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A bem da Nação

NÓS, OS FILHOS DOS VENTOS CÁLIDOS – 8

Foi com a implantação da democracia que respirámos fundo e nos dedicámos à construção do novo velho Portugal. Mas ainda sob a tutela do Conselho da Revolução, esse órgão espúrio que só por existir nos passava a todos os civis um atestado de menoridade e ao país um caracter terceiro-mundista, uma vergonha, um quisto purulento no tecido da civilização ocidental.

A segunda prova da nossa sabedoria burguesa e cosmopolita foi a de fazermos saber ao Conselho da Revolução que ninguém, cá dentro ou lá fora, lhe reconhecia qualquer papel de garante absolutamente de nada, que estarem ali ou se dissolverem era precisamente o mesmo para a legitimidade legislativa da Assembleia da República, essa sim, democraticamente eleita. Não «comprámos» uma guerra inútil, deixámo-lo cair faisandé como se diria no meu liceu.

Na saída, garantimos-lhes que não os iríamos levar a Juízo pelas tropelias que tinham feito à democracia de que diziam ser garantes.

- Vão-se embora, desapareçam das nossas vistas, fiquem com as vossas pensões de reforma e não voltem a incomodar-nos.

Saídos os militares pela porta dos fundos, consolidou-se a democracia pluri-partidária por que nós, os filhos dos ventos cálidos, há muito assumíramos como o único modelo político que nos convinha.

E como a nossa filosofia assenta na liberdade de pensamento, lógico foi que não integrássemos apenas um Partido e nos espalhássemos ao longo do leque de opções que tinha aparecido logo em 1974, leque esse que se manteve como matriz até hoje, salvo algumas oscilações comandadas por modas, pessoas mais ou menos carismáticas ou circunstâncias mais ou menos conjunturais. Mas a estrutura tem-se revelado sólida.

Problemas?

Sim, muitos mas a democracia constrói-se diariamente, é um modelo dinâmico. Como se diz que Churchill disse, «a democracia é o pior dos sistemas políticos com excepção de todos os outros».

(continua)

Junho de 2019

Henrique Salles da Fonseca

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