O ACORDO ORTOGRÁFICO DE 1990 – 5
Qualquer crítica – e qualquer defesa – que se baseie sobretudo em chamar nomes aos defensores e aos críticos, não é crítica nem defesa: é mero desabafo, auto- regozijo pela certeza que transborda da alma de cada um. Não vale nada.
Por isso não me atrevo a ser contra a adopção do Acordo Ortográfico de 1990 sem
apresentar as razões em que me baseio.
Os argumentos que se seguem são de ordem operatória, fonológica, morfológica, de linguística histórica, sociológica, diplomática, económica e de preservação histórica.
Há mais, porém fico por aqui.
- Argumento educativo
Como ensinar a uma criança que “soturno” se lê com “o” fechado, pronunciado “u” na maior parte do país e a palavra “noturno” se lê com “o” aberto”?
A resposta é fácil: não se lhes ensina a palavra “soturno” e fica o caso arrumado.
Se porventura o avô usar “coturnos”, ora, o problema é dele. Que use meias para não atrapalhar as pronúncias.
Como ensinar a uma criança que da palavra “noite” se formou “noitada”, mas que “noiturno” e “noitívago” não existem, o que existe para o AO-90 é “noturno” e “notívago”?
Não seria mais fácil dizer‐lhes que estas últimas se escrevem com “ct” por serem palavras entradas na língua por via erudita e não por via popular? E que, se elas, crianças, comeram papa “láctea”, esta é outra palavra também erudita, tal como “lacticínios”?
(continua)
Manuela Barros Ferreira
Campo Arqueológico de Mértola


