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A bem da Nação

O FADO DA INDONÉSIA

 

 

O grupo musical Keroncong Tugu actua em Díli durante a Cimeira da CPLP em Julho de 2014.

 

Não faltará quem pergunte de quem se trata. Pois bem, são dos tais que não sabem uma palavra de português e não têm já um único gene português mas que se dizem portugueses. Vivem nos arredores de Jakarta num bairro chamado Tugu (eu brinco dizendo que são os tugas lá do sítio) e descendem dos portugueses e seus escravos forros que há séculos por ali andaram.

 

Para já, tudo o que querem é um professor de português. Não tendo agora nós, Portugal, as finanças públicas em condições de satisfazermos esse pedido, sugeri-lhes que o pedissem ao Governo de Timor Leste durante uma das récitas que darão em Díli. E como dos tímidos não reza a História, enviei-lhes um escrito para o chefe do grupo, o meu amigo facebookiano Guido Quiko, ler aos microfones: «Os residentes no bairro Tugu, em Jakarta, pedem ao Governo de Timor Leste que lhes envie um professor de português». Vamos ver como ele se safa na leitura e na satisfação do pedido.

 

Mas é no livro “OS FILHOS ESQUECIDOS DO IMPÉRIO”, pág. 158 e seg., que o Joaquim Magalhães de Castro nos relata o que é este «fado» e quem são os seus intérpretes:

 

«(…) o kaparinyo, canção inicialmente popularizada na costa oeste de Samatra e posteriormente divulgada em todo o arquipélago (…) provém do lagu cafrinyo, tema de origem portuguesa ainda hoje cantado no bairro dos luso-descendentes de Tugu, nos subúrbios de Jacarta e que se insere num estilo musical denominado kroncong (…) caracterizado principalmente por um estilo vocal em que se canta de uma maneira sentimental em que são utilizadas harmonias europeias.

 

Na sua forma original, os tempos e contratempos do kroncong eram tocados em viola apropriada, com corpo de madeira ou casca de coco, hoje praticamente obsoleta. (…) Actualmente, os agrupamentos que mantêm vivo esse estilo musical substituíram as biolas kroncong pelos cavaquinhos e bandolins eléctricos podendo eventualmente integrar o violino, a flauta e vários tipos de percussões.

Mestiços e escravos africanos, indianos e malaios com carta de alforria, os denominados mardijkers ou “portugueses negros”, como também eram conhecidos, foram os primeiros intérpretes deste género musical que, de certa maneira, podemos associar ao fado. Durante o domínio holandês, essa gente entretanto classificada como portugi logrou obter um pedaço de terra fundando a colónia de Tugu, ainda hoje existente. Distingue-os o crioulo e o kroncong cujos intérpretes, em Java e no Sul de Samatra, são conhecidos como tanjidores

 

E como as modernices o permitem, aqui vai a ligação ao anúncio que o meu amigo Guido Quiko faz da ida a Díli, à Cimeira da CPLP:

https://www.youtube.com/watch?v=HAQ_3KBXsmE&feature=youtu.be&list=UUzcG630pt1vRU-VsTzQtWMw

 

Na página dele no Facebook em

 https://www.facebook.com/Keroncong.Tugu?fref=tsm

tem muito mais informação em bahasa, a língua corrente na Indonésia que o Google Translator denomina «indonésio».

 

Não sei o que os Governos de Portugal e de Timor Leste vão fazer neste particular mas eu sei que não os vou abandonar. Quem me acompanha?

 

Julho de 2014

 

 Henrique Salles da Fonseca

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