório do 194 páginas do Ministério da Finanças grego a que teve acesso, revelou que os nazis durante a ocupação militar de 1941 a 1944, forçaram o Banco Central grego a conceder-lhes empréstimos em dracmas. O montante dos empréstimos assim obtidos teria excedido 10 vezes os custos da ocupação do território grego. Isto é, Hitler pagou as despesas da ocupação militar da Grécia e parte da campanha no Norte de África com dinheiro emprestado pelas vítimas dessa ocupação. Porém, como o fez por via bancária, e invocou a Convenção de Haia de 1907, tais financiamentos não cabem na categoria de reparações por estragos de guerra e deverão ser contabilizados e tratados pura e simplesmente como empréstimos bancários. Pelas cálculos dos Gregos, a divida nazi não paga até hoje totalizaria no final da II Guerra Mundial 476 milhões de Reichmarks, ou seja o correspondente, em termos actuais, a €11 mil milhões, (suficiente para pagar 4% da divida soberana grega actual). Reconhece-se no dito relatório que o Governo alemão pagou ao Governo grego, em 1961, 115 milhões de deutsch marks como compensação ás famílias das vitimas de massacres mas isso não pode ser levado em conta como reembolso do empréstimo bancário forçado. São coisas de natureza diferente. Segundo o Spiegel, as revelações do MdF grego vem ao encontro de declarações feitas anteriormente pelo historiador alemão da Universidade de Atenas, Hagen Fleischer.

 

Segundo o Economist, de 21 de Março, a Grécia nunca desistiu formalmente das queixas em relação à ocupação alemã. Ludwig Erhard, ao tempo em que era ministro das Finanças da RDA, teria prometido pagar a divida após reunificação. Em Novembro de 1995, já após reunificação alemã, o Governo grego solicitou abertura de negociações sobre este assunto, mas Berlim fez orelhas moucas.

 

NÉMESIS~2

 

Perante os factos agora revelados, eu diria que Schäuble – ele também – encontrou Némesis e esta lhe imporá a obediência à lei das compensações para bem da harmonia da Humanidade.

 

O que os Gregos poderão reembolsar caso façam valer os seus direitos é uma pequena parcela da sua actual divida soberana mas o que está aqui em causa é o procedimento moral de devedores e de credores. Por isso, eu diria mais que os Gregos terão maiores probabilidades de êxito se retirarem este assunto do âmbito do Euro e o colocarem no contencioso bilateral germano-helénico.

 

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Luís Soares de Oliveira

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