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A bem da Nação

O BAÚ DE FERNANDO PESSOA

Baú de Fernando Pessoa.png

Autêntica caixa de surpresas, não se sabe o que lá se vai encontrar…

 

Fernando Pessoa atirava todos os papéis e papelitos em que escrevia qualquer coisa que lhe ocorria para dentro de um baú que colocara entre a porta e a janela do seu quarto. Podia ser um guardanapo de papel em que escrevera uma frase que mais tarde pudesse servir de verso numa poesia que um dia compusesse, poderia ser um apontamento sobre algo que quisesse comprar quando estivesse mais abonado, um rascunho de prosa ou de poema, podia ser um pedaço de jornal em cuja margem tivesse apontado um pensamento.

 

O baú das eventualidades e de futuras aventuras literárias.

 

Diz quem sabe que nessa «caixa de Pandora» se encontra… sabe Deus o quê.

 

Todos os poemas que por lá estavam já foram editados, o que ainda há é prosa porque Pessoa escrevia no mesmo dia, às vezes na mesma folha, vários textos diferentes. Há manuscritos, por exemplo, com um fragmento do Livro do Desassossego e com um poema do Alberto Caeiro e outro de Álvaro de Campos, heterónimos do poeta.

 

Fernando Pessoa morreu aos 47 anos de idade em 1935, mas o seu pleno reconhecimento só veio por volta de 1940 quando foi aberto o dito baú.

 

Para os estudiosos, a dificuldade é reunir textos soltos e montar uma espécie de quebra-cabeças entre poesias, contos, criticas, traduções, rascunhos e anotações.

 

Durante o consulado de Salazar, o poeta não chamava muito à atenção porque as suas ideias não tinham conteúdo político. É o que explica o Professor Fernando Cabral Martins, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa: “Ele falava do tempo, da morte, do ser, da consciência, da sensação, do sonho. Isso são coisas que não pareciam importantes quando a questão que se colocava era não haver liberdade de expressão. Portanto, durante aqueles anos, Pessoa não correspondia às necessidades políticas da época”. Leia-se, das Oposições.

 

Contudo, podemos ler nas entrelinhas…

 

“Há um tempo em que é preciso

Abandonar as roupas usadas

Que já têm a forma do nosso corpo

E esquecer os nossos caminhos

Que nos levam sempre aos mesmos lugares.

É o tempo da travessia

E, se não ousarmos fazê-la,

Teremos ficado, para sempre,

À margem de nós mesmos”.

 

A primeira edição da sua obra só foi feita em 1960.

 

A maior parte do espólio foi para a Biblioteca Nacional de Portugal onde os investigadores continuam a trabalhar.

 

O facto de ao longo dos anos continuarem a aparecer textos novos, faz de Fernando Pessoa um escritor sempre actual. O Livro do Desassossego, uma das suas maiores obras, só foi publicado em 1982.

 

As previsões apontam para que a vasta produção de Fenando Pessoa continue a gerar ainda durante muito tempo novas descobertas e novas publicações. Por exemplo, só há pouco tempo se descobriu o seguinte poemeto:

 

«A criança que ri na rua,

A música que vem no acaso,

A tela absurda, a estátua nua,

A bondade que não tem prazo.

 

Tudo isso excede o rigor

Que o raciocínio dá a tudo,

E tem qualquer coisa de amor,

Ainda que o amor seja mudo.»

 

Mas há mais: Pessoa tinha o inglês como sua segunda língua pois estudou na África do Sul. Chegou mesmo a ganhar um prémio «Rainha Vitória» de literatura.

 

"A kiss is more than a touch of lips -

It is a touch of two hearts,

Of two souls,

Of two glowing portions of the life spirit."

 

Lisboa, Dezembro de 2018

Navegando no Pacífico-ABR17.jpg

Henrique Salles da Fonseca

BIBLIOGRAFIA:

EBC - Empresa Brasileira de Comunicação

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