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A bem da Nação

NO PASARÁN!

 

 

La Fontaine tem lições

Para todas as ocasiões.

Eis um exemplo na berra:

 

«O Leão, partindo para a guerra»

 

Rei Leão matutava com discernimento

Num certo empreendimento

Do seu entendimento.

Decretou um conselho de guerra

Lá na terra,

Enviou os seus chefes mores

Para avisar os demais animais

Da sua decisão,

Sem comiseração

Mas com modos sabedores.

E todos foram parte do projecto,

Cada um segundo os seus valores:

O Elefante devia no seu amplo dorso de paquiderme

Os aprestos guerreiros transportar

E ainda, conforme o seu costume,

Sem charme,

Pesadamente combater;

O Urso, os assaltos deveria preparar;

A Raposa, os serviços secretos organizar;

E o Macaco, com as suas macaquices,

O inimigo, sem chatices, distrair.

-“Despedi, disse um dos intervenientes,

Desses mais insinuantes

Na governação,

Que os há sempre,

Queiramos ou não –

Os Burros, que são bem broncos,

E as Lebres, sujeitas a pânicos.”

-“Nada disso, disse o Rei; eu quero-os a todos empregar:

A nossa tropa, sem eles, completa não iria estar.

O Burro assustará as gentes, servindo-nos de trombeta;

E a Lebre servir-nos-á de correio

Como estafeta.”

Um monarca prudente e sensato

Dos seus menores vassalos sabe tirar proveito,

E sabe reconhecer o talento e o jeito.

Não há ninguém inútil

Nem fútil

Para um governante experiente

E envolvente.

 

Assim disse La Fontaine,

Assim acha a minha amiga confiante,

E também eu, crente

Na verdadeira democracia,

Ao ouvir nas sessões do Parlamento,

Os novos ministros com muito tento

E galhardia,

Falando e dando

Lições de delicadeza

E de subtileza,

E de comedimento

Sem aquele arreganho

De antanho,

A todos amando

E respeitando,

Embora protelando

Algumas decisões,

Sem precipitações,

Para tratarem de tudo

Com muito estudo

Transmitindo confiança

Na sua promessa

De mudança.

O mal é que a maioria,

Impaciente,

E impertinente,

Sem cortesia,

Sempre com pressa,

Injecta, injecta

O discurso da treta,

Habituada que está

Ao improviso,

À imprevidência

À impaciência

À berraria,

À falta de estudo

Ignorando, afinal,

Que trabalho e estudo

São tudo,

Ou o principal,

Mais a hombridade,

E que é preciso saber esperar

Para poder observar

Resultados de qualidade

E talvez mesmo em quantidade

Como já mais que uma vez nos sucedeu,

Sei eu.

Por isso, talvez que o nosso rei

Mesmo tentando fazer o melhor,

Se fique no degrau inferior,

Porque ele deseja, sim, erguer a Nação,

Mas a sua Grei, não.

 

 Berta Brás

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